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Mês das Perguntas: Que software de escrita de guião devo usar?
software de guião destaque

Qual o soft­ware de escrita de guião atual que reco­men­das para escrita de rotei­ros de cinema em por­tu­guês? Como e onde adqui­rir o mesmo? — Olympio

Olym­pio, já abor­dei este assunto num artigo do blo­gue, mas como não era de Per­gun­tas & Res­pos­tas, vou apro­vei­tar uma parte desse artigo para lhe responder.

Além disso, pas­sou algum tempo desde a publi­ca­ção, e a minha res­posta foi entre­tanto adap­tada com novas sugestões.

O que não fal­tam são opções de esco­lha para um soft­ware de escrita de guião, em todas as plataformas.

Vão desde os pro­gra­mas de desk­top mais tra­di­ci­o­nais até às web apps base­a­das na nuvem, pas­sando por uma miríade de apli­ca­ções para as pla­ta­for­mas móveis, tele­mó­veis e tablets.

Mui­tos des­tes pro­gra­mas estão dis­po­ní­veis nos dife­ren­tes sis­te­mas ope­ra­ti­vos – Mac OS, Win­dows, Unix, iOS e Android. A difi­cul­dade está ape­nas na escolha.

Já expe­ri­men­tei uma boa parte des­tas opções, com­prei algu­mas delas, e li sobre quase todas as outras.

Depois de todos esses tes­tes a minha sele­ção acaba por ser bas­tante tra­di­ci­o­nal, resumindo-??se a cinco reco­men­da­ções: Final Draft, CeltX, Scri­ve­ner, o jovem Slu­gline e o ainda mais recente WriterDuet.

Outros pro­gra­mas pode­riam fazer parte desta lista, como o clás­sico Movi­e­Ma­gic Scre­en­wri­ter, o recente Fade In, o mini­ma­lista High­land ou o gra­tuito Trelby. Mas esta sele­ção cor­res­ponde aos pro­gra­mas que uso com mais frequência.

Passo a seguir a expli­car porquê, des­ta­cando as suas prin­ci­pais fun­ci­o­na­li­da­des e aque­las que são, na minha pers­pe­tiva, as suas van­ta­gens e defeitos.

Final Draft – o profissional

O Final Draft apresenta-??se nos seus anún­cios como “o padrão da indús­tria” e, de fato, acaba por sê-??lo. Pra­ti­ca­mente todos os gui­o­nis­tas pro­fis­si­o­nais têm uma cópia no seu com­pu­ta­dor e usam-??no para grande (se não a maior) parte dos trabalhos.

Está atu­al­mente na ver­são 9, aca­bada de lan­çar, mas que não trouxe gran­des novi­da­des. Na rea­li­dade, é um pro­grama que começa a acu­sar a idade, pelo menos enquanto não che­gam as pro­me­ti­das novi­da­des para as pla­ta­for­mas móveis.

Seja como for, é um pro­grama fácil de usar, robusto e está­vel, com um con­junto muito com­pleto das fun­ci­o­na­li­da­des neces­sá­rias nas três fases: pla­ne­a­mento, escrita e reescrita.

  • For­ma­ta­ção trans­pa­rente à medida que escrevemos.
  • Deze­nas de mode­los para tv, tea­tro e cinema.
  • Um tipo de letra espe­cial, o Cou­rier Final Draft (que pode tam­bém ser usado com outros programas).
  • Uso das teclas de pará­grafo e tabu­la­ção para sim­pli­fi­car a escrita.
  • Intro­du­ção rápida de ele­men­tos repe­ti­ti­vos (nomes de per­so­na­gens, locais, etc.).
  • Intro­du­ção auto­má­tica de (More’s) e (Continued’s) (não é muito útil em Portugal).
  • Fun­ção de pla­ne­ja­mento por esca­leta ou cartões.
  • Divi­são do ecrã em pai­néis, per­mi­tindo ver o guião e a esca­leta ou car­tões em paralelo.
  • Janela de nave­ga­ção rápida entre cenas.
  • Notas de escrita.
  • Modo de revisão.
  • Um assis­tente de for­ma­ta­ção, que detecta erros de for­mato antes da impressão.
  • Página de capa.
  • Fun­ci­o­na­li­da­des de pro­du­ção, como blo­queio de pági­nas e de cenas.
  • Cri­a­ção auto­má­tica de rela­tó­rios de guião (por exem­plo, com o número e tama­nho das cenas em cada local, ou para cada per­so­na­gem). Esta capa­ci­dade foi muito desen­vol­vida na ver­são 9.
  • Expor­ta­ção per­feita para .pdf

Depois de apren­der a usar o Final Draft (o que é rela­ti­va­mente fácil e rápido) é uma delí­cia tra­ba­lhar com ele. A escrita sai com flui­dez e natu­ra­li­dade, e o gui­o­nista pode concentrar-??se ape­nas no con­teúdo, esque­cendo com­ple­ta­mente as pre­o­cu­pa­ções com a forma.

Em suma: na maior parte dos casos nin­guém ficará mal por deci­dir escre­ver um guião com o Final Draft.

Isso não quer dizer que ele não tenha alguns inconvenientes.

O pri­meiro é, obvi­a­mente, o seu preço. Para dar $200 USD por uma cópia é pre­ciso pen­sar duas vezes. Só quem esteja a tra­ba­lhar regu­lar­mente como gui­o­nista se pode dar a esse luxo.

O Final Draft ganha­ria tam­bém muito com uma revi­são das suas fer­ra­men­tas de pla­ne­a­mento da escrita, que não são tão prá­ti­cas e com­ple­tas como pode­riam ser. A sua uti­li­za­ção dos car­tões não é muito intui­tiva e a visão em esca­leta tem gran­des limitações.

Mas o pior defeito do Final Draft é a expor­ta­ção para um for­mato com­pa­tí­vel com o Word, o .rtf. É uma per­feita des­graça. O resul­tado é tão mau que eu tive de com­prar um outro pro­grama, o Fade In, só para esse efeito.

O Final Draft exporta per­fei­ta­mente para .pdf (mal seria se não o fizesse) e razo­a­vel­mente para “texto com for­mato”. Mas se o seu método de tra­ba­lho implica a entrega de uma ver­são final em Word, como acon­tece ainda (infe­liz­mente) com mui­tas pro­du­to­ras por­tu­gue­ses, é melhor esco­lher outro programa.

CeltX – o concorrente (quase) gratuito

O CeltX apa­re­ceu e ganhou uma grande base de adep­tos apresentando-??se como a alter­na­tiva gra­tuita ao Final Draft.

Hoje em dia con­ti­nua a ter uma ver­são gra­tuita, mas vale a pena gas­tar um pouco mais (que em cer­tas pro­mo­ções pode ser tão pouco quanto $9 USD) para ter acesso ao que cha­mam de “Power­Pack” que inclui algu­mas fun­ci­o­na­li­da­des extra.

O CeltX mima a maior parte das fun­ções e método de uti­li­za­ção do Final Draft, acrescentando-??lhe algu­mas novi­da­des e cor­tando em outras. Já escrevi um tuto­rial sobre o uso do CeltX, que con­ti­nua a ser um dos arti­gos mais popu­la­res do blogue.

Na sua ver­são mais recente está a notar-??se uma ten­ta­tiva de cen­tra­li­zar o uso do CeltX na nuvem, com uma ver­são online e fun­ci­o­na­li­da­des de arquivo dis­tante. Não é o que mais me inte­ressa, mas admito que em cer­tos tra­ba­lhos em equipa essa fun­ci­o­na­li­dade possa ser útil.

Veja­mos então as prin­ci­pais carac­te­rís­ti­cas do CeltX (usando o Power­Pack como referência).

  • Dis­po­ní­vel em 34 lín­guas e nas pla­ta­for­mas Win­dows, Mac, Linux.
  • Mode­los para cinema, tea­tro, guiões audi­o­vi­su­ais (AV), rádio, banda dese­nhada e fic­ção em geral.
  • For­ma­ta­ção automática.
  • Gra­va­ção local e na nunvem.
  • Sicro­ni­za­ção de guiões entre
  • Método de escrita rápida seme­lhante ao FD.
  • Blo­queio de cenas e de pági­nas para produção.
  • Adap­ta­ção auto­má­tica de um modelo para outro (de banda dese­nhada para cinema, por exemplo).
  • For­mu­lá­rios para desen­vol­vi­mento de per­so­na­gens, locais, etc.
  • Car­tões de notas com dife­ren­tes modos de visualização.
  • Modo de pai­nel de cor­tiça para ver os car­tões de notas.
  • Escrita em ecrã inteiro.
  • Cro­nó­me­tro e rela­tó­rios de progresso.
  • Cri­a­ção de blo­cos de notas com ima­gens, vídeos e docu­men­tos, para refe­rên­cias de pesquisa.
  • Cri­a­ção de* story­bo­ards* e sua visu­a­li­za­ção animada.
  • Cri­a­ção de esque­mas de filmagem.
  • Clip art para colo­car nos story­bo­ards .
  • Rela­tó­rios de pro­du­ção, como cro­no­gra­mas, folhas de ser­viço e rela­tó­rios de filmagem.

O CeltX é, como se pode ver, um pro­grama com­pleto e ver­sá­til, que tem tudo o que é neces­sá­rio para pla­near, escre­ver e apre­sen­tar um guião.

Será sem­pre uma boa opção de escrita, espe­ci­al­mente aten­dendo ao seu baixo preço.

Não posso, no entanto, dei­xar de refe­rir alguns dos seus incon­ve­ni­en­tes, come­çando pelo inter­face, que não é muito intui­tivo. Cer­tas fun­ções deve­riam ser aces­sí­veis de uma forma mais prá­tica e imediata.

Uma das coi­sas que con­tri­bui para esta com­pli­ca­ção é o excesso de fun­ções de uti­li­dade duvi­dosa para um gui­o­nista (como os story­bo­ards ou os rela­tó­rios de pro­du­ção). O Final Draft tam­bém tem mui­tas opções que rara­mente usa­mos, mas estão nor­mal­mente asso­ci­a­das ao guião.

As opções do CeltX, con­tudo, ten­tam torná-??lo uma espé­cie de “cani­vete suíço” da pro­du­ção. Tal­vez isso o torne útil para algu­mas empre­sas e situ­a­ções (embora nunca o tenha encon­trado na prá­tica), mas torna-??o mais com­pli­cado para quem queira ape­nas escre­ver com ele.

O prin­ci­pal defeito do CeltX, con­tudo, tem tam­bém a ver com a expor­ta­ção dos fichei­ros. Se a saída em .pdf tam­bém fun­ci­ona bem (fun­da­men­tal), é pra­ti­ca­mente impos­sí­vel arran­car dele um ficheiro que possa ser usado fun­ci­o­nal­mente nou­tro programa.

Essa é a prin­ci­pal razão por­que não uso o CeltX com tanta frequên­cia como os outros dois pro­gra­mas da minha sele­ção principal.

Se o seu método de tra­ba­lho ter­mina num .pdf use o CeltX com con­fi­ança. Se passa por outros tipos de fichei­ros, esqueça.

Scrivener – a alternativa todo-o-terreno

O Scri­ve­ner é o pro­grama que come­cei a usar mais recen­te­mente para escre­ver um filme ou epi­só­dio de tele­vi­são. Mas é tam­bém, neste momento, o meu favorito.

É um ver­da­deiro cavalo de bata­lha, usado por escri­to­res de todos os tipos, desde auto­res de fic­ção a uni­ver­si­tá­rios. A sua prin­ci­pal van­ta­gem é a ver­sa­ti­li­dade, que per­mite com­por e estru­tu­rar docu­men­tos lon­gos e complexos.

Tem uma enorme gama de fer­ra­men­tas que podem torná-??lo um pouco inti­mi­dante à pri­meira vista. Exige tam­bém uma curva de apren­di­za­gem um pouco mais longa do que os outros pro­gra­mas. Mas depois de ultra­pas­sa­das estas bar­rei­ras ini­ci­ais, é um pra­zer tra­ba­lhar com ele.

E não é por­que seja um pro­grama extra­or­di­na­ri­a­mente rico de fun­ções espe­cí­fi­cas para gui­o­nis­tas. As fun­ci­o­na­li­da­des do modo de escrita de guião são limi­ta­das ao mínimo: modo rápido de mudança de esti­los, intro­du­ção auto­má­tica de ele­men­tos, e for­ma­ta­ção perfeita.

Não tem tam­bém quais­quer das fun­ções “pro­fis­si­o­nais” de blo­queio de pági­nas e cenas.

Onde o Scri­ve­ner bri­lha é na pla­ni­fi­ca­ção do guião. Não só é extra­or­di­na­ri­a­mente ver­sá­til, como é sim­ples, intui­tiva e prá­tica. De todos os pro­gra­mas que já usei foi o único que subs­ti­tuiu com van­ta­gem o lápis e papel nas fases ini­ci­ais, mais sol­tas, do pla­ne­a­mento das estórias.

A sua fun­ci­o­na­li­dade torna-??o extre­ma­mente útil para a pla­ni­fi­ca­ção de pro­je­tos lon­gos e complexos.

Por exem­plo, um tra­ba­lho que escrevi recen­te­mente incluia oito guiões com­ple­tos de tele­vi­são mais ver­sões alter­na­ti­vas de alguns des­ses guiões. No total são mais de tre­zen­tas e cin­quenta cenas orga­ni­za­das num único docu­mento e aces­sí­veis a qual­quer momento.

Além disso, suporta pra­ti­ca­mente tudo o que quei­ra­mos introduzir-??lhe, sem que se notem dife­ren­ças de tempo de res­posta. O docu­mento de tra­ba­lho que refiro acima inclui ainda sinop­ses, tra­ta­men­tos, notas com alte­ra­ções, apa­nha­dos de sites, docu­men­tos e fotos de pes­quisa, e ainda todos os ras­cu­nhos e cenas apagadas.

O Scri­ve­ner tem ainda uma fun­ci­o­na­li­dade exclu­siva que adoro. É pos­sí­vel selec­ci­o­nar em simul­tâ­neo cenas sol­tas, não sequen­ci­ais, e editá-??las como um docu­mento único.

Isso per­mite, por exem­plo, ver ao mesmo tempo e edi­tar todas as cenas de uma trama secun­dá­ria, ou as que incluem um deter­mi­nado per­so­na­gem. Só essa pos­si­bi­li­dade coloca o Scri­ve­ner numa cate­go­ria à parte.

Tão impor­tante quanto isso, pode­mos expor­tar os guiões a qual­quer momento, em con­junto ou indi­vi­du­al­mente, e até cena cena, para uma enor­mi­dade de for­ma­tos. Além do obri­ga­tó­rio .pdf, é pos­sí­vel expor­tar para .rtf, várias ver­sões de .doc e .docx, .html, .xml, para o Final Draft (.fdx), e até para os vários for­ma­tos de ebook.

O Scri­ve­ner só tem ver­sões para Mac e Win­dows, e ainda não tem equi­va­lente nas pla­ta­for­mas móveis (embora este­jam pro­me­ti­dos para este ano). É um pro­grama pago mas não é muito caro – $45 USD – e vale cada cen­tavo que custa.

Segue um resumo das suas prin­ci­pais características.

  • Modo de escrita de guião
  • Método de escrita rápida.
  • Auto­pre­en­chi­mento de elementos.
  • For­ma­ta­ção per­feita e flexível.
  • Expor­ta­ção per­feita para grande vari­e­dade de formatos.
  • Ges­tão de pro­je­tos com­ple­xos e diversificados.
  • Fle­xi­bi­li­dade com­pleta na orga­ni­za­ção do trabalho.
  • Arquivo de ele­men­tos de pesquisa.
  • Ges­tão de versões.
  • Modo de escrita em ecrã inteiro.
  • Notas de docu­mento e de cena.
  • Modo “scri­ve­nings” que per­mite com­bi­nar tem­po­ra­ri­a­mente cenas não contíguas.
  • O melhor modo de esca­leta de entre todos estes programas.
  • O melhor modo de car­tões de notas, com um “qua­dro de cor­tiça” prá­tico e flexível.
  • Pos­si­bi­li­dade de tirar “ins­tan­tâ­neos” do tra­ba­lho a qual­quer momento, e regres­sar a eles mais tarde, se nos arrependermos.
  • Pos­si­bi­li­dade de criar “cole­ções” de cenas segundo uma enorme vari­e­dade de critérios.
  • Modo de revisão.
  • Comen­tá­rios e notas de rodapé.
  • Bac­kups automáticos.
  • E mais tanta coisa, que é melho parar por aqui…

Tudo indica que o Scri­ve­ner se vai tor­nar o meu pro­grama de escrita por defeito. A pla­ni­fi­ca­ção das estó­rias é uma fase muito impor­tante do meu pro­cesso de tra­ba­lho, e nenhum outro pro­grama que eu tenha encon­trado me dá as mes­mas vantagens.

O Scri­ve­ner pode ser tão com­plexo ou tão sim­ples quanto eu queira, e isso é o ideal. O modo de escrita de guião tem tudo o que eu pre­ciso no dia a dia.

Mas se neces­si­tar de fun­ções mais avan­ça­das como o blo­queio de pági­nas ou de cenas, a impor­ta­ção e expor­ta­ção para o for­mato do Final Draft fun­ci­ona perfeitamente.

Por uma ques­tão de equi­lí­brio, devo apon­tar tam­bém as des­van­ta­gens do Scrivener.

A pri­meira, que já referi, é que pode ser um pouco inti­mi­dante a prin­cí­pio. Mas tem um tuto­rial inte­ra­tivo muito com­pleto (em inglês) que ajuda a ultra­pas­sar a con­fu­são inicial.

O preço, ape­sar de razoá­vel, tam­bém pode afas­tar algu­mas pes­soas. A minha reco­men­da­ção é que bai­xem a ver­são gra­tuita limi­tada e expe­ri­men­tem. Estou certo de que verão que o inves­ti­mento é justificado.

Por fim, a única coisa que me inco­moda no dia a dia. Quando esta­mos a escre­ver no modo de guião e intro­du­zi­mos uma nova cena ele auto­ma­ti­ca­mente passa ao modo normal.

Supos­ta­mente isto é uma van­ta­gem, pois per­mite com­bi­nar cenas ainda em tra­ta­mento com outras já defi­ni­ti­vas (e fazer, por exem­plo, os _​scriptments_​ que cara­te­ri­zam as pri­mei­ras ver­sões dos guiões de James Came­ron). Mas é uma van­ta­gem que eu dis­pen­sava, pois vai con­tra o meu método de tra­ba­lho. É pro­vá­vel que haja uma forma de con­tor­nar isto, mas ainda não a descobri.

Em suma, se não conhece ainda o Scri­ve­ner, experimente-??o. A sua vida de escritor/?guionista nunca mais será a mesma.

Slugline – a abordagem minimalista

O Slu­gline é um pro­grama exclu­sivo para o Mac, que usa a lin­gua­gem Foun­tain. Esta é uma sin­taxe desen­vol­vida pelo gui­o­nista ame­ri­cano John August, um dos mais conhe­ci­dos e res­pei­ta­dos gui­o­nis­tas ame­ri­ca­nos no ativo, e alguns cola­bo­ra­do­res, com o objec­tivo de escre­ver guiões cor­re­ta­mente for­ma­ta­dos usando ape­nas fichei­ros de texto sim­ples, tipo .txt. Mais tarde, quando é pre­ciso impri­mir ou expor­tar o ficheiro, essa sin­taxe é auto­ma­ti­ca­mente fil­trada e con­ver­tida no for­mato correto.

Esta lin­gua­gem é muito intui­tiva, e Slu­gline torna-​​a ainda mais sim­ples, pois con­verte em tempo real as ins­tru­ções para o for­mato cor­recto, de modo que vemos o guião na página tal como ele será impresso ou exportado.

A lin­gua­gem Foun­tain parece mais com­pli­cada do que é, espe­ci­al­mente se usar­mos o Slu­gline. Já escrevi um tutorial](http://joaonunes.com/2013/guionismo/tutorial-como-escrever-um-guiao-em-fountain-primeira-parte/) sobre o uso de Foun­tain e com um pouco de prá­tica o pro­cesso acaba por ser bas­tante fluido e trans­pa­rente. Quem está habi­tu­ado aos méto­dos de escrita rápida do Final Draft, CeltX ou Scri­ve­ner pode con­tudo estranhar.

A van­ta­gem desta abor­da­gem é que os fichei­ros, gra­va­dos como texto sim­ples, podem ser edi­ta­dos por qual­quer pro­grama, em qual­quer pla­ta­forma. Pode­mos assim come­çar um guião no tele­mó­vel, escrevê-??lo no por­tá­til, apresentá-??lo e editá-??lo num tablet e arquivá-??lo na nuvem, sem­pre com o mesmo documento.

Os fichei­ros são tam­bém muito leves e à “‘prova de tempo”. Por mui­tos pro­gra­mas que nas­çam e mor­ram nas pró­xi­mas déca­das, é pro­vá­vel que seja sem­pre pos­sí­vel abrir, ler e edi­tar um docu­mento de texto sim­ples. O mesmo não pode ser garan­tido, por exem­plo, em rela­ção ao Final Draft ou CeltX, ou mesmo o Scrivener.

Cada pes­soa fará a sua ava­li­a­ção da vali­dade deste argu­mento. Não é sufi­ci­en­te­mente forte para eu ado­tar o Slu­gline (ou o High­land) no dia a dia, mas tal­vez me con­vença a guar­dar uma ver­são de arquivo dos guiões fina­li­za­dos no for­mato .foun­tain, como pre­cau­ção para o futuro.

Os incon­ve­ni­en­tes do Slu­gline, por outro lado, são óbvios. Não inclui quais­quer fer­ra­men­tas para a pla­ni­fi­ca­ção dos guiões, ou sua rees­crita. E o uso duma sin­taxe pró­pria torna-??o dife­rente dos con­cor­ren­tes, obri­gando a mais uma aprendizagem.

Mas estes “defei­tos” são exa­ta­mente o que pode tor­nar atra­tivo o Slu­gline, ou o High­land, aos olhos de um gui­o­nista de pen­dor mais minimalista.

A opção webapp – WriterDuet

O Wri­ter­Duet é um pro­grama que corre no brow­ser, mas é tão bem feito que a sen­sa­ção é de estar­mos a escre­ver num apli­ca­tivo nor­mal do com­pu­ta­dor. A grande van­ta­gem, obvi­a­mente, é que pode­mos ace­der aos nos­sos guiões a par­tir de qual­quer com­pu­ta­dor ou em qual­quer parte do mundo. Reci­pro­ca­mente, a des­van­ta­gem é que temos de estar online para escrever.

Wri­ter­Duet tem as capa­ci­da­des bási­cas encon­tra­das nos pro­gra­mas mais sim­ples desta lista, como for­ma­ta­ção auto­má­tica do guião, e ata­lhos para sim­pli­fi­car a escrita. Mas acres­centa uma mais valia só pos­sí­vel devido à sua loca­li­za­ção na nuvem: a cola­bo­ra­ção. Com o Wri­ter­Duet é muito sim­ples escre­ver em par­ce­ria à dis­tân­cia, ou sub­me­ter uma ver­são do nosso guião para rece­ber notas ou revi­sões de cola­bo­ra­do­res colo­ca­dos no outro lado do mundo.

Além disso, por segu­rança, pode­mos a qual­quer momento expor­tar o que escre­ve­mos em diver­sos for­ma­tos, como .pdf ou Foun­tain. Nunca cor­re­mos o risco de ficar pre­sos num for­mato pro­pri­e­tá­rio inútil.

Veredito final

Cada um des­tes pro­gra­mas tem van­ta­gens e desvantagens.

O Final Draft, com­pleto, robusto mas caro, con­ti­nu­ará a ser durante algum tempo o mais usado pelos gui­o­nis­tas pro­fis­si­o­nais em todo o mundo, prin­ci­pal­mente se rece­ber em breve uma ver­são para tablet, e uma atu­a­li­za­ção mais pro­funda do que veio com a ver­são 9. Mas os com­pe­ti­do­res vão morder-​​lhe os cal­ca­nha­res muito em breve.

O CeltX, por outro lado, deverá manter-??se como o favo­rito dos estu­dan­tes de cinema e guião, e dos pro­je­tos de baixo orça­mento. Os seus defei­tos são rapi­da­mente esque­ci­dos quando com­pa­ra­dos com o seu preço incrível.

O Scri­ve­ner, que neste momento é o meu pro­grama favo­rito, está con­de­nado a ser des­co­berto pouco a pouco por mui­tos escri­to­res e auto­res de esti­los diver­sos, incluindo gui­o­nis­tas. Se um dia vier a ter um modo de escrita um pouco mais robusto, poderá ser o melhor can­di­dato para des­tro­nar o Final Draft.

O Slu­gline será sem­pre uma alter­na­tiva de nicho, mas estou certo de que os seus adep­tos, como fre­quen­te­mente acon­tece nos pro­du­tos de nicho, serão os mais fiéis de todos.

Final­mente, o Wri­ter­Duet tem tam­bém um preço imba­tí­vel – é grá­tis – e a van­ta­gem de poder ser usado em qual­quer lado… desde que este­ja­mos online. E para quem pre­cise da opção de cola­bo­ra­ção e escrita à dis­tân­cia, não tem concorrência.

Quer uma reco­men­da­ção final? Invista $45 USD e algu­mas horas de estudo no Scri­ve­ner. Não se vai arrepender.

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

6 comentários… add one

  • Vicente 13/02/2014, 20:32

    Aproveito o tópico para deixar uma questão relativamente ao final draft. Atuantente uso o Trelby, não só pela maior facilidade e liberdade na formatação, mas também pelo facto de admitir todos os caracteres especiais. No final draft, por exemplo, não é possível introduzir palavras maiúsculas com acento, que são imprescindíveis para guiões em português, sobretudo para cabeçalhos de cena e de diálogo. Gostaria de saber a sua opinião e se possível alguma solução. Obrigado.

    • João Nunes 14/02/2014, 11:55

      Que versão do Final Draft está a usar? Já há muitos anos que o programa não tem essas limitações, pelo menos em ambiente Mac. Talvez seja apenas o caso de o actualizar para uma versão mais recente.
      Quanto ao Trelby, qual é a sua opinião? Pelas descrições parece bastante bom, mas como não há versão para Mac não o pude experimentar.

      • Vicente 14/02/2014, 19:05

        Experimentei a versão 9 do final draft, para o Windows. Aparentemente o problema é partilhado por outras pessoas, já que li algumas queixas semelhantes em fóruns.
        Quanto ao Trelby, neste momento não o trocaria por nenhum outro. Basta definir os parâmetros que desejamos e podemos ter qualquer tipo de padrão de formatação. É intuitivo e extremamente leve e prático, e é capaz de exportar para vários ficheiros de final draft, celtx, entre outros, caso seja necessário.

      • João Nunes 16/03/2014, 14:52

        Obrigado pelo comentário. Vou tentar avaliar o Trelby quando tiver acesso a um PC com Windows. Mas fico satisfeito com a sua opinião positiva, pois é mais uma opção gratuita à disposição dos autores.

  • PR 14/02/2014, 10:00

    Como estruturar uma série para TV do tipo 01 historia diferente por episodio? Como ter certeza que aquele grupo de personagens criados poderão gerar inúmeros episódios diferentes? Os livros só ensinam como escrever uma historia, mas não fala sobre como criar um universo de personagens que funcionará para inúmeras histórias por diferentes roteiristas.

  • Rosa 12/03/2014, 22:48

    Como sempre excelente dicas e ensinamentos. Tenho o Celtx há bastante
    tempo, versão 2.9. Saberia dizer se há alguma atualização para esta versão?

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