Dentro de um livro fechado num caixote no qual já não mexia há muitos anos encontrei uma pequena nota, manuscrita pelo meu punho (é indiscutivelmente a minha letra feia e imatura), com duas frases enigmáticas: “Pilinha de um menino de 5 anos” e “2 cegos à porrada”. Não faço ideia ao que me estava a referir quando escrevi aquilo. Cenas de uma história que imaginei? Anedotas que me contaram e eu não quis esquecer? Ideias para uma campanha publicitária? Acho que nunca o saberei. Mas é mais um motivo para lamentar nunca ter levado a sério a anotação das minhas ideias, reflexões e memórias, sob a forma de um diário ou outra qualquer. Este blogue, que entra agora no terceiro ano, é um recorde absoluto. E mesmo assim dará apenas uma ideia muito vaga do que eu vivi, pensei e senti durante este período. O resto, o que ficou para trás, está cada vez mais condenado ao esquecimento. O que não é necessariamente um problema — meditações sobre órgãos genitais de menores, e portadores de deficiências visuais envolvidos em manifestações físicas de antagonismo, não são muito bem vistas nos dias que correm…
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