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CeltX: um tutorial de escrita de guião
celtx-left

O soft­ware de escrita de guião CeltX lan­çou final­mente a sua ver­são 1.0, depois de anos nas 0.9.qualquer coisa. As dife­ren­ças não são muito apa­ren­tes, mas são pro­fun­das, e o facto ser­viu de moti­va­ção para eu escre­ver este artigo, que ando a pla­near há algum tempo: uma aula prá­tica do CeltX, para aju­dar todos os que pro­cu­ram uma forma sim­ples e prá­tica de escre­ver os seus guiões com um for­mato cor­recto, sem terem de per­der tempo e paci­ên­cia com as folhas de esti­los do Word.

O aspecto geral de um guião no CeltX.

Uma breve introdução

O CeltX é um soft­ware open source de pré-​​produção de media, que inclui capa­ci­da­des tão diver­sas como a pla­ni­fi­ca­ção e escrita dos guiões, os levan­ta­men­tos das neces­si­da­des de pro­du­ção, a pla­ni­fi­ca­ção de fil­ma­gens, catá­lo­gos, calen­dá­rio, story­bo­ard, etc.

A sua grande pro­messa é uma inte­gra­ção per­feita entre todos os pro­fis­si­o­nais que tra­ba­lham na pré-​​produção de um pro­jeto audi­o­vi­sual, desde o gui­o­nista ao rea­li­za­dor, pas­sando pelo assis­tente de rea­li­za­ção e pro­du­to­res. Cada um des­tes pro­fis­si­o­nais encon­trará no CeltX uma solu­ção prá­tica e inte­grada para as suas neces­si­da­des. Obvi­a­mente vou dar mais des­ta­que às carac­te­rís­ti­cas que  inte­res­sam aos guionistas.

Outra das carac­te­rís­ti­cas do CeltX é uma inte­gra­ção per­feita entre o pro­grama que bai­xa­mos para o com­pu­ta­dor, e os ser­vi­ços web asso­ci­a­dos. Pode­mos criar uma conta no site CeltX Pro­ject Cen­tral, que nos per­mi­tirá tor­nar o nosso guião aces­sí­vel a todos os uti­li­za­do­res ou, o que é mais inte­res­sante, ape­nas a um grupo selec­ci­o­nado por nós. Isto per­mite, entre outras coi­sas, que várias pes­soas pos­sam tra­ba­lhar num mesmo guião, ou irem sendo infor­ma­das da sua evo­lu­ção. Per­mite tam­bém man­ter bac­kups do guião, na sua forma defi­ni­tiva ou em tan­tas ver­sões inter­mé­dias quanto quisermos.

No site do pro­grama estão dis­po­ní­veis ver­sões para Win­dows, Linux e Mac OSX (a que eu uti­lizo), em 9 lín­guas, incluindo o por­tu­guês do Bra­sil. Mui­tas outras irão sur­gir, segu­ra­mente, pois na ver­são ante­rior há mais 12 lín­guas dis­po­ní­veis. Todas as ver­sões são gra­tui­tas, e os fichei­ros per­fei­ta­mente com­pa­tí­veis entre si.

Principais características de interesse para os guionistas

O CeltX vem de ori­gem com seis mode­los de texto pré-​​formatados: guião cinema ou tv, tea­tro, guião audi­o­vi­sual, guião áudio, banda dese­nhadatexto sim­ples. Pode­mos ainda criar mode­los pró­prios, adap­ta­dos a neces­si­da­des específicas.

Esco­lhido um des­tes for­ma­tos para o nosso guião, a escrita é muito sim­ples: recor­rendo ape­nas às teclas de pará­grafo e tabe­la­ção, vamos sal­tando entre os dife­ren­tes esti­los de cada ele­mento da página: cabe­ça­lhos, ação, per­so­na­gem, diá­logo, etc. Durante a escrita pode­mos a qual­quer momento ver a pagi­na­ção exacta do nosso guião, incluindo núme­ros de cenas e deta­lhes como os (Mais) e (Con­ti­nu­a­dos), que não são muito usa­dos em Portugal.

Uma carac­te­rís­tica nova da ver­são 1.0 é a pos­si­bi­li­dade de trans­for­mar auto­ma­ti­ca­mente um guião num dos for­ma­tos pré-​​definidos em qual­quer um dos outros. Por exem­plo, um guião escrito como  banda dese­nhada pode ser trans­for­mado num guião para cinema. Não sei se na prá­tica será muito útil, mas os cri­a­do­res do pro­grama dão-​​lhe grande destaque.

O CeltX inclui ainda um pai­nel de fichas, liga­das inte­rac­ti­va­mente ao guião, em que cada cena é repre­sen­tada por uma ficha com o mesmo cabe­ça­lho  e as pri­mei­ras pala­vras do texto. No verso (vir­tual) des­tas fichas pode­mos tomar notas sobre as cenas. Tro­cando osas fichas de lugar as cenas cor­res­pon­den­tes tam­bém são mudadas.

Além disso cada ficha pode ser asso­ci­ado a uma trama (A,B, C, etc), per­mi­tindo ter uma noção visual pre­cisa dos vários enre­dos que esta­mos a entre­la­çar. Este modo de tra­ba­lho pode ser muito útil na fase de pla­ni­fi­ca­ção de um guião.

Outras características

O CeltX tem um ror de capa­ci­da­des de inte­resse para a pré-​​produção de um filme, que vão desde os levan­ta­men­tos gerais dos ele­men­tos de cena (ato­res, cená­rios, ade­re­ços, veí­cu­los, etc), orga­ni­za­dos em catá­lo­gos, até à pla­ni­fi­ca­ção das fil­ma­gens; à pro­du­ção de folhas de ser­viço e lis­tas diver­sas, etc. Os rea­li­za­do­res pode­rão criar story­bo­ards, e todos os uti­li­za­do­res bene­fi­ciam de um modo de arquivo para reu­nir notas, docu­men­tos, vídeos, foto­gra­fias, etc.

Não tenho muita prá­tica de pro­du­ção, por isso não sei se todas estas fun­ci­o­na­li­da­des são uti­li­zá­veis numa pro­du­ção real. Mas ima­gino que, por exem­plo, os estu­dan­tes de uma escola de cinema pode­riam usar a maior parte delas na pro­du­ção dos seus tra­ba­lhos prá­ti­cos, sem ter neces­si­dade de pira­tear os softwa­res pro­fis­si­o­nais que os pro­du­to­res e assis­ten­tes de rea­li­za­ção usam para esse efeito.

Finalmente, as mãos na massa

Como se pro­cessa então a escrita de um guião no CeltX. Vamos ver a sequên­cia passo a passo.

1) Novo pro­jeto - Quando abri­mos o pro­grama surge uma janela que nos dá a opção de abrir um pro­jeto já cri­ado ou criar um novo. A cri­a­ção de um novo pro­jeto tam­bém pode ser obtida a par­tir do menu “Arquivo/​Novo projeto…”.

Cri­ando um pro­jeto novo.

Outra forma de come­çar um projeto.

Nesta janela deve­mos esco­lher o tipo de guião que que­re­mos escre­ver: filme, A/​V, tea­tro, etc.

2) A janela ini­cial – sele­ci­o­nada uma das opções abre-​​se o docu­mento cor­res­pon­dente numa página em branco.

O que vemos quando ini­ci­a­mos um pro­jeto: a temida página em branco.

Na coluna da esquerda temos duas áreas: a Bibli­o­teca do pro­jeto, onde apa­rece o guião (Roteiro, em por­tu­guês do Bra­sil) e o Catá­logo prin­ci­pal. Outros ele­men­tos, tex­tos, ver­sões do roteiro, etc, podem ser acres­cen­ta­dos a esta bibli­o­teca. Temos ainda a área das Cenas: uma lista nume­rada de todas as cenas do guião. Neste momento, e por­que ainda não escre­ve­mos nada, inclui ape­nas o número da pri­meira cena.

Na coluna do cen­tro temos a área de escrita. No topo, destacam-​​se uma série de botões de for­ma­ta­ção, que ana­li­sa­re­mos em deta­lhe mais à frente; em baixo, vemos vários sepa­ra­do­res para áreas com fun­ções dife­ren­tes; e, no meio, a temida página em branco.

Nesta destaca-​​se, em cima, um rec­tân­gulo cin­zento onde escre­ve­re­mos o cabe­ça­lho da pri­meira cena. Estes rec­tân­gu­los cin­zen­tos só apa­re­cem no modo de escrita, para nos aju­dar a sepa­rar visu­al­mente as cenas, e não são impres­sos ou exportados.

Na coluna da direita vemos três sepa­ra­do­res: Notas, Mídia e Decu­pa­gem. A pri­meira é útil para os gui­o­nis­tas, pois permite-​​nos incluir notas para cada cena (objec­ti­vos, excer­tos de diá­lo­gos, alte­ra­ções a fazer, etc). As outras duas destinam-​​se mais à pré-​​produção e não me vou debru­çar sobre elas neste tutorial.

3) A página em branco - veja­mos então os dife­ren­tes ele­men­tos que cons­ti­tuem a coluna cen­tral, onde toda a escrita se processa.

A barra supe­rior é dedi­cada à formatação.

No topo, do lado esquerdo, temos um Menu com a pala­vra Per­so­na­gem des­ta­cada. Selec­ci­o­nando esse menu obte­mos todos os esti­los dis­po­ní­veis para o for­mato em que esta­mos a escre­ver. No caso do modelo de Cinema, são Cabe­ça­lho, Ação, Per­so­na­gem, Diá­logo, Rubrica, Tran­si­ção, PlanoTexto. Para uma intro­du­ção ao sig­ni­fi­cado e uti­li­za­ção des­tes ele­men­tos, sugiro este artigo do meu Curso de Guião.

Este menu não é a única, nem a mais prá­tica, forma de esco­lher os esti­los, mas está sem­pre dis­po­ní­vel em caso de neces­si­dade. Tal como estão os outros íco­nes que se seguem, e que repre­sen­tam fun­ções comuns em mui­tos pro­ces­sa­do­res de texto: des­fa­zer e refa­zer, negrito, itá­lico e subli­nhado, maiús­cu­las e minús­cu­las, cor­tar, copiar e colar, veri­fi­car orto­gra­fia e bus­car. Estes íco­nes incluem ainda duas fun­ções exclu­si­vas do CeltX: diá­logo duplo, e remo­ver marca. Final­mente, na extre­mi­dade direita, temos um menu com opções de visu­a­li­za­ção: 100%, 150% e 200%.

No rodapé da coluna cen­tral temos seis sepa­ra­do­res: Roteiro, For­ma­ta­ção, Bor­ra­dor, Fichas, Página TítuloRela­tó­rios.

O pri­meiro, Roteiro, é onde se pro­cessa toda a escrita do guião.

O segundo, For­ma­ta­ção, permite-​​nos ver a qual­quer momento o número exacto de pági­nas do guião, como este vai ficar quando impresso, e ace­der a opções como a nume­ra­ção das cenas.

O ter­ceiro, Bor­ra­dor, é uma área tem­po­rá­ria de arma­ze­na­gem de tex­tos, cenas com­ple­tas, excer­tos, etc. Con­tra­ri­a­mente às Notas,  que são espe­cí­fi­cas de cada cena, o Bor­ra­dor é par­ti­lhado por todo o guião.

O sepa­ra­dor Fichas dá-​​nos acesso a um modo de visu­a­li­za­ção do guião em que cada cena é repre­sen­tada por um car­tão visual. Mais tarde escre­ve­rei um artigo espe­cí­fico sobre como uti­li­zar este sepa­ra­dor para o pla­ne­a­mento do guião.

A Página Título é exac­ta­mente o que o nome indica: uma sec­ção espe­cí­fica onde pre­en­che­mos os ele­men­tos que com­põem a folha de rosto do guião. Esta tem um tra­ta­mento à parte pois não entra na nume­ra­ção das pági­nas do guião.

Final­mente, os Rela­tó­rios inte­res­sam sobre­tudo à pro­du­ção. Con­tudo, alguns Rela­tó­rios podem tam­bém ser usa­dos pelos gui­o­nis­tas para ava­liar quan­tos déco­res, ou per­so­na­gens com falas, entram no guião.

 4) Pas­sando à escrita -  a for­ma­ta­ção de um guião com o CeltX é um pro­cesso auto­má­tico. Toda a for­ma­ta­ção é feita pelo pro­grama e nós só pre­ci­sa­mos de lhe indi­car quando muda­mos de estilo. Para isso usa­mos ape­nas duas teclas: a tabe­la­ção (tab) e o pará­grafo (return ou enter).

Duas teclas são quanto basta para for­ma­tar um guião.

Quando come­ça­mos a escre­ver um guião o cur­sor encontra-​​se auto­ma­ti­ca­mente numa zona cin­zenta que iden­ti­fica estar­mos num Cabe­ça­lho. Depois de intro­du­zir­mos a infor­ma­ção rele­vante (por exem­plo:  INT. SALA DE ESTARNOITE) basta fazer­mos pará­grafo (return ou enter) e o pro­grama muda auto­ma­ti­ca­mente para o for­mato de Ação, pois sabe que a seguir a um cabe­ça­lho entra sem­pre, obri­ga­to­ri­a­mente, uma des­cri­ção de ação.

Se fizer­mos agora um novo pará­grafo o pro­grama mantém-​​se no estilo Ação. Se isso esti­ver bem para nós, con­ti­nu­a­mos a escre­ver. Isto repete-​​se as vezes que forem necessárias.

Quando qui­ser­mos intro­du­zir um diá­logo, basta fazer­mos uma tabe­la­ção (tab) e pas­sa­mos auto­ma­ti­ca­mente para o estilo Per­so­na­gem. Intro­du­zi­mos o nome do per­so­na­gem e faze­mos pará­grafo. Como o pro­grama sabe que a seguir de um Per­so­na­gem vem nor­mal­mente uma fala, conduz-​​nos para o estilo Diá­logo. Fazendo nova­mente pará­grafo vol­ta­mos ao estilo Per­so­na­gem e, depois deste, a um novo Diá­logo. Esta sequên­cia vai-​​se repe­tindo as vezes que quisermos.

Mui­tas vezes, a seguir ao nome de um per­so­na­gem não que­re­mos intro­du­zir um diá­logo mas sim uma didas­cá­lia, ou seja, uma indi­ca­ção ao actor (por exem­plo: (zan­gado)). Para isso, quando esta­mos num Diá­logo basta fazer uma tabe­la­ção e o estilo muda para o for­mato Rubrica (que cor­res­ponde às didas­cá­lias). Depois de uma didas­cá­lia vem sem­pre uma fala; por isso, quando fizer­mos pará­grafo a linha seguinte muda nova­mente para o estilo Diá­logo.

Assim, usando as teclas pará­grafo (return ou enter) e tabe­la­ção (tab), vamos mudando de um estilo para outro na sequên­cia natu­ral em que eles apa­re­cem num guião:

Cabe­ça­lho -> Ação -> Per­so­na­gem -> Diá­logo (ou Rubrica).

Há mais dois esti­los que podem por vezes ser usa­dos num guião. São eles Tran­si­çãoPlano. O pri­meiro aplica-​​se no fim das cenas, para indi­car o tipo de efeito usado na mudança para a cena seguinte (por exem­plo: CORTA PARA); o segundo utiliza-​​se para indi­car um deter­mi­nado tipo de plano (por exem­plo: CLOSE UP). Como estes dois esti­los são menos usa­dos não entram na sequên­cia natu­ral da escrita. Deve­rão ser apli­ca­dos  usando o menu supe­rior ou um ata­lho de teclas.

Os ata­lhos de teclas são, aliás, a maneira mais rápida de mudar o estilo de um pará­grafo. Quando o cur­sor está num deter­mi­nado pará­grafo basta usar o ata­lho de teclas ade­quada para mudar o estilo desse pará­grafo para qual­quer outro. Por exem­plo, as teclas Comando (a tecla da maçã, em Mac) ou Ctrl (em Win­dows) + 1 mudam o estilo para Cabe­ça­lho; as teclas Comando/Ctrl+5 mudam para Rubrica; e Comando/​Ctrl + 6 mudam-​​no para Transição.

O resul­tado pro­fis­si­o­nal é automático.

5) Memó­ria inte­li­gente – à seme­lhança dos outros pro­gra­mas de escrita de guião, o CeltX tem uma outra forma de sim­pli­fi­car a nossa vida. Depois de escre­ver­mos um Cabe­ça­lho ou um Per­so­na­gem pela pri­meira vez, o pro­grama memo­riza essas pala­vras. No pró­ximo Cabe­ça­lho ou Per­so­na­gem que escre­ver­mos come­çando com as mes­mas letras ele propõe-​​nos uma  lista de alter­na­ti­vas ade­qua­das que pode­mos seleccionar.

Por exem­plo, em vez de escre­ver­mos sem­pre o nome do per­so­na­gem “Joa­quim”, basta escre­ver­mos a letra “J” e apa­rece uma lista de alter­na­ti­vas (Joa­quim, João, José, Jorge…), poupando-​​nos o tra­ba­lho de digi­tar a pala­vra com­pleta. No fim de um guião isto repre­senta mui­tos milha­res de digi­ta­ções a menos.

Opções inte­li­gen­tes para nos pou­par trabalho.

Todos estes meca­nis­mos – o uso das teclas pará­grafo e tabe­la­ção; as opções inte­li­gen­tes; os ata­lhos de teclado – aca­bam por tornar-​​se auto­má­ti­cos ao fim de um curto espaço de tempo de uti­li­za­ção do CeltX. A par­tir desse momento pas­sa­mos a escre­ver con­cen­tra­dos ape­nas naquilo que inte­ressa – o con­teúdo das nos­sas cenas – e esque­ce­mos com­ple­ta­mente os por­me­no­res da for­ma­ta­ção, que ficam a cargo do pro­grama. Posso garantir-​​vos: depois de nos habi­tu­ar­mos a escre­ver assim, é com muito sacri­fí­cio que somos obri­ga­dos a vol­tar a escre­ver guiões num pro­grama não espe­ci­a­li­zado, como o Word.

7) Con­ti­nu­a­dos e nume­ra­ção – tal como os outros pro­gra­mas de escrita de guião o CeltX ofe­rece como opção a inclu­são auto­má­tica de indi­ca­ções espe­ci­ais quando há que­bras de diá­logo ou que­bras de cena. Isto aplica-​​se quando um bloco de diá­logo ou uma cena pas­sam de uma página para a página seguinte. O CeltX dá-​​nos esta opção no modo de For­ma­ta­ção de que já falá­mos antes, aces­sí­vel por um dos sepa­ra­do­res no rodapé da página.

Mais e continuados.

A minha expe­ri­ên­cia diz-​​me que, em Por­tu­gal, os pro­du­to­res e os acto­res não valo­ri­zam esta opção, por isso  desactivo-​​a sem­pre antes de impri­mir ou expor­tar os guiões.

É tam­bém no modo de For­ma­ta­ção que pode­mos esco­lher nume­rar ou não nume­rar as cenas. A nume­ra­ção pode apa­re­cer à esquerda dos cabe­ça­lhos, à direita, em ambos os lados, ou não apa­re­cer. Nos EUA recomenda-​​se que as ver­sões ini­ci­ais de um guião não tenham as cenas nume­ra­das. Em Por­tu­gal, pelo con­trá­rio, os pro­du­to­res  gos­tam de ir à última página ver logo quan­tas cenas o guião tem.

Pode­mos nume­rar as cenas do guião a qual­quer momento.

8) Expor­tar o guião – infe­liz­mente a maior parte das pro­du­to­ras ainda não adop­ta­ram os pro­gra­mas de escrita de guião no seu pro­cesso nor­mal de tra­ba­lho. É por isso mui­tas vezes neces­sá­rio con­ver­ter os docu­men­tos pro­du­zi­dos no CeltX para um for­mato que elas entendam. 

O CeltX ofe­rece duas opções úteis para esse efeito: ou muda­mos para o modo de For­ma­ta­ção e faze­mos “Sal­var  PDF”; ou vamos ao menu supe­rior e faze­mos “Roteiro/​Exportar Roteiro…” e gra­va­mos o ficheiro como “Arqui­vos HTML”.

A pri­meira opção grava em for­mato .pdf, que hoje é lido pra­ti­ca­mente por qual­quer com­pu­ta­dor, mas não é edi­tá­vel. Isto pode ser útil quando que­re­mos enviar um guião para ser lido mas que­re­mos ter a cer­teza de que ele não poderá ser editado.

A segunda opção exporta em for­mato .html, que o Word lê per­fei­ta­mente. O Word man­tém inclu­si­va­mente os esti­los (Cabe­ça­lho, Ação, etc) dis­po­ní­veis para pode­rem con­ti­nuar a ser usa­dos. Nor­mal­mente será pre­ciso fazer depois alguns ajus­tes nos espa­ça­men­tos e mar­gens, mas 90% do tra­ba­lho de con­ver­são fica feito auto­ma­ti­ca­mente. No que diz res­peito à con­ver­são das letras acen­tu­a­das e cedi­lhas o CeltX faz um melhor ser­viço do que o Final Draft e o Screenwriter.

Temos ainda a pos­si­bi­li­dade de expor­tar em for­mato “Arqui­vos de Text” (.txt) mas isso só se jus­ti­fica se qui­ser­mos depois impor­tar o guião num pro­grama pro­fis­si­o­nal, como o Movie Magic Screenwriter.

Conclusão

O Celtx veio colo­car ao alcance de todos os gui­o­nis­tas, pro­fis­si­o­nais ou ama­do­res, a maior parte das faci­li­da­des e opções que pro­gra­mas pagos como o Final Draft ou o Movie Magic Scre­en­wri­ter ofe­re­cem na fase da escrita. Com a van­ta­gem de ser gra­tuito e exis­tir em ver­sões para os três prin­ci­pais sis­te­mas operativos.

Have­ria muito mais a dizer sobre o CeltX, mas dei­xa­rei para outros arti­gos futu­ros. O que posso reco­men­dar desde já é que façam o down­load do pro­grama e come­cem a experimentá-​​lo. O site da CeltX inclui um Manual de Uti­li­za­ção (em inglês) sob a forma de uma wiki. Ainda não está com­ple­ta­mente atu­a­li­zado para esta ver­são 1.0, mas é o sítio ideal para come­çar a explo­rar mais a fundo todas as capa­ci­da­des do pro­grama. Boa escrita!

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

40 comentários… add one

  • Beto 04/08/2008, 23:50

    Boas, Joao.

    Que pérola… nao me refiro ao tutorial nem ao celtX, se bem que reconheco altamente o valor do tutorial a este software que já venho usando há algum tempo.

    Refiro-me sim a todo o blog. Tenho-me rendido aos milhares de screenwriting blogs brits e americanóides para aumentar o meu humilde arcaboico de pré-guionista desterrado.

    Soube mesmo muito bem ver que há alguem que sabe aplicar a teoria e a prática em Portugues de Portugal EM Portugal. Há que espalhar a bondade do conhecimento.

    Voltarei frequentemente
    Bem haja(s)

  • Gilberto Namura 30/08/2008, 15:01

    Consegui baixar o Celtx sem problemas. Agora estou a aprender a usá-lo. Foi mais uma excelente dica do mestre João Nunes. Obrigado e continue a tarefa de ensinar.
    Abraço do Gilberto.

  • Luciana 08/10/2008, 14:37

    João,
    parabéns pelos tutoriais e cursos. Acabo de descobri-los e estão me ajudando bastante. Sou estudante de cinema e estou usando o Celtx tanto para escrever meus roteiros quanto para organizar a produção (exatamente como você disse). Obrigada pela ajuda. Um abraço.

  • albano alfredo 12/10/2008, 14:47

    Obrigado João Nunes pela sugestão do Celtx, que imediatamente se tornou no software de escrita de guiões no Carne p’ra Canhão. No blog do projecto já foi escrito um post sobre o programa, que faz referência a este post onde descobri o programa:

    http://labs.sapo.pt/ua/cpc/2008/10/12/escrita-de-argumentos-celtx/

    Carne p’ra Canhão, e eu, agradecemos.

  • FABIANA_FSF 18/10/2008, 21:05

    Olá! Sou brasileira e só tenho a parabenizar o blog, achei por um acaso na web e fium achado e tanto! Muito explicativo o tutorial e é realmente muitofácil de utilizar o programa.

    Visitarei com frequência.

    Fabiana_FSF/2008

  • jean 30/10/2008, 19:03

    obrigado!

  • Paola 24/11/2008, 20:13

    Olá João. Muito boas as suas dicas para iniciantes no programa. Coloquei link no grupo Celtx Brasil para este seu post.
    bjs

  • luci licia B.P.Silva 16/04/2009, 23:31

    estou gostando muito,de tudo que você nos ensina sobre roteiro;MUITO OBRIGADA

  • JUNARA HELENA AIRES 24/05/2009, 18:19

    Obrigado! Vce é da Puc mas esta de parabéns! La acontece o cúmulo do rídiculo, a professora, do curso de roteiro, não sabe mexer no programa, que lindo né, é puc meu amigo.

  • nelson hua 26/05/2009, 6:23

    será que esse software existirá também para PCs ou é somente para MAC?
    sem mais agradecia pela compreensão e gostava de ter em breve as respostas
    sou de África, Moçambique e faço trabalhos gráficos

    • João Nunes 26/05/2009, 17:10

      O CeltX existe para ambientes Mac, Windows e Unix, com a vantagem dos documentos serem livremente cambiáveis de uns para os outros.

  • Delfina 19/11/2009, 10:31

    Com o celtx posso exportar o storyboard e outras informações da biblioteca do projecto para PDF ou outro formato?
    Parabéns pelo artigo. 

    • João Nunes 20/11/2009, 14:42

      Para ser sincero, não sei. No Mac é sempre possível exportar para .pdf qualquer coisa que possa ser impressa, através do diálogo de impressão. Imagino que nas versões mais recentes do Windows deve haver alguma coisa semelhante.
      De qualquer forma, se uma função específica existir no CeltX não deve ser difícil de encontrar. Recordo que o programa evoluiu recentemente para a versão 2.5.

      • Delfina 24/11/2009, 10:20

        Já consegui exportar para PDF toda a biblioteca de projectos atavés do diálogo de impressão como sugeriste.
        Obrigada pela dica.

  • Jorgito Melo 08/06/2010, 23:48

    Parabéns pelo trabalho. Espero que o movimento cinematográfico aí em Portugal esteja como aqui, crescendo.

    • João Nunes 10/06/2010, 13:55

      Infelizmente não está a ter o mesmo crescimento, nem em volume, nem em qualidade, nem em adesão do público ou reconhecimento internacional. Mas não vamos deixar que isso nos afecte.

  • Paola Giovana 10/06/2010, 18:32

    Oi João! Obrigada por responder à dúvida de ontem. Hoje a dúvida é mais prática do que teórica. Existe algum modo de exportar o roteiro escrito no Celtx, incluindo as notas que colocamos ao lado?

    • João Nunes 11/06/2010, 22:49

      Nos últimos tempos, por questões de trabalho, não tenho usado muito o CeltX e por isso não lhe sei responder.

  • Livia 29/09/2010, 15:30

    ótimo este artigo. obrigada!

  • Livia 29/09/2010, 19:14

    não consigo postar no celtz estudio. a página n abre.

  • Francisco Rodrigues Júnior 21/11/2010, 5:06

    Estou escrevendo um Roteiro para televisão, embora eu tenha perdido alguns dados e não consegui repará-los, mas estou na luta. Se se for aprovado algum dia haverá gravações de cenas no BRASIL, PORTUGAL E ESPANHA… Voltaremos os anos de 1782!!!! É tanto mistério envolvente. Trata-se da adaptação do livro “Mistério Sob as Luzes da Arcádia” – esse livro é demais, gente… Creio que muitos roteiristas estarão logo correndo atrás desta obra para compor a grande ARTE. Não sei se estou na frente com o roteiro sobre ele… mas estou fazendo…

    • João Nunes 23/11/2010, 20:30

      Caro Francisco, espero que consiga os seus Objetivos. Mas certifique-se de que tem os direitos da obra que está a adaptar. A última coisa que um argumentista quer é trabalhar duro num projeto que, por questões de direitos, depois não pode avançar.

      • Francisco Rodrigues 29/07/2011, 3:04

        Prezado João Nunes, já tenho os direitos da obra que estou a adaptar. Se quiseres ler a obra, poderei mandá-la gratuitamente a você, pelo correio. O romance é maravilhoso. Mande-me o seu endereço por e-mail, farei questão de mandar-lhe a obra autografada pelo autor. Se quiseres, também, poderei mandá-la por e-mail.
        Um forte abraço, Francisco

  • Carlinho 14/01/2011, 12:38

    Olá João,

    Preciso de uma grande ajuda de ti!
    É o seguinte eu baixei o programa hoje e achei maravilhoso, só que na hora que eu vou escrever o diálogo ele passa da linha cinza onde fica o cabeçalho e não vai para baixo, e com isso a fala fica enorme e quando eu visualizo ele fica desconfigura, e não fica igual a sua imagem antes da sua quinta explicação >> 5) Memó­ria inte­li­gente dovou, dar um exemplo sobre o que estou querendo descobrir:

    CENA 1 testeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

    PERSONAGEM 1
    lkkklkllkkkllklkkllllllllllllllllllllllllllll (o diálogo ele passa >>)
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ( quando eu dou enter ele fica desse jeito)

    Poderia ajudar sobre a minha dúvida? Eu sei que o diálogo tem que ficar igual a sua imagem que mostra como é a fortação, mas o meu diálogo não fica e quando eu dou ENTER para o diálogo ir para baixo ele fica do jeito que eu coloquei acima.

    Muito obrigado,

    Carlinhos Camargo

    • João Nunes 14/01/2011, 13:37

      OLá Carlos,

      não consigo entender exatamente qual é o seu problema, mas a sequência é muito simples:

      - no início comece a digitar e o texto é automaticamente reconhecido como Cabeçalho.
      - faça enter e ele automaticamente passa para o formato Acção (por norma a seguir a um cabeçalho vem sempre um parágrafo de acção, ou seja, descrição visual)
      - faça enter e ele cria outro parágrafo de Acção, e assim sucessivamente.
      - se quiser introduzir um diálogo faça tab e ele passa para o formato Personagem (para escrevermos o nome do personagem que fala).
      - faça enter e ele passa para o formato Diálogo. Escreve-se então o texto do diálogo.
      - novo enter, novo Personagem.
      - novo enter, novo Diálogo, e assim sucessivamente.
      - quando quiser voltar para o modo Acção deve fazer enter seguido de tab.
      - quando estiver em Acção dois enters criam um novo cabeçalho.

      Em baixo. no lado direito, há sempre uma pequena legenda com dicas sobre o que acontece se fizer tab ou enter no sítio onde está.

      Além disso, se carregar num parágrafo com o botão direito do rato acede a um menu Formato, que lhe permite mudar o formato do parágrafo para qualquer outra opção.

      Espero que isto ajude, e boas escritas.

  • Heitor Dias 06/04/2011, 16:03

    Olá, João.

    Passei a usar o Celtx e é realmente um grande programa. Entretanto, estou tendo problemas exatamente com os acentos e cedilhas na hora de exportar para PDF (como você colocou no texto). Mas percebi que não foram todos os acentos, e sim apenas de algumas páginas.

    O que fiz foi redigitar as partes erradas no Celtx, pensando que fosse um possível erro de estilo de fonte. Isso deu certo. Quando exportei para PDF, as partes se consertaram. Mas aí, quando fui abrir o arquivo no outro dia, as partes estavam lá, erradas novamente.

    Aí estou aqui, querendo saber como isso se resolve definitivamente. risos

    Abs
    Heitor Dias

  • Sérgio Hygino 20/05/2011, 5:30

    Instalei no Ubuntu Studio 11.04 e está funcionando corretamente.

    Parabéns pelo projeto CeltX e as instruções aqui contidas.

    • João Nunes 20/05/2011, 16:28

      Os parabés pelo projeto devem ser endereçados ao grupo de desenvolvedores que o tem levado para a frente. Eu também acho que os merecem. Quanto ao tutorial, ainda bem que está a ser útil.

  • Ana 21/06/2011, 11:04

    Obrigada, isto ajudou-me imenso!

  • Luciano 05/12/2011, 11:47

    boas,

    Há alguma versão portuguesa pt sem ser português brasileiro?

  • sebastiao moreira da 02/04/2012, 21:16

    gostaria de receber este programa de guionismo para digitacao de roteiro, obrigado.

  • Rangel Luiz dos San 30/04/2012, 2:26

    sou brasileiro e quero me tornar roteirista ou guionista como vocês dizem. Me encantei com o site.

    • João Nunes 30/04/2012, 14:31

      Obrigado. Boa sorte em seu percurso.

  • Lion 05/01/2013, 13:15

    Onde posso baixar a versão portuguesa

  • Luiz Gustavo 13/05/2013, 22:25

    Excelente blog cara! Me foi muito útil.

    Gostaria de tirar algumas dúvidas, já que está na área.

    Uma vez que meu roteiro seja escolhido para ser produzido, até onde vai a minha autonomia sobre a forma de produção e a dublagem?

    • João Nunes 14/05/2013, 16:40

      Tudo vai depender da relação – pessoal, profissional e contratual – que conseguir estabelecer com o produtor que escolher o seu roteiro para produção. Há uma gama de possibilidades que vão desde o envolvimento total no processo, ao afastamento completo. Vai depender de muitas coisas, incluindo a sua postura e poder negocial.

  • Ruy 09/02/2014, 9:39

    João, parabéns pelo artigo.
    Embora antigo ainda é muito bom. A melhor prova da qualidade dele.
    Abraco daqui do Brasil
    Ruy

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