"Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus" vai estrear

João Nunes —  05/11/2012 — 16 Comments

“Aris­ti­des de Sousa Men­des – O Côn­sul de Bor­déus”, o último guião que escrevi e que foi pro­du­zido, vai estrear dia 15 de Novem­bro em Por­tu­gal. Veja no fim deste artigo como ganhar bilhe­tes para a antestreia.

É uma longa metra­gem de fic­ção que aborda os meses cru­ci­ais do verão de 1940 em que o então côn­sul de Por­tu­gal na cidade fran­cesa de Bor­déus, Aris­ti­des de Sousa Men­des, desa­fiou as ordens da diplo­ma­cia do governo dito “neu­tral” do dita­dor Antó­nio de Oli­veira Sala­zar e emi­tiu deze­nas de milha­res de vis­tos que sal­va­ram mais de 30.000 pes­soas, grande parte dos quais judeus.

Afas­tado das fun­ções de côn­sul por Sala­zar, con­ti­nuou a emi­tir vis­tos à reve­lia e ainda con­du­ziu uma última coluna de refu­gi­a­dos até um remoto posto na fron­teira de França com Espanha.

E tudo isto enquanto o exér­cito nazi inva­dia França, fazia capi­tu­lar Paris e se apro­xi­mava cada vez mais de Bordéus.

Aris­ti­des de Sousa Men­des é um dos gran­des heróis por­tu­gue­ses. Afas­tado do corpo diplo­má­tico e proi­bido de exer­cer advo­ca­cia, aca­bou por mor­rer na misé­ria pou­cos anos depois des­tes even­tos. Triste sina a dos nos­sos heróis…

Feliz­mente o seu mérito já foi inter­na­ci­o­nal­mente reco­nhe­cido e rece­beu múl­ti­plas home­na­gens em mui­tos locais do mundo.

Este filme, pro­du­zido pela Take 2000 de José Mazeda, escrito pelo João Cor­reia, Antó­nio Tor­rado e por mim, e co-​​realizado pelo Fran­cisco Manso e João Cor­reia, pre­tende ser mais uma home­na­gem a essa grande figura.

E, espero eu, uma hora e meia bem pas­sada numa sala de cinema.

Cartaz do Filme

O jor­nal Público está a orga­ni­zar um pas­sa­tempo para ofe­re­cer con­vi­tes para a anteestreia.

João Nunes

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João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

16 responses to "Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus" vai estrear

  1. Cícero Soa­res 05/11/2012 at 21:53

    Noo­o­ossa, João! Li sobre o filme (e obvi­a­mente sobre essa his­tó­ria do Aris­ti­des, que des­co­nhe­cia) pouco mais de um mês atrás, mas a maté­ria não infor­mava os rotei­ris­tas e… Noo­o­o­ossa, João, que sur­presa! Então você co-​​escreveu, é? Bacana, bacana.

    Aliás, essa tua sen­tença: “Triste sina a dos nos­sos heróis…”, com ela me debati muito quando come­cei a pen­sar em escre­ver guiões. O nosso cinema, o cinema bra­si­leiro, acho que tam­bém anda care­cendo de heróis. Digo não só de se retra­tar heróis his­tó­ri­cos (ou no caso de redescobri-​​los, de “res­gate”, como o do Aris­ti­des), digo tam­bém de heróis inven­ta­dos, que con­den­sem e expres­sem uma forte demanda social.

    O Capi­tão Nas­ci­mento do Tropa de Elite seria um exem­plo. Mas isso ocor­reu só no segundo filme do Padi­lha. E é o único exem­plo, em déca­das, que me vem à cabeça. Pena.

    Bom, vol­tando ao babado: então, quando O Côn­sul der as caras aqui… lá vou eu assistir!

    • João Nunes 06/11/2012 at 9:01

      Não foi exa­ta­mente uma co-​​escrita pois nunca tra­ba­lhei em con­junto com o outro gui­o­nista, o Antó­nio Tor­rado, embora tenha dis­cu­tido o tra­ba­lho com o co-​​guionista e co-​​realizador João Cor­reia.
      Segundo as nor­mas de atri­bui­ção de cré­di­tos da Wri­ters Guild of Ame­rica, seria um “Guião de João Cor­reia & Antó­nio Tor­rado e João Nunes”. O uso do “&” indica que os gui­o­nis­tas tra­ba­lha­ram em con­junto; o do “e” que tra­ba­lhou independentemente.

      • Cícero Soa­res 06/11/2012 at 11:06

        Ah, sim, bom você ter apro­vei­tado pra refor­çar como fun­ci­o­nam essas indicações.

        Mas, por curi­o­si­dade (claro, se você puder con­tar sobre): posso ima­gi­nar que, na escri­tura de fil­mes como esse, há dois tipos de tra­ba­lho: 1) o de sele­ção de even­tos his­tó­ri­cos per­ti­nen­tes que, 2) estru­tu­ra­dos, pos­sam ser­vir como even­tos dra­má­ti­cos. O teu foi mais para o lado dessa dra­ma­tur­gia pró­pria a guiões ou englo­bou ambos?

        Ah, outra curi­o­si­dade: goo­gle­ando ontem sobre o Aris­ti­des, deparei-​​me com esse post de feve­reiro do André Bar­cinski (figu­ri­nha carim­bada do jor­na­lismo, escreve sobre cinema, música e outros coi­sas pops pra Folha de São Paulo, e tem “par­ce­ria” de longa data com o José Mojica Marins, etc.), em que ele relata como a famí­lia foi “des­co­berta” pela Sousa Men­des Foundation:

        http://​andre​bar​cinski​.blog​fo​lha​.uol​.com​.br/​2012​/​02​/​16​/​s​o​u​s​a​-​m​e​n​d​e​s​-​o​-​n​o​s​s​o​-​s​c​h​i​n​d​l​er/

        Legal, né?

      • João Nunes 06/11/2012 at 13:04

        Cícero, a tua aná­lise é per­feita: um tra­ba­lho como este divide-​​se em pes­quisa e escrita. No caso con­creto d’”O Côn­sul de Bor­déus”, a maior parte da pes­quisa já estava feita e o essen­cial da estó­ria tinha sido defi­nido. É claro que fiz muita pes­quisa pes­soal, para me ambi­en­tar com o per­so­na­gem e o momento. Mas o essen­cial da minha con­tri­bui­ção foi a nível da dra­ma­tur­gia.
        Quanto ao teu link, é curi­oso que refira um caso bra­si­leiro de um des­cen­dente dos judeus sal­vos por Aris­ti­des, por­que isso tem a ver com uma das com­po­nen­tes dra­má­ti­cas deste filme, que o trai­ler não des­venda. E eu tam­bém não vou estra­gar a surpresa ;)

  2. Cícero Soa­res 06/11/2012 at 14:10

    Aaa­a­a­a­aah… Conta, João, conta! Brin­ca­deira :) Mas sabe que tal­vez eu possa supor algo desse com­po­nente? Uma des­co­berta sur­pre­en­dente como a do Bar­cinski é um “evento” inte­res­sante e forte, que se encai­xa­ria bem ao final. Hum, quer dizer, se meu pal­pite for por aí, né?

    Mas olha só: o blog dele cos­tuma ter uma cen­tena de comen­tá­rios, e cor­rendo os olhos neles vi que o Bar­cinski aca­bou escla­re­cendo que, salvo uma obri­gada con­ver­são pre­pa­ra­tó­ria para a “fuga” que ele des­co­nhe­cesse, a famí­lia polo­nesa dele é de ori­gem católica.

    Quer dizer, o que não muda muito, né?, já que sabe­mos que essa prá­tica tota­li­tá­ria de per­se­gui­ções foi gene­ra­li­zada. (O que, aliás, feliz e infe­liz­mente, alarga a dimen­são do heroísmo do Aristides.)

    Ah, e outra curi­o­si­dade: semana pas­sada fiz um mini-​​curso com outro Bar­cinski, o Phi­lippe, dire­tor de Não Por Acaso (se não viu, veja, pois… hum, é, tive cer­tas pre­cau­ções com alguns pon­tos no roteiro lá, mas a pre­missa e a linha mes­tra são fan­tás­ti­cas) e do recente Entre Vales (que abriu o Fes­ti­val do Rio mas ainda não estreou no cir­cui­tão naci­o­nal, antes o filme vai rodar em fes­ti­vais inter­na­ci­o­nais, etc.e tal) e…

    Puxa vida, tive a chance e não sei por que a des­per­di­cei, de per­gun­tar se eles eram paren­tes e… E, puxa vida, e se eu sou­besse antes dessa his­tó­ria da famí­lia do André…

    Opa, na ver­dade acho que agora estou pen­sando alto :)

    Mas valeu, João, valeu mesmo. Agora só no aguardo de o filme cru­zar o Atlân­tico e… surpresa!

  3. Bár­bara 09/11/2012 at 14:20

    Olá João.
    Antes de mais, para­béns!
    Des­co­nhe­cia o facto de ter sido um dos res­pon­sá­veis pelo guião do filme.
    Já tinha pen­sado em ir vê-​​lo e, agora, faço mesmo ques­tão! :)
    E, claro, vol­ta­rei aqui para dar a minha opinião.

    Votos de muito sucesso para este filme! :)
    Abraço,
    Bárbara

  4. Eu só posso parabenizá-​​lo. Não é fácil dar um the end em um projeto.

  5. vige­lia 10/11/2012 at 8:59

    Para­béns João, fiquei muito tocada vendo o trai­ler ima­gino como mara­vi­lhoso deve ser o filme, espero que venha logo para o Brasil.

    • João Nunes 12/11/2012 at 9:04

      Obri­gado a todos. Espero que tenham opor­tu­ni­dade de ver o filme em breve, e que gos­tem do que virem.

  6. Legal, João. Não tem como con­se­guir uma cópia pra gente ver aqui em Angola. ;) Bjos e parabéns!

  7. Bár­bara 19/11/2012 at 10:25

    João, já tive opor­tu­ni­dade de assis­tir ao filme e cumpre-​​me dizer que gos­tei muito.
    Não dei­xando de ser um filme por­tu­guês, com algum ‘fado’, con­se­gue ter uma dinâ­mica à volta da qual gra­vi­ta­mos a ses­são inteira :)
    Para­béns por mais este tra­ba­lho!
    Espe­ra­mos mais ;)

  8. Para­béns, João! Mais um!

    Tenho de ver em que sala posso ver o filme cá no Porto ;)

    Já agora, uma ques­tão: fazer um filme com esta pre­missa acar­reta sem­pre algum risco de que ele acabe por tornar-​​se muito seme­lhante a fil­mes como “A lista de Schin­dler”, por exem­plo (sobre­tudo a nível da nar­ra­tiva, por­que em Por­tu­gal não há meios para fazer uma pro­du­ção dessa escala).
    Como é que lida­ram com esse desa­fio no guião?

    abraço

    berni

    • João Nunes 20/11/2012 at 12:31

      Não foi um desa­fio. Tínha­mos a base his­tó­rica do filme, que é muito dife­rente do caso do Schin­dler. O epi­só­dio do Aris­ti­des de Sousa Men­des foi muito mais con­cen­trado no tempo e com cir­cuns­tân­cias e escala dife­ren­tes: o Schin­dler estava no cen­tro do fura­cão e sal­vou umas cen­te­nas de judeus; o Aris­ti­des estava na peri­fe­ria, embora com a ame­aça per­ma­nente da apro­xi­ma­ção gra­dual dos nazis, mas sal­vou umas deze­nas de milha­res. O Schin­dler usou sobre­tudo a manha e a mani­pu­la­ção dos inte­res­ses eco­nó­mi­cos nazis, o Aris­ti­des usou a tei­mo­sia e o desa­fio à auto­ri­dade. Foram dois casos de cora­gem muito dife­ren­tes mas igual­mente meri­tó­rios.
      De qual­quer forma o nosso filme tem uma estru­tura nar­ra­tiva muito dife­rente, assente num longo flash­back. Só isso já o tor­na­ria um filme bas­tante diferente.

      • Obri­gado pela res­posta, João!

        Faço votos de que o filme seja visto por muita gente, ape­sar da con­jun­tura pouco pro­pí­cia (tinha-​​me esque­cido desta parte no comen­tá­rio anterior ;)

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