Nacionalistas

Saí­ há pouco da vernissage de uma exposição de arte no antigo Hotel Globo, na baixa de Luanda. “Nacionalistas” é o nome de guerra do grupo de criadores ali reunido, e “Angola Combatente” o tí­tulo da mostra, organizada pela SOSO Arte Contemporânea e pelo TACCA. Quem não goste de arte contemporânea, não é ali que vai ficar a gostar; quem aprecie, não se vai sentir defraudado. O conjunto de obras em várias técnicas, desde a fotografia de grande formato à  gravura, passando pela pintura, escultura e desenho, tem uma grande homogeneidade, quer de qualidade quer de influências.

Com uma estética neo-pop, se assim se pode chamar, nascida da mistura livre de várias técnicas de expressão, recorrendo à escrita, à colagem, à grattage, destruindo, reciclando materiais, inspirando-se nos graffitti e nos média, bebendo na realidade polí­tica do paí­s e na dura vida quotidiana da maior parte dos angolanos, as obras expostas superaram as minhas expectativas. Encontram-se ali traços do Warhol, Rauschenberg, Jasper Johns, do Basquiat, do Peter Beard, bem digeridos e trabalhados numa perspectiva genuinamente angolana.

Gostei particularmente dos 23 desenhos em técnica mista de Paulo Capela (ou mestre Capela, como se auto-denomina em várias obras), o mais velho dos artistas expostos; de três gravações sobre linóleo de Lino Damião; das várias peças de Marco Kabenda; e das fotografias de grande formato de Kiluanji Kia Henda. Vou voltar lá noutro dia, quando houver menos confusão – a sala estava cheia, provando que há público para estes eventos – para apreciar melhor os trabalhos. Para já, parabéns à organização.

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