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Vejam cinema português: The Lovebirds

Rogério Samora

Rogé­rio Samora em “The Lovebirds”

O que é o “cinema por­tu­guês” ? É mui­tas coi­sas dife­ren­tes, em mui­tos for­ma­tos, esti­los e regis­tos dife­ren­tes. E feliz­mente que assim é, ou não tería­mos fil­mes como “The Love­birds”, de Bruno de Almeida.

Jorge Lei­tão Ramos escreve-​​lhe ras­ga­dos elo­gios: “Olhando amo­ro­sa­mente vários per­so­na­gens ape­nas esbo­ça­dos em ténues fios de his­tó­ria, fil­mando Lis­boa como nunca nin­guém antes — salvo Fer­nando Lopes, é claro — a olhara (um misto de calor, ena­mo­ra­mento e nos­tal­gia), The Love­birds gosta dos seus com­par­sas, nos­sos pró­xi­mos e con­se­gue cumpliciar-​​nos nessa ati­tude”.

António-​​Pedro Vas­con­ce­los acres­centa: “Sem paci­ên­cia para espe­rar pelos absur­dos con­cur­sos do ICA a que se con­de­nou o cinema por­tu­guês, o Bruno pegou nos ami­gos e numa câmara digi­tal e deci­diu cru­zar seis peque­nas his­tó­rias pas­sa­das em Lis­boa, com per­so­na­gens por­tu­gue­sas e ame­ri­ca­nas (além de um taxista de leste, o notá­vel Dmi­try Bogo­mo­lov), his­tó­rias que falam de der­ro­tas e frus­tra­ções, de soli­dão e de fra­cas­sos, fil­ma­das, com uma infi­nita ter­nura e com­pai­xão, entre Alfama e o Bairro Alto, com o Tejo por fundo. (…) O que é impor­tante num filme? Ros­tos e olha­res. Emo­ções e sen­ti­men­tos. Nas vés­pe­ras de come­çar um filme ‘nor­mal’, fez-​​me bem que o Bruno me relem­brasse esta grande ver­dade.

O filme estreou quinta nos cine­mas El Corte Inglês e no Alva­lá­xia e o rea­li­za­dor enviou um apelo a todos os ami­gos, em ter­mos que dão uma visão muito crua da rea­li­dade do nosso mer­cado: “As pes­soas tem ado­rado e a cri­tica tam­bém. Essas são as boas notí­cias.… as más noti­cias são que se até domingo à noite eu não tiver 1500 espec­ta­do­res tiram o filme de car­taz… sim, é assim tão frio… são os tempo em que vive­mos — as leis do mer­cado. Por isso pre­ciso de vocês: pfv vão ver o filme este fim de semana — para a semana pode já não lá estar! Se con­se­guir­mos uma segunda semana, o boca-​​a-​​boca já se espa­lha e o filme tem hipó­te­ses de exis­tir num mer­cado onde quase tudo são fil­mes de Hollywood. Apôem o nosso cinema. Espa­lhem a notí­cia, digam aos ami­gos, levem a famí­lia. Conto convosco!”

The Love­birds” merece os elo­gios rece­bi­dos e a nossa aten­ção. Por isso, este fim de semana, em vez do “John Rambo”, veja um bom filme português.

UCI Cine­mas — El Corte Inglés Sala 10
14h, 16h, 18h, 20h, 22h, 24h
Tel. 707232221

Cinema Alva­lá­xia Sala 10
14h, 17h, 19h, 22h10, 00h10
Tel. 707 CINEMA
 

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Acerca de João Nunes

João Nunes é um autor, guionista, publicitário e diretor português residente em Manaus, Brasil. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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3 Comentários

  1. João Manuel Vicente
    Publicado 21/03/2008 às 4:35 | Link

    Vi o filme hoje mesmo e quero que o Bruno saiba que amei o filme.
    Saber que foi ele o rea­li­za­dor, o mon­ta­dor e o ope­ra­dor de câmara leva-​​me a agradecer-​​lhe a si de modo muito par­ti­cu­lar o pra­zer de fruir do objecto artís­tico que pro­du­ziu.
    Antes de mais, o som do filme. Que não existe salvo no que res­peita às pala­vras das pes­soas que lá estão. Para mim, não há lá som nenhum a mais, ficando escul­pida de forma final­mente nítida no cinema por­tu­guês as pala­vras que os acto­res estão a dizer..
    Ainda no som, a ausên­cia de sons redun­dan­tes per­mite que a poe­sia musi­cada pela voz do Camané surja ainda mais apai­xo­nante..
    Os acto­res. O Fer­nando Lopes, mag­né­tica a sua repre­sen­ta­ção, sedu­tora a sua voz, a cadên­cia, a sua cara.. e a aura que irradia…magnífica ainda a inte­rac­ção com o Rogé­rio Samora que niti­da­mente dei­xou mis­tu­rar — e bem e feliz­mente — a sua fas­ci­na­ção pes­soal pelo Fer­nando na cena em que este tenta acen­der a cigar­ri­lha…
    Lin­dís­si­mas as ruas autên­ti­cas, “não lim­pas”, “não lim­pa­das” e tão usa­das e vivi­das de alfama, da baixa, de algu­mas “cata­cum­bas” da cidade..
    Par­ti­cu­lar­mente bela a exis­ten­cial e crua luz da manhã na lis­boa antiga e o recorte de luz nos ros­tos e cor­pos do casal, na tal última cena…Que tempo parado ali, que tempo para sem­pre eterno ali! Lindo, per­tur­ba­dor, poé­tico, triste e feliz e trá­gico!
    Isto o que eu senti. Mais num plano de aná­lise raci­o­nal, pareceu-​​me exposta no filme a ques­tão da “empa­tia”, a von­tade de alguém se ide­a­li­zar no lugar do outro, de fazer a per­gunta: como me sen­ti­ria se fosse eu que esti­vesse ali.
    Ou seja, a facul­dade (que é às vezes tam­bém uma gene­ro­si­dade) de ver pelo ponto de vista do outro, de dar ao outro a pos­si­bi­li­dade de ver ao nosso lado o que, do nosso ponto de visi­o­na­mento, pode­mos ver, sen­tir e ser..
    Acabo como come­cei: obri­gado, amei este “The Lovebirds”.

  2. Publicado 26/03/2008 às 12:44 | Link

    .…(não)por acaso fui ver e (não) por acaso con­cordo com todas as cri­ti­cas posi­ti­vas a res­peito deste trabalho.

  3. Miguel Brother
    Publicado 15/04/2008 às 18:00 | Link

    Vi o filme, gos­tei de muita coisa, des­gos­tei de outras. Explico (ou tal­vez, não).
    Gos­tei das estó­rias que cada per­so­na­gem nos conta, gos­tei da sen­si­bi­li­dade de cada estó­ria, gos­tei muito de ver tan­tos e bons ato­res ame­ri­ca­nos ao lado de tan­tos e não menos bons por­tu­gue­ses ou ucrâ­ni­a­nos (tam­bem tem uma bra­si­leira) o que lhe deu um ar ver­da­dei­ra­mente glo­bal e não um ar afran­ce­sado como cos­tuma sêr.
    Disse “glo­bal” e não “inter­na­ci­o­nal” por­que para se sêr cinema “Inter­na­ci­o­nal” não se podem usar Meios Téc­ni­cos tão pobres, que se reflec­tem no resul­tado final:
    — a camera a sêr “for­çada” à noite revela-​​se um drama que pre­ju­dica quem fil­mou bem;
    – a com­pres­são usada na edi­ção é incom­pre­en­si­vel e retira qua­li­dade a um exce­lente tra­ba­lho.
    – e o guião que tem 6 ou 7 boas estó­rias devia ter sido revisto por um gui­o­nista que lhe desse “con­junto” ou em ame­ri­cano falta-​​lhe o “story­tel­ling” . (E era tão fácil de resol­ver — bas­tava que o táxista fizesse “cru­zar” todas as his­tó­rias como se che­gou a crêr que fosse acon­te­cer mas não acon­te­ceu).
    Este nome é para seguir no cinema por­tu­guês, tem von­tade e sen­si­bi­li­dade e com €uros no Bud­get passa a “Internacional”.

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