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Perguntas & respostas: como escrever uma carta de apresentação

Oi João, boa tarde. Sou rotei­rista e estou num momento deli­cado de pen­sar e pre­pa­rar a venda de um roteiro para pro­du­to­ras e dire­to­res. Que­ria saber se você pode me aju­dar com mais algu­mas dicas ou infor­ma­ções sobre a carta de apre­sen­ta­ção a ser envi­ada. — Elizabeth

Cara Eli­za­beth, na rea­li­dade nunca ofe­reci nenhum guião a uma pro­du­tora usando uma carta de apre­sen­ta­ção — aquilo a que nos EUA se chama uma “query let­ter”. No entanto ima­gino que esse possa ser o método mais fácil de esta­be­le­cer con­tacto com uma empresa de pro­du­ção ou um rea­li­za­dor, no caso de não haver um conhe­ci­mento pessoal.

Não esqueça, con­tudo, que antes de enviar car­tas pode ten­tar o con­tato direto, com um sim­ples tele­fo­nema. A minha expe­ri­ên­cia diz-​​me que, pelo menos em Por­tu­gal, mui­tas pro­du­to­ras estão dis­po­ní­veis para mar­car reu­niões com gui­o­nis­tas e ouvir de viva voz a apre­sen­ta­ção dos seus projetos.

No caso de se deci­dir por enviar uma carta, a pri­meira coisa que deve fazer é certificar-​​se de que os des­ti­na­tá­rios são ade­qua­dos ao tipo de guião que lhes pro­põe; não adi­anta muito enviar o guião de um drama inti­mista e bizarro a uma empresa que só pro­duz comé­dias para o grande público, por exemplo.

A segunda coisa a ter em aten­ção é que a carta deve em simul­tâ­neo apre­sen­tar o guião e o seu autor; ou seja, você. Como tal, deve estar bem ela­bo­rada, demons­trando logo à par­tida a sua capa­ci­dade de escrita. Isso não quer dizer que tenha de escre­ver de forma lite­rá­ria ou com­pli­cada; mas tem de ser clara, sucinta, de lei­tura agra­dá­vel, cor­recta e sem erros.

Quanto ao con­teúdo da carta, o que nor­mal­mente se sugere é que ela se orga­nize em cinco par­tes, que não devem ocu­par mais de uma página:

  • um pará­grafo de intro­du­ção, expli­cando a inten­ção da sua carta;
  • uma logline, ou seja, a des­cri­ção da sua estó­ria da forma mais sucinta pos­sí­vel, em ape­nas uma ou duas fra­ses. Deve ser curta, inci­siva e clara;
  • um sinopse curta, de alguns pará­gra­fos, na qual desen­volve a infor­ma­ção dada na logline, expli­cando a essên­cia da estó­ria, des­cre­vendo os prin­ci­pais per­so­na­gens e dando uma noção do seu prin­cí­pio, meio e fim. É deba­tí­vel se nesta sinopse se deve já con­tar como a estó­ria ter­mina, ou se isso deverá ser escon­dido, para des­per­tar a curi­o­si­dade. Acho que isso depende da estó­ria em si — nuns casos será melhor uma solu­ção, nou­tros a oposta;
  • uma bio­gra­fia resu­mida do autor, des­ta­cando essen­ci­al­mente os aspec­tos que lhe dão cre­di­bi­li­dade como gui­o­nista, e par­ti­cu­lar­mente, como autora desta pre­cisa estó­ria. Por exem­plo, se a sua estó­ria é sobre os mili­ta­res bra­si­lei­ros no Haiti, seria absurdo não men­ci­o­nar que tinha sido cor­res­pon­dente de imprensa nesse país durante três anos;
  • e, final­mente, um pará­grafo de des­pe­dida, mani­fes­tando a sua dis­po­ni­bi­li­dade para enviar o guião ou para mar­car uma reu­nião, e dando os seus contactos.

Antes de enviar as car­tas, certifique-​​se de que o seu guião está na melhor forma pos­sí­vel — já o leu e releu, res­cre­veu e cor­ri­giu, deu a ler a pes­soas de con­fi­ança, incor­po­rou suges­tões e afi­nou a obra até apro­vei­tar o melhor das suas poten­ci­a­li­da­des. Não se esqueça — não há segunda opor­tu­ni­dade para cau­sar uma boa pri­meira impressão.

Boa sorte. E se as suas “query let­ters” derem bom resul­tado, dê-​​nos notí­cias. Vamos ficar feli­zes por si.

 

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Acerca de João Nunes

João Nunes é um autor, guionista, publicitário e diretor português residente em Manaus, Brasil. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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4 Comentários

  1. Elizabeth
    Publicado 24/07/2010 às 21:54 | Link

    João, muito obri­gada pela aten­ção e pelas dicas!! O meu roteiro já está visto, revisto, revi­sado, ana­li­sado por pro­fis­si­o­nais con­fiá­veis. Está pronto pra come­çar a ganhar o mundo. Já tenho uma ver­são em inglês pronta tam­bém. Demais as suas obser­va­ções. Tenho me con­cen­trado bas­tante nessa carta atu­al­mente e esco­lhendo com muito cui­dado pra quem man­dar. Mas para­lelo a isso, tenho pro­cu­rado algum agente conhe­cido, mas está difí­cil. Mas vamos nessa. Desis­tir jamais. Acre­dito muito no tra­ba­lho que pre­pa­rei! Dou notí­cias. Muito obri­gada nova­mente e o seu blog é uma fer­ra­mente impressindivel!!!

  2. Elizabeth
    Publicado 25/07/2010 às 21:10 | Link

    ERRATA: Acre­dito muito no tra­ba­lho que pre­pa­rei! Dou notí­cias. Muito obri­gada nova­mente e o seu blog é uma fer­ra­mente imprescindivel!!!

  3. Publicado 01/08/2010 às 2:56 | Link

    João,

    É legal divul­gar o site Sel­ling Your Scre­en­play, tam­bém. http://​www​.sel​lingyours​cre​en​play​.com/
    Nesse site pode­mos encon­trar várias infor­ma­ções úteis sobre a venda de rotei­ros, incluindo mui­tas dicas para as query let­ters (nos posts mais recen­tes, até dica sobre o papel a usar a autora informa!). Ape­sar de ser vol­tado ao público norte-​​americano, pode­mos ter uma idéia de como tudo fun­ci­ona… E do jeito mais difícil.

    • João Nunes
      Publicado 01/08/2010 às 14:29 | Link

      Obri­gado, Fer­nando, não conhe­cia esse site mas vou dar-​​lhe uma vista de olhos.

Um Trackback

  1. Por Cartas de apresentação desastrosas a 12/11/2010 às 12:49

    […] dos pro­je­tos, a que os anglo-??americanos cha­mam “query let­ters”. Eu pró­prio já escrevi aqui no blo­gue um artigo sobre o assunto, cuja lei­tura reco­mendo a quem pre­tenda saber mais sobre […]

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