Uma entrevista ao Correio da Manhã

Dei uma entre­vista ao Cor­reio da Manhã, na qua­li­dade de pre­si­dente da APAD e de gui­o­nista, sobre o tema da greve da Writer’s Guild nos Esta­dos Uni­dos.

Foto­gra­fia © Bruno Colaço

A repor­ta­gem, na qual tam­bém foram ouvi­dos os gui­o­nis­tas  Tozé Mar­ti­nho, Rui Vilhena, Vera Sacra­mento e Artur Ribeiro, foi publi­cada na revista de TV de ontem.  A jor­na­lista con­se­guiu resu­mir de forma cor­recta o essen­cial das minhas decla­ra­ções, que des­taco aqui:

O nosso país está muito atra­sado rela­ti­va­mente aos EUA. Por cá a norma é abdi­car de todos os direi­tos sem­pre que se assina um con­trato”, explica à Cor­reio TV João Nunes, pre­si­dente da Asso­ci­a­ção Por­tu­guesa de Argu­men­tis­tas e Dra­ma­tur­gos (APAD) e autor de fil­mes como ‘Mus­tang’ e ‘A Selva’, assim como de séries como ‘O Espí­rito da Lei’ e ‘Ins­pec­tor Max’.

No caso da tele­vi­são, os gui­o­nis­tas cedem os direi­tos às pro­du­to­ras, e estas, por sua vez, cedem-​​nos aos canais tele­vi­si­vos. Acho que argu­men­tis­tas e pro­du­to­res podiam unir-​​se para com­ba­ter esta injustiça.

No que diz res­peito ao cinema, em Por­tu­gal não passa de um pas­sa­tempo de luxo”, revela o argu­men­tista, subli­nhando mesmo que escre­ver guiões é uma pro­fis­são pouco reco­nhe­cida. “Pouca gente sabe o que é um gui­o­nista, muito menos tem per­cep­ção da sua impor­tân­cia. Somos tão auto­res de uma obra como o rea­li­za­dor. Mas o nosso nome não é mencionado.”

A falta de união entre os nos­sos argu­men­tis­tas é outra desvantagem.

O povo por­tu­guês tem pouca tra­di­ção asso­ci­a­tiva. São muito pou­cas as pes­soas ins­cri­tas na nossa asso­ci­a­ção, a qual pre­tende, entre mui­tas outras coi­sas, criar uma tabela de pre­ços míni­mos que regule a venda de guiões e defenda os inte­res­ses dos seus autores.

É claro que a ideia de uma greve de argu­men­tis­tas em Por­tu­gal não deixa de ser inte­res­sante mas só sor­ti­ria efeito se fosse orga­ni­zada a nível euro­peu”, desa­fia João Nunes, lamen­tando o facto de a APAD nem sequer ter direito a uma sede. “Já pedi­mos à Câmara de Lis­boa mas a única que nos cede­ram era no Casal Ven­toso. Sem qual­quer pre­con­ceito, acho que não seria o local mais interessante…”

Para quem tenha inte­resse por este tipo de coi­sas fica aqui o texto inte­gral da reportagem.

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