Os cinco erros mais frequentes na escrita de um guião

Há cinco erros que encon­tro com frequên­cia nos guiões de cinema e tele­vi­são que vou lendo, e que podem ser evi­ta­dos com algum cui­dado. Corrigi-​​los não é garan­tia abso­luta de que terá um bom guião; se os seus per­so­na­gens não forem inte­res­san­tes e a sua estó­ria não for ori­gi­nal e envol­vente, nada feito.

Mas se esti­ver atento a estes cinco erros, segu­ra­mente os seus guiões fica­rão melho­res; logo, com mais pro­ba­bi­li­dade de atrair o inte­resse de um produtor.

  1. Pro­ta­go­nista pouco activo. Em mui­tos guiões o pro­ta­go­nista parece andar sem­pre a rebo­que dos acon­te­ci­men­tos, sem ter objec­ti­vos bem defi­ni­dos ou sem tomar medi­das con­cre­tas para os alcan­çar. Um bom pro­ta­go­nista tem de saber o que quer, mesmo que seja para depois des­co­brir que não é isso que pre­cisa; e tem de defi­nir um rumo para con­se­guir o que pre­tende. Des­cu­bra o que o seu pro­ta­go­nista quer real­mente e ponha-​​o a tra­ba­lhar nesse sentido.
  2. Pouco con­flito. Se o seu pro­ta­go­nista já sabe o que quer, então compete-​​lhe a si dificultar-​​lhe a vida. Colo­que o maior número pos­sí­vel de obs­tá­cu­los no seu cami­nho, de pre­fe­rên­cia com inten­si­dade cres­cente. Que obs­tá­cu­los são esses, depende da estó­ria: podem ser  exte­ri­o­res ( a mon­ta­nha mais alta, o ini­migo mais cruel…) mas tam­bém inte­ri­o­res (um medo pro­fundo, uma dúvida angus­ti­osa…). Agora, sem obs­tá­cu­los, não há con­flito; e sem con­flito não há drama.
  3. Má estru­tura. Há guiões que  demo­ram a levan­tar voo, enchendo-​​nos com infor­ma­ção abso­lu­ta­mente des­ne­ces­sá­ria antes da estó­ria come­çar. Outros arrastam-​​se peno­sa­mente, depois do clí­max, fazendo-​​nos ansiar pela che­gada dos cré­di­tos finais. Aplica-​​se aqui uma das pou­cas ver­da­dei­ras regras de escrita de guião: “entrar tarde e sair cedo”. Os espec­ta­do­res são muito mais esper­tos do que nós ima­gi­na­mos, e têm cada vez menos paci­ên­cia para palha. Comece o seu guião o mais perto pos­sí­vel dos even­tos que fazem arran­car a estó­ria, e saia logo que esta esteja concluída.
  4. Escrita pouco visual. Se os seus per­so­na­gens se limi­ta­rem a con­ver­sar, não está a escre­ver um guião de cinema; está a escre­ver uma peça de rádio. Há quem diga que o cinema aca­bou com a che­gada dos fil­mes sono­ros; é uma posi­ção radi­cal, mas serve para nos lem­brar a essên­cia visual desta arte. Sem­pre que puder, mos­tre em vez de dizer; arranje solu­ções visu­ais inte­res­san­tes para fazer avan­çar a nar­ra­tiva; ponha os seus per­so­na­gens em acção; e pense em for­mas visu­ais de ligar as cenas.
  5. Diá­lo­gos cha­tos ou pouco ade­qua­dos. O cinema é uma arte essen­ci­al­mente visual, mas os nos­sos per­so­na­gens tam­bém têm de falar. E falar não é só  trans­mi­tir a infor­ma­ção que o espec­ta­dor pre­cisa saber; é cons­truir uma teia, um jogo, em que a ten­são e o con­flito devem estar sem­pre pre­sen­tes. Dê aos seus per­so­na­gens coi­sas inte­res­san­tes para dizer; pre­fira a sub­ti­leza à sim­ples enu­me­ra­ção de fac­tos e infor­ma­ções; e dê a cada per­so­na­gem uma voz dis­tinta e ade­quada à sua per­so­na­li­dade e condição.

Senhor dos Anéis

Fui só eu que achei que “O Regresso do Rei” tinha meia hora a mais no fim?

Posso refe­rir ainda mais um erro que, se fosse evi­tado, resol­ve­ria todos os ante­ri­o­res: a falta de rees­crita do guião.

Mui­tos gui­o­nis­tas ficam logo satis­fei­tos quando con­se­guem che­gar ao fim da pri­meira ver­são do guião. Não se deixe ilu­dir com isso; por muito tra­ba­lho que essa  ver­são tenha dado, ainda há muito mais a fazer. Prin­ci­pal­mente para cor­ri­gir os cinco erros que men­ci­o­nei acima.

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Os cinco erros mais fre­quen­tes na escrita de um guião6.5102

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joaonunes.com | Dez conselhos para um bom guião
15/9/2007 ás 13:53

{ 6 comentários… leia-os agora ou acrescente um }

brunio 14/9/2007 ás 11:48

Grande Primo,
via­jando na net, pre­pa­rando uma via­gem a Lon­don City, descobri-​​te por acaso, ou tal­vez não.
Gos­tei muito do que li (apro­vei­tei para ver o resto do teu inte­res­ting blog). É ver­dade os últi­mos 40 mins do Lord of the Rings dão para giboiar um pouco na cadeira do cinema e se for a ses­são das 00.00h, bater mesmo uma boa soneca e só acor­dar com as luzes da ribalta q anun­ciam a expul­são dos espec­ta­do­res do recinto.

Aquele Abraço. e já agora temos q com­bi­nar Aquele Almoço. Quando fores para os lados do SALDANHA avisa. beijo*

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João Nunes 16/9/2007 ás 20:27

Bru­nio
avisa antes de ires a londres.

Abraço
JN

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berni ferreira 18/9/2007 ás 16:40

Não, não foi só o João que achou que o filme tinha meia hora a mais. Quando vejo o filme em dvd, cos­tumo sal­tar essa parte, ou fazer qual­quer coisa enquanto o filme ainda não aca­bou. Não sei porquê, mas custa-​​me desligá-​​lo, pura e simplesmente…

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janainacarvalho 31/5/2008 ás 1:43

nâo vejo nada de errado no filme,alias é um dos fil­mes mais boni­tos que assisti,é muito facil criticar,por que nâo criam algo?

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João Nunes 31/5/2008 ás 13:56

Janaina
Cri­ti­car é fácil, fazer é mais difí­cil, e fazer bem ainda mais. Enquanto autor/​criador, não posso estar mais de acordo con­sigo.
Agora, nin­guém me tira da cabeça que “O Regresso do Rei”, ape­sar de todos os méri­tos que tem, e que são mui­tos, demora dema­si­ado a aca­bar depois do clí­max da acção.
João

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Tiago Vitória 16/12/2008 ás 21:00

Gos­tei muito deste post, está sim­ples claro e fácil de entender…

Agra­deço as dicas ‘

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