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Como sobreviver em Angola

Nota pré­via: este artigo foi escrito em Agosto de 2006 e, como tal, está pro­va­vel­mente desac­tu­a­li­zado. Infe­liz­mente, dado que já não estou a viver em Angola nem lá fui recen­te­mente, não posso cor­ri­gir as infor­ma­ções even­tu­al­mente ultra­pas­sa­das. Deixo-​​o, con­tudo, na espe­rança de que ape­sar disso ainda possa ser útil a alguém.

Um novo colega, que viaja para Angola no pró­ximo fim de semana, escreveu-​​me pedindo con­se­lhos prá­ti­cos. A res­posta que lhe enviei, não sendo muito extensa, toca em alguns pon­tos bási­cos que podem tal­vez ser úteis para outras pes­soas nas mes­mas cir­cuns­tân­cias, e com­ple­men­tam aspec­tos que não foram toca­dos neste blo­gue. Resolvi por isso criar um artigo com base nesse texto.

Olá J. espero ainda ir a tempo com meia dúzia de dicas. Começo pelas tuas perguntas:

  • movida tro­pi­cal — sim, muita. Vou ter sau­da­des das fes­tas, bares de praia e discotecas.
  • cha­péu de chuva — não tenho e nunca senti falta. Só chove no Verão e, nes­sas altu­ras, o melhor é pro­cu­rar abrigo. Não é o cha­péu que te vai safar.
  • jor­nais por­tu­gue­ses — encon­tras o Expresso, carí­ssimo, e a Visão. Se em Por­tu­gal já tenho dúvi­das que valham o que cus­tam, aqui ainda mais. Mas há a Sic Notí­cias, Sic Inter­na­ci­o­nal, RTP Inter­na­ci­o­nal, Globo, CNN, BBC, além do Luso­mundo Pre­mium e Gal­lery e, evi­den­te­mente, toda a cober­tura da Super-​​Liga.
  • livra­rias — pou­cas e mal reche­a­das de livros caros. Se qui­se­res ler lite­ra­tura ango­lana ainda te vais safando, para tudo o resto tens de tra­zer de casa.
  • mos­qui­tei­ros — pes­so­al­mente não uso, por­que a minha casa tem pou­cos mos­qui­tos. Mas a malá­ria pode ser um pro­blema incó­modo em algu­mas oca­siões, se a pes­soa não tiver cui­dado. Nas idas ao Mus­sulo ou para algu­mas regiões fora de Luanda (ou mesmo nas saí­das de fim de tarde em Luanda) é melhor apli­car doses libe­rais de repe­lente. Se tive­res pre­fe­rên­cia por alguma marca é melhor tra­zer, pois podes não encon­trar esse especificamente.
  • roupa de noite — agora que é cacimbo, durmo de t-​​shirt. No Verão quanto mais des­pido melhor (e com o ar con­di­ci­o­nado a bum­bar, de preferência).
  • roupa de dia — infor­mal, camisa e jeans no dia a dia. Um casaco para levar a algu­mas reu­niões com cli­en­tes, e um fato leve para usar uma vez por ano, em casa­men­tos ou entre­gas de pré­mios. Para o cacimbo (agora…) umas cami­so­las finas de manga com­prida, para sair à noite. No resto do ano, think tro­pi­cal.

Mais algu­mas coisas:

  • carta de con­du­ção — é bom tra­zer a inter­na­ci­o­nal, mas nem sem­pre subs­ti­tui a por­tu­guesa, que mui­tas vezes te pedem na mesma. E ao fim de três meses tens de tirar uma angolana.
  • dinheiro — para as pri­mei­ras des­pe­sas traz dóla­res, não euros. Os euros só tro­cas no banco, os USD’s podes usar e tro­car pra­ti­ca­mente em todo o lado.
  • ban­cos — há mui­tos, e fun­ci­o­nam razo­a­vel­mente — desde que não tenhas de andar nas bichas. Emi­tem car­tões Mul­ti­caixa (o equi­va­lente ao Mul­ti­banco), havendo bas­tan­tes ATM’s. Em con­tra­par­tida, os car­tões de cré­dito pra­ti­ca­mente não ser­vem para nada — só são acei­tes em alguns hotéis e num único banco, para cash advance. Curi­o­sa­mente, há inter­net ban­king e funciona.
  • medi­ca­men­tos — Se depen­des de um medi­ca­mento espe­cí­fico, não con­tes com ele aqui enquanto não tive­res a cer­teza de que se arranja com faci­li­dade. Há muita far­má­cia, muito medi­ca­mento (podes com­prar Xanax, Via­gra, etc. ao bal­cão) mas pode não haver aquele especí­fico de que neces­si­tas. Reco­mendo que faças a pre­ven­ção da malá­ria durante o perí­odo reco­men­dado, e tra­gas as vaci­nas da febre ama­rela e do tétano em dia. A par­tir daí, a pre­ven­ção é a única solu­ção. Traz tam­bém medi­ca­men­tos para os desar­ran­jos intes­ti­nais; não são fre­quen­tes, espe­ci­al­mente se tive­res alguma aten­ção à tua ali­men­ta­ção, mas nin­guém se con­se­gue livrar com­ple­ta­mente deles.
  • coi­sas de uso cor­rente — o mesmo que o ponto ante­rior. Se tive­res pre­fe­rên­cias muito especí­ficas sobre um deter­mi­nado per­fume, aftershave, escova de den­tes, pro­tec­tor solar, pasta dentí­frica, papel higié­nico, etc, é melhor tra­ze­res supri­men­tos. Tudo isso se arranja cá, e de boas mar­cas, mas não há nem vari­e­dade nem cons­tân­cia no fornecimento.
  • água — não se bebe água da tor­neira, nunca. Eu lavo os den­tes com ela, mas enxa­guo a boca com água fer­vida e só bebo água mine­ral (Cara­mulo, normalmente).
  • luz — depen­dendo da zona de Luanda onde fiques alo­jado, podes ter mais ou menos pro­ble­mas com a ener­gia eléc­trica. Eu não me posso quei­xar — salvo em momen­tos especí­ficos, raras vezes tive mais de uma falta de luz (tem­po­rá­ria) a cada quinze dias. No Algarve, há uns anos atrás, era pior. No entanto, uma boa lan­terna nunca fez mal a ninguém.
  • tele­mó­vel — se tive­res o teu des­blo­que­ado, com­pras um número com faci­li­dade. Se não, tam­bém é fácil desbloqueá-​​lo. Se não qui­se­res arris­car, um tele­fone básico pode cus­tar menos de 100 usd. Como nota curi­osa, não é proi­bido con­du­zir e falar ao tele­fone ao mesmo tempo — se gos­ta­res de viver peri­go­sa­mente, tens sem­pre essa opção radical.
  • carro — é indis­pen­sá­vel. Luanda não é cidade para andar a pé, espe­ci­al­mente no Verão — dema­si­ado pó, calor, bura­cos, con­fu­são. E os trans­por­tes públi­cos são para evi­tar como a praga (durante a epi­de­mia do Maar­burg, eram para evi­tar por causa da praga…).
  • e, final­mente, Clube de Ví­deo — conheço um, razoá­vel, com bas­tan­tes dvd’s. O que é uma boa notí­cia, por­que cinema só há um. No fim do ano, ao que dizem, vão haver mais 8 salas no Belas Shop­ping Cen­ter, o pri­meiro de Angola. Neste momento o cinema Atân­tico, ape­sar de muito diver­tido (ver arti­gos aqui no blo­gue), passa os fil­mes com alguns meses de atraso, além de ficar com o mesmo filme muito tempo em cartaz.

Bom, espero que tenha sido útil. Um abraço e boa via­gem João Nunes

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6 Comentários

  1. Publicado 22/08/2006 às 14:35 | Link

    Caro amigo Joao Nunes,
    Tenho lido o seu Blog com alguma atençao e tenho gos­tado de tudo em geral, mesmo das situações que con­si­dero hilárias…
    Os meus sin­ce­ros para­bens.…
    Vou con­ti­nuar a segui-​​lo.….

    Um Abraço…
    Jose Cunha

  2. Paulo Jorge
    Publicado 02/09/2006 às 17:07 | Link

    Exmo. Senhor João Nunes,

    Em pri­meiro lugar os meus para­bens pelo seu Blog pes­soal, sou português e em breve irei tam­bem via­jar para Angola em tra­ba­lho, mais con­cre­ta­mente para o Soyo norte de Angola, pro­ximo de Cabinda, os con­se­lhos e dicas que deu ao colega que lhe escre­veu a soli­ci­tar irão também me ser uteis a mim, mais per­gunto em que altura con­creta começa o Verão em Angola?

  3. Catarina
    Publicado 26/01/2009 às 16:43 | Link

    Caro amigo Joao Nunes,
    Tenho lido o seu Blog e tenho gos­tado de tudo em geral, mas gos­tava que me envia se mais infor­ma­ções , o meu marido pre­para se para ir para la ja no pro­ximo mês.

  4. S. F.
    Publicado 05/03/2009 às 22:45 | Link

    Olá,

    boa noite,

    vou via­jar para luanda com fami­li­a­res durante 15 dias e com hones­ti­dade estou assus­tada com o que leio na Inter­net rela­ti­va­mente à cri­mi­na­li­dade e ao racismo con­tra os por­tu­gue­ses especialmente.

    cum­pri­men­tos

  5. Bruno Almeida
    Publicado 10/12/2009 às 17:56 | Link

    Muito útil este artigo.
    Cumprimentos

  6. rui
    Publicado 22/12/2011 às 12:56 | Link

    olá gos­ta­ria de saber onde posso arran­jar cer­ti­fi­cado do registo cri­mi­nal visado pelos nego­cios estran­gei­ros. pedem isso no con­su­lado de angola. Obrigado

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