Uma lista de livros para oferecer a guionistas

Agora que o Natal se aproxima chegam os dilemas sobre os presentes a oferecer, especialmente aquelas pessoas mais difíceis de contentar. Se tem um guionista na sua lista, talvez um destes livros possa ser uma pequena ajuda.

Deixei apenas aqueles que podem ser comprados pela Amazon inglesa que, desde há algumas semanas, deixou de cobrar portes para Portugal para encomendas acima de um determinado valor (se não me engano, 25 libras).

Nota: se encomendar algum destes livros através destes links, eu recebo uma pequeníssima comissão (que não aumenta o seu preço). É como se fosse um mini-presente de Natal para mim também ;)

 

Story: Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting – Robert McKee

Para muitas pessoas, é a "bíblia"  da escrita de ficção dramática comercial. Os seminários que Robert McKee dá são sempre grandes sucessos de audiência; este livro é uma oportunidade de ter essa experiência sem passar três dias enfiado num auditório de hotel.

Screenplay: The Foundations of Screenwriting – Syd Field

Outra "bíblia" dos guionistas. Alguns consideram-na um pouco ultrapassada, e demasiado dogmática, mas todos os termos e conceitos que hoje se ouvem regularmente nas conversas entre pessoas da indústria audiovisual foram abordados pela primeira vez neste livro.

Writer's Journey: Mythic Structure for Writers – Christopher Vogler

É a terceira "bíblia" deste conjunto: um livro que marcou toda uma geração de guionistas e cineastas americanos, trazendo para o domínio da teoria narrativa noções oriundas da sociologia e antropologia. Mas não deixe que isso o assuste; a abordagem é muito prática, cheia de exemplos, e os conceitos apresentados são surpreendentemente lógicos.

The Art of Dramatic Writing: Its Basis in the Creative Interpretation of Human Motives – Lajos Egri

Um livro mais antigo, mas extraordinariamente util, especialmente na compreensão e desenvolvimento das motivações dos nossos personagens. Há quem jure por ele.

Writing Movies: The Practical Guide to Creating Stellar Screenplays – Gotham Writers' Workshop

O manual de guião de uma das mais prestigiadas e populares escolas de escrita dos Estados Unidos, a Gotham Writer's Workshop. Completo, lógico, fácil e inspirador.

Crafty Screenwriting: Writing Movies That Get Made – Alex Epstein

Um outro livro muito útil, com uma abordagem "sem frescuras", como dizem no Brasil. Cheio de conselhos práticos, virado para quem quer começar rapidamente a escrever o seu primeiro guião. 

Save the Cat!: The Only Book on Screenwriting You'll Ever Need: The Last Book on Screenwriting You'll Ever Need – Blake Snyder

Por falar em livros práticos, "Save the Cat!" é talvez o mais famoso de todos. Extraordinariamente dogmático, consegue transformar isso numa vantagem. Perfeito para quem está a começar; mais tarde terá tempo para questionar todas as "regras" que Blake Snyder estabelece praticamente em cada página.

Making a Good Script Great – Linda Seger

Linda Seger é uma das gurus da escrita de guião. Este livro é de leitura indispensável para quem já escreveu um guião, e quer agora levá-lo ao patamar seguinte de qualidade. Mas os seus conselhos são também de muita utilidade para qualquer guionista, em qualquer fase do processo criativo.

How to Write a Movie in 21 Days: The Inner Movie Method – Viki King

Um livro despretensioso e fresco, que promete ajudar-nos a escrever um guião de uma longa-metragem em 21 dias. E a verdade é que, se seguirmos as etapas tal como o livro indica, isso é possível.  Funciona também como uma boa sebenta com todas as noções básicas de guionismo.

Screenwriting: The Sequence Approach – Paul Joseph Gulino

Uma visão alternativa da estrutura de um guião, baseada não nos tradicionais três atos, mas sim no conceito de "sequências". Cheio de exemplos e análises de filmes, desde clássicos até mais recentes, oferece um argumento muito convincente para repensarmos a nossa forma de abordar a escrita de um guião.

Alternative Scriptwriting: Successfully Breaking the Rules – Dancyger and Rush

Um outro livro que procura atualizar as nossas noções de escrita de cinema, chamando a atenção para as estruturas alternativas à chamada estrutura clássica em três atos. Para guionistas que já têm as bases consolidadas e querem alargar os seus horizontes narrativos.

Crafty TV Writing: Thinking Inside the Box – Alex Epstein

Termino com três livros abordando outras realidades. Neste "Crafty TV Writing" o autor Alex Epstein aplica à escrita para televisão a mesma abordagem prática que usou no seu livro anterior, que também está nesta lista. Agora que Portugal ganhou um primeiro Emmy para televisão, quem sabe poderemos aproveitar melhor estes conselhos.

Elements of Style for Screenwriters – Paul Argentini

Um livro mais sobre a forma dos guiões do que sobre o seu conteúdo. Útil por isso mesmo, como complemento do aperfeiçoamento técnico dos guionistas.

Adventures in the Screen Trade – William Goldman

E, finalmente, um dos livros mais divertidos e inspiradores sobre o que é escrever para Hollywood. O autor é dos guionistas mais famosos, respeitados e bem pagos, e conviveu com todos os grandes atores, produtores e realizadores das últimas décadas. Sobreviveu, e tem muitas estórias para contar. Além de conselhos práticos de valor inestimável.

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18 comentários

  • João Gomes 27/11/2010   Deixe uma resposta a →

    Muito boa lista!
    Não vou poder encomendar até ao Natal, mas já adicionei alguns à minha wishlist para comprar mais tarde ;)

  • Pedro Costa 27/11/2010   Deixe uma resposta a →

    Boas
    Por pura curiosidade, estes livros estão em inglês, certo? Há boas versões destes livros traduzidas para português?

    • João Nunes 28/11/2010   Deixe uma resposta a →

      Infelizmente nenhum destes livros tem edições em Portugal; o nosso mercado está claramente deficitário neste campo. Alguns deles, como o Story, o Screenplay, o Writers’ Journey e Making a good script great estão editados no Brasil, mas nunca os vi à venda em Portugal. Se quiser encontrar algumas sugestões em português, consulte este artigo que publiquei há uns tempos atrás: http://joaonunes.com/2009/guionismo/tres-livros-sobre-guionismo/
      Havia também um livro, o Da criação ao guião, do Doc Comparato, que foi o primeiro que comprei, mas está esgotado. No Brasil comprei agora uma edição revista e melhorada; pode ser que venha a ser reeditado por cá.

  • 30/11/2010   Deixe uma resposta a →

    Desconhecia e fiquei bastante interessado em “Making a Good Script Great” da Linda Seger. Gostaria apenas de confirmar se foge do “clima” dos outros livros. Já leu?

    Tenho o livro do Doc Comparato em pdf e como está esgotado não parece tão politicamente incorrecto partilhar aos interessados. Mas não o farei à sua revelia…

    Peço-lhe ainda que, quando entender, aborde e explique como vender um guião de especulação em Portugal. É que toda a informação publicada por autores estrangeiros parece estar tão desajustada à realidade portuguesa.

    • João Nunes 02/12/2010   Deixe uma resposta a →

      Olá Zé, Making a Good Script Great é um excelente livro, principalmente para quem já tem algumas bases sólidas e um ou mais guiões escritos. A Linda Seger tem um outro livro editado em Portugal, dos raros, de que eu já falei aqui no blogue.
      Quanto à sua sugestão de escrever sobre a venda de guiões especulativos (specs) aqui em Portugal, é interessante e vou escrever um artigo um dia destes. Esteja atento ;^)

  • Bem, da lista tenho o Crafty Tv Writing, que é uma delicia, o da Linda Seger, que parece ter sido feito para o desbloqueio, e o incontornável Story.
    Sobre o Writer’s Journey, até já o dei numa cadeira de Mitologia e li muitos excertos, sei do que fala e pergunto-me se vale a pena ser lido de ponta a ponta.

    Muito útil esta lista, vou imprimir e espalhar pela casa, pode ser que alguém note as folhas no tecto da sala.

  • Pedro 09/12/2010   Deixe uma resposta a →

    Deixo uma curiosidade:

    eu, no fim de ler livros deste cariz, fico meio vazio..
    Mas, se ler um livro, se vir um bom filme, fico cheio cheio de ideias..

    • João Nunes 09/12/2010   Deixe uma resposta a →

      Um comentário apenas: estes livros não se destinam, de forma geral, a dar-nos ideias; apenas nos ajudam a concretizá-las.

      • Pedro 14/12/2010  

        Concordo, sao livros de forma, nao de substância.
        Mas onde essa barreira entre forma e substância?…

        É que pode cair-se no erro de ficar-se preso a moldes (ou melhor dizendo, planos de acçao), e secundarizar aquilo que, a meu ver, deve preceder e vir antes sempre: o que dizer.

        p.s.- + 1 vez, obrigado pelos post do blog

      • João Nunes 19/12/2010  

        A escrita de um guião é uma atividade em que a “forma” e a “substância” estão intimamente ligados. Os guiões de Tarantino ou Arriaga não seriam a mesma coisa sem os malabarismos estruturais que eles lhes introduzem; nem os de Aaron Sorkin ou Mamet, sem os seus típicos diálogos, ou os de qualquer filme da Pixar, sem a sua concisão e economia narrativa. Estes livros não vão dar-lhe ideias, nem ensinar-lhe a criar boas estórias; mas podem ser preciosos auxiliares quando chega a altura de concretizar essas ideias e dar forma a essas estórias.

      • Pedro 26/12/2010  

        Entendo;
        Aliás, nao sou contra livros desse cariz.
        Apenas queria sublinhar que muitas vezes é o próprio conto que instaura novas formas. E, pensando filosoficamente, as formas nasceram das ideias, e não o contrário (penso).
        Se bem que, muitas vezes, as ideias careçam de estrutura…; mas nao irão elas apenas buscar a estrutura de outras ideias (mais fortes) ? ..

        A mim o que me parece é que deve ser bastante complicado descrever formas sem contos. Lembra quase uma fuga para a matemática. Se calhar , é. (Eu nunca fui bom a matemática.. eh eh )

        APedroA

      • João Nunes 05/01/2011  

        Quantas vezes uma ideia não nasce de uma palavra, um diálogo ouvido, um título, um personagem? E não são estas manifestações daquilo a que, simplisticamente, poderíamos chamar “forma”? Discutir o que nasce primeiro é um pouco como a discussão do ovo e da galinha. Mas mesmo aceitando que a ideia nasce primeiro, é sempre necessário depois dar-lhe forma, estrutura, fazê-la funcionar dentro dos parâmetros de uma arte e uma indústria. É nesse sentido, mais do que na geração das ideia em si, que estes livros podem ajudar. Não impondo “regras”, mas apontando caminhos e princípios gerais, que funcionam desde o início dos tempos.

  • Rui Fragoso 19/12/2010   Deixe uma resposta a →

    comprei o ‘save the cat’. cheers.

  • Rui Fragoso 19/12/2010   Deixe uma resposta a →

    não queria parecer picuínhas, mas acho preferível a utilização da palavra ‘história’ ao invés de ‘estória’ (palavra mais abrasileirada derivada do inglês ‘story’) ):-)

    http://www.flip.pt/tabid/325/Default.aspx?DID=457

    feel free to ignore me :-) rf.

    • João Nunes 19/12/2010   Deixe uma resposta a →

      Está no seu direito; mas eu gosto mais de “estória” – e o “abrasileirado” não me incomoda nada.

  • Rui Fragoso 26/12/2010   Deixe uma resposta a →

    O meu “save the cat” (comprei através do seu link) já chegou e até agora estou a achar muito bom. Obrigado.

    • João Nunes 05/01/2011   Deixe uma resposta a →

      É um livro engraçado, um pouco “autoritário” mas muito prático. Há sempre uma dica útil que podemos aproveitar.

      • Rui Fragoso 05/01/2011  

        Há medida que vou lendo vou achando que dizer “autoritário” é dizer pouco :-) Isto tem de ser na pagina ‘tal’, aquilo tem de ser entre as páginas ‘x’, and so on…

        Como não percebo nada desta indústria e o autor proclama-se como um guionista bem-sucedido (leia-se: vendeu coisas por bastante dinheiro) dou-lhe o crédito que ele sabe da matéria. De qualquer forma, e pelos exemplos que ele dá, eu nunca veria com interesse qualquer filme escrito por ele.

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