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Alguns conselhos de escrita de Kurt Vonnegut

O recen­te­mente fale­cido escri­tor Kurt Von­ne­gut dei­xou em tem­pos alguns con­se­lhos para a escrita de estó­rias cur­tas[1] que se apli­cam (quase) que nem uma luva à escrita de guiões. Aqui ficam:

  1. Use o tempo dos estra­nhos que vão ler a sua obra de forma a que eles não o con­si­de­rem tempo perdido.
  2. Dê ao lei­tor pelo menos um per­so­na­gem por quem ele possa torcer.
  3. Cada per­so­na­gem deve que­rer alguma coisa, nem que seja um copo de água.
  4. Cada frase deve fazer uma de duas coi­sas — reve­lar o carác­ter ou avan­çar a acção.
  5. Comece o mais perto do fim possível.
  6. Seja um sádico. Por mais que­rido e ino­cente que sejam os seus per­so­na­gens prin­ci­pais, faça acontecer-​​lhes coi­sas hor­rí­veis — para que o lei­tor possa ver do que eles são feitos.
  7. Escreva para agra­dar a uma única pes­soa. Se abrir a janela e qui­ser fazer amor com todo o mundo, por assim dizer, a sua estó­ria vai constipar-​​se.
  8. Dê aos seus lei­to­res o máximo de infor­ma­ção pos­sí­vel o mais depressa pos­sí­vel. Que se lixe o sus­pense. Os lei­to­res devem ter uma com­pre­en­são tão com­pleta do que se está a pas­sar, onde e porquê, que pos­sam ter­mi­nar a estó­ria por si mes­mos, no caso das bara­tas come­rem as últi­mas páginas.

Este último con­se­lho levanta-​​me algu­mas dúvi­das, mas os outros subs­crevo por completo.

(Via Boing­Boing)

Notas de Rodapé

  1. Vonnegut’s Eight Rules of Wri­ting Fic­tion, em Bagombo Snuff Box: Uncol­lec­ted Short Fic­tion (New York: G.P. Putnam’s Sons 1999), p. 910[]

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  1. Escrita

Acerca de João Nunes

João Nunes é um autor, guionista, publicitário e diretor português residente em Manaus, Brasil. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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Um Comentário

  1. Berni ferreira
    Publicado 15/05/2007 às 1:16 | Link

    Ora biba.

    a res­peito do último aspecto (“que se lixe o sus­pense…”), Von­ne­gut não é o pri­meiro que vejo defen­der esta ideia. Milan Kun­dera faz o mesmo em “A Imor­ta­li­dade” (não tenho aqui o meu exem­plar, por isso não posso pre­ci­sar as páginas), embora a sua obra tenha muito pou­cas características em comum com obras des­ti­na­das para cinema.

    A reflexão de Kun­dera é, ao contrário desta, muito teórica, mas creio vale a pena ser lida…

    ¡ a res­peito do segundo ponto, dis­cordo: não creio que seja abso­lu­ta­mente necessário para um lei­tor tor­cer por um dos per­so­na­gens para gos­tar de um livro ou filme…
    Opiniões…

Um Trackback

  1. […] algum tempo atrás publi­quei aqui um artigo sobre as regras de escrita de Kurt Von­ne­gut. Para quem não o leu recomendo-??o […]

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