
Elmore Leonard é um dos meus romancistas favoritos. Há qualquer coisa na sua escrita ágil, fluida, cheia de personagens fascinantes, que me agrada profundamente.
São famosas as suas 10 regras de escrita. Inspirado por elas, o jornal The Guardian publicou um artigo em duas partes com as ‘regras de escrita’ de um conjunto de nomes notáveis, incluindo entre outros Michael Moorcock, Joyce Carol Oates, Annie Proulx e Zadie Smith.
Não vou tentar resumir aqui todas (são muitas) por isso recomendo a leitura do artigo (em inglês). Mas só para dar o tom, destaco uma bem divertida:
“Não coloque na sua secretária uma fotografia do seu autor favorito, especialmente se ele for um daqueles famosos que se suicidaram.” — - Roddy Doyle
Num acesso de falta de modéstia, decidi juntar-me a esta lista de consagrados, e tentar deixar aqui também as minhas dez regras de escrita:
- Andar sempre com um bloco de notas para assentar todas aquelas ideias que nos surgem nas horas mais impróprias. Rever com frequência os blocos antigos à procura das melhores ideias.
- Ser ‘darwiniano’ na selecção natural das ideias. Ou seja, dar-lhes tempo para se afirmarem na nossa mente, sobrevivendo ao esquecimento. Só as mais fortes o conseguirão.
- Não correr para o computador logo que se tenha uma primeira cena fantástica, ou um grande final. Essas são as mais fáceis. O diabo são as que estão no meio.
- Fazer uma escaleta (outline) bem detalhada de toda a estória. Quanto mais detalhada, mais fácil será não nos perdermos no meio. E o meio, como já vimos antes, é que é o diabo.
- Escrever a escaleta como quem joga pingue-pongue, pensando alternadamente no enredo… pingue… e nos personagens… pongue… e no enredo… pingue… e nos personagens…
- Depois de começar a escrever, não parar. Seguir em frente, ao nosso ritmo, mas sem medos nem hesitações. A primeira versão é só nossa — não temos que a mostrar a ninguém, e temos todo o tempo do mundo para corrigir o que estiver mal.
- Escrever sempre menos do que nos apetece: descrições mais concisas e económicas; diálogos mais enxutos e ritmados; menos cenas, e mais curtas. E depois voltar atrás e cortar ainda um pouco mais.
- Ter sempre em mente o que os espetadores sabem e não sabem naquele momento da estória; o que eles esperam ou não esperam que vá acontecer; e jogar com essa informação e expetativas.
- Conflito e surpresas. Conflito e surpresas. Conflito e surpresas.
- Depois de terminar a primeira versão do guião, dar uma palmadinha nas próprias costas (o que pode ser complicado) e tirar uns dias antes de mergulhar na reescrita. Mas isso é outra estória.
É provável que com o tempo, e mais reflexão, estas dez regras mudem e evoluam um pouco. Mas espero que mesmo assim sejam úteis. Se quiser deixar nos comentários as suas ‘regras de escrita’, estão abertos ao seu contributo.
Os dois artigos do The Guardian podem ser lidos aqui e aqui







7 Comentários
Obrigada! Ajudam muito estas coisas. Com permissão publicaria estas belas regras no meu blog para não me esquecer. :)
Alice, pode publicar. Basta referir o autor (moi…) e incluir um link para o artigo original. Obrigado pelo interesse.
com certeza
olá! Tirei recentecemente o curso de guionista, escrevo já algum tempo e gostava muito de saber onde devo enviar as minhas obras. Como faço? obrigada!
A idéia do meu livro é ótima mas eu presiso de ajuda para desenrrolá-la.
Gostei das dicas sou um leitor voraz de livros de todo o tipo
mas, tenho dificuldade para escrever, escrever bem e muito
dificil. por isto amo os livros, e admiro os escritores pora min
eles sao deuses. por estas e outras os bons escritores sao
poucos e raros… eo nosso brasil tem excelentes escritores
esperando por leitores ha um proverbio chines que diz; — todo
homem, deve ficar cem anos lendo, ecem anos viajando…
Tem toda razão. E como lendo também se viaja, então são duzentos anos viajando ;)