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Lee Hall sobre a escrita do guião de "Billy Elliot".
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O Time­sOn­line publi­cou uma série de depoi­men­tos de gui­o­nis­tas ingle­ses sobre o pro­cesso de escrita de fil­mes tão diver­sos como “Sha­kes­pe­are in love” ou “Trains­pot­ting”. Um des­ses depoi­men­tos é de Lee Hall, cujo pri­meiro guião deu ori­gem ao acla­mado filme “Billy Elliot”.

Vale a pena ler os cinco arti­gos (que cor­res­pon­dem à oferta dos cinco guiões com o jor­nal) mas des­taco aqui um pará­grafo do texto de Lee Hall, por­que é uma coisa que eu sem­pre digo aos gui­o­nis­tas estre­an­tes e aos alu­nos dos workshops que tenho dado:

O cinema é muito cola­bo­ra­tivo; temos de ter uma boa rela­ção com o rea­li­za­dor e com os acto­res. Escre­ve­mos um guião e depois ele transforma-​​se nou­tra coisa com o rea­li­za­dor, e ainda nou­tra coisa com­ple­ta­mente dife­rente no chão da sala de mon­ta­gem. Temos de nos pre­pa­rar para isso. Se vimos de uma cul­tura lite­rá­ria em que a pala­vra é sacros­santa vamos ficar cho­ca­dos. No tea­tro, se uma linha for cor­tada, o dra­ma­turgo pode tra­var a pro­du­ção. No cinema, o con­trato do gui­o­nista espe­ci­fica lite­ral­mente que qual­quer das nos­sas pala­vras pode ser alte­rada “per­pe­tu­a­mente e em media ainda não inven­ta­dos”. Não deve­mos tornar-​​nos gui­o­nis­tas se não for­mos capa­zes de viver com o desa­pon­ta­mento. Com­pro­mis­sos são neces­sá­rios. Se o nosso ego não o supor­tar – e acreditem-​​me, é hor­rí­vel – então deve­mos escre­ver roman­ces, ou poe­sia. Por vezes temos de nos livrar de per­so­na­gens, ou de enre­dos com­ple­tos. O guião é ape­nas uma base de trabalho”.

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

1 comentário… add one

  • José L. M. Patrocínio 25/02/2008, 21:29

    Do mundo cinematográfico o que intriga, e em certa medida apaixona qualquer atento ao mundo em constante mudança e ebolição é efectivamente criar personagens, estabelecer uma relação ou conflito entre elas e procurar dar um sentido e significado para a sua existência. Após consumir cinema anos a fio, de repente apoderou-se de mim uma paixão em pegar num papel e procurar o significado para muitas situações que vagueiam na mente através desta forma. Não só a criação destas inspiradas num texto narrativo, em que os diálogos são evidentes, a sua relação com a música, vestuário e cores predominantes.
    Não adiantarei mais a intenção com que escrevo este desabafo. Porém, se for receptivo ao envio da minha parte em guiões que possam ser tratados por responsáveis, estarei receptivo.

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