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Aaron Sorkin inova na biografia de Steve Jobs

SteveJobs-imagem

Ter­mi­nei ontem de ler a monu­men­tal bio­gra­fia de Steve Jobs de Wal­ter Isa­ac­son. Como é fácil per­ce­ber por alguns arti­gos que já escrevi, Jobs é um dos meus heróis pessoais.

Foi por isso com muita ale­gria que li hoje esta notí­cia: o guião do filme que está a ser pre­pa­rado sobre a sua vida foi entre­gue a Aaron Sor­kin, um dos melho­res gui­o­nis­tas atuais.

Sor­kin, que até já escre­veu sobre um tema simi­lar – o polé­mico Mark Zuc­ker­berg do Face­book – em The Social Network, é segu­ra­mente uma das melho­res opções para pegar na tarefa.

O curi­oso é que, quando estava mer­gu­lhado na lei­tura da bio­gra­fia, dei comigo a pen­sar em como seria com­pli­cado resu­mir a sua vida num filme. De que forma fazê-​​lo? Por onde come­çar? O que man­ter e o que dei­xar de fora?

A res­posta veio pre­ci­sa­mente nesta notí­cia: Sor­kin reve­lou que vai estru­tu­rar o guião em ape­nas três cenas de 30 minu­tos cada, pas­sa­das em tempo real.

As cenas decor­re­rão nos bas­ti­do­res durante os minu­tos que ante­ce­de­ram três dos momen­tos chave da car­reira de Jobs: o lan­ça­mento do Macin­tosh ori­gi­nal, em 1984; a apre­sen­ta­ção da esta­ção de tra­ba­lho NeXT, nos anos negros[1] em que Jobs esteve fora da Apple; e o lan­ça­mento do iPod, que pro­je­tou a Apple na cor­rida para se tor­nar a empresa mais vali­osa do mundo.

Três cenas ape­nas.

Nos últi­mos arti­gos do curso de guião (este, este, esteeste) escrevi sobre o modelo tra­di­ci­o­nal da nar­ra­tiva em três atos. É ver­dade que as três cenas de Sor­kin podem ser inter­pre­ta­das segundo essa abor­da­gem: expo­si­ção, desen­vol­vi­mento e con­clu­são – o prin­cí­pio, meio e fim da car­reira pro­fis­si­o­nal e ascen­são à fama de Steve Jobs.

Mas é igual­mente ver­dade que é pre­ciso muita cora­gem, muita ins­pi­ra­ção, muito talento e muito domí­nio téc­nico para pegar numa fór­mula clás­sica e subvertê-​​la com tanto arrojo. Cri­an­ças, não ten­tem isto em casa.

Como dizia o texto de uma das cam­pa­nhas mais famo­sas da Apple, Think Dif­fe­rent: “Esta é para os lou­cos. Os desa­jus­ta­dos. Os rebel­des. Os agi­ta­do­res. As peças redon­das nos bura­cos qua­dra­dos. Os que vêem as coi­sas de forma dife­rente. Não gos­tam de regras, eles.

Aaron Sor­kin não gosta de regras. E eu vou ficar a con­tar os dias para ver como ele con­se­guiu quebrá-​​las neste seu pró­ximo filme.

Notas de Rodapé

  1. Anos negros, salvo seja. Não pode­mos esque­cer que é gra­ças a esses “anos negros” que temos hoje a Pixar.[]

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

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