Dois mil e dez promete

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2010 ainda mal come­çou, e já nos deus dois can­di­da­tos a ‘Melhor filme’ e ‘Melhor disco’ do ano.

Nas Nuvens” (“Up in the Air”), filme que ganhou dois Glo­bos de Ouro no domingo pas­sado, deixou-​​me sem pala­vras. As expe­ta­ti­vas eram as melho­res, pois o rea­li­za­dor Jason Reit­man já tinha estado ao volante em “Juno”, um dos meus fil­mes favo­ri­tos dos últi­mos tempos.

Nas Nuvens” é melhor.

Ou, pelo menos, igual­mente bom; os temas são tão dife­ren­tes que se torna difí­cil comparar.

É um filme per­feito, com tudo aquilo que eu não me canso de reco­men­dar no curso e nos arti­gos deste blo­gue: um pro­ta­go­nista fas­ci­nante (o que não é o mesmo que um pro­ta­go­nista ‘posi­tivo’) e uma estó­ria que não cessa de nos sur­pre­en­der a cada volta que dá. E per­so­na­gens com­ple­men­ta­res tão per­fei­ta­mente dese­nha­dos como o pró­prio pro­ta­go­nista, todos tão huma­nos que chega a doer. E um final amargo (‘iró­nico’, chamar-​​lhe-​​ia McKee), per­fei­ta­mente sin­to­ni­zado com o tema sub­ja­cente a todo o filme.

É um filme per­feito, repito, de uma matu­ri­dade sur­pre­en­dente, tanto a nível da escrita como da rea­li­za­ção. E, no entanto, tem uma estru­tura per­fei­ta­mente clás­sica, com o seu ‘inci­ting inci­dent’, os três atos bem defi­ni­dos pelos res­pe­ti­vos pon­tos de vira­gem, e o clí­max no momento certo. O que prova que, se é ver­dade que a estru­tura clás­sica não é, nem nunca foi, garan­tia de um bom filme, tam­bém é certo que não é pre­ciso fugir dela para fazer uma obra-​​prima.

Vão ver e depois digam aqui o que acharam.

Quanto ao disco, não me canso de ouvir “Con­tra”, dos Vam­pire Wee­kend. Não me vou alar­gar em comen­tá­rios, por­que não tenho auto­ri­dade nem com­pe­tên­cia para o fazer.

Diria ape­nas que os Vam­pire Wee­kend são um gosto adqui­rido. Mas “Con­tra” torna muito fácil, se não obri­ga­tó­ria, a sua aquisição.

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{ 5 comments… read them below or add one }

Antunes Janeiro 24, 2010 às 17:55

O filme é muito bom, embora eu esperava que fosse melhor devido a expectativa criada pela imprensa. Agora melhor que “Juno” é exagero seu.

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João Nunes Janeiro 25, 2010 às 23:42

Também me pareceu um pouco de exagero… Por isso é que eu acrescentei o comentário seguinte, sobre serem muito diferentes para comparar.

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Nélia Janeiro 25, 2010 às 14:31

Vi ontem, grande candidato a todo o tipo de prémios, um dos grandes filmes de 2009, sem dúvida.
Atrevo-me a concordar no que toca a não existir comparação com Juno por serem filmes bem diferentes. Mas devo dizer que este me deu “food for thought” para mais tempo, e isto, a meu ver, enriquece sempre o valor de um filme.

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Grace I. Barbosa Janeiro 25, 2010 às 22:38

Para mim, a prova de que um bom filme é feito de uma boa história e não com efeitos especiais. Mereceu o Globo de Ouro.

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Jorge Janeiro 26, 2010 às 13:54

Olá João!

Curiosamente, também gostei mais do Juno.
Neste Up in the Air, o lado de comédia romântica sobressaiu muito para o meu gosto.

Um abraço.

PS: aproveito para te convidar a veres a minha página no Twitter:
http://twitter.com/vianajorge

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