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Festa

Revi todos os meus tios e tias e boa parte dos meus pri​mos​.Um des­ta­que espe­cial para o Bruno, que pas­sou os últi­mos meses no Peru e Bra­sil, a estu­dar (e ensi­nar) medi­ci­nas alter­na­ti­vas e medi­ca­men­tos natu­rais. Pas­sá­mos um bom bocado a falar dessa expe­ri­ên­cia e a dis­cu­tir uma pes­quisa pes­soal que ele comeíou a desen­vol­ver nessa via­gem, onde mis­tura arte, cali­gra­fia, foto­gra­fia, diá­rio í­ntimo e poesia.

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Tiro no Escuro

O pri­meiro filme que fui ver depois de regres­sar de Angola foi o “Tiro no Escuro”, rea­li­zado pelo Leo­nel Vieira. Tra­ba­lhei no guião desse filme há uns dois anos atrás, pri­meiro reescrevendo-​​​​o, depois cri­ando a ver­são final jun­ta­mente com o Jorge Almeida, autor do guião ori­gi­nal, o Leo­nel e o Tino Navarro.

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Home Again

Os ame­ri­ca­nos dizem “home is where you hang your hat on” ou qual­quer coisa do género: “casa é onde pen­du­ra­mos o cha­péu”. Não é.
Casa é onde que­re­mos pas­sar cada minuto com a famí­lia; onde nos sen­ti­mos bem mesmo quando nos sen­ti­mos mal; onde sonha­mos estar quando esta­mos nou­tro lugar; onde temos pra­zer em fazer obras, pen­du­rar qua­dros, var­rer o chão; onde cada porta, cada parede, cada janela, cada esquina, cada man­cha, cada defeito nos traz uma recor­daíão. Casa é onde que­re­mos viver e, um dia (dis­tante, de pre­fe­rên­cia) morrer.

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De partida

Hoje í s seis da tarde faze­mos o check in para o voo TAP que nos vai levar de novo a Por­tu­gal, í  famí­lia, aos ami­gos, í  nossa casa. Vamos encon­trar mui­tas coi­sas na mesma, mas outras bas­tante dife­ren­tes: tenho um novo pri­mi­nho, nas­cido ontem; o governo mudou e o paí­s ficou subi­ta­mente cor-​​​​de-​​​​rosa; o filme “Tiro no Escuro”, cujo guião rees­crevi, está nas salas de cinema; já comeíou a segunda série do “Ins­pec­tor Max”; e o Ben­fica está í  frente do cam­pe­o­nato. A vida con­ti­nuou, mesmo sem nós. Que estranho.

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Tundavala

Perto da casa do N., onde ficá­mos hos­pe­da­dos, rasga-​​​​se a fenda da Tun­da­vala, um enorme corte ver­ti­cal de mil metros de altura que esven­tra a parede oci­den­tal do pla­nalto. Já corri as ser­ras por­tu­gue­sas, do Gerês aos Can­de­ei­ros, já atra­ves­sei a estrada de San­tos, já pas­seei nos Alpes e nos Piri­néus, já estive no Grand Canyon, e posso garan­tir que nada me impres­si­o­nou mais do que a Tundavala.

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Lubango

Regres­sá­mos ontem do Lubango, onde pas­sá­mos dois dias. Dois gran­des dias, numa cidade que bem pode orgulhar-​​​​se de repre­sen­tar uma outra face de Angola. Lubango, que nos tem­pos colo­ni­ais era conhe­cida por Sá da Ban­deira, é a capi­tal da proví­ncia da Huí­la . O nome por­tu­guês caiu com a inde­pen­dên­cia mas a cidade man­teve boa parte da sua per­so­na­li­dade pró­pria. Foi uma terra rela­ti­va­mente pou­pada pelos con­fli­tos e soube apro­vei­tar essa benesse para rou­bar ao Huambo o papel de segunda cidade de Angola.

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Febre Hemorrágica

Quem tenha visto a SIC nos últi­mos dias deve achar que Angola e Luanda se encon­tram no meio de uma epi­de­mia incon­tro­lada da febre hemor­rá­gica de Mar­burg, uma vari­ante do ébola. Não é ver­dade. A epi­de­mia existe, real­mente, mas está res­trita í  proví­ncia do Huí­ge e a alguns casos per­fei­ta­mente con­tro­la­dos em outras proví­ncias, nome­a­da­mente Luanda.

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Skipe

O Skipe fun­ci­ona per­fei­ta­mente. Falei ontem lon­ga­mente com a minha mãe, em Por­tu­gal, e a Lu tam­bém esteve imenso tempo ao tele­fone com a mãe dela, no Bra­sil. No total gas­tá­mos menos de três dóla­res, mais a tarifa das cha­ma­das locais. Boas notí­cias, portanto.

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Net

Agora que temos casa nova, e só para nós, resolvi informar-​​​​me das con­diíões das assi­na­tu­ras de acesso í  net pela linha tele­fó­nica nor­mal. Esco­lhi a Nexus, um ope­ra­dor pri­vado. No site deles (que é um razoá­vel por­tal com notí­cias de angola (em www​.nexus​.ao) obtive a com­pa­raíão dos vários pla­nos disponí­veis. Esco­lhi um, barato, 12 dóla­res por mês, sem limite de uso. É uma ligaíão dial up, pela linha tele­fó­nica nor­mal, por­tanto terei ainda de pagar as ligaíões tele­fó­ni­cas locais, que tam­bém não são proi­bi­ti­vas. Dirigi-​​​​me í  loja deles, paguei e saí­ de lá em menos de meia hora, com a minha ligaíão efec­tu­ada. Lembro-​​​​me que quando fiz a minha pri­meira assi­na­tura Tele­pac, há uns anos atrás, o pro­cesso foi infi­ni­ta­mente mais com­pli­cado, arrastou-​​​​se por dias e aca­bou em car­tas de recla­maíão antes de con­se­guir ter o meu acesso.

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O Mauro é meu amigo

Não sei quem é o Mauro. Não faío ideia onde vive, que idade tem, o que é que pensa da vida. Des­con­fio que seja do sexo mas­cu­lino, pos­si­vel­mente jovem, pro­va­vel­mente negro. Mas sei que o Mauro é meu amigo, por uma razão muito sim­ples: é o seu nome que eu vejo, pin­tado na parede, no último lance de esca­das antes de che­gar ao apar­ta­mento de 5º andar (sem ele­va­dor) para onde me mudei este fim de semana. Quando os meus olhos encon­tram o Mauro sei que só me falta uma dúzia de degraus para pou­sar os sacos do super­mer­cado. Obri­gado, Mauro: és um baril!

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Acácias de Ouro

A TVC, con­ces­si­o­ná­ria da publi­ci­dade na tele­vi­são de Angola, orga­niza todos os anos um fes­ti­val para pre­miar os melho­res anún­cios cri­a­dos em Angola. Este ano o fes­ti­val chamou-​​​​se Acá­cias de Ouro e pre­miou, além da televisão/​​cinema, as cate­go­rias de imprensa, rádio e outdoor.

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Salões de beleza

O salão de beleza é um dos negó­cios mais popu­la­res por aqui. Pro­va­vel­mente por­que para ter um salão só é pre­ciso um espaço, uma tesoura e uma escova (estou a exa­ge­rar) mas tam­bém por­que os ango­la­nos são muito pre­o­cu­pa­dos com a sua apa­rên­cia pes­soal. Por outras pala­vras, são muito vaidosos.

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Dólar

O dólar é a ver­da­deira moeda não ofi­cial de Angola. É aceite em pra­ti­ca­mente todos os esta­be­le­ci­men­tos e os preíos são apre­sen­ta­dos em kuan­zas e dóla­res. Há anún­cios na tele­vi­são que só dão os preíos na moeda ame­ri­cana, e em cada esquina há cam­bis­tas a ace­na­rem com maíos de kuan­zas para quem qui­ser tro­car. Uma infor­maíão que se par­ti­lha com frequên­cia é quem está a fazer o melhor câm­bio: na Mar­tal está a 87; não vás ao Jumbo que está só a 85; ontem tro­quei no Banco Sol a 89

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Bancas de bebidas

í€ noite, quando pas­sa­mos nos bair­ros mais popu­la­res de Luanda, vemos ban­cas na rua a ven­der bebi­das. Identificamo-​​​​las pelas latas e gar­ra­fas vazias com que estão deco­ra­das, e são mais uma mani­fes­taíão do mer­cado infor­mal que domina toda a eco­no­mia para­lela da cidade. Mas o que mais me impres­si­ona é que mui­tos des­tes ven­de­do­res ten­tam cha­mar a ate­níão para o seu negó­cio colo­cando em cima das ban­cas uma gar­rafa cheia de um lí­quido infla­má­vel, com um pano que sai do gar­galo a arder numa chama viva: um ver­da­deiro cock­tail molo­tov. Não sei que bebi­das é que ven­dem ali, mas sei que nunca vou sequer parar para perguntar.

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Fruta Pinha

Aca­bei de des­co­brir qual é a minha fruta favo­rita: a fruta pinha. Não sabia da sua exis­tên­cia, nunca tinha ouvido falar dela,e obvi­a­mente ainda não a tinha comido. Por reco­men­daíão da T. e da C., resolvi com­prar meia dúzia numa qui­tan­deira, perto da casa do N. Que delí­cia! É um fruta que dá luta, por­que tem muito caroío para pouca polpa. Mas a recom­pensa em sabor, para um guloso como eu, jus­ti­fica o trabalho.

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Academia

Ontem comeíá­mos a fazer aeró­bica, na moda­li­dade body com­bat, numa classe no quar­tel dos Bom­bei­ros. Aeró­bica com sauna inte­grada, por­que a sala estava tão quente que eu suava como nunca me lem­bro de ter suado. Cada vez que dava um “gan­cho”, naque­les exercí­cios que simu­lam com­bate con­tra um ini­migo invisí­vel, saí­am-​​​​me da mão jac­tos de suor que espir­ra­vam em redor. As outras senho­ras da sala já olha­vam para mim com ar des­con­fi­ado, í  espera de ver quando é que o bran­quela caí­a para o lado. Ape­sar do ini­migo ser invisí­vel, levei uma tareia que hoje quase não me posso mexer.

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Cabo Ledo

Vol­tá­mos a Cabo Ledo, desta vez para pas­sar o fim de semana. Ficá­mos numa pou­sada bem agra­dá­vel, mesmo em cima da praia. O sábado tinha come­çado chu­voso, mas quando che­gá­mos ao nosso des­tino o tempo já estava bom. Ficá­mos na praia até anoi­te­cer, tomando banho e brin­cando com a Sha­ron. O pôr-​​​​do-​​​​sol foi lin­dís­simo, tin­gindo o céu de uma paleta de cores mági­cas, do azul pro­fundo ao laranja, pas­sando por uma gama mag­ní­fica de violetas.

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Gelo

Aqui em Angola há uma lota­ria que se chama “gelo”. Cada vez que vamos a um res­tau­rante ou um bar e nos é ser­vida uma bebida com gelo, esta­mos a com­prar uma taluda para uma crise intes­ti­nal.
É claro que per­gun­ta­mos sem­pre se o gelo “é de con­fi­a­nía”; a res­posta, inva­ri­a­vel­mente, é “sim, claro”. Mas temos cons­ci­ên­cia que a qual­quer momento nos pode sair o pré­mio grande — três ou qua­tro dias a cami­nho da casa de banho e a tomar Imodium.

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Jembas

No último fim de semana fomos pas­sar a noite ao Mus­sulo, a um resort cha­mado Jem­bas. O V. e o E. tam­bém foram, apro­vei­tando os der­ra­dei­ros dois dias da sua esta­dia aqui em Angola. O resort em si não é nada de espe­cial — os bun­gal­lows, perto da praia mas iso­la­dos por uma vedaíão, são sim­pá­ti­cos e con­for­tá­veis, sem pas­sar disso. A comida, de tipo buf­fet, é razo­a­vel­mente bem con­fec­ci­o­nada, mas estupidamente cara.

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Cerimónias

Dia 23 foi a inau­gu­raíão ofi­cial da nova sede da agên­cia. Uma festa a sério, com mais de 100 con­vi­da­dos, mui­tos vip, e cober­tura da imprensa e tele­vi­são. O momento alto da ceri­mó­nia foi o des­cer­rar da placa com o novo logo­tipo, pelo vice-​​​​ministro da Comu­ni­caíão Social, a que se segui­ram dis­cur­sos pelo pró­prio e pelo N. Para outras pes­soas, con­tudo, o momento alto terá sido o cock­tail que se seguiu, muito ani­mado e bem ser­vido.
Eu, o V. e o E. esta­va­mos ató­ni­tos — já pas­sá­mos todos por inau­gu­raíões de várias sedes de agên­cias, e nunca tinha­mos estado numa festa assim. Em Por­tu­gal uma agên­cia de publi­ci­dade, por muito grande que seja, é uma empresa nor­mal, sem impor­tân­cia de maior. Per­ce­be­mos que no frá­gil tecido empre­sa­rial ango­lano as coi­sas são dife­ren­tes, e a agên­cia tem um relevo supe­rior í  sua dimen­são real. Para­béns aos donos, que con­se­gui­ram con­quis­tar esse estatuto.

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