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Uma explicação à laia de desculpa

Numa nota pes­soal, os últi­mos tem­pos foram muito movi­men­ta­dos, o que tem con­tri­buído para alguma ausên­cia aqui do blo­gue, e um grande atraso em rela­ção às datas de publi­ca­ção pro­me­ti­das para o Curso de Guião.

Ericeira_1Em pri­meiro lugar, mudei de casa. Pela pri­meira vez em mui­tos anos (excep­tu­ando a pas­sa­gem por Angola, que nunca foi exac­ta­mente uma nova casa, mas antes um mara­vi­lhoso local de pas­sa­gem) estou a viver fora do con­ce­lho de Sin­tra. A loca­li­dade esco­lhida foi a Eri­ceira, na costa de Mafra, e a única coisa que posso dizer é que foi a melhor opção que podia ter tomado. A prin­ci­pal razão que me levou a esco­lher a Eri­ceira é que tem mar. A pos­si­bi­li­dade de sair de casa, andar alguns metros e ficar face ao grande oce­ano, absor­vendo a sua beleza e ener­gia, é uma ben­ção de que eu não tinha a noção exacta até come­çar a bene­fi­ciar dela todos os dias. Além disso, o estilo de vida na Eri­ceira é com­ple­ta­mente dife­rente do que eu expe­ri­men­tei nos últi­mos anos. Per­mite esco­lher entre a tran­qui­li­dade de um longo pas­seio a pé ou uma cor­rida ao longo do mar; entre ler um livro na espla­nada ou apro­vei­tar uma rés­tia de sol para fazer um pouco de praia; entre ficar sen­tado, em silên­cio, a olhar o hori­zonte, ou apro­vei­tar a sim­pa­tia dos vizi­nhos que rapi­da­mente se tor­nam conhecidos.

A Eri­ceira tem todos os tra­ços típi­cos da vida no inte­rior, como a pos­si­bi­li­dade de fazer local­mente as com­pras do dia a dia — o pão quente saído do forno, o peixe fresco no mer­cado -, tem­pe­ra­dos com um certo cos­mo­po­li­tismo, natu­ral numa vila que tam­bém é des­tino inter­na­ci­o­nal de férias. Ainda agora, quase no fim de Outu­bro, é fácil ouvir falar inglês, ita­li­ano ou holan­dês no café ou no res­tau­rante. E cafés e res­tau­ran­tes é coisa que não falta, com comi­das para todos os gos­tos, desde o marisco que faz a fama da terra, até às tapas e petis­cos diver­sos, ou a pica­nha que vou comer daqui a pouco. Só sinto neces­si­dade de um bom cinema, mas foi para isso que se inven­ta­ram os LCD’s.

A segunda razão para esta rela­tiva ausên­cia do blo­gue foi uma grande carga de tra­ba­lho. Tenho neste momento três guiões de cinema em mãos. De um, já entre­guei a pri­meira ver­são, que foi bas­tante bem rece­bida; o segundo está um pouco atra­sado mas espero recu­pe­rar agora o tempo per­dido (que, para dizer a ver­dade, foi útil para con­so­li­dar e fil­trar algu­mas ideias); o ter­ceiro tem um prazo mais alar­gado, e irá ocupar-​​me ape­nas depois de des­pa­cha­dos os outros dois. Além disso, tive de dar uma última “demão” no guião de “O Côn­sul de Bor­déus”, o filme sobre Aris­ti­des de Sousa Men­des que res­crevi no ano pas­sado, e que entrou em roda­gem neste mês de Outubro.

Em ter­ceiro lugar, estou a pre­pa­rar uma ausên­cia mais ou menos longa de Por­tu­gal. No pró­ximo mês de Novem­bro, depois de regres­sar da Con­fe­rên­cia Mun­dial de Argu­men­tis­tas, em Ate­nas, vou via­jar para o Bra­sil, onde per­ma­ne­ce­rei por três meses. Sim, eu sei que é Verão lá; mas não, não vou de férias. Levo muito tra­ba­lho, e mui­tos assun­tos de natu­reza pes­soal para acom­pa­nhar. E pre­ci­sa­mente por não serem férias há toda uma série de pre­pa­ra­ti­vos e assun­tos prá­ti­cos a tra­tar, que têm con­su­mido o pouco tempo que ainda me resta. Dito tudo isto, em jeito de de des­culpa aos lei­to­res fiéis deste blo­gue, resta-​​me ape­nas pro­me­ter que regres­sa­rei o mais bre­ve­mente pos­sí­vel à rotina nor­mal, com mais arti­gos para o Curso de Guião e para os outras rubri­cas regu­la­res. Até lá, boas escritas.

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Acerca de João Nunes

João Nunes é um autor, guionista, publicitário e diretor português residente em Manaus, Brasil. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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4 Comentários

  1. Publicado 28/10/2009 às 0:33 | Link

    Nossa que mara­vi­lha, caro João Nunes.
    Pen­sando bem, há muito que te devo uma visita… *risos…
    Feli­ci­da­des pra vocês aí na nova morada.
    Abraço e sau­da­des bra­zu­cas — Gil­berto e Inajá.

  2. Publicado 29/10/2009 às 0:31 | Link

    well­come to Eri­ceira, assim parece que o blo­gue fica mais perto

    :)

    • João Nunes
      Publicado 29/10/2009 às 12:07 | Link

      Não sabia que tinha lei­to­res aqui na Eri­ceira, mas fico satis­feito. Quem sabe não nos encon­tra­mos aí numa espla­nada, a olhar o mar e a sonhar com estó­rias e filmes ;-)

  3. Publicado 29/10/2009 às 13:26 | Link

    Não só lei­tor como argu­men­tista tam­bém… quanto ao café.. sem­pre às ordens

    :)

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