Baixe o tratamento e guião anotado de "Brick"

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R. C. John­son, o argu­men­tista e rea­li­za­dor de “Brick” (filme que é con­si­de­rado o novo “Don­nie Darko”), dis­po­ni­bi­li­zou no seu site o tra­ta­mento ori­gi­nal e o guião final do filme. Pelo que vi até agora, as seme­lhan­ças são mai­o­res com o uni­verso de um “Blue Vel­vet” pas­sado num uni­verso ado­les­cente. Descobri-​​o atra­vés do site do Nuno Markl, e não posso dei­xar de o recomendar.

Dois aspe­tos curi­o­sos: em pri­meiro lugar, o for­mato do tra­ta­mento, muito extenso (setenta e tal pági­nas), que foi escrito  ao jeito dos roman­ces ‘noir’ de Dashiel Ham­met e que­jan­dos. Até usa a nar­ra­tiva na 1ª pes­soa, ao arre­pio de tudo o que se reco­menda para a escrita de um tra­ta­mento cine­ma­to­grá­fico. Além disso ainda o sal­pi­cou com ilus­tra­ções de um amigo, que aju­dam a dar o ambi­ente pre­ten­dido, e carac­te­ri­zam muito bem os per­so­na­gens que popu­lam a narrativa.

É um exem­plo de como, quando se sabe o que se está a fazer, é pos­sí­vel que­brar ‘as regras’.

Não é vul­gar ler-​​se tra­ta­men­tos tão com­ple­tos, mas tam­bém não é iné­dito; James Came­ron, por exem­plo, é adepto dos tra­ta­men­tos muito exten­sos e com­ple­tos (a que chama ‘script­ments’), que dão uma ideia per­feita do uni­verso da estó­ria, dos per­so­na­gens e do enredo. E Wil­liam Gold­man, num dos seus livros, refere uma vez ter escrito (ou ter-​​se pro­posto a escre­ver — já não recordo) um tra­ta­mento com cen­te­nas de pági­nas, em que todos os deta­lhes do filme fica­riam per­fei­ta­mente explícitos.

O segundo aspecto a des­ta­car é que o autor enri­que­ceu o guião com notas de rodapé. Mas aten­ção — ape­nas na ver­são agora divul­gada, pois não faziam parte do guião ori­gi­nal. São uma espé­cie de comen­tá­rio ao guião, à maneira daque­les comen­tá­rios orais que às vezes se incluem nas edi­ções espe­ci­ais em DVD.

Vale a pena bai­xar o docu­mento e depois pro­cu­rar o filme, que o Nuno Markl diz ter sido edi­tado agora em Por­tu­gal. É o que eu vou fazer.

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1 Cícero Soares Março 22, 2010 às 1:23

Oba, material muito do pertinente. Corri atrás de baixar (mas para fins, hum, educacionais, adianto…rs.) e ver esse “Brick” após ter me maravilhado com o “The Brothers Bloom” desse Rain Johnson aí (na verdade, só até a virada do, hum, payback do vilão, que acho que a partir daí o filme se perdeu um pouco no ritmo). Mas… Deuses do céu, aquela apresentação da infância dos irmãos é de arrepiar, João! É, é um roteirista-diretor que acho que promete. Vou ficar de olho nele.

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