Como escrever um filme ao jeito da Pixar – take 2

Como se pode ver em artigos anteriores deste blogue, sou um fã da Pixar e dos seus autores. O que não admira – nenhum outro estúdio ou produtora produziu consistentemente tantos filmes tão bons e com tanto sucesso.

Descobri recentemente um artigo, Pixar story rules, que reúne uma série de tuítes de Emma Coats, uma artista da Pixar.

Nessa série ela resume, com a economia dos 144 caracteres, alguns dos princípios básicos para escrever um filme ao jeito da Pixar. São conselhos em linha com outras coisas que já tinha lido, mas que sempre vale a pena recordar.

Resolvi pois traduzi-los e postá-los aqui. Leiam, absorvam e apliquem, para benefício vosso e dos vossos leitores.

#1: Admiramos os personagens mais pelo que tentam do que pelo que conseguem.

#2: Temos de manter em vista o que é interessante para a audiência, mais do que o que é divertido para nós, escritores. Podem ser coisas muito diferentes.

#3: Tentar encaixar o tema é importante, mas nunca vemos sobre o que a estória realmente é antes de a terminar. Resta reescrever

#4: Era uma vez —. Todos os dias, —. Um dia —. À conta disso, —. Até que finalmente —.

#5: Simplifica. Foca. Combina personagens. Salta sobre os desvios. Vais achar que estás a perder coisas preciosas, mas isso dá-te liberdade.

#6: Em que é que o teu personagem é bom, onde se sente confortável? Atira-lhe o seu oposto absoluto. Desafia-o. Como é que ele reage?

#7: Define o teu final antes de resolver o meio. A sério. Os finais são difíceis, tens de os fazer funcionar logo à partida.

#8: Termina a tua estória e põe-a a andar mesmo que não esteja perfeita. Num mundo ideal terias as duas coisas, mas segue em frente. Faz melhor na próxima.

#9: Quando estiveres bloqueado numa cena faz uma lista do que NÃO ACONTECERIA a seguir. Muitas vezes é o suficiente para te desbloquear.

#10: Analisa a fundo a estórias de que gostas. O que gostas nelas faz parte de ti; tens de o reconhecer antes de o poder usar.

#11: Colocá-lo no papel é a maneira de começar a fixá-lo. Se ficar apenas na tua cabeça, como uma ideia perfeita, nunca poderás partilhá-lo com ninguém.

#12: Deita fora a 1ª coisa de que te lembras. E a 2ª, a 3ª, 4ª, 5ª – tira as soluções óbvias do caminho. Surpreende-te a ti mesmo.

#13: Dá opiniões aos teus personagens. Passivo/maleável pode parecer agradável enquanto escreves, mas é veneno para as audiências.

#14: Porque é que tens de contar ESTA estória? Qual a crença fervorosa dentro de ti de que esta estória se alimenta? Esse é o fundo da questão.

#15: Se tu fosses o teu personagem, nesta situação, como te sentirias? A honestidade dá credibilidade às situações incríveis.

#16: O que está em jogo? Dá-nos uma razão para torcer pelo teu personagem. O que sucede se ele falhar? Atira-lhe problemas para cima.

#17: Nenhum trabalho é desperdiçado. Se não está a funcionar, abandona-o e segue em frente – voltará à tona e será útil mais à frente.

#18: Tens de te conhecer a ti mesmo: qual a diferença entre fazer o teu melhor & insistir inutilmente. Escrever é testar, não refinar.

#19: Coincidências para colocar os personagens em sarilhos são ótimas; coincidências para os tirar de sarilhos são batota.

#20: Exercício: agarra nos blocos constituintes de um filme de que não gostas. Como os rearranjarias para fazer algo DE QUE GOSTAS?

#21: Tens de te identificar com as tuas situações/personagens, não podes escrever apenas o que é ‘fixe’. O que TE faria agir de determinada maneira?

#22: Qual é a essência da tua estória? Qual a forma mais económica de a narrar? Se sabes as respostas a isto, podes desenvolver a partir daí.

É possível que venha a haver mais tuítes desta série, por isso é boa ideia passar a seguir a autora no Twitter. Já agora, pense na hipótese de me seguir a mim também. Prometo não colocar o que estou a comer ao almoço, mas sim coisas interessantes, de escrita e outros temas – design, tecnologia, fotografia, arte, etc.

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