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Mercado de Benfica

Rece­be­mos ontem um arqui­tecto e uma desig­ner por­tu­gue­ses, o M. e a A., que estão cá por uns dias para nos aju­dar num pro­jecto grande. Fui jan­tar com eles ao Cais de Qua­tro (o res­tau­rante onde nor­mal­mente se levam os recém-​​chegados para lhes dar uma vista pano­râ­mica da mar­gi­nal de Luanda í  noite). A A. e a minha colega P. que­riam visi­tar o Mer­cado de Ben­fica para com­prar panos, e com­bi­ná­mos o pas­seio para hoje.

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O mer­cado é a sul de Luanda, a cami­nho da barra do Kuanza. Con­siste num monte de bar­ra­cas mais ou menos pre­cá­rias, do lado direito da estrada, onde se ven­dem qua­dros, arte­sa­nato ango­lano (e não só), pro­du­tos ali­men­ta­res, comi­das e bebi­das, e os tais panos de Cabinda, ou wax, como são chamados.

As visi­tas ao mer­cado são sem­pre uma pequena desi­lu­são. O arte­sa­nato é muito repe­ti­tivo, pouco ima­gi­na­tivo, e nem é tão bonito assim. Mui­tas das peías dão uma ideia de pouca genui­ni­dade, se é que ainda tem sen­tido usar essa expres­são para alguma coisa. Há peías inte­res­san­tes, evi­den­te­mente, mas são pou­cas — algu­mas más­ca­ras estrei­tas e com­pri­das, cer­tos tabu­lei­ros de madeira tra­ba­lhada, peque­nas esta­tu­e­tas del­ga­das a que cha­mam “som­bras”, e pouco mais.

quadros_benfica.jpg

Mas ape­sar disso é um pas­seio que vale a pena. Os ven­de­do­res são geral­mente sim­pá­ti­cos e não insis­tem demais. Nor­mal­mente prestam-​​se a dis­cu­tir os preíos, e aca­ba­mos por embar­car no jogo e com­prar sem­pre qual­quer coisa.

Desta vez foram panos. Aca­bei por me entu­si­as­mar com o exem­plo das minhas cole­gas e com­prei qua­tro peías.

A pri­meira foi muito rega­te­ada, e con­se­gui redu­zir o preío para metade do que o ven­de­dor pediu. Fiquei todo satis­feito com a “pro­e­za”, como é óbvio. Mas só até che­gar a outra bar­raca, mais í  saí­da da feira. Aí­ o preío dos panos, sem sequer rega­tear, era já mais barato do que o que paguei pelo pri­meiro. E depois de um pouco de dis­cus­são, foi ainda para metade desse valor. Aca­bei por com­prar mais três panos, que vão dar boni­tas recor­daíões de Angola.

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