Post image for O preço da tranquilidade

O preço da tranquilidade

0 comments

Update: Colo­quei este artigo dis­po­ní­vel para down­load na sec­ção de Recur­sos ou aqui mesmo:
Folha de ajuda — Bac­kup (115)

Como gui­o­nis­tas, o nosso tra­ba­lho assume na maior parte das vezes uma forma ima­te­rial. Os guiões que escre­ve­mos no com­pu­ta­dor são ape­nas bites e bytes que envi­a­mos por email sob a forma de fichei­ros .pdf, .doc ou .fdx, e que arqui­va­mos nas frá­geis super­fí­cies mag­né­ti­cas dos dis­cos rígi­dos dos nos­sos computadores.

A sua ima­te­ri­a­li­dade faz-​​nos esque­cer mui­tas vezes como é fácil per­der esse tipo de docu­men­tos: um ‘delete’ aci­den­tal, a morte súbita de um disco rígido, ou o roubo de um com­pu­ta­dor é quanto basta para fazer desa­pa­re­cer meses de tra­ba­lho. É por isso que é fun­da­men­tal, para qual­quer gui­o­nista cons­ci­ente, ter uma estra­té­gia de bac­kup sólida, e res­pei­tar essa estra­té­gia sem falhas.

Um método de bac­kup só fun­ci­ona, como qual­quer téc­nico de sis­te­mas poderá con­fir­mar, se for auto­má­tico, redun­danterota­tivo. O que é que isto quer dizer?

  • Auto­má­tico — o sis­tema deve depen­der o menos pos­sí­vel da nossa inter­ven­ção para se man­ter. Por­que, como huma­nos que somos, vamos esquecer-​​nos, ou ter pre­guiça, pre­ci­sa­mente no dia em que era proi­bido isso acontecer.
  • Redun­dante — deve ofe­re­cer mais de uma opção de recu­pe­ra­ção dos dados, por­que é muito pos­sí­vel que o dia em que o seu com­pu­ta­dor falhar seja tam­bém o dia em que o seu disco de bac­kup vai deci­dir blo­quear. A Lei de Murphy, já ouvi­ram falar?
  • Rota­tivo — para ser ver­da­dei­ra­mente efi­ci­ente, um dos ele­men­tos da estra­té­gia de bac­kup deve ser levado para longe dos outros (nou­tra casa, de pre­fe­rên­cia), para pre­ca­ver os casos mais gra­ves — incên­dio, assalto à casa ou escri­tó­rio, ter­ra­moto, etc.

A minha estratégia de backup

O meu método de bac­kup assenta em três ele­men­tos fun­da­men­tais: o Drop­box, o Time Machine e o Super­Du­per!. O Drop­box serve para todas as pla­ta­for­mas, mas os outros dois são exclu­si­vos do Macin­tosh. Tenho con­tudo a cer­teza de que um pouco de pes­quisa per­mi­tirá encon­trar os seus equi­va­len­tes (embora não tão bons ;) para Linux e Windows.

O Drop­box é uma com­bi­na­ção entre soft­ware que se ins­tala no com­pu­ta­dor e uma assi­na­tura num site externo. O pro­grama cria uma pasta no nosso com­pu­ta­dor, que é sin­cro­ni­zada de forma auto­má­tica e trans­pa­rente com a sua pasta equi­va­lente nesse ser­vi­dor externo.

Na sua ver­são gra­tuita o Drop­box tem uma capa­ci­dade de arma­ze­na­mento de 2,5 GB, que pode ser ampli­ada medi­ante uma assi­na­tura men­sal. Eu uso ape­nas a ver­são gra­tuita, que me serve muito bem para a forma como o utilizo.

Den­tro do Drop­box criei pas­tas para todos os pro­jec­tos em que estou a tra­ba­lhar, ou em que tra­ba­lhei nos últi­mos meses. É lá que vou guar­dando as suces­si­vas ver­sões dos tra­ba­lhos que são, ime­di­ata e auto­ma­ti­ca­mente, guar­da­dos no ser­vi­dor externo, algu­res no mundo. Ou ‘na nuvem’, como se diz agora.

O Drop­box dá-​​nos ainda a pos­si­bi­li­dade, se tiver­mos outro com­pu­ta­dor, de man­ter a pasta sin­cro­ni­zada entre os dois. É assim pos­sí­vel, por exem­plo, tra­ba­lhar num docu­mento em casa e, quando che­ga­mos ao escri­tó­rio, con­ti­nuar a tra­ba­lhar no mesmo docu­mento, exac­ta­mente a par­tir do mesmo ponto.

A grande van­ta­gem do Drop­box é a trans­pa­rên­cia e auto­ma­tismo. Instala-​​se uma vez e nunca mais se pensa no assunto. Sem­pre que esta­mos online o pro­grama encarrega-​​se de sin­cro­ni­zar a pasta do com­pu­ta­dor com a pasta externa. Se aci­den­tal­mente per­der­mos ou apa­gar­mos um ficheiro na pasta do com­pu­ta­dor esse ficheiro con­ti­nu­ará lá no ser­vi­dor externo. E não só ele, como todas as ver­sões ante­ri­o­res, não vá dar-​​se o caso de que­rer­mos vol­tar atrás no tempo e recu­pe­rar uma ver­são antiga do documento.

Vol­tar atrás no tempo é o que o Time Machine tam­bém faz, e muito bem. Este soft­ware gra­tuito, que vem ins­ta­lado em todos os Macin­tosh, man­tém cópias suces­si­vas de todos os docu­men­tos, músi­cas, foto­gra­fias, vídeos, etc, que temos arma­ze­na­dos no com­pu­ta­dor, faça­mos nós o que lhes fizermos.

Se eu hoje tiver, por hipó­tese, um acesso de lou­cura ou dis­trac­ção e apa­gar todos os meus guiões, pode­rei ainda recuperá-​​los com o Time Machine, mesmo daqui a dois ou três meses, regres­sando no tempo ao dia de ontem, antes do ‘apa­gão’.

Uso o Time Machine com um disco externo de 500 GB, que me per­mite via­jar no tempo até Outu­bro do ano pas­sado (esta­mos neste momento em Março). Ou seja, sei que todos os docu­men­tos que criei e apa­guei nos últi­mos seis meses estão lá dis­po­ní­veis. Se o meu disco externo fosse maior — e os dis­cos de 1 TB já estão abaixo dos 100 euros, por exem­plo — pode­ria recuar ainda mais.

O Super­Du­per é o com­ple­mento ideal do Time Machine. Enquanto este último faz um bac­kup, o pri­meiro faz uma cópia idên­tica, um clone per­feito, do nosso disco rígido. Tão per­feito que, inclu­si­va­mente, pode­mos arran­car o com­pu­ta­dor a par­tir dela sem notar qual­quer diferença.

O Super­Du­per não tra­ba­lha em per­ma­nên­cia, como o Drop­box ou o Time Machine. Uso-​​o para atu­a­li­zar um segundo disco externo (são bara­tos, recordam-​​se?) uma vez por semana, durante a noite. Actu­al­mente tenho que ligar esse disco manu­al­mente, pois o meu Mac­Book só tem duas entra­das USB.

O Super­Du­per não é um pro­grama grá­tis mas os 28$ USD que custa são um dos melho­res inves­ti­men­tos que se pode fazer.

Avaliando o meu sistema

Este método que aca­bei de descrever é:

  • (Quase) auto­má­tico — não pre­ciso de me pre­o­cu­par com o Drop­box e o Time Machine, e só tenho de me lem­brar de, uma vez por semana, ligar o disco do SuperDuper.
  • (Quase) redun­dante — tenho os docu­men­tos mais impor­tan­tes no disco rígido, no disco do Time Machine, no Drop­box e, com uma semana de dife­rença, no disco do Super­Du­per. Foto­gra­fias e músi­cas não estão no Dropbox.
  • (Quase) rota­tivo — os docu­men­tos mais impor­tan­tes estão per­ma­nen­te­mente arqui­va­dos no ser­vi­dor externo, inde­pen­den­tes do que possa acon­te­cer em minha casa.

Qual é o pior cená­rio pos­sí­vel com este sis­tema? Sofer um incên­dio ou um assalto à minha casa e ficar sem o com­pu­ta­dor e os dois dis­cos. Mesmo assim, todos os tra­ba­lhos em curso estão ainda guar­da­dos no Drop­box. Seria um enorme abor­re­ci­mento, mas não seria a catás­trofe total.

Em qual­quer outro cená­rio, mesmo que haja a ava­ria simul­tâ­nea do com­pu­ta­dor e de um disco externo, ainda terei o outro disco para recu­pe­rar os meus docu­men­tos e fichei­ros mais antigos.

Como é que este sistema poderia melhorar?

Ape­sar deste método de bac­kup já ser sufi­ci­en­te­mente seguro para me dei­xar dor­mir tran­qui­la­mente, ainda pode ser melho­rado, o que está nos meus pla­nos fazer gradualmente.

Em pri­meiro lugar, vou com­prar um disco rígido externo de 1 TB para o Time Machine. Isto permitir-​​me-​​á man­ter registo de docu­men­tos ainda mais anti­gos, pro­va­vel­mente cerca de um ano de ‘his­tó­ria’ em arquivo.

Para o disco de 500 GB que sobrar vou copiar as foto­gra­fias e músi­cas que, neste momento, estão a par­ti­lhar o disco do Super­Du­per. Ape­sar de ter feito duas par­ti­ções inde­pen­den­tes neste disco, essa situ­a­ção não é reco­men­dá­vel: os dis­cos de bac­kup devem ser­vir ape­nas para backup.

Vou tam­bém com­prar um ter­mi­nal USB que me per­mita man­ter os dois dis­cos exter­nos per­ma­nen­te­mente liga­dos, de forma a auto­ma­ti­zar as clo­na­gens do Super­Du­per, de pre­fe­rên­cia diariamente.

Em quarto lugar, tal­vez vá aumen­tar a minha assi­na­tura do Drop­box o sufi­ci­ente para poder arqui­var lá os pro­je­tos anti­gos e todas as minhas foto­gra­fias, e não ape­nas os pro­je­tos em curso.

E, final­mente, vou com­prar mais um disco externo (são bara­tos, acho que já men­ci­o­nei isso…) para fazer um segundo clone com o Super­Du­per, guar­dando um dos dois, rota­ti­va­mente, em casa dos meus pais. Dessa forma só o “2012″ poderá estra­gar o meu plano de segurança.

Duas notas finais

Se achar inte­res­sante o Drop­box agradeço-​​lhe que use o link que eu for­neço para fazer a sua assi­na­tura. Dessa forma eu ganho mais 250 MB pra jun­tar à minha assi­na­tura, o que dá sem­pre jeito.

No caso de tudo isto lhe pare­cer muito com­pli­cado, pelo menos faça duas coi­sas pela sua tranquilidade:

  • copie hoje mesmo a sua pasta de Docu­men­tos para um DVD, e ganhe o hábito de o fazer uma vez por semana;
  • arranje um ende­reço externo de email (tipo Gmail ou Hot­mail) e envie todos os dias para esse ende­reço o docu­mento em que está a tra­ba­lhar. Dessa forma terá sem­pre em arquivo, junto dos seus emails, a última ver­são, e as ver­sões ante­ri­o­res, dos seus trabalhos.

Partilhe este artigo:

  • Print
  • Facebook
  • email
  • Twitter
  • del.icio.us
  • Digg
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • MySpace
  • PDF
  • StumbleUpon
  • Yahoo! Bookmarks

Leave a Comment

Informe-me de novos comentários por email

Previous post:

Next post: