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Joe Eszterhas ensina a escrever um guião
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Joe Eszterhas é um dos guionistas mais bem pagos de sempre, embora talvez não dos melhores, dado que entre os seus êxitos se incluem Jade e Showgirls. Por outro lado, também escreveu Basic Instinct – e como é possível não gostar de alguém que pôs a Sharon Stone a descruzar as pernas num interrogatório de polícia?

Agora o autor escreveu um divertido artigo no The Independent, com dicas sobre como sobreviver em Hollywood.

O texto está cheio de pequenos episódios esclarecedores – e geralmente ácidos – sobre a vida na selva de Los Angeles. Exemplo: o ginecologista de Sigourney Weaver perguntou-lhe a meio de uma consulta se ela queria ler um guião dele.

Quase no fim do artigo o guionista revela o seu método de trabalho para escrever um guião:

Escrevam seis páginas de guião por dia. Respeitem este programa aconteça o que acontecer e terão uma primeira versão mais ou menos em vinte dias. Voltem atrás e revejam o que escreveram. Não demorem mais de cinco dias nesta rescrita.

A seguir rescrevam o guião a partir da primeira página – incluindo as revisões. Não demorem mais de uma semana nesta rescrita – o que significa escrever 20 páginas por dia.

Deixem o guião de lado por uma semana; nem olhem para ele. Depois revejam-no de novo. Desta vez não demorem mais de quatro dias. Por fim rescrevam-no de novo a partir do zero, incluindo todas as revisões – demorando mais uma semana. Esta será a terceira versão. Comecem então a tentar vendê-lo – esta é a vossa primeira versão oficial.

Segundo as minhas contas, isto dá cerca de 8 semanas. Dois meses. É perfeitamente possível cumprir este prazo, desde que tenhamos a estória e os personagens bem delineados.

Do que é que estão à espera?

Link para o artigo ?

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

3 comentários… add one
  • Diogo Figueira 11/05/2010, 18:09

    Aproveito, antes de comentar este artigo, para deixar algumas observações ao blog, em geral:

    1. Deixo os meus parabéns, a minha admiração e, principalmente, o meu agradecimento, pela forma como este projecto está a ser levado para a frente – são já raríssimos os dias em que fico sem aparecer por cá (quer seja por um novo artigo, quer seja para vasculhar nos mais antigos);

    2. É de louvar, em especial, a iniciativa do “curso de guionismo” (estava até algo desanimado por ver tantos meses a separarem o #16 e o #17);

    3. Proponho maior dinamismo para a secção “Recursos”: 1) se possível, dar mais destaque à secção (por exemplo, coloca-la na mesma “linha” que “citações”, “cursos de guião”, etc); 2) nessa secção, manter o espaço que já existe para os guiões que passaram para o ecrã e criar outro para os guiões não produzidos, que fossem enviados pelos seguidores do blog (quer por iniciativa própria, quer no âmbito de desafios).

    Sobre o artigo, uma dúvida:

    Quando o autor se refere a escrever do zero, incluindo as revisões, refere-se a reescrever o guião do início (esta parte está clara), tendo em conta as revisões que foram feitas ou, simplesmente, copiar o primeiro, acrescentando os pormenores das revisões ? Pergunto isto porque, tendo em conta a sugestão do autor, não faz sentido esta minha segunda interpretação.

    Continuação de um bom trabalho.

    • João Nunes 12/05/2010, 11:39

      Diogo,
      1. Obrigado.
      2. Vou tentar ser mais regular, mas nem sempre é fácil.
      3. 1. É uma possibilidade a considerar. 2.Se me enviarem esses guiões, é possível que o faça, ou até crie outra secção com mais destaque. Mas sem os ter, não há nada a fazer.

      Dúvida
      Como eu o entendi, o método do autor é:
      – escrever;
      – rever em cima do que foi escrito;
      – rescrever a partir do zero, mas tomando em conta o que foi escrito e rescrito – daí ser mais rápido.
      – deixar repousar;
      – voltar a rever em cima desta rescrita;
      – e finalmente voltar a rescrever do zero, para obter a primeira versão oficial do guião – o first draft (pessoalmente, acho que antes de apresentar ainda seria necessária mais uma revisão rápida, para corrigir erros de ortografia e de formato).

      Depois da apresentação do guião, entra-se na fase das notas (comentários, críticas, sugestões e indicações) de quem de direito: produtores, leitores, realizador, etc. Mas isso já é outra fase que, eventualmente, há de conduzir à versão final, o guião de rodagem (shooting script).

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