Polí­cias

No post anterior fiz uma referência à  polí­cia de trânsito, dizendo que alguns agentes são adeptos da "gasosa".

Um colega contou-me que viu um dia dois agentes passarem a tarde numa esquina, mandando parar os candongueiros (táxis colectivos, ver o post referente a eles) para lhes extorquir uma notinha. Trabalho fácil, pois é duvidoso que haja algum candongueiro em Luanda que esteja completamente legal.

Os proveitos iam sendo guardados numa lata que os dois agentes tinham escondido a alguma distância. O engraçado é que a tarde de colecta terminou quando um menino de rua roubou a lata e fugiu antes que os agentes o conseguissem apanhar.

Contado este episódio, é justo dizer que nem todos os polí­cias agem assim. Já fui multado – sim, multado – por um polí­cia de trânsito que agiu com toda a transparência e não fez a mí­nima insinuação. Pelo contrário, até evitava olhar para mim, talvez com receio que eu tentasse "iniciar conversações".

Noutra ocasião ia sendo multado por uma polí­cia novinha, por estacionamento indevido no aeroporto de Luanda. Geri o caso como o faria com uma agente de qualquer outra parte do mundo – com pedidos de desculpas, promessas de não repetir, sorrisos e conversa mole. Funcionou e ela mandou-me embora apenas com uma reprimenda.

Mais importante ainda, em meados do ano passado as ruas de Luanda encheram-se de polí­cias da nova geração. Distinguem-se dos antigos pela idade e porque são geralmente mais altos, mais aprumados e menos barrigudos.

Em relação a estes jovens agentes só tenho ouvido elogios. Ainda não fui mandado parar por nenhum (o que já quer dizer alguma coisa), mas duas pessoas diferentes já me contaram que foram ameaçados de prisão quando tentaram abordar com eles o assunto da "gasosa" para resolver uma situação de infração.

É um óptimo sinal, e espero que essa atitude não mude conforme se forem acomodando às suas funções.

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