“Julgamento” estreou hoje em todo o país

Finalmente está nas salas o "Julgamento". Um filme em que eu trabalhei há dois anos atrás, quando ainda estava pensado como série de televisão, e onde voltei a trabalhar há alguns meses atrás, já no guião para cinema.

Não me vou pronunciar sobre o meu trabalho específico de guionista – para já. Irei em breve escrever um artigo de fundo sobre isso, mas até lá vou tentar olhar para o filme apenas como espectador. E, como espectador, gostei.

"Julgamento" é um filme adulto, um drama de gente crescida, servido por um naipe espectacular de actores. Desde um Júlio César excepcional, que irá surpreender muita gente, até ao mais secundário dos intérpretes,  todos conseguiram atingir um nível bem acima da média. Não há nenhum momento em que uma interpretação abaixo do mínimo quebre a magia e a credibilidade do filme, e nos arraste de volta à realidade da sala de cinema.

A direcção do Leonel Vieira é segura e transparente, tecnicamente intocável, madura  e sem artifícios inúteis ou malabarismos gratuitos. O trabalho de câmara e fotografia do José António Vieira, quer no tempo presente quer nos flashbacks, é do melhor que tenho visto em Portugal. E tudo o resto, da direcção de arte à música, da montagem ao guarda-roupa, está lá a cumprir o seu papel, como deve ser – sem chamar a atenção para si, mas acrescentando valor ao resultado final.

Apesar de tudo isto, as duas críticas que li até agora – na recém-chegada "Time Out" e no "Público" – são arrasadoras. O que me leva a esperar as restantes recensões, que deverão começar a surgir amanhã, com alguma ansiedade. Será que eu estou assim tão cego, tão afastado da realidade? Ou será a crítica que está a divorciar-se cada vez mais de um tipo de cinema que tenta conjugar qualidade com acessibilidade?

Como é óbvio, gostaria que este filme fosse, dentro dos seus objectivos, um sucesso. Como desejo o sucesso dos restantes filmes portugueses que ainda vão estrear até ao fim do ano. Seria bom para o nosso cinema, para a nossa incipiente "indústria", e para a nossa identidade nacional, que também vive de se rever em estórias de raíz portuguesa.

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3 comentários

  • julio cesar 19/10/2007   Deixe uma resposta a →

    Meu caro João.
    Para já um abraço de parabens.
    Depois, meu caro, nada de mágoas. Há muito que as não sinto.
    Ouvi um dia um árbitro de futebol dizer que ” todo o árbitro é um futebolista falhado “. E aí aprendi a ler a frustração que deve sentir um qualquer critico de cinema.
    O filme é o que é e não aquilo que o crítico quer que seja. As leituras que fiz de algumas críticas não são a este filme. São de uma ficção que o critico gostaria que ali estivesse e não está nem podia estar.
    Nada de equívocos.
    O filme é este e é bem feito. Orgulhemo-nos dele. Ficará e marcará o chamado cinema português.
    Quanto ao resto…a reciclagem de papel vai tratar disso.
    Abraço
    Julio Cesar

  • Quero agradecer a aula que tive aqui hoje. :) Quanto ao Julgamento, desde que vi a apresentação que fiquei com vontade de vê-lo, principalmente por ter percebido logo que não era um filme feito para a crítica, mas para o espectador. Agora ainda fiquei com mais vontade…

  • Modex 26/04/2010   Deixe uma resposta a →

    Só hoje é que vi este filme (passou na TVI).
    Apesar das criticas desfavoraveis…
    Gostei !
    Gostei do argumento,
    Gostei das interpretações,
    Gostei da realização.
    Deveriam ser feitos mais filmes sobre a historia do nosso país….
    até porque há que já se esqueceu o que é viver debaixo de uma ditadura…
    Todos devemos aprender com a nossa historia para não voltar a cometer os mesmos erros, e os meios audiovisuais são a forma mais ilustrativa de o fazer….

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