Não compre o CeltX Script para o Mac

A equipa de desenvolvimento do CeltX lançou uma nova versão do seu programa de escrita de guião, chamada CeltX Script.

Baixei-a ontem e é uma verdadeira desilusão.

Em primeiro lugar, é um programa absolutamente minimalista (ou raquítico, se quisermos ser mauzinhos). Tem apenas a opção de escrever as páginas normais de guião e nada mais. Nem sequer podemos criar a página de rosto.

Tem um menu de Preferências que está desativado. Só isso diz da falta de cuidado colocada na sua produção.

Também não tem quaisquer funcionalidades de planejamento de estória, nem um modo de pré-visualização do resultado impresso. E muito menos funções mais avançadas, como notas, revisões, etc.

Mas o mais grave de tudo, para quem escreve em português, é que não reconhece as letras com acentos, como se pode ver na imagem seguinte.

celtx Script

Esta falha torna-o absolutamente inútil para nós.

E é uma falha tanto mais estranha quanto o programa se baseia, quase integralmente, no motor de processamento de texto do Mac. Como tal todas as opções de correção ortográfica automática em várias línguas estão disponíveis.

Um erro destes só se explica por absoluta falta de cuidado dos desenvolvedores.

Mesmo assim não seria muito grave se o CeltX Script fosse gratuito. Quem quisesse experimentá-lo, apesar destas limitações, baixava-o, testava-o e apagava-o.

Mas o CeltX Script custa 9,99 USD (mais de 8 euros, 20 R$).

Aí a coisa fica feia – colocar um programa com todas estas limitações por um valor desses já é uma decisão pouco séria. Principalmente porque no site do CeltX continua a estar disponível a versão tradicional, gratuita, para todas as plataformas.

Pode ser que numa próxima versão o CeltX Script corrija estas falhas e acrescente algumas funcionalidades mais avançadas que o tornem mais convidativo e justifiquem o seu preço.

Mas, para já, mantenha-se longe dele.

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5 comentários

  • Felipe Petrucelli 09/01/2013   Deixe uma resposta a →

    Nossa, que decepção. Como pode a equipe que desenvolve o Celtx dar um mole desses? Só há uma resposta: Incompetência dos desenvolvedores. Isso denigre o nome de produto e, da próxima vez, todos ficarão com receio de pagar por algo inferior ao que é ofertado gratuitamente.

    Vlw, João, por mais esta dica. A cada dia, torno-me mais seu fã.

  • Felipe 09/01/2013   Deixe uma resposta a →

    João, gostaria que você criasse um post sobre o seguinte tema:

    Quando uma obra é considerada uma adaptação e quando ela é inspirada em alguma outra? Qual exatamente a diferença entre uma e outra?

    Eu posso me inspirar APENAS na ideia central de um conto, por exemplo, e criar uma nova obra, sem ter que pedir autorização?

    • João Nunes 09/01/2013   Deixe uma resposta a →

      Olá Felipe, não é preciso um artigo. O que você está a sugerir é andar por território de areias movediças. Perigoso e a evitar, se possível.
      Por exemplo – qual a ideia central do conto “Metamorfose”, de Frans Kafka? Um homem acorda e descobre que se transformou num inseto. Se aproveitar APENAS essa ideia, mesmo assim não deixa de ser plágio. No caso até talvez não fosse grave, porque já deve estar em domínio público, mas o que interessa é perceber o que se entende por “ideia central”.
      Qual a ideia central do conto “Carrie”? Uma adolescente abusada na escola desenvolve poderes telecinéticos e mata os colegas. Tente adaptar isso e explique ao Stephen King que não está a plagiar a estória dele.
      É possível que haja outros contos cuja ideia central seja muito mais vaga. Um filho chora a morte da mãe. Pedro ama Inês. Rita foge de casa. São vagos, realmente. Mas se são assim tão vagos, qual a vantagem de os usar? Porque é que não aplica o seu tempo no desenvolvimento de uma ideia original, que com certeza lhe vai dar muito mais satisfação?
      Resumindo – tudo depende caso a caso, e eu não sou advogado, por isso não posso aconselhá-lo mesmo que me dê mais dados.
      O melhor é desenvolver uma ideia sua, de raiz. Ou, se gosta realmente da ideia central de um certo conto, porque não contata o autor pedindo autorização?
      O referido Stephen King é conhecido por deixar estudantes adaptar obras suas contra o pagamento simbólico de um dólar. Foi assim que se tornou amigo de Frank Darabont, que mais tarde adaptou “Os Condenados de Shawshank” (aí já não por um dólar ;). Boas escritas!

  • Andre 01/11/2014   Deixe uma resposta a →

    Qual versão do celtx voce indica para o MAC

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