≡ Menu
Porque é que os produtores de língua portuguesa não colocam os seus guiões na net?
cidade-de-deus-2

Nas últimas semanas os estúdios americanos têm vindo a colocar na net, para baixar, os guiões que consideram dignos de consideração para os Óscares. Pode encontrá-los, por exemplo, aqui, aqui e aqui.

É um ritual que se repete todos os anos e que permite aos estudantes de guião ler e estudar dezenas de bons guiões. Infelizmente, são todos em língua inglesa.

Porque é que os produtores dos países de língua portuguesa não fazem o mesmo aos guiões dos seus filmes?

Não existe mercado editorial para os guiões, salvo as mais raras das excepções, por isso não perderiam nada com isso. Pelo contrário: a divulgação dos guiões poderia servir de incentivo para ver os filmes ou comprar os DVD’s.

Com essa medida os produtores conseguiriam, também, promover os seus filmes para as cerimónias de prémios existentes nos seus países. Podem não ter o impacto dos Óscares, mas não deixam de ser importantes meios de divulgação.

Na pior das hipóteses, contribuiríam para formar uma nova geração de melhores argumentistas, o que a médio prazo só poderia beneficiar o cinema e, consequentemente, os próprios produtores.

Fica a ideia. E eu até ofereço este site para os arquivar, divulgar e distribuir, junto daqueles que  já disponibilizo.

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

5 comentários… add one
  • Felipe Petrucelli 19/12/2013, 18:31

    Também sempre me fiz esta pergunta. Nunca encontrei uma resposta que fosse, no mínimo, aceitável.

  • Rafael Santos 19/12/2013, 21:16

    Verdade, João. Falo por mim que, quero ler, e analisar as estruturas dos guiões de filmes, e tenho de me limitar aos americanos – que nem sempre detêm a verdade sobre o storyteling (uma realidade que me tenho vindo a aperceber quando leio os artigos do Carson Reeves, por exemplo). Cingir-me as idiossincrasias da industria de Hollywood, que limitam; para não falar do processo de tradução da coisa, que rouba o verdadeiro prazer da leitura.
    Realmente não percebo qual o problema em os guiões serem partilhados em Portugal – nem que sejam os do Moita Flores (que teria imensa curiosidade de ler.)
    Aproveito a oportunidade para questionar o João (e perdoe-me a impertinência) sobre as consequências do Fre­ne­si­De­Es­crita 2013 (e para que não haja dubiedades, fui participante – perdedor – da iniciativa). Houve 3 finalistas. Uma analise foi feita da sua parte aos trabalhos. Tinha uma certa curiosidade que houvesse uma exposição do antes e do depois. Ou, as chamadas “notas” do scriptdoctor, para que houvesse uma apreciação do trabalho de campo. Acredito que também seriam uma mais-valia para quem se sente fascinado pelo processo.

  • Hugo 20/12/2013, 9:29

    Olá, João! Concordo com você: se os produtores de cinema em língua portuguesa disponibilizassem roteiros para download, isso seria um grande incentivo à nossa indústria cinematográfica. Aqui no Brasil, temos uma excelente iniciativa, a Coleção Aplauso: são quase 200 livros sobre a história do cinema, do teatro e da televisão brasileira, com vários roteiros completos (alguns até mesmo comentados pelos autores e/ou produtores). Os livros podem ser baixados gratuitamente pelo site: http://aplauso.imprensaoficial.com.br/lista-livros.php
    Abraços,
    Hugo

Partilhe aqui as suas ideias e experiência