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O telefone para acabar com todos os telefones

Steve Jobs, o patrão da Apple, apre­sen­tou ontem o iPhone — o tele­fone mais fabu­loso que eu (ou qual­quer outra pes­soa neste pla­neta) já teve opor­tu­ni­dade de ver. É uma mis­tura de iPod, com smartphone, com fun­ci­o­na­li­da­des de email e web brow­ser cinco anos à frente de todos os outros (segundo Jobs). É um gosto ver a fun­ci­o­nar o sis­tema ope­ra­tivo, base­ado no Mac OS X. Em vez de teclas ou de um esti­lete, é o dedo do uti­li­za­dor que serve de apon­ta­dor num écrã sen­sí­vel de altís­sima reso­lu­ção. A forma como se fazem cor­rer as opções (as lis­tas de músi­cas ou os con­tac­tos do adress book, por exem­plo) para cima e para baixo, com a ponta do dedo, ou a maneira genial de ampliar e redu­zir as foto­gra­fias, afas­tando ou apro­xi­mando os dois dedos, são de dei­xar qual­quer um a babar-​​se. Eu fiquei… E os deta­lhes! Por exem­plo, quando se vira o tele­fone da ver­ti­cal para a hori­zon­tal, ele reco­nhece a mudança e reen­qua­dra as ima­gens ou o brow­ser da web; quando se apro­xima do ouvido, ele reco­nhece a pro­xi­mi­dade e des­liga auto­ma­ti­ca­mente o écrã; se esti­ver­mos a ouvir música, ele suspende-​​a para rece­ber uma cha­mada e volta a tocá-​​la quando des­li­ga­mos; sem falar no Visual Voi­ce­Mail que, só por si, vale o preço do tele­fone: a pos­si­bi­li­dade, desen­vol­vida em par­ce­ria com o ope­ra­dor Cin­gu­lar, de ver quais as gra­va­ções de voi­ce­mail que nos espe­ram na caixa, e esco­lher a ordem por que as que­re­mos ouvir… se qui­ser­mos. No final Steve Jobs fez uma demons­tra­ção de uti­li­za­ção real: rece­beu uma cha­mada e, sem des­li­gar, con­sul­tou o álbum foto­grá­fico, selec­ci­o­nou e enviou por email uma foto para o inter­lo­cu­tor, e foi à web pro­cu­rar infor­ma­ções sobre cine­mas para os dois verem nessa noite. Tam­bém pode­ria ter mon­tado uma cha­mada de con­fe­rên­cia com outros inter­lo­cu­to­res, para com­bi­nar a ida ao cinema, ou pro­cu­rado a loca­li­za­ção do cinema no Goo­gle Maps, tudo coi­sas que o iPhone faz com a maior das sim­pli­ci­da­des, e de forma per­fei­ta­mente intui­tiva. Pode­ria tam­bém ter con­sul­tado um wid­get para saber o valor das acções da Apple, coisa que Jobs fez nou­tra parte da apre­sen­ta­ção. Estas subi­ram 8% no decurso da apre­sen­ta­ção, o que não sur­pre­ende, já que o mer­cado dos tele­fo­nes por­tá­teis repre­senta, a nível mun­dial, um bilião de uni­da­des por ano. Se o iPod fez o que fez pela saúde finan­ceira da Apple, imagine-​​se o que o iPhone vai fazer. O iPhone vai ser lan­çado na Amé­rica em Junho deste ano; na Europa só no último tri­mes­tre. Em que posi­ção é que isso deixa Por­tu­gal? Não sei — mas sei que vou come­çar já a pou­par dinheiro para ser dos pri­mei­ros na fila das enco­men­das. E espero que seja a TMN a fazer par­ce­ria com a Apple, á seme­lhança do que a Cin­gu­lar fez nos EUA. Se não, ao fim de tan­tos anos de fide­li­dade, lá terei de mudar de ope­ra­dor, o que é uma cha­tice. Mas o iPhone merece.

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