Neil Gaiman: o melhor discurso de graduação de sempre?

Encontrei num dos meus blogues favoritos o discurso de graduação que o autor Neil Gaiman endereçou aos finalistas da The University of Arts. É uma pequena jóia de um autor de culto no mundo dos comics e da ficção especulativa.

A minha recomendação é que o ouçam na íntegra (em inglês). Ao contrário de alguns dos comentadores do artigo, achei o tom calmo, tímido, sincero de Neil Gaiman particularmente tocante.

Em alternativa podem ler a transcrição completa neste outro site. É também um bom documento para guardar e ler de vez em quando.

Atualização: uma leitora, Juliana, teve o trabalho de traduzir o discurso para português. Pode ler a tradução aqui

Cada um dos conselhos de Neil Gaiman neste discurso deve ser ouvido com atenção por qualquer pessoa que queira trabalhar numa atividade criativa – escritores, músicos, artistas, etc. As suas reflexões sobre o fracasso, por exemplo, são um complemento perfeito a um artigo que escrevi há tempos atrás.

Mas vou destacar três das suas dicas que mais me tocaram. Estão fora de ordem, e não são a tradução direta das suas palavras, mas a minha interpretação das mesmas;

  1. Quando quiseres fazer uma coisa que não tens a certeza de ser capaz de fazer, finge ser alguém que o sabe fazer, e faz o que essa pessoa faria ("…se não consegues ser sábio, finge ser alguém que é sábio, e age como ele agiria").
  2. Conseguirás sempre trabalho como freelancer se o teu trabalho for bom, for fácil lidar contigo e cumprires os prazos. Mas não é preciso as três condições; duas bastam. Se o teu trabalho for bom e cumprires os prazos, as pessoas aturam o teu mau feitio. Se o trabalho for bom e tu fores uma simpatia, toleram os teus atrasos. E o teu trabalho nem precisa ser o melhor do mundo se cumprires os prazos e for um prazer trabalhar contigo.
  3. Nunca trabalhes apenas pelo dinheiro, porque se não te pagarem (o que acontece muitas vezes), ficas sem nada. Mas se fizeres trabalho de que te orgulhas, mesmo se não te pagarem ainda tens o trabalho.

Como bónus, o artigo referido ainda inclui outro extraordinário discurso de graduação, o de Steve Jobs em Stanford, que eu já tinha destacado num artigo anterior. Curiosamente, tanto Gaiman quanto Jobs nunca terminaram os seus cursos superiores.

Para terminar, alguns links para outros grandes discursos de graduação:

J. K. Rowling

David Foster Wallace

Jeff Bezzos

E uma compilação de sugestões.

Boa inspiração.

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6 comentários

  • Olá,

    esse discurso do Gaiman é muito bom! Estou montando um negócio em fase de startup nesse momento, e tenho amigos que querem ser escritores, e as coisas que ele disse fizeram sentido para os dois mundos. Achei que era importante traduzi-lo para que pudesse chegar a mais pessoas, então fiz isso com a versão transcrita. É uma tradução amadora, mas acho que dá conta de passar a mensagem:

    http://trapeixe.wordpress.com/2012/05/21/facam-boa-arte/

    • João Nunes 24/05/2012   Deixe uma resposta a →

      Obrigado, Juliana. É um excelente acrescento, e vou destacá-lo no artigo.

  • Berni Ferreira 08/06/2012   Deixe uma resposta a →

    O discurso é muito bom, mas também gosto muito deste:

    http://www.youtube.com/watch?v=hwvilfPWHYI

    (espero que não haja problema em colocar aqui o link, João)

    São bem distintos, claro, mas no caso do Sorkin, gosto muito da agressividade e da auto-crítica, mesmo na altura de enfrentar assuntos mais sensíveis.

    abraço!

    • João Nunes 08/06/2012   Deixe uma resposta a →

      Eu também já vi e gostei muito desse discurso. Mas não é surpresa, porque de forma geral gosto de tudo o que ele escreve ;-)

  • Oi, João.

    Muito fera e inspirador esse discurso do Gaiman. Estava aqui olhando a tua página e nem sei como cheguei no discurso. Tentei traduzir, mas acabei vendo todo o video, e salvei a tradução da Juliana para ler e reler. Obrigado por postar. Sempre bom ver os exemplos dos que deram certo, dos que não desistiram e, especialmente, dos que dizem para não desistirmos.

    Quando tudo conspira contra, estamos tristes, sem grana e sem fé: faça boa arte.

    Grande abraço

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