Como refrescar a sua criatividade

De vez em quando o motor da criatividade parece emperrar. Desafio algum guionista a dizer que isso nunca aconteceu consigo.

Nessas alturas temos necessidade de recarregar as baterias de alguma forma. Estas são algumas dicas sobre formas de estimular o músculo criativo, inspiradas por uma apresentação do estúdio ToFu Design.

  • Crie um documento no seu computador, ou estreie um caderno dedicado apenas a ideias. Todos os dias force-se a registar algumas ideias novas, seja lá sobre o que for: ideias para novos guiões ou romances, para artigos no seu Facebook ou blogue, ideias de negócios, de partidas para fazer aos amigos… O importante é manter os músculos criativos a funcionar regularmente.
  • Ande sempre com um bloco de notas ou gravador de voz, para anotar as ideias que forem surgindo ao longo do dia. Aproveite para anotar excertos de diálogos ouvidos na rua, notícias interessantes, etc.
  • Se já tem o hábito de registar as suas ideias, não se esqueça de consultar regularmente as notas antigas. Ideias independes que surgiram em alturas diferentes podem ganhar um novo sentido e completar-se quando as revê mais tarde.
  • Saia da rotina. Vá passear. Viaje. É extraordinária a quantidade de novas associações e ideias que surgem quando nos expomos a novos estímulos.
  • Viaje intelectualmente. Frequente exposições, concertos, espetáculos, manifestações artísticas e culturais. A maior parte das vezes criar é remixar, encontrar novas conexões inexploradas entre coisas que já existem.
  • Ouça música. Escolha um estilo, uma época ou um autor, e mergulhe a fundo nele. A música é como um lubrificante para a criatividade.
  • Quando estiver bloqueado num projeto, na escrita duma cena, na resolução de algum problema em que já se empenhou bastante, faça uma pausa. Concentre-se noutra atividade e dê uma oportunidade ao seu inconsciente de trabalhar por conta própria. Muitas vezes a solução surge na manhã seguinte, como por magia.
  • Separe claramente as fases de criação e de edição/revisão. Para a fase de criação experimente trabalhar num local diferente do habitual. Um estudo recente sugere que trabalhar num café pode estimular a criatividade. Para a edição, prefira locais mais calmos.
  • Reserve períodos de trabalho sem interrupções. Tal como qualquer outro músculo, a criatividade precisa de uma fase de aquecimento antes de começar a funcionar plenamente. Consultar o email, o messenger ou o Twitter quebra o foco e diminui o rendimento. O multitasking é um mito, especialmente para os criativos.
  • Pelo contrário, é importante que programe também algumas interrupções regulares. Levante-se e estique-se. Caminhe, corra, faça exercício. O importante é essas interrupções serem feitas no seu ritmo, e não à vontade dos outros.
  • Leia muito na sua área de especialização. Livros técnicos e obras terminadas. Leia o máximo de guiões que conseguir, para ganhar um entendimento inconsciente das características do género, dos diversos estilos, das soluções técnicas.
  • Leia muito também fora da sua área, e em todos os formatos: textos curtos, longos, sites, livros técnicos, romances.
  • Veja muitos filmes. Todos os clássicos que encontrar. Os melhores filmes atuais. Maus filmes de qualquer época. Veja-os tentando perceber o que funciona, o que não funciona, e como os autores resolveram cenas, sequências, desenvolvimento de personagens e estrutura.
  • Não se preocupe em ter um estilo próprio. No início copie o estilo dos autores que mais admira. Experimente com vários estilos e formas de solucionar os problemas. Com o tempo irá encontrando as suas próprias preferências de expressão.
  • Não se preocupe em errar; ninguém o vai pôr de castigo. Experimente, enlouqueça, saia da sua área de conforto. Force-se a sentir o desconforto do novo, do diferente, do inesperado. Mais tarde, na reescrita, terá sempre oportunidade de acertar o tom e baixar o volume. Mas é dos fracassos temporários que nascem muitas vezes os sucessos permanentes.

Todos estes truques funcionam regularmente comigo. E consigo, o que é que o ajuda a estimular a criatividade?

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14 comentários

  • Jessica Furtado 02/07/2012   Deixe uma resposta a →

    Olá Sr João Nunes
    Já o tenho acompanhando há algum tempo, mas hoje deixarei meu comentário.
    Essa sua postagem hoje inspirou-me a trabalhar mais nos guiões.

    Quero agradecer-lhe por sua dedicação a este site de enorme ajuda para todos os iniciantes argumentistas.

    • João Nunes 02/07/2012   Deixe uma resposta a →

      Eu é que agradeço o seu comentário. Nem sabe como me deixa feliz ao ouvi-la dizer isso.
      Não quero outra coisa senão inspirar o surgimento e desenvolvimento de mais e melhores argumentistas/guionistas/roteiristas.
      Boas escritas.

  • VENTURA DE AZEVEDO 06/07/2012   Deixe uma resposta a →

    Olá JN!
    Não sabia que a minha criatividade fosse sempre avivada por algumas das sugestões por ti enunciadas! De facto, de quando em quando, tenho saído das coisas rotineiras da minha vida e me aventurado no desconhecido, isto em termo de viagens, leituras, filmes, músicas (as mais bizarras e desconhecidas possíveis!), etc, etc… O díficil, para mim, é registar, a tempo e hora, todas as sensações, emoções, dali provenientes!… Agora vou imprimir as tuas sugestões e tê-las sempre frente a frente.
    UM ABRAÇO!

    • João Nunes 06/07/2012   Deixe uma resposta a →

      Essas sensações e emoções ficam sempre registadas, mesmo inconscientemente, e criam o caldo onde nascem as nossas ideias futuras. O importante é criar oportunidades para agitar esse caldo.
      Abraço.

  • Bom dia João. Bacana o Post. Algumas dicas eu já fazia meio que inconscientemente, mas vê essa lista me faz pensar que não há motivos para ficar parado devido a falto do respiro da inspiração. Cada momento é uma oportunidade. Quando estou assim também gosto de pegar em roteiro que estão parados… Parabéns. Agradeço a contribuição.

    • João Nunes 06/07/2012   Deixe uma resposta a →

      O escritor Sommerset Maugham (é melhor confirmar, porque não tenho a certeza absoluta de que era ele ;-) dizia algo como “só escrevo quando a inspiração bate à porta; felizmente ela bate à porta todos os dias às nove da manhã”. É uma frase sensacional, que define muito bem a diferença entre um profissional e um amador. O profissional não pode estar dependente de coisas tão etéreas como a “inspiração”; tem de aprender a convocá-la quando é preciso.

      • Gerson Luiz Teixeira 10/12/2012  

        Genial este post. É exatamente isso o que acontece comigo há 35 anos, cada vez que sento em minha mesa pra escrever roteiros. Se a inspiração não vem até mim, vou atrás dela. Muitas vezes a ideia não vem como eu desejaria, mas acaba virando uma história. Não posso me dar ao luxo de ficar esperando. Abraço!

  • Beth Magalhães 06/07/2012   Deixe uma resposta a →

    João Nunes, tudo bem ? Agradeço muito pelas suas dicas. As de hoje, especialmente, são uma fonte de inspiração e de direcionamente de intenção : me fizeram perceber o quanto é importante ter sempre em mente um objetivo (escrever), e como podemos ter atitudes completamente diferentes que levem a esse objetivo. Muito obrigada.

    • João Nunes 06/07/2012   Deixe uma resposta a →

      O guionista Scott Myers do site Go Into the Story tem um mantra que é: Ler guiões; ver filmes; escrever páginas. Não é preciso muito mais para aprender a escrever um guião.

  • Como sempre, excelente dicas!

  • Pedro 10/07/2012   Deixe uma resposta a →

    Excelente artigo Sr. João. Cheguei ao seu site através de uma entrevista sua no Açoriano Oriental da qual, gostei imenso de ler e fui logo “aterrar” aqui no seu blogue. Achei muito interessante as suas dicas. Até agora, apesar de eu ter alguma dificuldade em inspirar me para a escrita (e por isso, vou usar os seus truques…), sem dúvida que a pouca inspiração que tenho tido é ouvindo música! Procuro sempre uma música nova que me agrade imenso e ponho-me a ouvir em “repeat”, desenvolvendo uma acção no meu imaginário. É o que tem funcionado melhor para mim. Abraço.

    • João Nunes 10/07/2012   Deixe uma resposta a →

      A música tem esse condão para muitos autores e artistas. Parece que ajuda a abrir portas para zonas menos exploradas da nossa consciência.

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