Eu gostaria de saber se no processo de escrita de um guião sobre jovens posso (ou devo) utilizar expressões como por exemplo: em vez de “estás” colocar “tás” ou se devo deixar esses actos linguisticos a cargo dos actores. — Patrícia
Patrícia, a questão que me coloca também se põe noutros casos. Por exemplo, um personagem que gagueja — será que devemos escrever todos os seus diálogos com essa característica?
Pessoalmente acho que o guionista deve preocupar-se mais com o ritmo, vocabulário e síntaxe de cada personagem do que propriamente com a sua pronúncia ou tiques de linguagem, que são essencialmente uma preocupação do actor.
Um guião que fosse totalmente escrito da maneira que refere correria o risco de ficar muito difícil de ler. Além disso, implicaria um conhecimento perfeito da pronúncia e maneirismos que se querem reproduzir, o que nem sempre é fácil (quando não é mesmo impossível).
No entanto, pode ser útil dar “um cheirinho” dessas características nos diálogos. Se o personagem gagueja, podemos referi-lo na sua descrição, quando o apresentamos, e ir introduzindo um ou outro gaguejar nos diálogos, para recordar esse aspecto aos leitores.
O mesmo se passa com os jovens — um “tás” aqui, um “pra” ali, servem para lembrar ao leitor a idade dos personagens, se combinados com o vocabulário e estilos certos. É tudo uma questão de encontrar o equilíbrio certo e a forma mais adequada à sua maneira de escrever.







