dicas guião

Vinte dicas para chegar ao fim do guião

Encontrei recentemente no site No Film School um artigo que recomendo vivamente.

O autor partilha nele vinte dicas que o ajudaram a chegar ao fim do seu guião Manchild, que em breve ele mesmo irá dirigir[1].

As dicas são muito variadas e de teor muito diverso. Umas são eminentemente práticas, outras técnicas, outras filosóficas. Algumas terão utilidade para todos os guionistas, outras atrairão uma pequena audiência apenas. Mas duvido que alguém não tire de lá pelo menos uma sugestão útil para o seu trabalho.

Curiosamente algumas dessas sugestões podem ser encontradas noutros artigos aqui do blogue. Por exemplo, as que se referem à reescrita estão quase todas no meu ebook gratuito sobre o tema.

Também o memorando do David Mamet que ele refere na dica 18 é o tema de um dos meus artigos favoritos de sempre.

Não vou desenvolver aqui todas as vinte sugestões, mas deixo um tira-gosto com a que que me tocou mais diretamente e que sei que poderei usar com mais facilidade.

“Mas” e “portanto”; nunca “e então”.

Esta dica foi retirada de uma entrevista em vídeo com os criadores de South Park e é de utilidade permanente.

Quando estamos a contar uma estória devemos usar apenas as palavras “mas” e “portanto” para estabelecer ligações entre cenas, e nunca a expressão “e então”.

As duas primeiras implicam uma relação de causa/efeito entre as cenas que se sucedem; a última apenas uma relação de sequência. E o que nós queremos é que todas as cenas de um guião estejam fortemente interligadas, como malhas numa corrente inquebrável.

Ou seja, numa cena acontece A “mas” apesar disso na cena seguinte acontece B; ou, numa cena acontece C “portanto” na cena seguinte acontece D.

Isto é muito diferente da forma como a minha sobrinha conta estórias: acontece A, “e então” acontece B, “e então” acontece C, “e então” por aí adiante…

Só esta dica vale a leitura do artigo. Fica aqui o resumo das restantes:

  • Escrever à mão a primeira versão.
  • Usar o Pinboard para arquivo de favoritos.
  • Usar tampões de ouvidos ou auscultadores quando se escreve em locais públicos.
  • Criar listas de músicas adequadas ao género do guião que se está a escrever.
  • Usar as anotações do Kindle.
  • Usar o RSS para estar em cima do tema que estamos a explorar.
  • Entrar devagar e sem estresse em cada dia de escrita.
  • Aproveitar o modo de vista paralela dos programas de escrita para ter lado a lado o outline e o guião.
  • Fazer as escaletas detalhadas com vários níveis e códigos de cor para os diferentes tipos de cenas.
  • Aumentar sempre o conflito dentro de cada cena.
  • Usar impressões em papel para certas fases da revisão.
  • Escrever diferentes versões do guião em locais diferentes.
  • Na reescrita fazer primeiro as grandes alterações.
  • Usar o iPad para leitura e revisões.
  • Usar o software Freedom para cortar o acesso à net durante a escrita.
  • Usar programas de gestão de janelas para arranjar o espaço de trabalho da melhor forma.
  • Decorar o já referido memorando de David Mamet.
  • Na reescrita fazer revisões específicas para cada personagem, como sugiro no meu ebook gratuito sobre o tema.
  • Escrever o mais importante na melhor hora do dia.

Pode ler o artigo original (em inglês, infelizmente) na No Film School.

Notas de Rodapé

  1. Numa produção financiada através do site Kickstarter[]

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4 comentários

  • Rosa 03/02/2013   Deixe uma resposta a →

    Uma curiosidade, você é organizado na hora da escrita, ou tem papel colado pela paredes? Pergunto isso porque acho e apenas acho que a organização as vezes ajuda, as vezes atrapalha. Então em vez de 20 dicas coloco 21.

    • João Nunes 03/02/2013   Deixe uma resposta a →

      Não tenho papel colado pelas paredes – porque não me deixam ;) Em plena liberdade a tendência seria essa, mas felizmente tenho alguém que me controla esses instintos.

  • Não me consegui conter.. “estória”?, diz-se história

    • João Nunes 24/03/2013   Deixe uma resposta a →

      Porquê? Basta consultar alguns dicionários para ver que ambas as formas são aceitáveis.
      Por exemplo, o da Porto Editora, que dá a seguinte definição: “estória – nome feminino – história de carácter ficcional ou popular; conto, narração curta”. Ou o da Priberam, que define como: “estória (inglês story, do latim historia, -ae, do grego historía, -as, exame, informação, pesquisa, estudo, ciência) – s. f. – Narrativa de ficção, oral ou escrita. = CONTO, FÁBULA, HISTÓRIA, NOVELA”.
      É verdade que é uma palavra polémica, por ser um neologismo relativamente recente (mesmo assim com mais de um século) derivado do inglês “story” e, por isso, alguns estudiosos aconselham usar apenas a palavra “história”, em relação à qual não há polémica.
      Mas a língua é feita pelos seus utilizadores e este utilizador em particular gosta da distinção entre “estória”, narrativa ficcional, e “história”, registo de eventos reais.
      Acho mais grave, por exemplo, o desrespeito total das regras de gramática e sintaxe na escrita de emails, sms’s, mensagens nas rede sociais… e comentários nos blogues ;)

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