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As dicas de guionismo de Billy Wilder, tal como ditas a Cameron Crowe.
sunset-boulevard-imagem

Billy Wil­der, além de um dos gran­des rea­li­za­do­res da his­tó­ria do cinema, foi tam­bém um mara­vi­lhoso argu­men­tista. Ou tal­vez devesse dizê-​​lo ao con­trá­rio, já que o homem tem cre­di­ta­dos 75 guiões como argu­men­tista, e ape­nas (!) 27 fil­mes como rea­li­za­dor, na lis­ta­gem do IMDB.

Seja como for, Billy Wil­der sabia do que falava quando falava de escrita. E na grande entre­vista que deu a Came­ron Crowe, e que se trans­for­mou num livro mag­ní­fico,“Con­ver­sa­ti­ons with Billy Wil­der”, brindou-​​nos com dez con­se­lhos que vêm mesmo a calhar neste mês de Script Frenzy.

  1. As audi­ên­cias são caprichosas.
  2. Agarre-​​os pelo pes­coço e não os lar­gue mais.
  3. Desen­volva uma linha de acção clara para o seu protagonista.
  4. Saiba para onde está a ir.
  5. Quanto mais sub­til e ele­gante for a escon­der os pon­tos de vira­gem do seu enredo, melhor escri­tor será.
  6. Se tem um pro­blema no ter­ceiro ato, o ver­da­deiro pro­blema está no pri­meiro ato.
  7. Uma dica de Lubitsch: Deixe a audi­ên­cia somar dois mais dois. Adorá-​​lo-​​ão para sempre.
  8. Quando colo­car vozes sobre­pos­tas (voice-​​overs), tome cui­dado para não des­cre­ver o que a audi­ên­cia já está a ver. Acres­cente ao que eles estão a ver.
  9. O evento que ocorre na cor­tina do segundo ato desen­ca­deia o final do filme.
  10. O ter­ceiro ato deve cres­cer, cres­cer, cres­cer em ritmo e ação até ao último evento e então – esta­mos ditos. Não fique a arrastar-​​se por lá.

Já em tem­pos tinha dei­xado aqui no blo­gue este vídeo, sobre a rela­ção de Billy Wil­der com um dos seus mais fre­quen­tes cola­bo­ra­do­res, I.A.L. Dia­mond. Não faz mal vol­tar a mostrá-​​lo.

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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7 comentários… add one

  • Diogo Abrantes 04/04/2010, 14:16

    Olá João nunes.
    Este excerto faz parte de algum documentário?
    Se sim, qual o seu nome?

    Obrigado e Abraço.

    • João Nunes 04/04/2010, 15:20

      Sinceramente não sei. Provavelmente sim, mas terá de procurar no Youtube, onde eu encontrei este excerto.

  • Cícero Soares 05/04/2010, 8:55

    1005! rs. (Ou 1003, os trackballs somados acho que causam, hum, alguma confusão na contagem, João) Enfim. A ilustração do Sunset Boulevard acima, como ilustração para boa parte desses conselhos, calhou também demais, é hours concours: nos agarra logo de saída, VOs instigantes, viragens bem marcadas e bem direcionadas, e por aí vai. Até aquele coroamento maravilhoso. E ainda por cima… é de “nossos” sonhos e pesadelos que se trata!

    • João Nunes 05/04/2010, 11:04

      Estou a pensar escrever qualquer coisa sobre esse filme. Mas há tanta coisa para escrever, e tão pouco tempo…

  • Cícero Soares 05/04/2010, 14:32

    (Rs… Tenho que dar registro desse pensamento que tive enquanto faxinava a casa ao som de Black Francis, João, nada original, mas…) Enfim, o pensamento: então deve ser por isso inventamos histórias e mais histórias e as estruturamos bem na medida para a aventura de nossos alter-egos ou demais alteridades: a fim de dar todo o tempo do mundo pra eles, o tempo que nunca teremos! rs. Damos o tempo certo pra que eles encetem na ação, ajam e colham os merecidos louros e descanso. Muito ou pouco, só existe um tempo pra eles, no mundo que construímos pra eles: o tempo perfeito, um tempo completo. De vingar o bem ou o mal ou… Ou qualquer coisa que possa estar entre, além ou aquém de tudo disso, aí fica a gosto da invenção de cada um, né?

  • Ventura de Azevedo 08/04/2010, 11:56

    Muito tenho aprendido e sugado, desde que encontrei o joãonunismo! (passe a brincadeira!) Agora não tenho olhos para outras coisas. O que eu gostaria mesmo de ter e ler são the conversations with Billy Wilder, achei o vídeo fantástico!…

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