Os melhores filmes da década

O mais famoso crítico de cinema americano vivo, Roger Ebert, divulgou a sua seleção pessoal dos melhores filmes da década. Esquecendo a minha embirração pessoal com esta mania de fazer os balanços da década aos 9’s (com que idade é que um criança celebra a sua primeira década: aos 9 ou aos 10 anos?) devo reconhecer que a sua lista reúne grande parte do melhor cinema que foi feito neste início de milénio.

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Tenho também de admitir que não vi muitos dos filmes por ele referidos, o que é preocupante (para mim, pelo menos). Vou assim fazer um esforço para, durante este mês, me atualizar em relação à lista do sr. Ebert. Sugiro a leitura do artigo completo, que inclui ligações para as críticas que, na devida altura, ele fez aos filmes, mas adianto já alguns comentários.

As surpresas

Em primeiro lugar, a escolha de “Synecdoche, New York” para melhor filme da década. Confesso que não vi o filme de Charlie Kaufman (eu sei, eu sei…) mas tudo o que ouvi sobre ele não me levaria a esperar vê-lo nesta posição. É, claramente, um filme de culto, que alguns espetadores amam e outros odeiam. Pessoas que respeito muito detestaram o filme, achando-o pretensioso e chato; outras consideraram-no uma obra-prima. Vai direitinho para o primeiro lugar da minha lista de filmes a ver.

Outra surpresa: “Juno” em 4º lugar. Este vi, adoro e não me canso de recomendar. Acho-o extraordinariamente bem escrito, muito bem realizado, e uso-o muitas vezes nos exemplos do curso de guião. Mas reconheço que não esperava vê-lo tão bem classificado. Pensando bem, provavelmente merece mesmo estar aqui.

Finalmente, “Almost Famous”. Exatamente o mesmo caso de “Juno”. É um filme sensacional, que me toca muitíssimo, mas que não imaginava a chegar a estas listagens normalmente tão sérias. Não acho que seja tão merecedor como o anterior, mas no fundo fico contente que tenha chegado ao “top ten”.

As discordâncias

Obviamente limito as minhas discordâncias aos filmes que vi. E um que me salta à vista é “Monster”.

Para mim, o retrato da “serial killer” Aileen Wuornos, em que Charlize Theron conseguiu o impossível – ser feia – é realmente um bom filme, mas que me parece jogar noutra liga. Faltou-lhe qualquer coisa para eu conseguir estabelecer uma ligação emocional com a estória. Talvez tenha sido o fato de “Monster” estar tão obviamente construído em função da interpretação da atriz principal, como aquelas equipas de futebol que organizam todo o seu jogo ao redor de um ponta-de-lança. Mas evidentemente Roger Ebert, e muitas outras pessoas, não concordam com esta apreciação.

Também discordo da presença de “Minority Report”. Foi outro filme que me deixou frio. Reconheço que é uma obra muito bem feita, em termos técnicos, mas não achei que funcionasse plenamente nem em termos emocionais nem como filme de ação. Um bom filme, sem dúvida, mas nem sequer foi o melhor de Spielberg em anos recentes (“Munique” ocupa essa posição).

As ausências

Também sinto falta nesta lista de alguns filmes que, pessoalmente, considero muito importantes. Esta será sempre, obviamente, uma lista pessoal, provavelmente incompleta, e muito influenciada pela minha profissão de guionista. Mesmo assim, aqui ficam as minhas sugestões (para complementar os que já estão na lista, não para os substituir):

Conclusão

Críticos são críticos, e listas de preferências valem o que valem. Mas esta constitui, pelo menos, uma boa referência de filmes para ver ou rever. E os favoritos dos leitores, quais são? Os comentários estão abertos à espera das vossas sugestões.

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Um comentário

  • Só sobre o “Synec­do­che, New York”, o que te tenho a dizer é isto: mais do que um filme que se ame ou odeie, é um filme que intriga. Depois, tem que ser o espectador a decidir se ama ou odeia o sentir-se intrigado. Espanta muito, isso de certeza, o Kaufman ter conseguido “permissão” executiva para realizar este monumento à subjectividade. Curiosamente, o Ebert fala também dessa sensação que o filme vai criando dentro de quem o vê, é como formiga a esburacar a curiosidade, “lembra-te disto”, “lembra-te disto”. Quer gostes ou não, é um filme desconcertante, raro, que não segue qualquer regra da indústria mas que não teria sido igual feito fora dela.

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