33 dicas de escrita pouco usuais para se tornar melhor escritor

Li recentemente um artigo com o título intrigante que usei neste mesmo texto: "33 dicas de escrita pouco usuais para se tornar melhor escritor".

Depois de o ler só posso dizer uma coisa: bota "pouco usuais" nisto.

James Altucher, o autor, é um ex-programador, ex-consultor da Bolsa, ex-investidor da net, que já ganhou e perdeu muito dinheiro e se converteu, nos últimos anos, num bem sucedido e polémico blogueiro.

Aplicada à escrita, a sua abordagem pouco convencional da vida dá pérolas como a dica #2: "Dê todos os dias um bom movimento aos seus intestinos".

O autor explica que, "se o corpo não fluir o cérebro também não flui". Por acaso acredito cem por cento nisso, mas não deixa de ser uma dica de escrita pouco usual. Não é coisa que imaginemos Borges ou Saramago a recomendar a um discípulo.

De qualquer forma, recomendo vivamente a leitura do artigo (em inglês). É muito divertido e as suas dicas de escrita são bastante mais sérias e úteis do que esta introdução pode deixar transparecer.

Um último exemplo, que eu próprio tenho de aplicar à minha escrita neste blogue – a dica #4: "Nunca diga "em minha opinião". Nós sabemos que é a sua opinião. É você que está a escrever".

Em minha opinião, ele tem toda a razão.

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3 comentários

  • Bruno Libano 30/11/2012   Deixe uma resposta a →

    Achei curioso o facto de Barry Ritholz dizer que só escreve quando está zangado com alguma coisa. David Lynch por outro lado defende que temos de nos libertar de todas as ideias negativas…Alan Moore diz que temos de amar o mundo…Concordo consigo quando diz que temos de agarrar a “musa pelos colarinhos” mas não será o processo criativo algo infinitivamente pessoal e intransmissível? Melhores cumprimentos e continuação do bom trabalho

    • João Nunes 30/11/2012   Deixe uma resposta a →

      Tem toda a razão quando diz que o processo criativo é pessoal e intransmissível.
      Mas há aspectos práticos que rodeiam e condicionam o processo criativo que são mais universais e partilháveis. É nesses que gosto mais de me concentrar.
      Por exemplo, a recomendação de “sentar e trabalhar”, que refiro no outro artigo a que alude: Seis dicas para enfrentar a página em branco.
      Se Fernando Pessoa não tivesse uma disciplina de escrita com certeza não teria deixado uma obra tão rica. O mesmo se aplica a praticamente todos os profissionais criativos; se não se sentarem (ou deitarem, como Truman Capote) e fizerem o seu trabalho, ninguém o vai fazer por eles.
      Há exemplos de autores que deixaram uma obra curta e importante, porque só escreviam/criavam quando estavam inspirados? Há. Mas eu coloco outra questão: como teria sido se tivessem tido a disciplina de se forçarem a trabalhar, a “ir atrás da Musa” em vez de esperar que ela viesse até eles?

  • Moisés César Reis 05/04/2013   Deixe uma resposta a →

    Eu sempre estou criando em minha mente, ao ver um assunto, um acontecimento num filme, numa série, um artigo numa revista, uma reportagem na tv, uma palavra, uma frase, fico com minha mente perturbada, quero escrever sempre, mas cadê o tempo? Amo escrever ouvindo música e gosto de me desafiar, sempre colocando personagens e tramas cada vez mais complexas e extremas que polemizem, histórias inovadoras e de forte conteúdo, alguns que gostam de ler o que escrevo, às vezes chegam a repudiar o tema, pela forma como alguns personagens agem! Mas muitos já me disseram que consigo ter imensa criatividade e prender até a última palavra de meus livros!

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