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Ver (em) Braga

Os Encon­tros da Ima­gem de Braga che­ga­ram ao 20º Ani­ver­sá­rio. Só lá fui uma vez, há bas­tan­tes anos, e lembro-​​me que na altura gos­tei tanto da cidade como do evento. Infe­liz­mente Braga fica longe e, por muito que eu goste de foto­gra­fia, uma ida repre­senta mui­tas horas de estrada e mui­tos litros de gaso­lina. Pelo con­trá­rio, aos Encon­tros de Coim­bra, que são mais perto e nor­mal­mente têm um pro­grama mais rico, tenho ido com alguma frequên­cia. Mas como a Lu adora o Norte e não conhe­cia ainda Braga, resol­ve­mos ir lá este ano. Valeu a pena.

lu_braga.jpg

Mas come­ce­mos pelas quei­xas — Sábado de manhã mais de metade das expo­si­ções esta­vam fecha­das. O pró­prio Museu da Ima­gem, que orga­niza os Encon­tros, só abre Sábado à tarde. Pior ainda, dois dos espa­ços da Expo­si­ção não abrem ao fim de semana. Para os “estran­gei­ros” que se des­lo­cam a Braga de pro­pó­sito para os Encon­tros, e que só o podem fazer ao fim de semana, estas situ­a­ções cau­sam algum transtorno.

Segunda queixa — o catá­logo geral dos Encon­tros não estava dis­po­ní­vel. “Em prin­cí­pio chega para a semana”. É uma situ­a­ção tipi­ca­mente por­tu­guesa, mas não deixa de ser chata. Para nós vem tarde, e é pena, por­que o con­teúdo das expo­si­ções jus­ti­fi­ca­ria guar­dar uma memó­ria dos seus conteúdos.

O que nos leva, final­mente, aos elo­gios. A orga­ni­za­ção apro­vei­tou a data para fazer uma revi­si­ta­ção de duas déca­das de per­curso. Dessa forma, resol­ve­ram home­na­gear três auto­res — Brian Grif­fin, Gil­bert Gar­cin e Arno Fisher — com quem esta­be­le­ce­ram laços e afi­ni­da­des mais for­tes. As suas expo­si­ções, no Museu da Ima­gem e no Museu dos Bis­caí­nhos, são um dos pon­tos for­tes dos Encontros.

Mas as três expo­si­ções temá­ti­cas — “Corpo e Iden­ti­dade”, “Docu­mento e Memó­ria” e “O Jogo das For­mas” — que se espa­lham pelo Mos­teiro de Tibães, pela Torre de Mena­gem e pela Casa dos Cri­vos, não lhes ficam atrás e jus­ti­fi­cam, só por si, a ida a Braga. A riqueza e vari­e­dade das obras expos­tas é impres­si­o­nante e demons­tra a impor­tân­cia do tra­ba­lho que os Encon­tros têm vindo a rea­li­zar nes­tes vinte anos. O meu des­ta­que pes­soal vai para “Ato­mic Love” de 1992, da fotó­grafa Sandy Sko­glund, uma peça assom­brosa que “assom­brava” o 1º piso da Torre de Menagem.

atomic-love.jpg

Uma última refe­rên­cia à expo­si­ção dedi­cada à Farm Secu­rity Admi­nis­tra­tion. Quer pelo tema, quer pelo local — um átrio de pas­sa­gem no shop­ping Braga Par­que — pareceu-​​me um pouco des­gar­rada do fes­ti­val deste ano, como se tivesse ali caído de emprés­timo. E isto sem pôr em causa o valor e impor­tân­cia das foto­gra­fias, com des­ta­que para a fan­tás­tica “Migrant mother” de Dorothea Lange.

migrant_mother.jpg

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2 Comentários

  1. Publicado 01/06/2007 às 14:53 | Link

    Esta última foto­gra­fia esta arre­pi­ante. Para­béns pelo blog.

  2. Rui
    Publicado 10/11/2008 às 21:03 | Link

    É sem duvida uma foto pode­rosa, aquele olhar, quando vi perguntei-​​me a mim “quais os sonhos desta mulher?”, esta foto comoveu-​​me… E nós ás vezes acha­mos que temos problemas.

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