Seis dicas para vencer a página em branco

O escritor Roald Dahl foi um bem conhecido e popular autor de livros infantis, entre os quais alguns adaptados para o cinema, como Charlie e a Fábrica de Chocolate ou James e o Pêssego Gigante.

Inspirado numa visita à sua casa museu o blogger Robert Peters escreveu um bem pensado artigo com seis dicas fundamentais para vencer o desafio da página em branco.

Nenhuma delas é inovadora – já falei de muitas aqui no blogue – mas todas são muito úteis. Apesar disso, por serem tão óbvias, por vezes temos tendência para as esquecer.

Pode ler o artigo completo aqui (em inglês), mas para quem se contente com um resumo das dicas deixo aqui a minha resenha:

  1. Capture todas as ideias – as boas ideias não escolhem hora para aparecer, mas desvanecem-se muito mais depressa do que imaginamos. Não deixe isso acontecer tendo sempre consigo um bloco de notas, de papel ou virtual. E use-o também para anotar informações, diálogos escutados, citações ou frases que o impressionaram, reflexões, memórias… até listas de compras.
  2. Arranje um lugar próprio para trabalhar – a vida de escritor é dada a flutuações e variações que podem interferir seriamente com a produtividade. Ter um lugar fixo para trabalhar – uma espécie de santuário – pode ajudar a contrariar essa tendência para a dispersão. E também funciona no sentido contrário; quando chega a hora de parar de trabalhar é mais fácil cortar se isso for acompanhado por uma mudança de pouso.
  3. Tenha uma rotina – na mesma lógica do ponto anterior é importante criar uma rotina diária à volta da qual organizamos o nosso dia e o nosso trabalho. Sem essa rotina as horas têm uma tendência a passar a correr e, quando damos por isso, o dia passou sem que nada de útil tivesse sido produzido. Um outro artigo, do site Brain Pickings, revela algumas dessas rotinas de escritores famosos.
  4. Use as ferramentas certas (para si) – cada escritor escreve à sua maneira, com as ferramentas mais adequadas ao seu estilo e personalidade. Há quem prefira papel e caneta, como Quentin Tarantino, ou quem mergulhe integralmente nas ferramentas digitais. Escrevi há pouco tempo um artigo virado para estas últimas, na perspetiva dos guionistas. O importante é saber quais são as ferramentas certas para si, e tê-las sempre à sua disposição no momento certo.
  5. Rescreva – não me canso de dizer: os guiões não se escrevem; rescrevem-se. Até já publiquei um pequeno ebook grátis sobre o tema. Não há nenhum escritor que fique satisfeito com a primeira versão que lhe sai dos dedos. Pelo contrário, alguns são completamente obsessivos com a rescrita e os editores quase têm que lhes arrancar os manuscritos das mãos. Nem oito, nem oitenta. Mas rescreva.
  6. Finalmente, faça o trabalho – ninguém vai escrever por si. Se não se sentar e escrever, nada acontece. Isso é, no fim de contas, o que distingue os profissionais dos amadores. Os segundos podem dar-se ao luxo de "esperar pela Musa"; os primeiros têm de ir atrás dela, agarrá-la pelos colarinhos[1] e obrigá-la a sentar-se ao seu lado. Como o próprio Roald Dahl escreveu: "O escritor tem de se forçar a si próprio a trabalhar. Têm de fazer os seus próprios horários por que se não se sentar à secretária não há ninguém para lhe puxar as orelhas."

A estas dicas eu acrescentava mais uma: desligue a internet.

Boas escritas.

Notas de Rodapé

  1. As Musas têm colarinhos?[]

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