Quantos filmes já viu?

Quantos filmes já viu ao longo da vida? Quais? E de quais gostou mais?

Com excessão dos obssessivo-compulsivos que conseguem manter listas exaustivas de tudo e mais alguma coisa, poucas pessoas conseguirão responder a estas questões. Mas um novo site, sugerido pelo leitor Berni Ferreira nos comentários de um artigo recente, vem ajudar-nos na tarefa.

iCheckMovies.com é um site de inscrição gratuita onde podemos marcar os filmes que vimos a partir de um grande número de listas pré-elaboradas, que vão desde os favoritos do IMDB até à seleção do crítico Roger Ebert. É uma ajuda preciosa para recordar muitos dos filmes que se foram escapando nas frestas da nossa memória – e, quem sabe, avivar a vontade de os ver de novo.

Estreias 11 de Agosto

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Cinco filmes em estreia nacional esta semana.

Entre eles a versão cinematográfica dos Estrunfes, Os Smurfs, que levará os pais ao cinema tanto por causa dos filhos como por nostalgia.

Mas o filme de destaque esta semana é o Planeta dos Macacos: A Origem, que tem ganho os aplausos da crítica um pouco por toda a parte. A prequela do famoso Planeta dos Macacos, que conheceu já várias adaptações ao cinema, a última das quais através da visão de Tim Burton, está a ser um sucesso de bilheteira. Escrito pelos guionistas de Shrek 2 e com James Franco e Freida Pinto nos papéis principais.

Estreias 11 de Agosto

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes)
Os Smurfs (The Smurfs)
Blitz – Sem Remorsos (Blitz)
Tinhas Mesmo que Ser Tu… (Leap Year)
A Viagem do Director (The Human Resources Manager)

Está preparado para trabalhar com Steven Spielberg?

Como os leitores regulares deste blogue já sabem, eu sou um fã do Steven Spielberg (1, 2 e 3). Acho que entre os realizadores "comerciais" de Hollywood ele é não só o mais talentoso como o que mais influência teve na geração atual. James Cameron, David Fincher e Zack Snyder, só para citar 3 realizadores da corrente lista A, nunca seriam o que são se não tivesse crescido a ver os seus filmes.

Foi por isso que fiquei muito triste quando descobri neste artigo que nunca poderei trabalhar com Spielberg. Aparentemente ele exige que qualquer colaborar artístico tenha visto todos os filmes desta lista. E eu, infelizmente, ainda só vi uma parte deles.

Outros artigos disponíveis na net negam a veracidade desta "Lista de Spielberg" mas, pelo sim pelo não, vou começar a ver os filmes que me faltam o mais depressa possível. Sonhar não paga imposto – ainda…

Entretanto: quantos filmes viu desta impressionante lista? Deixe a resposta nos comentários.

E se quiser, deixe também a sua opinião sobre quais os outros filmes que deveriam fazer parte desta lista.

O Homem-Aranha morreu; viva o Homem-Aranha

A Marvel matou Peter Parker, mas já ressuscitou o Homem-Aranha. E a sua nova identidade secreta vai surpreender muita gente.

O novo Spiderman é um adolescente latino-africano chamado Miles Morales e a escolha da Marvel para o novo spidey causou alguma celeuma nos media americanos e nas redes sociais. Pela parte que me toca é-me indiferente a raça do novo candidato a herói – quero apenas o Peter Parker de volta. E se possível como era no início dos anos setenta, quando eu o lia com devoção.

Felizmente, no novo filme em preparação (um reboot, ou recomeço, da série) o PP continua vivo e em grande forma, como podem ver no trailer já a circular na net. Parece um pouco mais negro do que os três anteriores; mais na linha Dark Knight, o que poderá ser bom.

 

Tudo o que sempre quis saber sobre guionistas de televisão

Há tempos atrás escrevi um artigo sobre documentários que descrevem a profissão de guionista. Descobri agora mais um trailer de um novo documentário, desta vez sobre os showrunners.

Showrunners Trailer de Showrunners Documentary no Vimeo.

Os showrunners são os argumentistas/produtores responsáveis por praticamente tudo o que, do ponto de vista criativo, aparece numa série de televisão, desde os guiões até à escolha do elenco. Normalmente são os autores do conceito da série e do seu episódio-piloto, e estão associados ao desenvolvimento criativo da série em todas as suas dimensões.

É uma função típica do sistema de produção da televisão americana e, tanto quanto sei, uma posição extremamente exigente, cansativa e estressante – mas muito bem remunerada. Na maior parte dos outros países estas funções de coordenação criativa e produção são divididas por diferentes profissionais; na América caem sobre os ombros do showrunner.

Este documentário – que ainda não vi – descreve o trabalho dos showrunners através dos depoimentos de autores, atores e outros participantes no sistema. Vou tentar encontrá-lo, porque deve ser uma excelente introdução à sua atividade.

Estreias 4 de Agosto

Quatro novos filmes no cinema esta semana.

Os argumentistas por detrás da nova adaptação das Crónicas de Nárnia adaptam desta vez um favorito dos fãs de comics, o Capitão América. Batendo recordes de bilheteira um pouco por todo o lado, a história do soldado que ninguém quis nos seus exércitos trás um novo fôlego às histórias de super heróis contextualizando-a no período Nazi.

Chefes Intragáveis tem conquistado a opinião dos críticos, nesta comédia negra de trabalho e crime onde um grupo de amigos horrorizados com os seus chefes de trabalho resolvem contratar um assassino para se "despachar" deles.

Capitão América: O Primeiro VIngador (Captain America: The First Avenger)
Chefes Intragáveis (Horrible Bosses)
Animais Unidos (Konferenz der Tiere)
Angèle e Tony (Angèle et Tony)

E assim chegamos aos 1000 artigos – com mais um passatempo

Com o post de hoje de manhã este blogue chegou aos mil artigos. É um número especial.

Fotografia: © Ha-r-bin

Quando comecei a escrever aqui, há cerca de seis anos atrás, o objetivo era apenas registar algumas impressões sobre a minha estadia em Angola. Os artigos dos primeiros meses refletem isso mesmo.

Só mais tarde, com o regresso a Portugal, o blogue tomou o rumo atual: informação sobre guionismo, cinema — e outras coisas da vida.

Hoje os leitores podem encontrar aqui um grande número de artigos originais, especialmente sobre guionismo, e uma miríade de ligações para artigos relacionados com os temas que me interessam. Quem queira explorar um pouco os arquivos do blogue vai encontrar muita informação interessante, útil e divertida – acho eu.

Mil agradecimentos

No início deste ano o blogue deu um passo importante com a chegada de duas colaboradoras voluntárias, a Nélia e a Grace. Cada uma delas tem  acrescentado o seu ponto de vista original sobre a atualidade destes temas, particularmente em Portugal e no Brasil.

Às duas quero deixar aqui publicamente, uma vez mais, o meu grande agradecimento.

Mas a quem eu devo estar ainda mais agradecido é a todos os leitores que me têm recompensado com a sua paciência e atenção. Desde que comecei a manter as estatísticas do blogue já registei mais de meio milhão de page views. É obra, para um pequeno site sem pretensões nem apoios.

Assim, quero aproveitar também esta oportunidade para agradecer a todos os leitores do blogue e, muito especialmente, a todos os que têm contribuído para o enriquecer com os seus comentários, perguntas e sugestões.

Sei, também, que aos poucos o blogue se tem vindo a afirmar como um recurso de referência para todos os estudiosos de guionismo em língua portuguesa. Principalmente porque não há muita concorrência, mas também, quero crer, porque temos conseguido publicar alguns artigos úteis para quem está a começar ou a aperfeiçoar-se nestas lides da escrita audiovisual.

Aproveito pois para reforçar a minha promessa de terminar o curso de guionismo e de continuar a publicar regularmente artigos técnicos sobre a escrita e os problemas que afetam os autores. Estou ansioso para chegar aos 2.000 artigos.

E para terminar, um passatempo

Para comemorar esta efeméride, e depois de discussão com as minhas queridas colegas, decidimos fazer mais um passatempo de escrita.

Desta vez o tema é o número 1000.

Escrevam e enviem uma cena ou pequena sequência de cenas (não mais de três ou quatro páginas, por favor) em que o número 1000 tenha um papel crucial.

O tema, género ou estilo é absolutamente livre, mas só serão consideradas as cenas que venham no formato correto de guião, e em ficheiros .pdf.

A data limite para a entrega será o dia 15 de Agosto e os trabalhos devem ser enviados para este email: joao@joaonunes.com

O prémio, decidido entre nós três, será este livro .

Resumindo:

  • Uma cena ou sequência
  • Máximo 4 páginas
  • Tema e género livres
  • O número 1000 terá de estar no centro da estória
  • Pdf em formato de guião correto
  • Data limite: 15 de Agosto
  • Enviar para joao@joaonunes.com
  • Um prémio tentador

Fico à espera dos vossos mini-guiões. E, mais uma vez, obrigado a todos.

Filme perdido de Hitchcock é achado na Nova Zelândia

Reuters – Um filme da década de 1920 que prenunciava o estilo que celebrizou Alfred Hitchcock foi recentemente encontrado na Nova Zelândia, disseram arquivistas na quarta-feira.

"The White Shadow" (A Sombra Branca) foi lançado em 1924, quando Hitchcock tinha 24 anos. O cineasta aparece nos créditos como roteirista, assistente de direção, diretor de arte e montador.

Segundo a Fundação Nacional de Preservação Cinematográfica dos EUA, é o mais antigo longa metragem conhecido a ter Hitchcock nos créditos.

Só três dos seis rolos do filme sobreviveram, o que amplia o mistério que cerca a obra — algo que alguns fãs do "mestre do suspense" consideram totalmente pertinente em se tratando de um filme de Hitchcock.

"Quem sabe talvez o resto apareça algum dia, e possamos montar as peças", disse Randy Haberkamp, diretor de programas educacionais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. "Perfeito para um Hitchcock."

Os três rolos de "The White Shadow", dirigido pelo britânico Graham Cutts, foram doados na década de 1980 ao Arquivo Cinematográfico da Nova Zelândia pela família do falecido projecionista e colecionador Jack Murtagh.

"O filme foi etiquetado equivocadamente, então ninguém sabia o que realmente era", disse Haberkamp.

Os rolos com impressão de nitrato de prata, um material altamente inflamável, passaram 23 anos nas prateleiras do Arquivo Cinematográfico da Nova Zelândia, disse a entidade em nota.

Por ter sido um filme britânico distribuído por uma empresa dos EUA, o material recebeu menos atenção do que mereceram os filmes neozelandeses, segundo Haberkamp. A descoberta se deu graças a um projeto da Fundação Nacional de Preservação Cinematográfica para identificar antigos filmes norte-americanos na cinemateca neozelandesa.

"The White Shadow" é um melodrama estrelado por Betty Compson, grande estrela da época, no papel de irmãs gêmeas — uma boa e outra má.

A trama inclui desaparecimentos misteriosos, confusões de identidade e até uma transmigração de almas. Na época do lançamento, críticos reprovaram o enredo por considerá-lo inverossímil.

Hitchcock começou a trabalhar na década de 1920, fazendo cartelas para filmes mudos. Na Grã-Bretanha e depois nos EUA, desenvolveu uma carreira consagrada que incluiu "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo que Cai" (1958) e "Psicose" (1960). O cineasta morreu em 1980.

A Academia de Ciências e Artes Cinematográficas exibirá os três rolos de "The White Shadow" em 22 de setembro na sua sala Samuel Goldwyn, em Beverly Hills.

Chamada para artigos para a revista Drama

Revista DRAMA n.º 4 – revista de cinema e teatro

1. Tema: Dramaturgia Contemporânea
(Editor convidado: Jorge Palinhos)

Porquê?
A escrita para teatro atravessa um momento de redefinição de fronteiras. Há novos caminhos que são rasgados e exploram-se novas formas de escrever para o palco e para fora dele. Para muitos dramaturgos, Aristóteles já não basta e por isso se derrubam as barreiras entre teatro, cinema, performance, instalação, poesia, ensaio, documento e narrativa, na busca de novas ideias, novas histórias, novas personagens e de uma nova dramaturgia que faça sentido na sociedade hipermediatizada e hiperespectacularizada de hoje.

Como?
Nesse sentido, a DRAMA pretende fazer uma edição-panorama sobre a dramaturgia contemporâna. Gostaríamos também de ver abordados os seguintes temas:

  • estudos de caso de dramaturgos contemporâneos
  • análise à situação portuguesa
  • abordagem de escolas/tendências internacionais
  • novas abordagens cénicas
  • formação e promoção de novos dramaturgos

Os textos devem ter entre o 5000-7500 caracteres (com espaços). Vamos também começar a usar as regras no novo acordo ortográfico (cada autor pode optar por não usar essas regras).

2.Para além do tema

  • Livros (resenha crítica sobre algum livro sobre guião/dramaturgia)
  • Opinião (textos de análise pessoal sobre a actualidade do guionismo e da dramaturgia)
  • Análise/Cinema (textos críticos sobre filmes específicos; poderão ser sobre filmes actuais ou sobre filmes clássicos; textos sobre a obra de alguns "autores" do ponto de vista da escrita dramática)
  • Análise/TV (texto de análise ou estudos de caso da televisão contemporânea)
  • Análise/Teatro (texto de análise de peça ou espectáculo dramaturgicamente relevante)

Datas:
Entrega final dos textos a 30 de Setembro. (Mas gostaríamos de ver manifestações de interesse em colaborar quanto antes).
Novembro 2011 – lançamento da revista.

Agradecemos todas as propostas. Envie-nos um email para: drama@argumentistas.org.

A DRAMA é uma revista publicada pela APAD – Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos; Editores: Daniel Ribas e Pedro Flores.

Estreias 28 de Julho

Em dias quentes de verão, há quem goste de ir para a praia e há quem goste do ar condicionado do cinema. Nossa sugestão: porque não ambos?

Aqui ficam as estreias desta segunda quinzena de Julho, com destaque para Super 8, o novo filme de J. J. Abrams onde um fenómeno de proporções gigantescas se desenrola enquanto um grupo de adolescentes produz o seu grande filme de zombies para um festival. Muitas memórias para quem era jovem no fim dos anos 70, início dos 80, e sabe o que é uma super 8.

Recomendação especial: não saia logo do cinema assim que começarem os créditos…

Estreias 21 e 28 de Julho

Super 8 (Super 8)
400 Contra 1 – Uma História do Crime Organizado
Insidioso (Insidious)
A Conspiradora (The Conspirator)
Os Pinguins do Sr. Popper (Mr. Popper's Penguins)
Caçadores de Dragões (Chasseurs de Dragon)
Dylan Dog: Guardião da Noite (Dylan Dog: Dead of the Night)

Distribuição independente

Um site promete a distribuição alternativa e independente de curtas, longas, documentários e animação, é o Filmes que Voam. Chico Faganello é o criador do projeto que surgiu a partir de discussões coordenadas por ele sobre TV Digital e Novas Mídias.

A proposta é o consumo ético. “Você pode baixar sem se sentir responsável por pirataria, porque permitimos o download dos filmes licenciados”, conta Faganello. O site também disponibiliza filmes para celular.

Ainda segundo ele, os filmes são escolhidos pela importância do tema, proposta e “uma história que mereça ser contada”. Os filmes infantis que estão disponíveis são os mesmos selecionados para a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Alguns desses filmes disponibilizam também os roteiros, tornando a experiência completa para os escritores de plantão.

Então entre e aproveite os filmes que voam

Estreias 14 de Julho

Esta semana há quatro novos filmes nas salas portuguesas.

O destaque vai para a segunda parte de Harry Potter e os Talismãs da Morte, que encerram assim uma era que atravessou gerações. É o desfecho de um fenómeno literário que se tornou também um sucesso cinematográfico.

Os três protagonistas principais, que vimos crescer ao longo dos filmes, são um símbolo destes 10 anos de magia e do amadurecer da própria história, que se foi tornando mais sombria. Para milhões de fãs este filme representa o fim da sua própia infância e juventude. Para outros tantos milhões que acompanharam a saga já na sua vida adulta, os livros e os filmes serão sempre o refúgio secreto para a criança dentro de nós, que conhece esta semana o derradeiro capítulo.

Estreias 14 de Julho

Harry Potter e os Talismãs da Morte – parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – part 2)

A Melhor Despedida de Solteira (Bridesmaids)

Confissões de uma Namorada de Serviço (The Girlfriend Experience)

Gianni e as Mulheres (Gianni e le donne)

Um projeto, um clima, três países: A linha fria do horizonte

Esqueça tudo o que você já viu sobre o Brasil. Principalmente as imagens de praia, sol, mulheres bronzeadas deitadas sobre a areia, carnaval e samba. O que esse grupo de Curitiba quer é mostrar o Brasil com invernos rigorosos, cuia de Chimarrão na mão e milonga para embalar os corações.

O diretor curitibano Luciano Coelho e sua equipe saem dia 18, próxima segunda-feira, em uma viagem pelo sul da América Latina, buscando revelar pontos comuns aos habitantes do sul do Brasil, do Uruguai e da Argentina. O resultado será o documentário: A linha Fria do Horizonte. O grupo passará quatro semanas registrando como o inverno molda a vida e a cultura dos povos dessas regiões.

Para guiar o espectador por essa jornada, a equipe irá encontrar um grupo de compositores de música popular que revelam, através de sua arte, a paisagem comum de onde vivem, além de discutir a identidade de uma região, apesar das fronteiras políticas e da globalização. São eles os brasileiros Vitor Ramil e Marcelo Delacroix, os uruguaios Daniel Drexler, Jorge Drexler e Ana Prada e o argentino Kevin Johansen.

O projeto também propõe interatividade com o público através de sua página online. Nela o grupo irá coletar sugestões de lugares interessantes a serem visitados, e personagens que tenham a mesma proposta do filme. Também será possível acompanhar as gravações e o diário de bordo da equipe.

Depois é esperar para conhecer e se surpreender com a estética do frio da América Latina 

Fernando Pessoa, argumentista?

Sabe-se agora que Fernando Pessoa também se interessou por cinema, e mais especificamente pelo guionismo. Um livro apresentado hoje em Lisboa revela que o poeta escreveu vários esboços de argumentos cinematográficos, em inglês, francês e português. Aparentemente não terminou nenhum, o que confirma uma opinião que tenho repetido aqui várias vezes: escrever para cinema é muito difícil.

O livro, da autoria dos investigadores Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer, chama-se Fernando Pessoa — Argumentos para Filmes, e reúne materiais já antes publicados em França, bem como originais do espólio do poeta. Revela ainda que Pessoa terá também pensado, a certa altura, em criar uma produtora de cinema, para a qual terá mesmo desenhado o logotipo.

Os esboços de argumentos tem títulos como Note for a silly thriller or a film, The Multiple Nobleman e The Three Floors, e estão em diferentes fases de desenvolvimento. Em alguns deles chegou a escrever diálogos, noutros apenas deixou descrições de cenas e intenções. De qualquer forma, com esta publicação, vamos poder matar a curiosidade: como seria o Pessoa guionista?

A notícia não tem a importância da descoberta de um novo heterónimo, mas não deixa de ser engraçado imaginar que influência Pessoa poderia ter tido no rumo do cinema português se lhe tivesse dado a mesma atenção que o seu colega António Ferro.

Pode ler aqui a notícia completa →

Já temos a nossa Academia

Ontem, dia 8 de Julho de 2011, foi uma data muito importante para o cinema português: num cartório de Lisboa nasceu a Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas – a nossa Academia.

Estiveram presentes no ato dez dos membros da Comissão Fundadora, com destaque merecido para o produtor Paulo Trancoso que há vários anos alimenta este sonho. O Paulo é incontestavelmente o principal responsável pelo movimento que, no início deste ano, se organizou a partir do Facebook e agora terminou com a assinatura das actas de constituição da APACC.

Faço parte desta Comissão mas, infelizmente, não pude estar presente na cerimónia. À hora a que ela decorreu já estava em viagem do Brasil para Portugal, onde cheguei hoje, mas não quis atrasar o nascimento de uma entidade tão importante nem um minuto mais do que o necessário.

A maior parte das pessoas pensará na Academia apenas como a entidade que, finalmente, se vai encarregar de atribuir prémios verdadeiramente independentes para o cinema português. Prémios em que os profissionais de cada área de atividade do setor reconhecem e distinguem o que de melhor se cria e produz em cada ano, à semelhança do que é feito pelas Academias congéneres no resto do mundo, a mais famosa das quais é, sem dúvida, a americana, com os seus Óscares.

Mesmo que a Academia fizesse apenas isso, já estaria a dar um precioso contributo para o desenvolvimento do cinema português. Mas a APACC propõe-se fazer muito mais do que premiar os nossos criadores. Como se pode ler nos seus Estatutos,

"a Academia tem por fim promover nacional e internacionalmente o cinema português:

a) fomentando o desenvolvimento das artes e ciências cinematográficas;

b)promovendo o relacionamento e o intercâmbio de informação científica, artística e técnica entre todos os seus associados;

c) promovendo e realizando estudos e trabalhos relativos às artes e industrias cinematográficas;

d) editando, difundindo e distribuindo estudos científicos, artísticos e técnicos, bem como estabelecendo intercâmbios científicos, artísticos e culturais com entidades nacionais ou estrangeiras com os mesmos fins;

e) fomentando o desenvolvimento e evolução qualitativa das diferentes especialidades relacionadas com o cinema, bem como a formação, qualificação e valorização dos seus associados;

f) promovendo a investigação científica em matérias cinematográficas;

g) relacionando-se com a Administração Pública propondo iniciativas relacionadas com o cinema ou fornecendo informações quando para isso tenha sido solicitada;

h) concedendo prémios anuais aos melhores filmes e desempenhos nas diversas categorias profissionais da actividade cinematográfica;

i) concedendo prémios anuais aos melhores trabalhos sobre temas de investigação científica no âmbito do cinema, bolsas para estudos relacionados com a cinematografia portuguesa e bolsas de valorização profissional;

j) exercendo qualquer outra actividade que tenha por fim elevar o nível artístico, técnico e científico dos seus associados, estimulando a consciência dos cidadãos, dando às artes cinematográficas o nível que merecem, fomentando uma relação com todas as instituições e pessoas relacionadas com as artes cinematográficas e salvaguardando o património, nomeadamente cinematográfico, que lhe seja atribuído, e que tenha aceitado, por associados ou terceiros;

k) produzindo e promovendo eventos relacionados com o seu objecto."

São objetivos ambiciosos mas sem dúvida necessários. O setor do cinema e do audiovisual atravessa uma fase de grandes difiuldades e problemas, mas começa finalmente a dar sinais de querer sair da crise que quase o afundou em anos recentes.

Coincide o nascimento da Academia com a nomeação de um novo secretário de Estado da Cultura e o anúncio para breve de uma nova Lei Orgânica para o cinema. Espero que ambas as notícias representem o renascimento de um setor que é de importância vital para a construção da identidade cultural do nosso povo.

Conheça: