Lee Hall sobre a escrita do guião de "Billy Elliot".

O Time­sOn­line publi­cou uma série de depoi­men­tos de gui­o­nis­tas ingle­ses sobre o pro­cesso de escrita de fil­mes tão diver­sos como “Sha­kes­pe­are in love” ou “Trains­pot­ting”. Um des­ses depoi­men­tos é de Lee Hall, cujo pri­meiro guião deu ori­gem ao acla­mado filme “Billy Elliot”.

Vale a pena ler os cinco arti­gos (que cor­res­pon­dem à oferta dos cinco guiões com o jor­nal) mas des­taco aqui um pará­grafo do texto de Lee Hall, por­que é uma coisa que eu sem­pre digo aos gui­o­nis­tas estre­an­tes e aos alu­nos dos workshops que tenho dado:

O cinema é muito cola­bo­ra­tivo; temos de ter uma boa rela­ção com o rea­li­za­dor e com os acto­res. Escre­ve­mos um guião e depois ele transforma-​​se nou­tra coisa com o rea­li­za­dor, e ainda nou­tra coisa com­ple­ta­mente dife­rente no chão da sala de mon­ta­gem. Temos de nos pre­pa­rar para isso. Se vimos de uma cul­tura lite­rá­ria em que a pala­vra é sacros­santa vamos ficar cho­ca­dos. No tea­tro, se uma linha for cor­tada, o dra­ma­turgo pode tra­var a pro­du­ção. No cinema, o con­trato do gui­o­nista espe­ci­fica lite­ral­mente que qual­quer das nos­sas pala­vras pode ser alte­rada “per­pe­tu­a­mente e em media ainda não inven­ta­dos”. Não deve­mos tornar-​​nos gui­o­nis­tas se não for­mos capa­zes de viver com o desa­pon­ta­mento. Com­pro­mis­sos são neces­sá­rios. Se o nosso ego não o supor­tar — e acreditem-​​me, é hor­rí­vel — então deve­mos escre­ver roman­ces, ou poe­sia. Por vezes temos de nos livrar de per­so­na­gens, ou de enre­dos com­ple­tos. O guião é ape­nas uma base de trabalho”.

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José L. M. Patrocínio 25/2/2008 ás 21:29

Do mundo cine­ma­to­grá­fico o que intriga, e em certa medida apai­xona qual­quer atento ao mundo em cons­tante mudança e ebo­li­ção é efec­ti­va­mente criar per­so­na­gens, esta­be­le­cer uma rela­ção ou con­flito entre elas e pro­cu­rar dar um sen­tido e sig­ni­fi­cado para a sua exis­tên­cia. Após con­su­mir cinema anos a fio, de repente apoderou-​​se de mim uma pai­xão em pegar num papel e pro­cu­rar o sig­ni­fi­cado para mui­tas situ­a­ções que vagueiam na mente atra­vés desta forma. Não só a cri­a­ção des­tas ins­pi­ra­das num texto nar­ra­tivo, em que os diá­lo­gos são evi­den­tes, a sua rela­ção com a música, ves­tuá­rio e cores pre­do­mi­nan­tes.
Não adi­an­ta­rei mais a inten­ção com que escrevo este desa­bafo. Porém, se for recep­tivo ao envio da minha parte em guiões que pos­sam ser tra­ta­dos por res­pon­sá­veis, esta­rei receptivo.

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