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Favoritos: Não queremos objetivos; queremos METAS (Republicação)
cortando a meta

Antes de ser­mos argu­men­tis­tas somos pes­soas. E, como pes­soas, temos os nos­sos defei­tos, as nos­sas fra­que­zas, as nos­sas falhas.

É nor­mal, nesta altura do ano, que­rer corrigi-​​las. Cha­ma­mos a isso as “deci­sões de ano novo”, que nor­mal­mente esque­ce­mos antes de janeiro terminar.

O pro­blema des­tes obje­ti­vos que deter­mi­na­mos com tanta boa von­tade e aban­do­na­mos com tanta ligei­reza é nor­mal­mente não serem bem defi­ni­dos. É por isso que hoje pro­po­nho uma meto­do­lo­gia para esse efeito, que pode ser usada por auto­res e por qual­quer pessoa.

Em vez de obje­ti­vos, deve­mos ter METAS – obje­ti­vos cara­te­ri­za­dos por cinco cri­té­rios: serem Mensu­rá­veis; Espe­cí­fi­cos; Tempo­ri­zá­veis; Alcan­çá­veis; e Signi­fi­ca­ti­vos[1].

Veja­mos o que sig­ni­fica cada um des­tes critérios:

Mensu­rá­veis – deve­mos dar valo­res con­cre­tos  aos nos­sos obje­ti­vos. É a única forma de poder­mos ava­liar o nosso pro­gresso em dire­ção a eles. Em vez de “quero per­der peso”, deve­mos espe­ci­fi­car “vou atin­gir os 60 kg”; em vez de “quero escre­ver mais”,  vamos dizer “vou escre­ver três guiões”.

Espe­cí­fi­cos – os nos­sos obje­ti­vos não devem ser vagos e ambí­guos, mas sim cla­ros e espe­cí­fi­cos. Isso fica mais fácil se, além de dizer­mos exa­ta­mente o que que­re­mos alcan­çar, defi­nir­mos tam­bém por­que é que o que­re­mos con­se­guir. Por exem­plo, “Este ano vou cor­rer 20 km por semana para melho­rar a minha con­di­ção física geral, dimi­nuir peso e poder par­ti­ci­par na meia mara­tona em setembro”.

Tempo­ri­zá­veis – deve­mos colar os nos­sos obje­ti­vos a datas fixas, deter­mi­nando limi­tes para os alcan­çar. Se os dei­xar­mos sem prazo, esta­re­mos uma vez mais a ser vagos e dimi­nui­re­mos a pos­si­bi­li­dade de os con­cre­ti­zar. Um prazo acres­centa urgên­cia e moti­va­ção. Por exem­plo, é um bom obje­tivo dizer que “este ano vou escre­ver um guião até abril, o segundo até agosto e o ter­ceiro até ao fim do ano”.

Alcan­çá­veis – não adi­anta defi­nir obje­ti­vos cla­ra­mente irre­a­lis­tas ou que não depen­dem de nós. “Este ano vou ganhar a lota­ria” ou “vou cor­rer os 100 m nos jogos olím­pi­cos de Lon­dres” são maus obje­ti­vos (a não ser que seja­mos psí­qui­cos ou atle­tas de alta competição).

Signi­fi­ca­ti­vos – por último, mas não menos impor­tante, os nos­sos obje­ti­vos devem nas­cer simul­ta­ne­a­mente da nossa razão e do nosso cora­ção. Não adi­anta deci­dir que “este ano vou dei­xar de fumar” se não esti­ver ver­da­dei­ra­mente moti­vado para o fazer. Incluir numa lista obje­ti­vos que não são sufi­ci­en­te­mente sig­ni­fi­ca­ti­vos para nós, e que, como tal vão ser rapi­da­mente aban­do­na­dos, pode ter um desa­ni­ma­dor efeito de dóminó que con­ta­gie os res­tan­tes. É melhor deixá-​​los fora da lista até eles serem real­mente importantes.

Por fim, três con­se­lhos para man­ter e alcan­çar as METAS de fim de ano:

Em pri­meiro lugar, não exa­gere. É impos­sí­vel mudar tudo ao mesmo tempo. Mais vale defi­nir menos METAS, e alcançá-​​las, do que que­rer fazer tudo, e falhar em toda a linha.

Em segundo lugar, escreva as suas METAS. O registo obriga a pen­sar e a apu­rar a sua for­mu­la­ção, concretiza-​​as e começa a materializá-​​las. O docu­mento tam­bém poderá ser relido regu­lar­mente, como forma de ava­li­a­ção do nosso progresso.

Em ter­ceiro lugar, se tiver cora­gem, torne públi­cas as suas METAS. Não pre­cisa publicá-​​las no Face­book (embora tam­bém o possa fazer). Mas se as par­ti­lhar com pes­soas de con­fi­ança e lhes pedir para o aju­da­rem a alcancá-​​las, vai ver que isso será muito mais fácil.

Escreva já as suas METAS para o pró­ximo ano. E. se qui­ser, partilhe-​​as nos comen­tá­rios deste artigo.

UM PRÓSPEROBEM SUCEDIDO DOIS MILDOZE.

Notas de Rodapé

  1. as minhas METAS são uma adap­ta­ção dos SMART goals, tal como defi­ni­dos em 1981 por George T. Doran, que pode conhe­cer na Wiki­pe­dia[]

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

2 comentários… add one

  • Fernanda 20/03/2013, 20:35

    Ola Joao! Saudades de voce, que anda sumido. Obrigada pelos roteiros que voce postou, estou estudando Argo, e depois passarei para Lincoln. Tenho, como sempre, uma dúvida. O John Truby, que obviamente voce sabe quem é, fala no seu curso de Drama sobre uma estrutura filmica com 04 atos. Sera que, como voce ensinou, ele esta dividindo o segundo ato em duas partes? Ou existe uma estrututra filmica que seja comumente usada em Hollywood e use 04 atos. Grande abraco, Fernanda.

    • João Nunes 21/03/2013, 7:40

      Oi Fernanda, não ando tão sumido assim :(
      Confesso que nunca dediquei muito tempo ao John Truby. Tenho o seu “Anatomia do Guião” mas dei-lhe apenas uma leitura muito superficial. A sua teoria baseada em 22 blocos essenciais pareceu-me complicada demais para uma coisa que, afinal, sendo muito difícil de executar, não é tão complexa assim. Como o Mamet diz, o objetivo de um guião é contar a estória de forma a que o espectador queira saber o que vem a seguir, e contá-la em imagens. O Truby pareceu-me, esse sim, muito formulaico. Mas pode ser que uma leitura nova me dê outra perspectiva. É um desafio que me está a lançar.
      Quanta à sua dúvida, o meu palpite é que seja isso mesmo. É muito comum pensar no guião como tendo quatro atos, sendo que os dois intermédios correspondem à primeira e à segunda metade do 2º ato do paradigma. O ponto intermédio marca a separação entre eles, sendo neste caso encarado como mais um ponto de viragem.

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