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Com esse preço é difícil resistir a baixá-los, nem que seja só para dar uma leitura rápida. Tenho muito gosto que assim seja, e assim irá continuar.

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Leve um ou leve os dois; pague ou não pague – a escolha é sua.

Qualquer que seja a opção, espero muito sinceramente que os livros lhe sejam úteis.

Oficina de roteiro com Doc Comparato em São Paulo

Não perca a oportunidade de participar na Aula Magna de Roteiro com Doc Comparato, organizada pela Casa de Eventos nos dias 28 e 29 de Abril, em São Paulo. O professor, Doc Comparato, é um dos mais conhecidos roteiristas brasileiros, autor de um famoso livro que mencionei há pouco tempo.

Segundo a organização Na ocasião, serão abordadas (e praticadas) as técnicas de escrever para roteiristas, estudantes de cinema, dramaturgos, e todos os amantes dessa arte.

Destinada a profissionais das áreas de comunicação, roteiristas, estudantes de cinema, publicidade e propaganda e comunicação em geral, além de todos os amantes do roteiro, a Oficina decorrerá em dois dias de aula, no horário de 09h às 13h em ambos os dias.

O programa do primeiro dia cobrirá uma Introdução a dramaturgia, ideia, exercícios sobre ideias, storylines, exercícios sobre storylines, introdução ao personagem e sinopse.

No segundo dia Doc Comparato falará de construção dramática, estrutura dramática, tipos de cena, exercício sobre personagens, diálogo.

Mais informações no site da Casa de Eventos

Introdução ao Scrivener – 3ª parte

Scrivener 3 - destaque

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. Na terceira parte explico como se organiza um projecto de guião no Scrivener, trabalhando com um template especial que criei e ofereço aos leitores.

Introdução

O Scrivener é um programa de grande versatilidade, que se adapta aos métodos de trabalho de qualquer autor. É possível abrir um novo documento e começar a escrever de imediato o nosso guião, como faríamos com qualquer outro programa de escrita. Mas isso seria desaproveitar todas as possibilidades adicionais que o Scrivener nos oferece.

A mais evidente dessas possibilidades é a flexibilidade com que podemos organizar o nosso projeto. Podemos estruturá-lo como nos for mais conveniente; manter quantas versões quisermos, sem medo de perder trabalho; e até anexar-lhe todos os documentos que for necessário, desde a pesquisa até aos contratos, passando, obviamente, por sinopses, tratamentos, perfis de personagens, etc. Melhor ainda, se tivermos uma estrutura de projeto que gostamos de usar sempre, podemos gravá-la num modelo personalizada para reaproveitar noutros trabalhos.

Para o capítulo de hoje proponho-lhe baixar um destes modelos personalizados, o template de projeto de guião que uso nos meus próprios trabalhos, e adaptá-lo às suas próprias necessidades.

Baixe o modelo oferecido e salve-o no seu computador

O modelo de projeto que ofereço aos leitores chama-se GuioesJN e pode ser baixado aqui:

Modelo Scrivener – Guiões JN (216)

Não se preocupe com o nome; quando o baixar pode baptizá-lo à sua vontade. Faça-o agora e grave-o no seu computador, onde lhe der mais jeito.

Devo fazer agora um pequeno aviso: este modelo foi criado e testado com a versão do Scrivener para Mac. Podem haver algumas diferenças na versão para Windows, mas não devem afectar o essencial do que se segue. No entanto, como não tive oportunidade de testar o modelo no Windows, por favor informe-me de alguma discrepância séria que possa encontrar.

Gravar o template como modelo permanente

O modelo que baixou está pronto para abrir e começar a trabalhar. Mas vamos dar ainda um passo extra e gravá-lo como modelo permanente.

Abra o documento que gravou.

Abrir o modelo GuioesJN
Abrir o modelo GuioesJN

Não repare ainda no documento. Vá direto ao menu File e escolha Save As Template….

Salvar como modelo
Salvar como modelo

Na janela que se segue escolha o nome mais adequado para o seu modelo e altere as outras opções, se quiser.

Grave com o nome que quiser
Grave o modelo com o nome que quiser

Feche o documento e arquive-o ou deite-o fora. Já não precisa dele; a partir de agora está sempre disponível nos seus modelos permanentes.

Criar um novo projeto

Vamos então começar por criar um novo projeto. Escolha o menu *File/New Project…” ou use o atalho Cmd+Shift+N (no Mac).

Crie um novo projeto
Crie um novo projeto

Na janela que se segue seleccione o seu modelo de guião, que estará na secção Scriptwriting. No meu caso chama-se GuiaoJN; no seu terá o nome que lhe deu ao gravar o modelo na etapa anterior.

Escolha o novo modelo
Escolha o novo modelo

Na próxima janela vai escolher um lugar e uma localização para o seu guião. O Scrivener exige sempre que se guarde o documento antes de começar a trabalhar. A partir daí ele próprio se encarrega de ir atualizando a gravação e de fazer backups automáticos.

Grave o seu projeto
Grave o seu projeto

Confirme as suas opções e o Scrivener abrirá uma nova janela com o seu projeto de guião.

A janela do seu novo projeto
A janela do seu novo projeto

No capítulo anterior deste curso já analisámos os aspectos gerais do interface do Scrivener. Se reparar com atenção, esta nova janela tem algumas diferenças, que refletem o facto de ter sido criada a partir de um modelo diferente. Vamos analisá-las com mais detalhe, especificamente o Binder, ou Prateleira.

Organizar o projeto no Binder

O modelo que lhe ofereci está organizado de uma maneira própria, que eu desenvolvi para os meus próprios projetos. Está dividido, de forma geral, em quatro grandes áreas:

O Binder do modelo de guião
O Binder do modelo de guião
  • Na área 1 está o guião propriamente dito. Dividi-o em quatro pastas que, de forma geral, servem para a maior parte dos guiões clássicos: 1º Ato, 2º Ato A, 2º Ato B e 3º Ato. É uma variação do paradigma clássico em que, por razões de conforto, o 2º Ato está dividido em duas partes. Há também uma pasta para a capa, com subpastas para possíveis diferentes versões. Dessa forma posso ter capas alternativas para o mesmo guião. Por exemplo, uma capa de trabalho pode ter informação diferente de uma capa destinada a um concurso. No último capítulo veremos como seleccionar a capa no momento de exportar o guião.
  • Na área 2 encontram-se pastas para ir guardando versões e variações do guião, conforme as for escrevendo; e para gravar outros documentos de apoio – textos originais, sinopses e tratamentos, storylines, etc.

  • A área 3 é dedicada à parte mais burocrática do processo. Tenho uma pasta reservada para o Diário do Guião, em que vou registando tudo o que acho relevante ao longo do processo de escrita. Podem ser ideias, registos de progresso, atas de reuniões, emails, resumo de telefonemas com o realizador e produtor, etc. Há também uma pasta dedicada aos contratos, declarações, currículos e outros documentos que fazem parte da vida profissional de um guionista.

  • Finalmente, na zona 4 estão documentos de referência úteis para ter à mão durante a escrita. Alguns trabalhos exigem uma pesquisa extensa, que resulta em muitos documentos, notas, links, etc. O Scrivener, com a sua capacidade de recolher ficheiros de imagem, vídeo, som, pdf’s, textos, etc., e de organizá-los em pastas e subpastas, é um repositório perfeito para esses materiais de pesquisa.

  • No fim da zona 4 temos ainda três pastas dedicadas a Personagens, Locais e Modelos. Nas primeiras duas podemos reunir cartões com biografias de cada personagem e descrições de qualquer local relevante para a nossa estória. Estes cartões, além das notas escritas, podem ainda incluir fotos. A pasta Modelos, que vem a seguir, merece mais alguma atenção.

A pasta Modelos

A última pasta antes do Lixo tem uma funcionalidade muito específica: guardar documentos que queiramos replicar com frequência. O nosso exemplo inclui duas fichas de base para as descrições de Personagens e Locais. São apenas a tradução das que vêm de origem com o Scrivener e, para ser sincero, não lhes dou muita importância.

O que torna esta pasta interessante é que podemos criar dentro dela quaisquer outros documentos que seja preciso replicar com regularidade.

Imaginemos que queremos ter uma ficha dedicada à preparação de cada cena, organizada como o guionista John August sugeriu. Para esse efeito teríamos que dar os seguintes passos:

  • Abrir a pasta Modelos:
  • Criar um novo texto, no menu Project/New Text, ou com o atalho Cmd+N, ou ainda usando o ícone com o sinal + na base do Binder;
Criando um novo documento
Criando um novo documento
  • Preencher esse novo texto com a informação que queiramos replicar;
Preenchendo o novo documento-modelo
Preenchendo o novo documento-modelo
  • Dar um nome a esse texto, neste caso Modelo de cena.

Para usar o nosso Modelo de cena será suficiente ir para a pasta onde o queremos replicar e escolher o menu Project/New from Template/Modelo de Cena.

Criar um novo texto a partir do modelo - no menu
Criar um novo texto a partir do modelo – no menu

Em alternativa, podemos usar o pequeno ícone em forma de roda dentada na base do Binder.

Criar um novo texto a partir do modelo - no ícone
Criar um novo texto a partir do modelo – no ícone

Ou ainda recorrer ao botão esquerdo do rato (ou Ctrl+clique na pasta) para fazer aparecer o menu local.

Criar um novo texto a partir do modelo - no rato
Criar um novo texto a partir do modelo – no rato

Em qualquer um dos casos, o resultado seria um novo texto na pasta escolhida, preenchido com a informação do nosso Modelo de cena, pronto a ser usado.

Um novo texto pronto a ser usado
Um novo texto pronto a ser usado

Reorganizar o Binder

O exemplo anterior serviu para mostrar como é fácil e simples reorganizar o Binder. Já o tinha referido no primeiro capítulo mas um pouco de exploração mostra-nos as muitas opções que temos para esse efeito. Vejamos alguns exemplos de transformações que poderíamos fazer.

Criar novas pastas

Uma das maneiras mais fáceis de reorganizar o Binder é criar novas pastas. Podem ser criadas tantas quantas quisermos, e onde quisermos – até dentro do próprio manuscrito do guião.

Criar uma nova pasta
Criar uma nova pasta

Podemos criar as pastas a partir do menu Project/New Folder, com o atalho Cmd+AltN* ou usando o ícone da roda dentada na base do Binder. Depois de criadas, devemos dar-lhes os nomes mais adequados.

Escolhendo o nome da pasta
Escolhendo o nome da pasta

Colocar pastas dentro de pastas

Podemos arrastar as pastas criadas para onde quisermos, a qualquer nível. Colocar pastas dentro de pastas (e até dentro de pastas dentro de pastas…) é muito fácil.

Pastas dentro de pastas
Pastas dentro de pastas

Dentro destas pastas podemos colocar outras pastas, ou textos, ou qualquer tipo de documentos. Podemos até colocar textos dentro de textos, o que pode ser útil em algumas situações.

Mudar os ícones das pastas

Finalmente, podemos mudar os ícones das pastas, ou de qualquer texto. Basta escolher o menu Documents/Change Icon… ou, com o botão esquerdo do rato, clicar no ícone atual.

Mudando o ícone de uma pasta
Mudando o ícone de uma pasta

Usando estas opções, podemos organizar o Binder da forma mais adequada ao nosso projeto. A imaginação é o limite.

Uma nova organização do Binder
Uma nova organização do Binder

Conclusão

Como se viu, o Scrivener é perfeito para organizar um guião e todos os documentos a ele associados. Nunca somos forçados a adotar modelos que não nos interessam, pois o programa é infinitamente versátil e adaptável aos estilos e necessidades de cada autor.

No próximo capítulo veremos como esta flexibilidade é aplicável na fase da planificação do guião.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre as possibilidades de organização do Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.

“Manual de Guionismo” de João de Mancelos

A minha biblioteca de livros sobre escrita e guionismo inclui várias dezenas de obras, que fui coleccionando e estudando desde que adquiri o Screenplay – The Foundations of Screenwriting de Syd Field numa pequena livraria especializada em cinema, em Los Angeles, há mais de duas décadas.

Esses livros têm constituído parte importante da minha formação como guionista e autor. O Manual de Guionismo, do autor e professor universitário João de Mancelos, é uma das adições mais recentes, que eu não poderia deixar de referir.

Dois mercados, duas medidas

Há um grande défice editorial de livros em língua portuguesa sobre escrita para cinema, especialmente em Portugal. No Brasil ainda se vão encontrando traduções de muitos textos importantes, como o referido Screenplay, editado pela Arte & Letra como Roteiro – Os Fundamentos do Roteirismo, ou o mais recente e muito citado Story. Infelizmente, deste lado do Atlântico as opções são muito mais reduzidas.

Esta discrepância é ainda mais evidente se reduzirmos a análise a livros de autores originais de língua portuguesa. Há algumas – não muitas – obras de autores brasileiros, das quais destacaria o clássico Da criação ao roteiro de Doc Comparato (um dos primeiros livros que li nesta área), ou o mais recente Manual de Roteiro, ou Manuel, o primo pobre dos Manuais de roteiro para Cinema e TV< de Leandro Saraiva e Newton Cannito. Mas até há pouco tempo não haviam obras sobre guionismo de autores portugueses (pelo menos que eu saiba; por favor corrija-me se estiver errado). João de Mancelos viu essa lacuna e, ao fim de dois anos de trabalho, colmatou-a com o seu Manual de Guionismo.

Um Manual para os nossos dias

Eu já tinha referido o Manual de Guionismo aqui no blogue na altura da sua edição, mesmo sem o ter lido. Procurei-o várias vezes em livrarias mas nunca tinha tido a sorte de o encontrar. Há dias, na Cinemateca Nacional, lembrei-me que ali seria o sítio certo para o procurar, e acertei finalmente.

O autor, João de Mancelos, é professor de Guionismo na Universidade da Beira Interior e de Escrita Criativa na de Aveiro. O livro é claramente baseado na sua extensa experiência como professor e formador nestas áreas.

É um livro pequeno e rápido de ler, mas com um conteúdo muito rico. Os capítulos são breves e claros, bem organizados, focando temas relevantes de guionismo. A linguagem é simples, acessível e num tom bem-humorado, intercalando pequenas estórias pessoais com muitas referências académicas. É uma combinação peculiar entre o pop e o erudito, mas funciona muito bem.

Por exemplo, logo a abrir o livro, o autor recorda uma memória de infância para introduzir uma citação de Salmon Rushdie sobre a dificuldade em separar a verdade da mentira na literatura. Daí parte para Barthes e outros exemplos de como a arte de mentir satisfaz uma necessidade profunda dos seres humanos.

Todo o livro segue nesse registo, recheado de exemplos retirados da literatura e do cinema clássico e contemporâneo. O autor também é pródigo em anedotas, dicas, sugestões e até exercícios, nascidos na sua experiência como professor, bem exemplificados no capítulo Como fazer a vida negra ao protagonista.

Aí começa por afirmar que “A missão principal de um guionista é simples: fazer a vida negra ao herói, contrariá-lo, colocar-lhe entraves, esmagá-lo com surpresas desagradáveis” e termina com um exercício simples: “Proponho-lhe que identifique o tipo de conflito que existe no seu guião. Depois, veja pelo menos dois filmes que tirem partido deste tipo de imbróglio. Como se constrói o suspense? E que efeito tem o conflito nos personagens?”

O Manual de Guionismo não é um livro dogmático, com uma fórmula que força determinados métodos ou abordagens, mas faz uma introdução sucinta às principais teorias da dramaturgia, hoje quase universalmente aceites, como a viagem do herói ou o paradigma.

João de Mancelos termina o seu livro com um curioso making of em que explica o processo de criação da obra e deixa explícita a sua intenção ao escrevê-la: “Este Manual de Guionismo teve por objetivo ajudá-lo a desenvolver as as suas capacidades, através da partilha de estratégias simples, mas eficazes, para construir uma intriga, que sirva de base a um bom filme.”

Conclusão

O Manual de Guionismo de João de Mancelos é um livro pensado para as necessidades dos estudantes de um nível introdutório, mas inclui suficientes gemas para interessar também aos mais praticantes mais avançados, ou a qualquer pessoa que goste de cinema em geral. Como tal, é uma adição interessante para todas as bibliotecas.

Título: “Manual de Guionismo”
Autor: João de Mancelos
Nº de páginas: 141
Preço: 10€ na Livraria da Cinemateca Nacional

Desafio aos leitores

Que outros livros sobre guionismo, ou escrita em geral, de autores de língua portuguesa, gostaria de recomendar? Deixe as suas sugestões nos comentários abaixo.

Introdução ao Scrivener – 2ª parte

destaque Scrivener

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. No segundo artigo descobrimos o seu interface, que pode ser um pouco intimidante à primeira vista, mas que é a porta de passagem para todas as funcionalidades do programa.

Começar um projecto no Scrivener

Cada projecto do Scrivener reune dentro de um único ficheiro os documentos que quisermos, de características diversas. Além dos nossos próprios textos, criados no Scrivener ou importados de outras fontes, podemos ter todo o tipo de documentos, como pdf’s, vídeos e páginas web.

Ao abrir o Scrivener somos confrontados com várias opções de modelos de projectos pré-moldados para várias necessidades específicas.

Para efeitos desta série de artigos vamos começar por abrir o modelo “Screenplay”, que encontramos na secção “Scripts”, no lado esquerdo da janela. Antes mesmo de o abrir o programa vai pedir-nos para salvar o projecto. É uma boa altura para escolher um nome e uma localização adequados para o projecto.

Templates do Scrivener

O interface do Scrivener

O primeiro contacto com o Scrivener pode ser intimidante. A janela aparece dividida em vários sectores, com muita informação. Mas analisando segmento a segmento veremos que não há razões para susto. Essencialmente, esta janela está dividida em seis áreas, que adiante iremos analisar com mais detalhe:

As zonas do Scrivener

  1. O Binder, ou Prateleira: a coluna da esquerda permite o acesso a todos os documentos de trabalho dentro do projecto.
  2. O Inspector: a coluna da direita permite definir, ajustar e consultar uma série de propriedades de cada documento do projecto.
  3. O Editor: a janela central é onde se processará todo o trabalho de planificação e escrita.
  4. A Barra de Ferramentas: por cima do Editor encontramos uma barra com ícones que permitem um acesso rápido às funções mais utilizadas.
  5. A Barra de Menus: todas as funções do Scrivener podem ser encontradas na Barra de Menus. Com tempo deverá explorá-las a fundo, mas neste tutorial chamaremos apenas a atenção para as mais importantes.
  6. A Barra de Informações – na base da janela encontramos uma última zona que permite o acesso a mais algumas funções, e também fornece informações sobre os documentos.

Para efeitos do resto deste artigo vamos utilizar um projecto do Scrivener que eu já recheei com cenas da minha curta-metragem “O Presente”.

O Binder, ou Prateleira.

No lado esquerdo encontramos uma coluna que o Scrivener designa como Binder, e que podemos designar como Prateleira. É aí que vão ficar, organizados em pastas, todos os nossos documentos, criados ou importados.

O binder do Scrivener

Neste caso podemos ver um documento chamado Screenplay Format, que já vem com o modelo escolhido, e onde se explicam as bases do formato dos guiões.

De seguida temos uma pasta chamada Screenplay (que tem um ícone personalizado de origem). O Scrivener assume que é dentro desta pasta que estão todos os textos relevantes para o nosso manuscrito.

Dentro dela vemos uma segunda pasta chamada Scenes. Faz parte deste modelo, mas não é obrigatória. No modelo personalizado que vou oferecer num outro artigo da série veremos que eu prefiro criar pastas para cada um dos Atos, o que me ajuda logo a pensar em termos estruturais.

Num terceiro nível da hierarquia temos os textos propriamente ditos. Neste caso cada cena está num texto separado. Isto permite-nos, como veremos mais adiante, mudar-lhes a ordem, vê-las isoladas ou em grupos, imprimir todas ou só algumas, etc.

Regressando ao primeiro nível da hierarquia, temos em seguida uma pasta chamada Front Matter com um único documento, a Title Page. Esta é a forma do Scrivener organizar as folhas de rosto dos manuscritos, separadamente do conteúdo. Pode parecer uma complicação desnecessária mas, como veremos noutro capítulo, acrescenta flexibilidade às opções de exportação. E a flexibilidade, como iremos percebendo, é a essência do Scrivener.

Seguem-se algumas pastas que fazem parte do modelo escolhido: Characters, Places, Research e Template Sheets. Podemos usá-las ou não, alterar-lhes os nomes e as utilizações que lhes damos, mudá-las de sítio ou simplesmente apagá-las. Uma vez mais, a flexibilidade é total.

Por fim, temos o Trash, o lixo, que no funcionamento do Scrivener é apenas uma pasta para onde vão todos os documentos que apagamos. Funciona como uma salvaguarda adicional; já lá fui buscar muitas vezes coisas que apaguei mas depois quis usar novamente.

Só para que se perceba a facilidade com que se muda o Binder, vejamos esta nova imagem do mesmo projecto, depois de uma ligeira reorganização.

O binder do Scrivener, revisto

Mudei o nome das pastas, dividi as cenas do guião em três atos, com uma pasta para cada um, e arrumei todas as restantes pastas, de que não necessito neste momento, dentro da da pasta Pesquisa. Isto demorou exactamente três minutos a fazer.

Algumas coisas a destacar no Binder:

  • As pastas podem ser colocadas dentro de outras pastas, e os documentos dentro destas, nas combinações que quisermos. Essa hierarquia fica reflectida na disposição das pastas, mais para a esquerda ou mais para a direita.
  • Clicando nos pequenos triângulos pretos à esquerda das pastas podemos mostrar ou ocultar os seus conteúdos.
  • As bolinhas numeradas do lado direito indicam o número de documentos dentro de uma pasta. Esta opção tem de ser escolhida nas Preferências, pois não está activada de origem.

O Inspector

Do lado direito da janela temos uma zona designada por Inspector. Esta zona aparece ou desaparece conforme as necessidades, clicando num botão da Barra de Ferramentas.

O Inspector permite-nos criar e aceder um manancial de informação sobre cada documento do projecto, desde etiquetas a notas, passando por sinopses ou status. Ao longo deste curso iremos vendo várias aplicações e usos, mas para já vejamos estas seis:

O inspetor do Scrivener

  1. Para fazer aparecer ou desaparecer o Inspector carregamos num botão na Barra de Ferramentas.
  2. Estes ícones permitem-nos escolher o tipo de informação que vemos em cada momento: Notas, Referências, Palavras-Chave, Etiquetas, Snapshots ou Comentários. Neste caso estamos a ver as Notas.
  3. Podemos escrever uma sinopse de cada cena, que depois está sempre disponível para consulta quando estamos a trabalhar nela.
  4. Aqui indicamos o tipo de documento (neste caso, Cena), e o seu status (aqui um Final Draft). Note-se que Cena foi uma classificação criada por mim, e poderia ter facilmente mudado o status para Terminado.
  5. Nesta área damos algumas indicações sobre opções de exportação do documento. Neste caso, estou a dizer que quero que ele seja incluído na exportação (a que o Scrivener chama Compile) e que quero que apareça as is, ou seja, com o formato que está aqui. No último capítulo falaremos mais da exportação de documentos.
  6. Nesta área podemos escrever quaisquer notas ou ideias sobre este documento. Até podemos copiar para aqui temporariamente pedaços de texto, etc. Há dois tipos de Notas: sobre documentos individuais, ou sobre o projecto no seu todo.

Notas do Scrivener

O Editor

O Editor é onde se passa a maior parte da acção e, por isso, ocupa a zona central da tela. Depois de organizarmos o nosso projeto no Binder e cada cena no Inspector, é no Editor que fazemos o trabalho real de planificação e escrita.

O editor do Scrivener

O Editor aparece-nos normalmente como a área de escrita, muito semelhante à de qualquer outro processador de texto. Temos assim:

  1. Uma barra de ferramentas de edição de texto, onde podemos escolher as opções básicas de formato. Note-se que estas opções se aplicam apenas ao que estamos a ver enquanto trabalhamos. No momento de exportar podemos optar, caso a caso, por opções completamente diferentes, sem mexer nestas. Flexibilidade, certo…?
  2. Uma barra de título que identifica exactamente qual o documento onde estamos a trabalhar no momento. Neste caso, por exemplo, estou dentro da pasta 1º Ato a editar uma selecção de vários documentos (composite) e, especificamente, a cena identificada por INT. POSTO DE GASOLINA – DIA.
  3. A área de trabalho onde vamos escrever. Repare-se que as diversas cenas estão separadas por linhas horizontais. Essas linhas não aparecem na impressão; servem apenas para nos ajudar a identificar os limites dos diversos documentos seleccionados.

Na terminologia do Scrivener os documentos de texto são designados por scrivenings (escritos). Estes documentos podem ser seleccionados temporariamente da forma que quisermos.

Por exemplo, podemos seleccionar a primeira e a última cena do guião, que passam a comportar-se como um documento único para efeitos de edição.

Os scrivenings do Scrivener

Esta funcionalidade, só por si, é extraordinariamente útil. Podemos trabalhar no guião todo ao mesmo tempo, numa cena individual ou em qualquer combinação de cenas nos convenha. Por exemplo, se quisermos rever todos os diálogos de um personagem, basta seleccionarmos todas as cenas em que ele entra (o que, como veremos noutro capítulo) até pode ser automático) e trabalhá-las em conjunto, sem as restantes a atrapalhar.

A Barra de Ferramentas

A Barra de Ferramentas é uma parte integrante da maior parte dos programas modernos. Através de um conjunto de ícones podemos aceder e aplicar as funções mais comuns do Scrivener, sem nos perdermos nos menus (que, como veremos de seguida, são um pouco assustadores).

A Barra de Ferramentas traz uma série de ícones pré-estabelecidos, mas podemos alterá-la e adequá-la às nossas necessidades. Há dezenas de opções por onde escolher, que podemos arrastar para a barra conforme as nossas conveniências.

Opções de ferramentas do Scrivener

Neste exemplo, acrescentei três funcionalidades à Barra de Ferramentas: o modo Script, o modo de escrita Typewriter e os Snapshots.

A Barra de Menus

Os Menus do Scrivener, acessíveis pela respectiva Barra de Menus, no topo da janela, podem ser intimidantes. Há dezenas e dezenas de escolhas, muitas delas com sub-menus e opções adicionais.

Os menus do Scrivener

Não cabe no âmbito deste mini-curso a análise de todos estes menus e sub-menus. Iremos vendo algumas das opções em outros capítulos, quando relevante, mas recomendo a leitura do Manual do Scrivener lado a lado com o programa, para perceber tudo o que pode ser feito.

Duas boas notícias: o Manual é muito bom, completo e bem organizado; e para os nossos objectivos – aprender a escrever um guião com o Scrivener – a maior parte destas opções não são essenciais.

A Barra de Informações

Finalmente, na parte inferior do ecrã, temos o que chamei de Barra de Informações. Está intimamente ligada ao Editor, acrescentando funções ou fornecendo informações adicionais. Podemos, por exemplo, usá-la para alterar os elementos de um guião.

Barra de informações do Scrivener

Os modos de visualização do editor

Nos próximos capítulos vamos analisar o Editor com mais profundidade, mas há uma coisa que será importante percebermos já. Os documentos do Scrivener podem ser vistos e editados em três modos de visualização diferentes, com funções e opções completamente distintas. Estas três visualizações são escolhidas através da Barra de Ferramentas ou por atalhos de teclado (cmd 1, cmd 2 e md 3, no Mac).

Modos de visualização do Scrivener

Através destes atalhos passamos do modo de escrita em que trabalhamos no manuscrito do guião (os scrivenings), que analisámos acima, para os outros dois modos de visualização disponíveis.

Um deles é o modo de Quadro Virtual (Corkboard), em que os textos – no nosso caso, as cenas – são mostrados como cartões individuais, que podem ser arrastados, reorganizados, mudados de sítio e anotados. Veremos tudo isto com mais detalhe num próximo capítulo.

O quadro virtual do Scrivener

O outro modo de visualização é o Outline, em que os documentos de texto – as nossas cenas – aparecem numa tabela onde, além das sinopses, podemos consultar e alterar muitos tipos de informação.

O outline do Scrivener

É importante perceber que estes modos de visualização são apenas janelas para olhar de formas diferentes para o conteúdo do nosso projecto. As alterações que fizermos num desses modos reflectem-se em todos os outros.

Por exemplo, se arrastarmos um cartão virtual para outra posição no quadro, a cena correspondente também muda de ordem no manuscrito do guião.

Conclusão

O primeiro embate com o ecrã inicial do Scrivener pode ser desencorajador. Mas, como pudemos ver neste capítulo, depois de analisados todos os elementos, a sua função e relação fica evidente. Com um pouco de prática, o uso do interface do Scrivener torna-se intuitivo e, simplesmente, deixamos de pensar nele.

Pergunta aos leitores

Ficou com alguma questão sobre o interface do Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe aqui mesmo, ou num dos próximos artigos.

Introdução ao Scrivener – 1ª parte

Scrivener

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. O primeiro artigo é sobre as dez principais razões para o fazer.

Introdução

O Scrivener é o melhor programa de escrita disponível neste momento, ponto final.

É um programa pago que, normalmente, custa 45 dólares, mas se encontra muitas vezes em promoção por metade dessa tarifa.

Seja em promoção ou pelo preço inteiro, com esse valor adquirimos muito mais do que um simples processador de texto; temos à nossa disposição uma máquina poderosa de produção de conteúdos, que podem ir desde um simples artigo de blogue até um romance épico em dez volumes, passando por teses, dissertações, novelas, etc.

Além disso o Scrivener é também uma excelente opção para a escrita de guiões. Na realidade, de há algum tempo para cá é o programa que uso para toda a minha escrita, audiovisual e outra. Não tem algumas das opções de produção do Final Draft (que, na realidade, não são usadas por nenhuma produtora que eu conheça) mas compensa essa “falha” com um rol enorme de outros trunfos, muito mais valiosos.

Guião no Scrivener

Infelizmente, a riqueza de funcionalidades do Scrivener implica uma curva de aprendizagem um pouco mais exigente. Não é que seja um programa realmente complicado, mas tem algumas particularidades que exigem um pequeno período de adaptação.

Por isso, a partir de hoje e durante as próximas semanas, vou publicar um conjunto de artigos de introdução ao Scrivener, abordando os aspectos gerais do programa e, em particular, as funções mais úteis para os guionistas:

  • 1ª Parte – Dez razões para escrever um guião no Scrivener
  • 2ª Parte – O interface e os modos de visualização
  • 3ª Parte – Organização de um projecto (com oferta de um template especial)
  • 4º Parte – Planificação de um guião
  • 5ª Parte – Escrita de um guião
  • 6º Parte – Exportação de um guião

Os artigos serão publicados todas as sextas-feiras. No final, vou reuni-los num pequeno e-book para oferecer aos assinantes da minha newsletter , como agradecimento da sua fidelidade e apoio.

Dez razões para escrever um guião no Scrivener

Vejamos então porque razões o Scrivener é uma opção perfeita para escrevermos os nossos guiões.

O Scrivener agrupa todos os documentos relevantes para um projecto num único ficheiro.

Além das diversas versões do guião (incluindo as experiências, alternativas e tentativas falhadas), podemos ter as sinopses, tratamentos e escaletas; notas, pesquisas e referências diversas; biografias de personagens e fotografias de locais; documentos em .pdf e páginas web; vídeos e gravações de audio; e até documentos de apoio como contratos, emails, e recibos de pagamento. Tudo sempre à mão, quando precisamos, sem termos de saltar de programa em programa.

Quadro Scrivener

O Scrivener torna a fase de pré-escrita e planificação num verdadeiro prazer.

Como veremos no quarto artigo desta série, temos uma grande variedade de formas de criar, organizar e visualizar as cenas de uma estória, com o nível de detalhe que quisermos. Há, por exemplo, um modo de cartões (quadro virtual) que não tem rival em mais nenhum programa. Para alguém que, como eu, gosta de escrever outlines detalhados de cada estória, só esta funcionalidade justificaria o uso do Scrivener.

O Scrivener é completamente flexível.

O seu funcionamento não nos prende a nenhum modelo narrativo pré-concebido, o que nos permite organizar as nossas estórias exactamente como nos der jeito. Por exemplo, ao contrário do modo de planeamento do Final Draft, em que cada cartão corresponde obrigatoriamente a uma cena, no Scrivener um único cartão pode conter toda uma sequência de cenas ou, pelo contrário, uma cena pode ser dividida em vários cartões.

O Scrivener tem um modo de ecrã completo perfeito.

Esse modo esconde da vista todos os elementos do interface e permite-nos isolar o manuscrito, para nos focarmos completamente na escrita.

O Scrivener permite agrupar temporariamente segmentos distintos do guião.

Podemos, por exemplo, ver em sequência todas as cenas em que entra um determinado personagem, para avaliar a sua coerência. Ou, numa estória com enredos paralelos, podemos isolar cada enredo dos restantes, para análise individual. Estes agrupamentos temporários podem até ser automatizados, o que torna o processo quase instantâneo.

O Scrivener usa etiquetas para organizar os documentos.

Podemos atribuir a cada documento tantas etiquetas quantas quisermos, organizadas da forma que nos for mais conveniente. Queremos distinguir as cenas de dia das cenas de noite? As interiores das exteriores? As que estão terminadas das que ainda estão por rever? As cenas em que há mortes? Em que há chuva? Em que há gatos? Basta etiquetá-las adequadamente e estão instantaneamente ao nosso alcance. Esta funcionalidade, combinada com a descrita no ponto anterior, permite-nos analisar o nosso guião sob um número infinito de lupas.

O Scrivener tem uma função de salvaguarda incomparável.

Temos, a qualquer momento, a opção de tirar um “instantâneo” (snapshot) de uma cena, sequência ou até do guião completo. A partir daí, podemos escrever à vontade, com a segurança de saber que, se não gostarmos do caminho tomado, o texto original está guardado a um clique de distância. Não há limite para o número de snapshots. A confiança que isto nos dá para tentar novas cenas e abordagens não tem preço.

Modelos no Scrivener

O Scrivener traz de origem vários modelos de formatos de guião.

Podemos começar logo a escrever num formato padronizado, ou podemos alterar todos os aspectos de cada elemento do texto de acordo com as nossas necessidades. Por exemplo, no último guião que escrevi o realizador quis ver como ficavam os diálogos em negrito. Fazer essa mudança no guião completo demorou menos de 30 segundos. Os modelos alterados podem até ser gravados para usar em outros projectos. No terceiro artigo desta série irei oferecer o modelo que eu próprio uso neste momento.

O Scrivener é um ás na exportação de ficheiros.

O processo, a que o programa chama “compilação”, permite-nos produzir documentos em todos os formatos imagináveis: Final Draft, .pdf, .doc, .fountain, texto simples, e até formatos para e-book. Além disso, podemos optar por exportar o guião completo, ou qualquer combinação de cenas. Queremos exportar em .pdf apenas as cenas em que o protagonista entra? As cenas do enredo amoroso? As cenas da locação x? Desde que as tenhamos devidamente etiquetadas, nada mais fácil.

O Scrivener é extraordinariamente estável.

Não me lembro de alguma vez ter tido um problema com um ficheiro, ou de ter perdido uma única linha de texto por culpa do programa. Mesmo os documentos que apagamos vão para dentro de uma pasta (a lixeira) onde permanecem até decidirmos esvaziá-la definitivamente. Adicionalmente, o programa ainda faz um backup automático do projeto em curso. Combinando isto com boas práticas de segurança, é impossível perdermos um trabalho

Conclusão

Como se vê, são muitas as razões para usar o Scrivener. No próximo artigo começaremos a ver na prática como isso se faz.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre o Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.

É assim que eu escrevo: Iuli Gerbase, vencedora do Festival Guiões 2015

Festival Guiões Iuli Gerbase

A edição 2016 do Festival Guiões já está em curso. Aproximam-se os últimos dias para poder concorrer com o preço de inscrição mais baixo, e foram anunciados mais prémios para os vencedores. Nada melhor, pois, do que ouvir a vencedora da edição do Festival Guiões 2015, a jovem autora brasileira Iuli Gerbase.

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Conheça a equipa que o vai ajudar a escrever um guião em seis meses

escrever um guião

Escrever um guião a partir do zero é um desafio para qualquer pessoa. Quando pensamos que vai ser necessário encontrar uma ideia original; transformá-la numa storyline e numa escaleta; desenvolvê-la em 90 a 120 páginas; e reescrever essas páginas até ficarem no ponto – tudo isto a partir de uma página em branco – parece sempre uma tarefa impossível.

Mas como seria se tivéssemos uma equipa de seis pessoas permanentemente disponível para nos ajudar? O que mudaria se pudéssemos contar com o nosso staff de escrita pessoal? Com certeza seria mais fácil e retiraria muitas das nossas dúvidas e hesitações.

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Últimos dias para se inscrever no workshop de Adaptação Criativa.

O Festival Guiões, no âmbito da sua programação para este ano, que culminará em Novembro, está neste momento a organizar um workshop de escrita de guião dedicado à Adaptação Criativa.

A oficina irá começar já na próxima semana, mas ainda há lugares disponíveis. Por isso, se tem curiosidade sobre o processo de adaptação de um guião, continue a ler.
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Como escrever sobre temas complexos – os segredos da exposição em “A Queda de Wall Street”

O guião do filme A Queda de Wall Street (The Big Short), escrito por Charles Randolph e Adam McKay com base no livro de Michael Lewis, e realizado por Adam McKay, é um excelente exemplo de como escrever sobre temas complexos. Pega num assunto complicado e que não interessa à maior parte das pessoas e transforma-o numa experiência envolvente, por vezes emocionante e, surpresa, até divertida.

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A minha participação no Sequelas 2015

Ainda a propósito do Festival Guiões 2016, uma curiosidade que me esqueci de divulgar na altura própria: na edição do ano passado havia uma iniciativa paralela, o Sequelas, que a organização descreveu como uma série de “textos ilustrados, criados por alguns dos mais entusiasmantes criativos de Língua Portuguesa, para homenagear alguns dos mais icónicos elementos da História do Cinema“.

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O Festival Guiões 2016 já está no ar

O Festival Guiões, principal evento dedicado exclusivamente à escrita para cinema e audiovisual em língua portuguesa, chega à sua sua terceira edição em 2016.

Este ano vai trazer tudo o que o caracterizou nos anos anteriores – a Competição Oficial, abertura e diversidade das candidaturas, júris de qualidade, actividades paralelas e prémios tentadores – e juntar-lhe algumas novidades: a inclusão da opção de Feedback às obras candidatas à Competição Oficial e também a criação de uma nova competição paralela: a PT Co-Prod.

Uma das principais novidades é o serviço opcional de Feedback, pelo valor fixo de $60: uma análise profissional ao guião/roteiro candidato, que poderá servir para identificação dos pontos fortes e principais lacunas do trabalho submetido. Este serviço adicional, que consiste num levantamento de ideias e comentários sobre a narrativa, personagens e estrutura para ajudar a aperfeiçoar o guião/roteiro em causa, é completamente independente da Competição e não a influencia em nada.

Na competição paralela PT Co-Prod as produtoras de Língua Portuguesa com projectos de longa-metragem em desenvolvimento que procurem co-produtores nos vários países de Língua Portuguesa poderão submeter o respectivo guião para análise. Cinco desses projectos serão seleccionados e terão um destaque especial no Dia da Indústria que será também pela primeira vez promovido durante o Festival Guiões 2016.

Entretanto, a lista de pémios não para de crescer. Para já, o Grande Vencedor da Competição Oficial receberá:

  • Consultoria profissional de roteiro com a Coelho Voador;
  • Destaque especial na Rodada de Negócios do FRAPA – Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre 2017;

Os três principais vencedores da Competição Oficial receberão:

  • Serviço de Script Doctoring patrocinado por Bill Labonia, o Roteirista Empreendedor;
  • Listagem gratuita de 1 guião/roteiro na base de dados InkTip Script Listing: o local onde produtores e representantes poderão encontrar o vosso material. InkTip: Where everyone goes for scripts and writers. Producers have made more than 200 films from scripts and writers they found through InkTip;
  • Subscrição de 1 ano ISA Connect – International Screenwriters Association;
  • Curso Online de Escrita Criativa com Pedro Chagas Freitas;
  • Cópia do livro The Art of Script Editing, de Karol Griffiths (patrocinado pela Kamera Books / Creative Essentials)

Todos os dez finalistas da Competição Oficial receberão:

  • Cópia digital do livro Roteirista Empreendedor, de Bill Labonia;
  • Subscrição gratuita da aplicação TOPDOX.
  • Subscrição de 6 meses ISA Connect – International Screenwriters Association (1 ano os 3 principais vencedores);

Quem quiser mais informações sobre o Festival Guiões 2016 deve consultar o regulamento.

Importante: para quem se inscrever até 14 de Fevereiro haverá uma taxa de inscrição reduzida de $20, que depois disso duplicará para $40. Por isso, se tem um guião/roteiro escrito em Língua Portuguesa, e gostaria de lhe dar divulgação junto da indústria, não se atrase: o Festival Guiões 2016 espera por si.