O cinema contra a discriminação

O cinema de Hollywood é bom a fazer e desfazer mitos.

Durante anos, foram os actores britânicos os grandes eleitos para papéis de vilões. Até Darth Vader, um dos maiores vilões intergaláticos, tinha sotaque britânico, apesar de a sua voz ser a do americano James Earl Jones.

Agora, cada vez mais britânicos conseguem papéis de protagonista, mesmo em sequelas, como a triologia Batman de Christopher Nolan, ele próprio inglês, que contratou Christian Bale para o papel do Caveleiro das Trevas. Este ano, com um papel bem americano, o actor venceu o Oscar de Melhor Actor Secundário, assim como o compatriota Colin Firth, que levou a estatueta do papel principal.

Na nova versão de Os Três Mosqueteiros, apenas D'Artagnan é americano, tendo os três papéis principais ido para jovens talentos britânicos.

Também os actores latinos sofreram este estigma durante muito tempo, a quem só eram entregues papéis de vilão, mas o panorama está a mudar e Javier Bardem, Penélope Cruz e Salma Hayek podem agora fazer mais do que vilões e sex symbols.

Agora é a vez dos muçulmanos. Dados os acontecimentos da última década, os muçulmanos tornaram-se facilmente o vilão de serviço em Hollywood, tanto em filmes como em séries (como 24) e a comunidade muçulmana cada vez menos se revê nestas caricaturas, que não representam nem a fé nem as pessoas como elas são.

Inspirados por todos estes exemplos, o grupo Muslim Public Affairs Council, que tem trabalhado com os estúdios para conseguir um melhor retrato do seu povo nos filmes, resolveu enveredar por um novo caminho. Assim, abriu cursos de escrita de guião para jovens (e menos jovens) muçulmanos americanos que sonham com uma carreira na sétima arte.

Com esta inicativa pretendem mudar mentalidades. Se ninguém escreve histórias e personagens com que milhões de muçulmanos na América e no mundo se possam identificar, porque não dar voz aos talentos que partilham da mesma fé?

A estratégia é, a meu ver, um reconhecimento do poder do cinema e uma maravilhosa solução de tentar mudar pela raiz – pelos que escrevem as histórias.

O exemplo de Will and Grace,  série que ajudou a mudar a visão da América em relação à homossexualidade, leva este grupo a aspirar ao mesmo tipo de impacto.

Será que algum dia vamos ver um CSI cujo protagonista tem todos os defeitos e qualidades que todos os outros seres humanos, simplesmente tem no escritório um tapete para as orações?

Confesso que adorava presenciar esse dia.

Quem não gostaria de ver o cinema, como arte, a receber um Prémio Nobel da Paz por conseguir aproximar as pessoas e destruir as barreiras do preconceito?

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2 comentários

  • Xavier Lima 25/04/2011   Deixe uma resposta a →

    O público está demasiado habituados a vilões com sotaques não americanos, mas confesso que seria interessante ver o Joaquim de Almeida no papel principal de um filme americano, talvez um dia quem sabe.

  • Lilian Lima 14/06/2011   Deixe uma resposta a →

    Gostaria de ver os cristãos (não católicos) na tela sem serem loucos, fanáticos, ignorantes, sem cultura. Pastores caricatos, ávidos por dízimos.

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