Dez coisas a rever num argumento antes de o apresentar

Um artigo do produtor Ted Hope foi recentemente citado em vários blogues de escrita de argumento. O autor reunia nele uma lista de tarefas a levar a cabo antes de apresentar um novo argumento a qualquer leitor externo.

Não sendo extraordinário ou profundamente inovador contém contudo algumas ideias interessantes que pode aplicar no seu próximo argumento.

O artigo original está em inglês, mas fica aqui um resumo dessas dez tarefas:

  1. Cortar sempre mais 10% do argumento.
  2. Clarificar os temas do argumento e a forma como evoluem ao longo da narrativa.
  3. Pensar em formas de expandir a estória para outras plataformas.
  4. Conhecer os precedentes históricos do nosso argumento e como ele difere dos anteriores.
  5. Rever o argumento do ponto de vista de cada um dos personagens.
  6. Reconhecer e proteger alguns mistérios do argumento – nem tudo deve ser explicado.
  7. Saber se estamos realmente habilitados a contar esta estória neste momento.
  8. Tornar o argumento provocador, intrigante, audacioso ou estimulante.
  9. Ter a certeza de que não é só mais uma boa estória bem contada. Ser ambicioso com o objetivo do argumento.

Achei particularmente útil uma última recomendação: respeitar o tempo de quem vai ler o nosso argumento, dando-lhe algo que realmente vale a pena ser lido.

Vale a pena ler o artigo completo como um complemento para o meu eBook grátis sobre a reescrita de argumento.

Pode encontra o artigo de Ted Hope aqui.

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2 comentários

  • “Saber se esta­mos real­mente habi­li­ta­dos a con­tar esta estó­ria neste momento.”

    Considero essa uma das mais importantes, principalmente para iniciantes. É comum que a ambição acabe nos cegando neste ponto. Eu tenho diversos projetos engavetados por isso. Não me acho capaz de contar histórias que exigem certos conhecimentos que exigem muita pesquisa.

    Ótimo post.

    • João Nunes 19/11/2011   Deixe uma resposta a →

      Há um mantra de guionistas que diz assim: “Write what you know“, “escreve o que sabes“. Eu, pessoalmente, prefiro o inverso: “sabe do que escreves“.
      Acredito que qualquer guionista/roteirista pode estudar e pesquisar o suficiente sobre um determinado assunto, profissão, universo, para escrever uma estória baseada nele. A única questão é estar suficientemente apaixonado por esse tema para se dedicar a ele o tempo necessário.
      Por exemplo, J. Michael Straczynski, o autor de A Troca, que Clint Eastwood dirigiu, passou mais de um ano a visitar diariamente os arquivos do tribunal de Los Angeles para colher a informação que depois usou no guião. Isso só aconteceu porque ele estava completamente envolvido com essa estória. Teve uma recompensa muito saborosa para o seu esforço – Clint Eastwood dirigiu o filme tal e qual ele o escreveu, sem mudar uma vírgula.

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