Perguntas e Respostas: guião ou storyboard?

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Há pouco tempo pas­sei a fazer ani­ma­ção e para isso pre­ciso de roteiro. Tam­bém gosto de escre­ver e des­co­bri o CeltX. Acho que ele pode me aju­dar a orga­ni­zar tudo melhor, porém tenho uma dúvida:  para tra­ba­lhar com ani­ma­ção, qual tem­plate você acha que devo usar: o Story­Bo­ard ou o de filme? — - Gedeon

Olá Gedeon, o story­bo­ard e o guião não são alter­na­ti­vas um ao outro, mas sim fer­ra­men­tas com­ple­men­ta­res, que cum­prem fun­ções diferentes.

O guião cos­tuma ser ante­rior ao story­bo­ard, e serve para apre­sen­tar a estó­ria do iní­cio ao fim, cena a cena, com a des­cri­ção de todas as acções e diá­lo­gos. É uma obra da res­pon­sa­bi­li­dade exclu­siva do gui­o­nista, pelo menos na fase ini­cial de escrita, até este ter­mi­nar a pri­meira ver­são, o famoso ‘first draft[1].

O story­bo­ard, pelo con­trá­rio, já é da res­pon­sa­bi­li­dade do dire­tor, que tra­ba­lha nor­mal­mente com um ilus­tra­dor espe­ci­a­li­zado, e o usa para visu­a­li­zar as cenas mais impor­tan­tes ou com­pli­ca­das do guião, antes de as fil­mar. Em ani­ma­ção o story­bo­ard é ainda mais impor­tante, e essen­cial para visu­a­li­zar todas as cenas,

Assim, no guião define-​​se o enredo, a estru­tura e o ritmo geral da estó­ria; no story­bo­ard define-​​se a inter­pre­ta­ção visual de cada cena em particular.

Como diz que come­çou a fazer ani­ma­ção, pre­sumo que esteja a acu­mu­lar as duas fun­ções — guião e rea­li­za­ção. Mas mesmo que assim seja, deverá seguir o pro­cesso nor­mal: desen­vol­ver pri­meiro a estó­ria, escre­vendo o guião; e visu­a­li­zar depois as cenas, usando o story­bo­ard.

No entanto, no seu caso, é pos­sí­vel que o pro­cesso venha a ser mais inte­ra­tivo, ou seja, é pos­sí­vel que enquanto ainda esti­ver a escre­ver o guião comece logo a visu­a­li­zar algu­mas cenas no story­bo­ard e, em fun­ção delas, queira intro­du­zir algu­mas alte­ra­ções  na estó­ria, etc. Isso acon­tece com frequên­cia em ani­ma­ção, mas os bons cri­a­do­res nesta arte nunca esque­cem uma pre­o­cu­pa­ção: a estó­ria vem pri­meiro.

Por alguma razão um filme como “Toy Story” con­se­guiu ganhar o Oscar de melhor roteiro original.

Notas de Rodapé

  1. que na rea­li­dade não é o ‘pri­meiro pri­meiro’, mas sim ‘o pri­meiro apre­sen­tá­vel’[]

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