Pronto-socorro

O arroz de marisco estava servido no prato, fumegante, rico em lagosta, camarão e choco. Cheirava. De garfo e faca na mão, varado de fome, lancei um olhar em redor antes de me atirar à tarefa. Um homem caminhava para a casa de banho, alguns metros à minha direita. Mal reparei nele, até ao momento em que hesitou, parou, e caiu para trás, direito como uma tábua de engomar. Ouvi distintamente o som da cabeça a chocar com o chão de ladrilho. Poças! Lá se foi o arroz quentinho…

Corri na direcção do homem, seguido pelo E., para ver o que lhe teria acontecido. Estava branco, muito fraco. Um aparelho de medir a tensão, providenciado pelo dono do restaurante, confirmou o primeiro diagnóstico – uma baixa de tensão, para os 7/4. Muito baixa mesmo. Como não havia nenhum médico presente, e os amigos não o quiseram levar ao hospital (provavelmente porque também tinham o arroz de marisco a arrefecer…), lá se recorreu à sabedoria tradicional: um copo de água com muito açúcar; uma cadeira à sombra; e descanso. Passado um bocado já estava bom – levantou-se e foi para a mesa dos colegas, onde ficou calmamente à conversa. O arroz é que já não me soube ao mesmo.

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