Introdução ao Scrivener – 6ª parte

Nesta sexta parte da série de artigos dedicados ao Scrivener vamos ver as opções que o programa nos dá para optimizar o processo de escrita no Editor e com a ajuda do Inspector.

Introdução

No artigo anterior expliquei tudo o que precisa saber para poder escrever um guião no Scrivener. No entanto, o programa oferece mais uma série de opções que, não sendo essenciais, tornam o processo ainda mais prático e agradável. Aprender a usá-las irá torná-lo um guionista mais eficiente (e feliz).

Como vimos antes o Scrivener é muito semelhante ao Final Draft e à maioria dos outros programas de escrita de guião. Mas alguns dos aspectos que vamos analisar neste artigo são exclusivamente encontrados no Scrivener

Para acompanhar este tutorial pode baixar o modelo de projeto que criei e ofereço aos leitores:

Baixe o modelo de Scrivener

O modo Ecrã Inteiro

Uma das vantagens do Scrivener (embora não exclusiva, pois agora muitos outros programas já a oferecem) é o modo de Ecrã Inteiro (Full Screen). Este modo permite eliminar temporariamente todas as outras janelas do programa, deixando apenas a janela da escrita. Dessa forma ajuda-nos a focar apenas na página, eliminando distracções visuais, e facilitando a entra da no fluxo criativo.

Para entrar no modo de Ecrã Inteiro basta escolher o menu View/Enter Full Screen.

Scrivener_6-1
Entrar em Ecrã Inteiro no menu View

Em alternativa, podemos clicar no ícone correspondente na barra superior.

Scrivener_6-2
Entrar em Ecrã Inteiro pelo ícone da barra

Em qualquer dos casos passamos imediatamente para o modo Ecrão Inteiro (Full Screen) em que toda a janela do computador fica ocupada pela página de escrita, ladeada por duas barras negras.

Scrivener_6-3
O modo Ecrã Inteiro (Full Screen)

Trazendo o cursor do rato para a parte de baixo do ecrã aparece temporariamente uma barra transparente que nos permite fazer algumas operações. De imediato, adaptar a largura do papel e o tamanho das letras ao ecrã do nosso computador e ao nosso gosto.

Scrivener_6-4
Opções no modo Ecrã Inteiro

Mas podemos também, durante a escrita, mudar o tipo de elementos, aceder ao Inspector e às sinopses das cenas, criar Palavras-Chave (Keywords) ou ir para qualquer cena. Consegue-se assim uma combinação perfeita entre o minimalismo do Ecrã Inteiro e as funcionalidades mais importantes durante a escrita.

Para sair do modo Ecrã Inteiro basta fazer Escape ou usar o ícone situado no extremo direito dessa barra inferior.

Dividir e combinar cenas

Durante o processo de escrita é muito frequente que o guião se distancie da escaleta que criámos antes. Muitas vezes temos de dividir um único cartão em vários cartões, e em algumas circunstâncias podemos ter necessidade de combinar dois cartões num único.

Para isso existem as funções Dividir (Split) e Combinar (Merge), ambas situadas no menu Documents. Note-se que a opção Combinar (Merge) só fica disponível se estiverem pelo menos dois cartões seleccionados no Binder, como na imagem seguinte.

scrivener 6-5
Funções Dividir (Split) e Combinar (Merge)

A função de Dividir parte o cartão em dois, começando o segundo cartão no ponto onde o cursor está inserido no momento. A forma mais rápida de a utilizar é colocar o cursor onde queremos dividir o cartão, e invocar o atalho Cmd+K. O novo cartão tem o mesmo nome que o original, seguido de um algarismo (a partir de 1) para o identificar.

scrivener_6-6
Atalho da função Dividir (Split)

Esta função usa-se normalmente se criamos novas cenas dentro de um mesmo cartão. Nesse caso é boa prática ter um cartão para cada nova cena.

Dividir o Editor

Outra opção muito interessante do Scrivener é a possibilidade de dividir horizontalmente a janela do Editor. Isto pode servir, por exemplo, para ter duas cenas diferentes abertas ao mesmo tempo.

Scrivener 6-7
O Editor dividido

Outra possibilidade é ter uma cena aberta numa metade do ecrã, e na outra ter o Quadro ou o Outline. É claro que computadores com telas maiores beneficiarão mais desta opção.

Scrivener 6-8
Outra opção para o Editor dividido

Para dividir o Editor em dois basta clicar no pequeno ícone no seu canto superior direito. Um novo toque no mesmo ícone desfaz a divisão, deixando apenas a janela onde tivermos o cursor no momento.

Scrivener_6-9
O ícone de Dividir Editor

Explorar o Inspector durante a escrita

A barra lateral direita do Inspector também tem uma série de funcionalidades adicionais que podem ser exploradas durante o processo de escrita.

Notas

É possível, por exemplo, criar e consultar dois tipos de notas: de Projeto e de Documento. Estas notas estão disponíveis a qualquer momento, clicando no pequeno ícone no topo esquerdo do Inspector, e selecionando a opção adequada.

Scrivener_6-10-1
As opções de Notas no Inspector

As primeiras, como o nome indica, são referentes a todo o guião. Podem servir, por exemplo, para criar uma lista de nomes de todos os personagens, sempre disponível para consulta.

Scrivener_6-11
Notas de Projecto, para todo o guião.

Podemos criar tantas notas de Projecto quantas quisermos, usando a opção Manage Project Notes…

Podemos criar e apagar várias Notas de Projecto

As notas de Documento estão associadas apenas ao cartão que estava aberto no momento em que foram escritas. Pode haver apenas uma nota por cada cartão. São muito úteis para deixar indicações de ideias ou alterações relacionadas com essa cena.

Cada documento (cartão ou pasta) pode ter uma Nota de Documento associada

Comentários

O Scrivener, como a generalidade dos programas de escrita, também permite adicionar Comentários (Comments) locais e Notas de Rodapé (Footnotes). Tanto uns como outros podem ficar associados a palavras ou frases, e ser consultados a partir do Inspector.

Os Comentários podem ser muito úteis

Para aceder aos Comentários e Notas de Rodapé de uma determinada cena clivamos no pequeno ícone com um balão no topo do Inspector.

Para ver os Comentários basta clicar no ícone

Instantâneos (Snapshots)

Uma funcionalidade que, tanto quanto sei, é exclusiva do Scrivener é a possibilidade de tirar Instantâneos (Snapshots) de um guião a qualquer momento. Um Instantâneo (Snapshot) é exactamente o que o nome indica; uma “fotografia” do guião naquele momento.

É como se fosse uma cópia de segurança instantânea, que podemos fazer a qualquer momento, e à qual podemos regressar mais tarde. Mais útil ainda é que podemos tirar instantâneos globais, que “retratam” todo o guião, ou apenas de uma cena específica.

Um Instantâneo (Snapshot) global…
…e um Instantâneo (Snapshot) de uma cena

A grande vantagem destes Instantâneos (Snapshots) é que, graças a eles, podemos gravar tantas versões quantas quisermos de uma mesma cena, compara-las, e regressar às que preferirmos. É um passe livre para deixar a imaginação correr sem preocupação de perder o material desenvolvido anteriormente.

Quando utilizamos a função Comparar podemos ver os parágrafos cortados (a vermelho) e acrescentados (a azul).

Comparando versões e alterações

Para aceder aos instantâneos basta clicar no pequeno ícone de máquina fotográfica no topo do Inspector.

O ícone para aceder aos Instantâneos (Snapshots)

Estado de um documento (Status)

O Estado (Satus) de um documento é uma etiqueta específica que podemos usar para identificar o momento de escrita de uma determinada. Podemos criar tantos Estados quantos quisermos. No exemplo seguinte eu criei sete Estados, que vão desde “Por escrever” até “Final Draft”.

Podemos ter tantos Estados (Status) quantos quisermos… ou nenhuns

Tal como acontece com as Etiquetas, cada documento (cartão) pode ter apenas um Estado em cada momento. Ou está “Para Rever” ou está “Terminado”; não pode estar ambos ao mesmo tempo, o que é lógico.

Os Status podem ser uma ferramenta de organização muito útil, especialmente para quem tem uma abordagem menos linear à escrita.

Palavras-chave (Keywords)

As Palavras-chave (Keywords) são outra ferramenta muito poderosa. Ao contrário das Etiquetas (Labels), que vimos num artigo anterior, e dos Status, que acabámos de ver, um documento pode ter tantas Palavras-chave quantas quisermos.

Para aceder às Palavras-Chave usamos o pequeno ícone com uma chave no topo do Inspector.

O ícone da Chave

No exemplo seguinte podemos ver que atribuí quatro Keywords a esta cena: “interior”, “edgar”, “dia”, e “tem voz off”.

As Palavras-Chave (Keywords) em acção

Graças a esta segmentação das Palavras-Chave podemos criar buscas muito elaboradas. Para isso começamos por abrir a janela do menu Project/Show Project Keywords…

Para abrir a janela das Palavras-Chave

Através dessa janela podemos, como no exemplo seguinte, seleccionar uma ou mais Palavras-chave e fazer uma busca (search) para encontrar todas as cenas que tenham sido marcadas com ela. Neste caso, usei a Keyword “tem voz off” para seleccionar todas as cenas com Voz Off (voz de narração). Isso permitir-me-ia, por exemplo, rever estas V.O. todas de seguida, para garantir a sua consistência. No exemplo, detectamos que na primeira cena usei a expressão (V.O.) e na segunda a expressão (OFF). Durante a revisão iria com certeza querer corrigir esta discrepância.

Fazendo uma busca a partir de uma Palavra-Chave

Melhor ainda, a partir desta busca poderia criar uma Colecção de cenas com essa característica, a que poderia retornar a qualquer momento.

Criando uma Colecção a partir de uma busca

O uso das Palavras-Chave, Etiquetas e Estados, e a possibilidade de fazer buscas e criar Coleções com elas pode ser muito útil durante a fase de reescrita de um guião.

Aprender a usar todas as possibilidades do Inspector leva algum tempo, mas para quem usar o Scrivener diariamente é um investimento que será largamente recompensado no longo prazo.

No próximo artigo passaremos finalmente à Exportação dos guiões, um processo que no Scrivener se chama Compilar (Compile) e que oferece uma imensidade de opções e resultados.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre o Editor e a escrita do guião no Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe aqui ou num dos próximos artigos.

Scrivener para Windows a metade do preço

Se estava à espera que o Scrivener entrasse em promoção para comprar esse incrível aplicativo de escrita, o momento é agora.

No MacBundler Deals o Scrivener está em promoção por 50% do seu valor normal, durante um período limitado.

Aproveite e junte no cabaz o Scapple, um aplicativo de mind mapping muito funcional, do mesmo editor, que também está em promoção.

Scrivener e Scapple

Não posso elogiar mais o Scrivener, que utilizo em paralelo com o Final Draft. Depois de se ultrapassar a barreira de falta de familiaridade com o seu modo de funcionamento, é um aplicativo poderosíssimo e versátil, que dá gosto usar.

Conheça as novidades do Final Draft 10

O novo Final Draft 10

O Final Draft 10 é a versão mais recente do editor de texto para guiões mais usado em todo o mundo, uma posição que conquistou praticamente desde que foi lançado. A sua popularidade deve-se essencialmente à sua facilidade de uso, que pode ser apreciada neste tutorial, e a um conjunto de funcionalidades especializadas que levaram à sua adopção pela maior parte dos guionistas profissionais.

O novo Final Draft 10
O novo Final Draft 10

No entanto, nos últimos anos têm surgido várias alternativas viáveis que vão seduzindo cada vez mais autores. Algumas dessas opções, como o excelente Scrivener, acrescentaram funcionalidades ausentes no Final Draft, especialmente na fase de pré-escrita e alinhamento das estórias. Outras, como o Highland, optaram pelo caminho inverso, apostando numa simplicidade quase minimalista. E outras ainda, como o Writers Duet, propõe a colaboração como modo primário de trabalho.

Para responder a estes desafios o Final Draft lançou agora a sua versão 10, com inúmeras novidades. Minimalista, o novo Final Draft 10 não é; mas parece estar claramente mais completo, especialmente no capítulo da planificação e colaboração.

Novas opções de planificação

O Final Draft 10 traz três grandes novidades neste capítulo: o Story Map™, o Beat Board e os Pontos Estruturais.

O Story Map™ é a inovação que salta mais à vista. Trata-se de uma barra estreita, localizada por cima da régua, que permite ter uma visão global do guião.

O Story Map™ do novo Final Draft 10
O Story Map™ do novo Final Draft 10

Através do Story Map™ podemos ter uma noção do tamanho do guião, pré-visualizar as cenas, navegar diretamente para qualquer ponto do guião, e até destacar pontos estruturais importantes (as mudanças de ato, por exemplo).

O Story Map™ aparenta ser uma inovação importante, com elevado potencial. Se será realmente útil na prática, só poderei decidir depois algum tempo a trabalhar com esta nova versão.

Quanto ao Beat Board, é a versão do Final Draft do famoso quadro de cortiça, usado para planear a sequência das cenas antes de escrever. Vamos criando nele pequenos cartões, com as sinopses das cenas, que podemos mover até encontrarmos a melhor sequência para a nossa estória.

O Beat Board do novo Final Draft 10
O Beat Board do novo Final Draft 10

O Scrivener tem, até ao momento, a melhor implementação deste conceito em software, mas a do Final Draft também me parece muito bem conseguida, com tudo o que é essencial. Uma vez mais só a prática dirá quem vai sair vencedor nesta comparação.

Outra funcionalidade nova, que combina muito bem com as anteriores, é a possibilidade de definir Pontos Estruturais na sequência do guião.

Pontos Estruturais no Final Draft 10
Pontos Estruturais no Final Draft 10

Estes pontos podem corresponder ao que quisermos: o inciting incidente, as mudanças de ato e o clímax, numa abordagem clássica; ou quaisquer momentos significativos que sejam convenientes para a nossa estória.

Todos podem ter descrições específicas e cores distintas, estar associados a cartões do Beat Board e ser visualizados no Story Map™. No conjunto, contribuem para um ecossistema de planificação de estórias muito completo e prometedor.

A função de colaboração

A outra grande novidade do Final Draft 10 também tem lugar cativo no topo da página (onde, aliás, se destacam vários ícones com um visual renovado). A opção de Escrita Colaborativa promete revolucionar a forma como poderemos escrever os nossos guiões no futuro.

Escrita Colaborativa no Final Draft 10
Escrita Colaborativa no Final Draft 10

À semelhança do que já fazem as apps do Google, ou o programa de guião Writers Duet, o novo Final Draft vai permitir que dois autores escrevam num mesmo guião, em simultâneo, vendo as contribuições de cada um em tempo real.

Uma janela de chat permite que os autores conversem sobre o seu trabalho (ou sobre futebol…), criando assim um ambiente colaborativo perfeito. O impacto desta novidade no processo de escrita, especialmente em situações como a escrita para televisão, onde a colaboração é mais importante, ainda é difícil de prever. Mas tudo indica que será muito grande, devido à postura dominante do Final Draft na indústria audiovisual.

Outras novidades

O Final Draft 10 traz ainda muitas outras novidades ou aperfeiçoamentos de funções já existentes. Destaco apenas três.

A função de Diálogos Alternativos é fantástica. Através dela podemos manter no documento do guião mais do que uma versão de cada bloco de diálogo, antes de nos comprometermos com uma escolha final. Acabou-se aquele dilema de escrever, reescrever, apagar e voltar à primeira versão de uma linha de diálogo.

A função de Diálogos Alternativos do Final Draft 10
Os Diálogos Alternativos do Final Draft 10

Se num processo de escrita individual esta possibilidade já vai ser útil, muito mais o será quando combinada com a Escrita Colaborativa descrita no ponto anterior. Com esta nova funcionalidade cada autor vai poder escrever a sua versão dos diálogos, deixando para mais tarde a escolha de qual manter na versão final do guião.

Um melhoramento importante diz respeito aos textos que podemos colocar automaticamente no Header e Footer do guião. Até agora as opções eram muito limitadas, mas as novas opções expandem muito o âmbito da informação disponível. Além da data e número de página podemos agora colocar etiquetas, identificar versões de revisão, etc.

Finalmente, as opções de Numeração de Cenas também levaram uma grande volta. Até ao momento podíamos apenas numerar, renumerar, e editar manualmente os números de cena. A partir de agora podemos escolher entre vários esquemas de numeração automática.

É uma função útil essencialmente para a fase de produção (há quem defenda que os guiões especulativos nem devem ter cenas numeradas) mas todos os assistentes de realização, produção e continuidade que usam o Final Draft vão com certeza apreciá-la.

Conclusão: vale a pena comprar o Final Draft?

Esta é a pergunta de um milhão de dólares. Ou, mais especificamente, de $169.00 dólares. Vale a pena gastar esta quantia relativamente elevada, quando há no mercado tantas alternativas de qualidade a preços mais competitivos (incluindo grátis)?

Vou adiantar três respostas, ao jeito das apostas desportivas:

  • Se já é possuidor de uma licença do Final Draft, o valor do upgrade é bastante mais acessível: $79.00 USD. Nesse caso eu diria que as novas funcionalidades justificam o custo adicional. Vence o Final Draft.
  • Se é, ou está em vias de ser, um guionista profissional, ter uma ferramenta que muitos outros profissionais usam pode ser justificado. Principalmente se a função de Escrita Colaborativa pegar, como é provável. Mas a decisão final, neste momento, é sua. Dou um empate.

  • Finalmente, se está a começar na profissão ou é apenas um amador interessado, há opções mais baratas, ou até grátis que deveria considerar antes de abrir os cordões à bolsa. Neste caso o Final Draft perde.

Qual é a sua opinião: com a versão 10 o Final Draft ainda tem futuro, ou vai ser ultrapassado pelos seus concorrentes mais acessíveis? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo.

Introdução ao Scrivener – 5ª parte

Introdução ao Scrivener 5

Nesta quinta parte da série de artigos dedicados ao Scrivener vamos ver como se desenrola o processo de escrita no Editor.

Introdução

Chega uma altura em que, inevitavelmente, temos de passar à escrita. Até aqui, depois de organizarmos todo o projeto e fazermos a planificação completa da escaleta, ainda não temos uma única palavra no manuscrito do guião.

No que toca à escrita o Scrivener é muito semelhante ao Final Draft e à maioria dos outros programas de escrita especializada em guião.

O que é realmente distintivo no Scrivener é uma maior facilidade em escrever de forma não sequencial. Se quisermos começar pelo fim, ou estivermos mais inspirados para escrever uma determinada sequência do meio, o Scrivener é mais adequado do que a maioria dos concorrentes.

Esta facilidade é também muito útil na fase da reescrita. A possibilidade de trabalhar no guião completo, em cenas isoladas, ou em grupos de cenas díspares conferem-lhe uma extraordinária versatilidade.

Primeiros passos

Para acompanhar este curso pode baixar o modelo de projeto que criei e ofereço aos leitores:

Baixe o modelo de Scrivener

Os exemplos que se seguem são retirados do meu guião da curta-metragem O Presente, que já apresentei em artigos anteriores deste curso. A primeira coisa a fazer é certificarmo-nos de que estamos no modo certo para a escrita do guião.

Para esse efeito, devemos ir para o Editor, carregando no ícone que encontramos na barra superior. Quando estivermos no Editor e aí entrar no modo Scriptwriting. Por uma questão de simplicidade eu coloquei o ícone de Scriptwriting ao lado do do Editor, mas se não o tiver lá, pode encontrar essa opção no menu Format/Scriptwriting/Script Mode.

Os ícones do modo Script e Escrita
Os ícones do modo Script e Escrita
O menu Script Mode
O menu Script Mode

Como poderá reparar o manuscrito ainda está em branco. Todo o trabalho que fizemos até agora foi ao nível da planificação, escrevendo as sinopses no modo de Cartões e Escaleta, como vimos no artigo anterior.

A existência desses cartões é identificada no manuscrito por uma série de linhas horizontais. O que escrevermos entre essas linhas ficará ligado ao cartão respetivo; mudando o cartão de lugar, o texto também mudará no manuscrito. (Nota: estas linhas divisórias são apenas para referência visual; nunca são impressas nem exportadas.)

O manuscrito ainda vazio
O manuscrito ainda vazio

Por hábito costumo fazer com que cada cartão corresponda a uma cena, mas nada impede que a divisão seja outra. Podemos escrever várias cenas num mesmo cartão, ou espalhar uma única cena mais complexa por vários cartões. Em última instância, poderemos escrever todo um guião num único cartão, mas com isso perderíamos muitas das vantagens do Scrivener.

Consultar as sinopses

Enquanto estamos no Editor as sinopses que escrevemos estão sempre disponíveis para consulta, no Inspector, do lado direito do ecrã.

A sinopse no Inspector
A sinopse no Inspector

Se passarmos o rato por cima dos cartões no Binder, à esquerda, aparecerá também uma janela com o texto da sinopse.

A sinopse no Binder
A sinopse no Binder

Podemos ainda usar o comando Documents/Append Synopsis to Main Text para copiar integralmente o texto da sinopse para o manuscrito. Isto pode ser feito para um cartão individual, ou para um grupo de cartões seleccionados.

Enviar sinopses para o corpo do texto
Enviar sinopses para o corpo do texto

Os elementos do guião

Toda a escrita de um guião é construída com base em blocos de texto com funções e formatos diferentes. Vejamos muito resumidamente quais são e como se chamam estes elementos pré-definidos no Scrivener.

Em primeiro lugar temos dois tipos de texto genérico: General Text e General Text (centered). Servem para escrever tudo o que não encaixe nos restantes elementos pré-definidos. A diferença entre os dois é que no segundo o texto é centrado na página, sendo normalmente usado para o título do filme. Um autor como Tarantino, que costuma dar títulos aos capítulos dos seus filmes poderia usar este elemento para esse efeito.

General Text (Centered)

De seguida entramos nos elementos mais específicos de um guião. O primeiro são os Cabeçalhos que, no Scrivener, são chamados de Scene Headings. Servem para marcar o início de cada cena. Podem servir também para identificar Cabeçalhos Secundários. Já escrevi sobre estes elementos num artigo do blogue.

Scene Headings - Cabeçalhos
Scene Headings – Cabeçalhos

Segue-se, normalmente, as descrições de Ação, designadas no Scrivener por Action. Nestes parágrafos de texto é descrito tudo o que pode ser visto e ouvido no filme, à exceção dos diálogos que, como veremos a seguir, têm um tratamento diferenciado. Entram aqui descrições de cenários, de características dos personagens, de veículos e outros adereços, de sons e efeitos especiais, bem como de todas as ações e comportamentos envolvendo estes elementos. Podem ainda entrar descrições mais técnicas, como ângulos e movimentos de câmara, embora estas sejam normalmente reservadas para os chamados shooting scripts (guiões de rodagem).

Action - Ação
Action – Ação

Os três elementos seguintes formam normalmente blocos indissociáveis, e destinam-se a apresentar os textos falados no filme. São os elementos Personagem, Diálogo e Parênteses, identificados no Scrivener como Character, Dialogue e Parenthetical.

O elemento Character indica quem fala; o elemento Dialogue indica as suas falas; e o elemento Parenthetical (que em português se designa também como didascália), serve para, quando necessário, dar indicações específicas sobre a interpretação.

Character - Personagem
Character – Personagem
Dialogue - Diálogo
Dialogue – Diálogo
Parenthetical - Parênteses
Parenthetical – Parênteses

Finalmente, temos dois elementos adicionais dedicados a aspectos mais técnicos: a Transição e o Plano, designados aqui por Transition e Shot. O primeiro destina-se a dar indicações sobre a forma de passar de uma cena para outra; o segundo serve para descrever indicações de câmara. A tendência atual é usar com moderação estes elementos, especialmente o segundo, reservado apenas para shooting scripts.

Transition - Transição
Transition – Transição

Como vimos todos estes elementos têm funções específicas e formatos próprios para ser apresentados na página. Passar de uns para os outros no Scrivener é também um processo natural e quase automático, como veremos em seguida.

Mas se, por qualquer razão (normalmente por erro nosso), precisarmos de transformar um determinado elemento num elemento de outro tipo, isso também é fácil. Podemos fazê-lo recorrendo ao menu Format/Scriptwriting/Change Element To ou então usando a Barra de Informações na base do Editor.

Menu Change Element To
Menu Change Element To
Menu Change Elements na barra inferior
Menu Change Elements na barra inferior

Na primeira imagem podemos ver que também há um atalho de menu para cada elemento: Cmd + Alt + 1 para Scene Heading; Cmd + Alt + 2 para Action; e assim por diante. Memorizar estes atalhos, poupa-nos algum tempo no longo prazo, mas não é essencial.

O processo de escrita

O Scriptware (já desaparecido), o Final Draft e o Movie Magic Screenwriter foram os primeiros programas de processamento de texto concebidos especificamente para a escrita de guiões. Antes deles havia apenas programas concebidos para formatar textos já escritos, ou folhas de estilos para programas genéricos como o Word.

Partindo do princípio que um guião é sempre composto pelos elementos que vimos no ponto anterior, os programas especializados trouxeram duas vantagens importantes: a pré-formatação dos elementos de acordo com os preceitos utilizados na indústria cinematográfica; e um processo de escrita que simplifica e automatiza a passagem de uns elementos para os outros.

O primeiro destes aspectos – a formatação – pode ser mais ou menos simulado num processador de texto tradicional, e por isso muitas pessoas ainda usam o Word para escrever os seus guiões. Mas é no segundo aspecto – o processo de escrita – que programas como o Final Draft ou o modo Scriptwriting do Scrivener brilham realmente. Quem os experimenta dificilmente volta a adaptar-se aos processadores de texto genéricos.

Este processo apoia-se essencialmente no uso de duas teclas específicas para mudar de um tipo de elemento para outro: a tecla parágrafo (enter) e a de tabulação (tab).

Usando uma ou outra destas teclas no fim de um parágrafo de texto, formatado de uma determinada forma (por exemplo, como um Character) mudamos automaticamente para outro parágrafo formatado segundo outro tipo de elemento (por exemplo, Dialogue). Esta alternância de estilo faz-se numa sequência fixa, que varia conforme o elemento de partida e a tecla usada.

A descrição deste processo é mais complicada do que a sua utilização. Depois de praticarmos um pouco o uso das teclas torna-se segunda natureza e passamos a escrever sem pensar no processo, concentrando-nos apenas no conteúdo.

Tecla de parágrafo
Tecla de parágrafo
Tecla de tabulação
Tecla de tabulação

Vejamos então como decorre este processo. Comecemos por colocar o cursor no início da cena que queremos escrever, certificando-nos de que estamos num elemento do tipo Scene Heading. Se estivermos noutro elemento (por exemplo, General Text) mudamos usando um dos métodos descritos anteriormente. Vamos então escrever o nosso primeiro Cabeçalho.

Mudar para Scene Heading
Mudar para Scene Heading

A seguir a um Cabeçalho entra sempre (salvo uma situação excepcional) um parágrafo de Ação. É por isso natural que se fizermos parágrafo no fim de um Scene Heading o elemento seguinte passe automaticamente a ser do tipo Action.

scrivener 5 scene to action

Podemos escrever vários parágrafos de Ação seguidos, por isso o uso da tecla parágrafo a seguir a Action cria automaticamente outro bloco de texto Action

De Action para Action
De Action para Action

É normal que depois de um ou mais parágrafos de Ação cheguem sequências com falas. Como vimos acima, estas são compostas por dois, ou três, elementos indissociáveis. O primeiro desses elementos é sempre o Personagem, ou Character.

Para passarmos de um elemento Action para um elemento Character usamos a tecla parágrafo seguida imediatamente da tecla tabulação. É criada uma nova linha já com o formato do nome do Personagem.

De Action para Character
De Action para Character

A seguir a um nome de Personagem, ou Character, vem sempre um de dois elementos: ou um Diálogo ou um Parênteses. Como é mais comum ser um Diálogo, basta usar a tecla parágrafo para obter esse elemento.

De Character para Dialogue
De Character para Dialogue

Se estivermos em Character ou em Dialogue e quisermos introduzir um Parenthetical, então devemos usar a tecla tabulação.

De Dialogue ou Character para Parenthetical
De Dialogue ou Character para Parenthetical

Depois do Parenthetical devemos sempre escrever um Dialogue. Por isso é indiferente usarmos a tecla parágrafo ou tabulação; ambas têm o mesmo efeito.

De Parenthetical para Dialogue
De Parenthetical para Dialogue

O uso de parágrafo a seguir a um Dialogue faz surgir novamente um elemento Action. Se o quisermos transformar em Character teremos então que fazer tabulação.

De Dialogue para Action
De Dialogue para Action
De Dialogue para Character
De Dialogue para Character

O uso de duas tabulações de seguida serve para chegar ao elemento Transition a partir de Action.

De Action para Transition
De Action para Transition

Em qualquer dos casos, todos os elementos estão acessíveis com um atalho rápido. Se fizermos dois parágrafos de seguida surge um menu local com todos os elementos disponíveis. É outra forma prática de inserir um elemento de qualquer tipo.

Dois parágrafos fazem surgir menu Elementos
Dois parágrafos fazem surgir menu Elementos

Resumo

Vejamos, então, em resumo, como se processa uma sequência típica de escrita, usando apenas o parágrafo e a tabelação:

  • Usamos dois parágrafos (p + p) para seleccionar e escrever um Scene Heading.
  • Fazemos parágrafo (p) para obter Action, e escrevemos um parágrafo.
  • Com um novo parágrafo (p) continuamos em Action.
  • Com uma tabulação (t) passamos para Character, e escrevemos o nome do Personagem.
  • Com um parágrafo (p) passamos para Dialogue e escrevemos o Diálogo do nosso personagem.
  • Fazemos parágrafo e logo tabulação (p + t) para obter novo Character e escrevemos o nome do segundo Personagem.
  • Fazemos tabulação (t) para introduzir um Parenthetical, e escrevemos o texto entre parênteses.
  • Parágrafo (p) ou tabulação (t) para introduzir o Dialogue:
  • Novo parágrafo (p) para Action.
  • E finalmente parágrafo (p) e duas vezes tabulação (t + t) para introduzir a Transition que marca o fim da cena.

É muito mais complicado ler a descrição anterior do que aplicá-la na prática. Bastam dois ou três minutos a brincar com as teclas parágrafo e tabulação no modo scriptwriting do Scrivener para nunca mais quereremos escrever guiões de outra maneira.

Conclusão

Deixarei para o próximo capítulo deste curso de introdução ao Scrivener a análise de mais alguns aspetos da utilização do Editor para escrever um guião. O Curso ficará assim com 7 capítulos, e não com os seis previstos inicialmente.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre o Editor e a escrita do guião no Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.

Introdução ao Scrivener – 4ª parte

O quadro virtual do Scrivener

Na quarta parte desta série sobre o uso do Scrivener para escrita de guiões vamos analisar em mais detalhe os seus dois modos de planificação – o quadro virtual e o outline.

Introdução

Até aqui vimos apenas os aspectos mais funcionais do uso do Scrivener. Agora vamos diretos ao que interessa: aplicar essas funcionalidades à escrita de um guião.

Num artigo anterior, que já referi neste curso, escrevi sobre os dois tipos fundamentais de autores: os que gostam de ter a escrita planeada à partida, e os que preferem escrever ao sabor da inspiração. Eu inscrevo-me na primeira categoria, por isso passo muito tempo nos processos que vou descrever neste capítulo. Mas mesmo para quem tenha uma abordagem mais espontânea estas funções de planeamento do Scrivener serão extremamente úteis nas fases de reescrita e aperfeiçoamento do guião.

Recordo que para acompanhar este curso pode baixar o modelo de projeto do Scrivener que apresentei no capítulo anterior:

GuioesJN

Os três modos de escrita

No segundo capítulo do curso vimos que é possível trabalhar no nosso guião de três modos diferentes: no modo de escrita; no modo de quadro virtual; e no modo de outline, ou escaleta. Podemos alternar entre eles através dos atalhos Cmd+1, Cmd+2 e Cmd+3, ou usando os ícones na Barra de Ferramentas.

Os três ícones de modo
Os três ícones de modo

É importante perceber que a unidade base de informação no Scrivener são os textos (a que o programa chama scrivenings, escritos).

Um texto é um documento que pode ter apenas uma palavra, uma frase, uma cena ou capítulo, ou até um manuscrito inteiro. Além disso, cada texto pode ter associada uma grande diversidade de atributos: sinopses, títulos, etiquetas, status, cores, etc.

Textos no Binder
Textos no Binder

Os modos de visualização são apenas lupas que nos permitem ver toda essa informação (os textos e os seus atributos) sob diferentes perspectivas; umas mais úteis para certos efeitos, outras melhores para outros.

Neste capítulo vamos focar-nos nas melhores aplicações do quadro e da escaleta, deixando o modo de escrita para o próximo capítulo.

O modo de quadro virtual

O quadro virtual do Scrivener é uma uma implementação informática dos tradicionais quadros de cortiça onde prendemos cartões manuscritos. Estes quadros são um recurso bastante utilizado por muitos guionistas na fase de planificação dos guiões.

O quadro virtual do Scrivener
O quadro virtual do Scrivener

O falecido guru de guião Blake Snyder dedica um capítulo inteiro ao quadro no seu livro Save the Cat, onde defende que ele é talvez a peça de equipamento mais vital que um guionista tem ao seu dispor – ao nível do papel, caneta e computador portátil. (…) Os quadros podem ser de todos os tipos e tamanhos: ardósias esborratadas de giz, quadros de cortiça com cartões e alfinetes para manter os eventos no lugar, e até páginas de blocos de notas coladas com fita adesiva nas paredes de um hotel durante as filmagens – numa tentativa de reescrever o guião no momento".

O Scrivener tem a melhor implementação do quadro entre todos os programas de escrita que conheço. Depois de ter tentado vários opções, incluindo online, esta é a única que uso constantemente.

Para efeitos deste artigo, e em homenagem a Blake Snyder, vamos criar um quadro com cartões da beat sheet – a versão de estrutura de guião que ele recomendava nos seus livros.

Criar um cartão

Vamos começar por abrir o projecto do Scrivener que criámos no artigo anterior. Se ainda não estamos no modo de quadro, vamos entrar com o atalho Cmd+2 e selecionar a pasta onde queremos o novo cartão. Para o criar o novo cartão podemos usar vários métodos: o menu Project/New Text; o atalho Cmd+N; ou o botão esquerdo do rato, como ilustrado.

Criando um novo cartão
Criando um novo cartão

O novo cartão vem sem título. Vamos dar-lhe um tirado da metodologia de Snyder, “Imagem inicial”. Basta clicar na palavra Untitled e escrever.

Cartão com título
Cartão com título

Temos assim o nosso primeiro cartão. Como já referi, não tem de corresponder obrigatoriamente a uma cena, ao contrário do que acontece, por exemplo, no Final Draft. Uma das vantagens do Scrivener é que cada cartão pode conter tanta informação quanto quisermos. Pode ser uma cena completa, uma parte de uma cena, ou uma sequência com várias cenas. E não somos obrigados a decidir logo: a qualquer momento podemos dividir cartões, combiná-los, agrupá-los, etc.

Escrever uma sinopse

A etapa seguinte é escrever uma sinopse do conteúdo do cartão. A sinopse – que não é obrigatória- é um bloco de texto (do tamanho que quisermos) em que podemos resumir o que acontece na cena ou cenas abrangidas pelo cartão.

Vamos preencher o nosso cartão com uma descrição (retirada do Save The Cat).

Cartão com sinopse
Cartão com sinopse

É importante perceber que o texto da sinopse não é o texto do guião. Se mudarmos para o modo de escrita veremos que o manuscrito continua vazio. A sinopse é apenas meta-informação que fica associada ao cartão e pode ser lida de várias formas; por exemplo, no Inspector.

Manuscrito vazio
O guião continua vazio

Editar a sinopse no Inspetor

Da mesma forma que podemos ler a sinopse no Inspector, também a podemos aí editar.

Editando a sinopse no Inspector
Editando a sinopse no Inspector

Vamos aproveitar para fazer uma coisa que nos será útil a seguir: carregando no menu Label podemos escolher entre várias etiquetas. Neste caso vamos seleccionar Cena mas, com a opção Edit…, também poderíamos criar e escolher qualquer outra etiqueta que fosse mais conveniente.

Atribuindo uma etiqueta
Atribuindo uma etiqueta

Note-se que cada etiqueta tem uma cor (editável) que aparece num canto do cartão. Isto é muito útil para nos ajudar a identificar cartões com características semelhantes. Por exemplo, podemos criar etiquetas diferentes para Enredo Principal e Enredo Secundário, distinguindo-os com facilidade através das cores.

Criando uma etiqueta
Criando uma etiqueta
O cartão com a nova etiqueta
O cartão com a nova etiqueta

Manipular os cartões

Vamos agora ver algumas operações que se podem fazer com os cartões. Para esse efeito preenchi mais alguns com outros passos do 1º Ato da beat sheet de Blake Snyder.

Para duplicar um cartão, temos as opções do costume: na ilustração usámos o menu Documents/Duplicate/With Subdocuments and Unique Title….

Menu Duplicar
Menu Duplicar
O cartão duplicado
O cartão duplicado

Os cartões duplicados trazem o mesmo nome do original, com a palavra copy para distinguir. Podemos mudar o seu nome – neste exemplo, para Catalizador.

Criamos outro cartão (a Viragem para o Segundo), ficando assim com os seis beats que, segundo Snyder, compõem o primeiro ato. Mas estão fora de ordem; a Viragem deveria ser o último cartão.

Nada mais simples: basta clicar no cartão que queremos mover e, sem largar, arrastá-lo para a sua nova posição.

Arrastar um cartão para nova posição
Arrastar um cartão para nova posição

Ficamos assim com um conjunto de seis cartões que podemos continuar a editar a nosso bel-prazer: escrevendo sinopses, atribuindo etiquetas e cores, etc. Podemos também mudá-los de lugar e reorganizar como veremos adiante.

Seis cartões fazem um primeiro ato?
Seis cartões fazem um primeiro ato?

Opções de visualização do quadro.

Como já percebemos, o quadro virtual do Scrivener é muito flexível, mas algumas opções aumentam ainda mais a sua utilidade. Podemos, por exemplo, mudar várias características de visualização dos cartões, usando um pequeno menu no canto inferior direito do editor, no que chamei de Barra de Informações.

Mudar as opções de visualização dos cartões
Mudar as opções de visualização dos cartões

Aí podemos, por exemplo, reduzir o tamanho dos cartões (card size), mudar o seu formato para vertical (Ratio 6×5) e escolher um tipo de letra mais pequeno (Use small font). Uma nota em relação a esta última opção – o formato do texto dos cartões não é editável; não podemos escolher individualmente negritos ou itálicos, nem mudar a sua cor. É pura informação.

Na Barra de Informações há mais dois pequenos ícones que nos permitem escolher entre a visualização em grelha (grid), que temos estado a usar até agora, ou a visualização livre (freeform), que vamos testar de seguida.

Mudar do modo grelha (grid) para o modo livre (freeform)
Mudar do modo grelha (grid) para o modo livre (freeform)

No modo grelha os cartões são arrumados automaticamente no espaço disponível, com margens iguais entre si. Escolhendo o modo de visualização livre podemos arrastar e organizar os cartões para onde quisermos, e até sobrepô-los.

Os cartões re-arranjados no modo livre
Os cartões re-arranjados no modo livre

Repare-se que, ao contrário do modo grelha, no modo livre a mudança de posição dos cartões não altera a sua ordem real. Por exemplo, troquei a ordem dos cartões Apresentação do Tema e Preparação mas no Binder (coluna da esquerda) eles continuam na ordem em que estavam antes.

Se quisermos que a ordem real dos cartões passe a ser a que entretanto definimos, basta carregar no botão Commit Order (em baixo). Vai surgir uma janela pedindo-nos algumas opções – ordenar de cima para baixo ou da esquerda para a direita, por exemplo.

Escolher as opções de ordenação
Escolher as opções de ordenação

Depois basta confirmar (botão OK) e essas alterações serão reflectidas na ordem real do manuscrito, visível no Binder

A nova ordem
A nova ordem

Preferências do modo de quadro virtual

O Scrivener tem um assustador Painel de Preferências (menu Scrivener/Preferences), com centenas de opções. Como dizia o Homem-Aranha, com grande poder vem grande responsabilidade.

A seu tempo será bom explorar as diferentes opções de preferências mas, para já, vamos testar apenas algumas que se aplicam ao quadro virtual (corkboard). Comece por seleccionar o campo Corkboard no painel de preferências. Surgem duas dezenas de opções.

Duas dezenas de Preferências
Duas dezenas de Preferências

Vamos, por exemplo, escolher padrões de fundo para ambos os modos de visualização; alterar o estilo dos cartões; e mudar a fonte dos títulos e sinopses para esse eterno favorito da internet – a Comic Sans ;-) Vejamos o resultado.

As Preferências já aplicadas
As Preferências já aplicadas

Note-se que estas alterações não mudam em nada o texto do guião. Na realidade, depois da criação e manipulação de todos estes cartões, o manuscrito ainda está completamente vazio. O único indício de que algo mudou é que, selecionando Guião, vemos algumas linhas divisórias a separar os limites dos seis cartões.

O guião continua vazio
O guião continua vazio

O modo de quadro virtual tem muitas mais possibilidades e truques para explorar, mas estão fora do âmbito deste curso de iniciação. Está na hora de conhecermos o outro modo de visualização útil para a planificação: o modo de outline, ou escaleta.

O modo de outline ou escaleta

Começamos por seleccionar o ícone de visualização em modo outline na Barra de Ferramentas. O editor muda para uma nova forma de apresentação que, à falta de melhor, podemos comparar com uma folha de cálculo do Excel, dividida em linhas e colunas.

O Editor no modo outline, ou escaleta
O Editor no modo outline, ou escaleta

De cima para baixo vemos sucessivas linhas de texto. Cada linha corresponde a um dos cartões que criámos antes, na sequência em que os ordenámos.

Por sua vez, da esquerda para a direita, vemos colunas com diversos tipos de informação. A primeira coluna, por defeito, inclui o título e a sinopse do cartão. As restantes colunas podem mostrar as etiquetas, o status, ou outras informações à nossa escolha.

A grande vantagem do modo de escaleta é que, por um lado, é muito fácil reordenar a estória; por outro, é muito rápido e alterar a “meta-informação” das restantes colunas.

Vamos começar por restabelecer a ordem correcta do beat sheet. Nada podia ser mais simples: basta clicar no ícone da cena que queremos mudar e, sem largar, arrastá-la para a nova posição.

Reordenando a escaleta
Reordenando a escaleta

Com a linha na nova posição na escaleta, vamos agora alterar algumas informações. Podemos, por exemplo, escrever mais sinopses; mudar a etiqueta de todas as cenas; e alterar o seu status para 1ª Versão. Vejamos o resultado dessas manipulações.

Várias opções alteradas na escaleta
Várias opções alteradas na escaleta

Podemos também criar novas linhas (que correspondem a novos cartões), para o que bastará o atalho Cmd+N ou, tendo uma linha seleccionada, fazer Enter (tecla parágrafo).

Criando novas linhas na escaleta
Criando novas linhas na escaleta

Finalmente, podemos agrupar algumas linhas dentro de outras, criando uma ordem hierárquica. Para isso basta arrastar as linhas que queremos mudar – linhas filhas – para cima da linha mãe.

Reordenando a escaleta em diferentes níveis
Reordenando a escaleta em diferentes níveis

As linhas filhas ficarão num alinhamento um pouco mais à direita que as restantes. Por sua vez, a linha mãe ficará com um pequeno triângulo do lado esquerdo, que nos permitirá visualizar ou esconder as suas filhas.

A escaleta com cenas em diferentes níveis hierárquicos
A escaleta com cenas em diferentes níveis hierárquicos

Para terminar, é importante perceber que todas estas manipulações tiveram as suas contrapartidas no quadro virtual. Se mudarmos para este modo de visualização veremos que a linha mãe é agora representada por uma pequena pilha de cartões.

O mesmo aconteceu no Binder, onde podemos ver que o texto Apresentação do Tema tem dois sub-textos entro de si.

As alterações refletidas no quadro e no Binder
As alterações refletidas no quadro e no Binder

Conclusão

Combinando os dois modos de planificação que o Scrivener oferece – quadro e escaleta – torna-se extraordinariamente fácil organizar, testar e alterar as melhores soluções para os nossos guiões. Compor novas cenas, mudá-las de lugar, agrupá-las e reorganizá-las – tudo se faz num ápice.

No próximo capítulo veremos como se passa da planificação para – finalmente – a escrita.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre os modos de planificação do Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.

Introdução ao Scrivener – 3ª parte

Scrivener 3 - destaque

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. Na terceira parte explico como se organiza um projecto de guião no Scrivener, trabalhando com um template especial que criei e ofereço aos leitores.

Introdução

O Scrivener é um programa de grande versatilidade, que se adapta aos métodos de trabalho de qualquer autor. É possível abrir um novo documento e começar a escrever de imediato o nosso guião, como faríamos com qualquer outro programa de escrita. Mas isso seria desaproveitar todas as possibilidades adicionais que o Scrivener nos oferece.

A mais evidente dessas possibilidades é a flexibilidade com que podemos organizar o nosso projeto. Podemos estruturá-lo como nos for mais conveniente; manter quantas versões quisermos, sem medo de perder trabalho; e até anexar-lhe todos os documentos que for necessário, desde a pesquisa até aos contratos, passando, obviamente, por sinopses, tratamentos, perfis de personagens, etc. Melhor ainda, se tivermos uma estrutura de projeto que gostamos de usar sempre, podemos gravá-la num modelo personalizada para reaproveitar noutros trabalhos.

Para o capítulo de hoje proponho-lhe baixar um destes modelos personalizados, o template de projeto de guião que uso nos meus próprios trabalhos, e adaptá-lo às suas próprias necessidades.

Baixe o modelo oferecido e salve-o no seu computador

O modelo de projeto que ofereço aos leitores chama-se GuioesJN e pode ser baixado aqui:

Modelo Scrivener – Guiões JN (220)

Não se preocupe com o nome; quando o baixar pode baptizá-lo à sua vontade. Faça-o agora e grave-o no seu computador, onde lhe der mais jeito.

Devo fazer agora um pequeno aviso: este modelo foi criado e testado com a versão do Scrivener para Mac. Podem haver algumas diferenças na versão para Windows, mas não devem afectar o essencial do que se segue. No entanto, como não tive oportunidade de testar o modelo no Windows, por favor informe-me de alguma discrepância séria que possa encontrar.

Gravar o template como modelo permanente

O modelo que baixou está pronto para abrir e começar a trabalhar. Mas vamos dar ainda um passo extra e gravá-lo como modelo permanente.

Abra o documento que gravou.

Abrir o modelo GuioesJN
Abrir o modelo GuioesJN

Não repare ainda no documento. Vá direto ao menu File e escolha Save As Template….

Salvar como modelo
Salvar como modelo

Na janela que se segue escolha o nome mais adequado para o seu modelo e altere as outras opções, se quiser.

Grave com o nome que quiser
Grave o modelo com o nome que quiser

Feche o documento e arquive-o ou deite-o fora. Já não precisa dele; a partir de agora está sempre disponível nos seus modelos permanentes.

Criar um novo projeto

Vamos então começar por criar um novo projeto. Escolha o menu *File/New Project…” ou use o atalho Cmd+Shift+N (no Mac).

Crie um novo projeto
Crie um novo projeto

Na janela que se segue seleccione o seu modelo de guião, que estará na secção Scriptwriting. No meu caso chama-se GuiaoJN; no seu terá o nome que lhe deu ao gravar o modelo na etapa anterior.

Escolha o novo modelo
Escolha o novo modelo

Na próxima janela vai escolher um lugar e uma localização para o seu guião. O Scrivener exige sempre que se guarde o documento antes de começar a trabalhar. A partir daí ele próprio se encarrega de ir atualizando a gravação e de fazer backups automáticos.

Grave o seu projeto
Grave o seu projeto

Confirme as suas opções e o Scrivener abrirá uma nova janela com o seu projeto de guião.

A janela do seu novo projeto
A janela do seu novo projeto

No capítulo anterior deste curso já analisámos os aspectos gerais do interface do Scrivener. Se reparar com atenção, esta nova janela tem algumas diferenças, que refletem o facto de ter sido criada a partir de um modelo diferente. Vamos analisá-las com mais detalhe, especificamente o Binder, ou Prateleira.

Organizar o projeto no Binder

O modelo que lhe ofereci está organizado de uma maneira própria, que eu desenvolvi para os meus próprios projetos. Está dividido, de forma geral, em quatro grandes áreas:

O Binder do modelo de guião
O Binder do modelo de guião
  • Na área 1 está o guião propriamente dito. Dividi-o em quatro pastas que, de forma geral, servem para a maior parte dos guiões clássicos: 1º Ato, 2º Ato A, 2º Ato B e 3º Ato. É uma variação do paradigma clássico em que, por razões de conforto, o 2º Ato está dividido em duas partes. Há também uma pasta para a capa, com subpastas para possíveis diferentes versões. Dessa forma posso ter capas alternativas para o mesmo guião. Por exemplo, uma capa de trabalho pode ter informação diferente de uma capa destinada a um concurso. No último capítulo veremos como seleccionar a capa no momento de exportar o guião.
  • Na área 2 encontram-se pastas para ir guardando versões e variações do guião, conforme as for escrevendo; e para gravar outros documentos de apoio – textos originais, sinopses e tratamentos, storylines, etc.

  • A área 3 é dedicada à parte mais burocrática do processo. Tenho uma pasta reservada para o Diário do Guião, em que vou registando tudo o que acho relevante ao longo do processo de escrita. Podem ser ideias, registos de progresso, atas de reuniões, emails, resumo de telefonemas com o realizador e produtor, etc. Há também uma pasta dedicada aos contratos, declarações, currículos e outros documentos que fazem parte da vida profissional de um guionista.

  • Finalmente, na zona 4 estão documentos de referência úteis para ter à mão durante a escrita. Alguns trabalhos exigem uma pesquisa extensa, que resulta em muitos documentos, notas, links, etc. O Scrivener, com a sua capacidade de recolher ficheiros de imagem, vídeo, som, pdf’s, textos, etc., e de organizá-los em pastas e subpastas, é um repositório perfeito para esses materiais de pesquisa.

  • No fim da zona 4 temos ainda três pastas dedicadas a Personagens, Locais e Modelos. Nas primeiras duas podemos reunir cartões com biografias de cada personagem e descrições de qualquer local relevante para a nossa estória. Estes cartões, além das notas escritas, podem ainda incluir fotos. A pasta Modelos, que vem a seguir, merece mais alguma atenção.

A pasta Modelos

A última pasta antes do Lixo tem uma funcionalidade muito específica: guardar documentos que queiramos replicar com frequência. O nosso exemplo inclui duas fichas de base para as descrições de Personagens e Locais. São apenas a tradução das que vêm de origem com o Scrivener e, para ser sincero, não lhes dou muita importância.

O que torna esta pasta interessante é que podemos criar dentro dela quaisquer outros documentos que seja preciso replicar com regularidade.

Imaginemos que queremos ter uma ficha dedicada à preparação de cada cena, organizada como o guionista John August sugeriu. Para esse efeito teríamos que dar os seguintes passos:

  • Abrir a pasta Modelos:
  • Criar um novo texto, no menu Project/New Text, ou com o atalho Cmd+N, ou ainda usando o ícone com o sinal + na base do Binder;
Criando um novo documento
Criando um novo documento
  • Preencher esse novo texto com a informação que queiramos replicar;
Preenchendo o novo documento-modelo
Preenchendo o novo documento-modelo
  • Dar um nome a esse texto, neste caso Modelo de cena.

Para usar o nosso Modelo de cena será suficiente ir para a pasta onde o queremos replicar e escolher o menu Project/New from Template/Modelo de Cena.

Criar um novo texto a partir do modelo - no menu
Criar um novo texto a partir do modelo – no menu

Em alternativa, podemos usar o pequeno ícone em forma de roda dentada na base do Binder.

Criar um novo texto a partir do modelo - no ícone
Criar um novo texto a partir do modelo – no ícone

Ou ainda recorrer ao botão esquerdo do rato (ou Ctrl+clique na pasta) para fazer aparecer o menu local.

Criar um novo texto a partir do modelo - no rato
Criar um novo texto a partir do modelo – no rato

Em qualquer um dos casos, o resultado seria um novo texto na pasta escolhida, preenchido com a informação do nosso Modelo de cena, pronto a ser usado.

Um novo texto pronto a ser usado
Um novo texto pronto a ser usado

Reorganizar o Binder

O exemplo anterior serviu para mostrar como é fácil e simples reorganizar o Binder. Já o tinha referido no primeiro capítulo mas um pouco de exploração mostra-nos as muitas opções que temos para esse efeito. Vejamos alguns exemplos de transformações que poderíamos fazer.

Criar novas pastas

Uma das maneiras mais fáceis de reorganizar o Binder é criar novas pastas. Podem ser criadas tantas quantas quisermos, e onde quisermos – até dentro do próprio manuscrito do guião.

Criar uma nova pasta
Criar uma nova pasta

Podemos criar as pastas a partir do menu Project/New Folder, com o atalho Cmd+AltN* ou usando o ícone da roda dentada na base do Binder. Depois de criadas, devemos dar-lhes os nomes mais adequados.

Escolhendo o nome da pasta
Escolhendo o nome da pasta

Colocar pastas dentro de pastas

Podemos arrastar as pastas criadas para onde quisermos, a qualquer nível. Colocar pastas dentro de pastas (e até dentro de pastas dentro de pastas…) é muito fácil.

Pastas dentro de pastas
Pastas dentro de pastas

Dentro destas pastas podemos colocar outras pastas, ou textos, ou qualquer tipo de documentos. Podemos até colocar textos dentro de textos, o que pode ser útil em algumas situações.

Mudar os ícones das pastas

Finalmente, podemos mudar os ícones das pastas, ou de qualquer texto. Basta escolher o menu Documents/Change Icon… ou, com o botão esquerdo do rato, clicar no ícone atual.

Mudando o ícone de uma pasta
Mudando o ícone de uma pasta

Usando estas opções, podemos organizar o Binder da forma mais adequada ao nosso projeto. A imaginação é o limite.

Uma nova organização do Binder
Uma nova organização do Binder

Conclusão

Como se viu, o Scrivener é perfeito para organizar um guião e todos os documentos a ele associados. Nunca somos forçados a adotar modelos que não nos interessam, pois o programa é infinitamente versátil e adaptável aos estilos e necessidades de cada autor.

No próximo capítulo veremos como esta flexibilidade é aplicável na fase da planificação do guião.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre as possibilidades de organização do Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.

Introdução ao Scrivener – 2ª parte

destaque Scrivener

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. No segundo artigo descobrimos o seu interface, que pode ser um pouco intimidante à primeira vista, mas que é a porta de passagem para todas as funcionalidades do programa.

Começar um projecto no Scrivener

Cada projecto do Scrivener reune dentro de um único ficheiro os documentos que quisermos, de características diversas. Além dos nossos próprios textos, criados no Scrivener ou importados de outras fontes, podemos ter todo o tipo de documentos, como pdf’s, vídeos e páginas web.

Ao abrir o Scrivener somos confrontados com várias opções de modelos de projectos pré-moldados para várias necessidades específicas.

Para efeitos desta série de artigos vamos começar por abrir o modelo “Screenplay”, que encontramos na secção “Scripts”, no lado esquerdo da janela. Antes mesmo de o abrir o programa vai pedir-nos para salvar o projecto. É uma boa altura para escolher um nome e uma localização adequados para o projecto.

Templates do Scrivener

O interface do Scrivener

O primeiro contacto com o Scrivener pode ser intimidante. A janela aparece dividida em vários sectores, com muita informação. Mas analisando segmento a segmento veremos que não há razões para susto. Essencialmente, esta janela está dividida em seis áreas, que adiante iremos analisar com mais detalhe:

As zonas do Scrivener

  1. O Binder, ou Prateleira: a coluna da esquerda permite o acesso a todos os documentos de trabalho dentro do projecto.
  2. O Inspector: a coluna da direita permite definir, ajustar e consultar uma série de propriedades de cada documento do projecto.
  3. O Editor: a janela central é onde se processará todo o trabalho de planificação e escrita.
  4. A Barra de Ferramentas: por cima do Editor encontramos uma barra com ícones que permitem um acesso rápido às funções mais utilizadas.
  5. A Barra de Menus: todas as funções do Scrivener podem ser encontradas na Barra de Menus. Com tempo deverá explorá-las a fundo, mas neste tutorial chamaremos apenas a atenção para as mais importantes.
  6. A Barra de Informações – na base da janela encontramos uma última zona que permite o acesso a mais algumas funções, e também fornece informações sobre os documentos.

Para efeitos do resto deste artigo vamos utilizar um projecto do Scrivener que eu já recheei com cenas da minha curta-metragem “O Presente”.

O Binder, ou Prateleira.

No lado esquerdo encontramos uma coluna que o Scrivener designa como Binder, e que podemos designar como Prateleira. É aí que vão ficar, organizados em pastas, todos os nossos documentos, criados ou importados.

O binder do Scrivener

Neste caso podemos ver um documento chamado Screenplay Format, que já vem com o modelo escolhido, e onde se explicam as bases do formato dos guiões.

De seguida temos uma pasta chamada Screenplay (que tem um ícone personalizado de origem). O Scrivener assume que é dentro desta pasta que estão todos os textos relevantes para o nosso manuscrito.

Dentro dela vemos uma segunda pasta chamada Scenes. Faz parte deste modelo, mas não é obrigatória. No modelo personalizado que vou oferecer num outro artigo da série veremos que eu prefiro criar pastas para cada um dos Atos, o que me ajuda logo a pensar em termos estruturais.

Num terceiro nível da hierarquia temos os textos propriamente ditos. Neste caso cada cena está num texto separado. Isto permite-nos, como veremos mais adiante, mudar-lhes a ordem, vê-las isoladas ou em grupos, imprimir todas ou só algumas, etc.

Regressando ao primeiro nível da hierarquia, temos em seguida uma pasta chamada Front Matter com um único documento, a Title Page. Esta é a forma do Scrivener organizar as folhas de rosto dos manuscritos, separadamente do conteúdo. Pode parecer uma complicação desnecessária mas, como veremos noutro capítulo, acrescenta flexibilidade às opções de exportação. E a flexibilidade, como iremos percebendo, é a essência do Scrivener.

Seguem-se algumas pastas que fazem parte do modelo escolhido: Characters, Places, Research e Template Sheets. Podemos usá-las ou não, alterar-lhes os nomes e as utilizações que lhes damos, mudá-las de sítio ou simplesmente apagá-las. Uma vez mais, a flexibilidade é total.

Por fim, temos o Trash, o lixo, que no funcionamento do Scrivener é apenas uma pasta para onde vão todos os documentos que apagamos. Funciona como uma salvaguarda adicional; já lá fui buscar muitas vezes coisas que apaguei mas depois quis usar novamente.

Só para que se perceba a facilidade com que se muda o Binder, vejamos esta nova imagem do mesmo projecto, depois de uma ligeira reorganização.

O binder do Scrivener, revisto

Mudei o nome das pastas, dividi as cenas do guião em três atos, com uma pasta para cada um, e arrumei todas as restantes pastas, de que não necessito neste momento, dentro da da pasta Pesquisa. Isto demorou exactamente três minutos a fazer.

Algumas coisas a destacar no Binder:

  • As pastas podem ser colocadas dentro de outras pastas, e os documentos dentro destas, nas combinações que quisermos. Essa hierarquia fica reflectida na disposição das pastas, mais para a esquerda ou mais para a direita.
  • Clicando nos pequenos triângulos pretos à esquerda das pastas podemos mostrar ou ocultar os seus conteúdos.
  • As bolinhas numeradas do lado direito indicam o número de documentos dentro de uma pasta. Esta opção tem de ser escolhida nas Preferências, pois não está activada de origem.

O Inspector

Do lado direito da janela temos uma zona designada por Inspector. Esta zona aparece ou desaparece conforme as necessidades, clicando num botão da Barra de Ferramentas.

O Inspector permite-nos criar e aceder um manancial de informação sobre cada documento do projecto, desde etiquetas a notas, passando por sinopses ou status. Ao longo deste curso iremos vendo várias aplicações e usos, mas para já vejamos estas seis:

O inspetor do Scrivener

  1. Para fazer aparecer ou desaparecer o Inspector carregamos num botão na Barra de Ferramentas.
  2. Estes ícones permitem-nos escolher o tipo de informação que vemos em cada momento: Notas, Referências, Palavras-Chave, Etiquetas, Snapshots ou Comentários. Neste caso estamos a ver as Notas.
  3. Podemos escrever uma sinopse de cada cena, que depois está sempre disponível para consulta quando estamos a trabalhar nela.
  4. Aqui indicamos o tipo de documento (neste caso, Cena), e o seu status (aqui um Final Draft). Note-se que Cena foi uma classificação criada por mim, e poderia ter facilmente mudado o status para Terminado.
  5. Nesta área damos algumas indicações sobre opções de exportação do documento. Neste caso, estou a dizer que quero que ele seja incluído na exportação (a que o Scrivener chama Compile) e que quero que apareça as is, ou seja, com o formato que está aqui. No último capítulo falaremos mais da exportação de documentos.
  6. Nesta área podemos escrever quaisquer notas ou ideias sobre este documento. Até podemos copiar para aqui temporariamente pedaços de texto, etc. Há dois tipos de Notas: sobre documentos individuais, ou sobre o projecto no seu todo.

Notas do Scrivener

O Editor

O Editor é onde se passa a maior parte da acção e, por isso, ocupa a zona central da tela. Depois de organizarmos o nosso projeto no Binder e cada cena no Inspector, é no Editor que fazemos o trabalho real de planificação e escrita.

O editor do Scrivener

O Editor aparece-nos normalmente como a área de escrita, muito semelhante à de qualquer outro processador de texto. Temos assim:

  1. Uma barra de ferramentas de edição de texto, onde podemos escolher as opções básicas de formato. Note-se que estas opções se aplicam apenas ao que estamos a ver enquanto trabalhamos. No momento de exportar podemos optar, caso a caso, por opções completamente diferentes, sem mexer nestas. Flexibilidade, certo…?
  2. Uma barra de título que identifica exactamente qual o documento onde estamos a trabalhar no momento. Neste caso, por exemplo, estou dentro da pasta 1º Ato a editar uma selecção de vários documentos (composite) e, especificamente, a cena identificada por INT. POSTO DE GASOLINA – DIA.
  3. A área de trabalho onde vamos escrever. Repare-se que as diversas cenas estão separadas por linhas horizontais. Essas linhas não aparecem na impressão; servem apenas para nos ajudar a identificar os limites dos diversos documentos seleccionados.

Na terminologia do Scrivener os documentos de texto são designados por scrivenings (escritos). Estes documentos podem ser seleccionados temporariamente da forma que quisermos.

Por exemplo, podemos seleccionar a primeira e a última cena do guião, que passam a comportar-se como um documento único para efeitos de edição.

Os scrivenings do Scrivener

Esta funcionalidade, só por si, é extraordinariamente útil. Podemos trabalhar no guião todo ao mesmo tempo, numa cena individual ou em qualquer combinação de cenas nos convenha. Por exemplo, se quisermos rever todos os diálogos de um personagem, basta seleccionarmos todas as cenas em que ele entra (o que, como veremos noutro capítulo) até pode ser automático) e trabalhá-las em conjunto, sem as restantes a atrapalhar.

A Barra de Ferramentas

A Barra de Ferramentas é uma parte integrante da maior parte dos programas modernos. Através de um conjunto de ícones podemos aceder e aplicar as funções mais comuns do Scrivener, sem nos perdermos nos menus (que, como veremos de seguida, são um pouco assustadores).

A Barra de Ferramentas traz uma série de ícones pré-estabelecidos, mas podemos alterá-la e adequá-la às nossas necessidades. Há dezenas de opções por onde escolher, que podemos arrastar para a barra conforme as nossas conveniências.

Opções de ferramentas do Scrivener

Neste exemplo, acrescentei três funcionalidades à Barra de Ferramentas: o modo Script, o modo de escrita Typewriter e os Snapshots.

A Barra de Menus

Os Menus do Scrivener, acessíveis pela respectiva Barra de Menus, no topo da janela, podem ser intimidantes. Há dezenas e dezenas de escolhas, muitas delas com sub-menus e opções adicionais.

Os menus do Scrivener

Não cabe no âmbito deste mini-curso a análise de todos estes menus e sub-menus. Iremos vendo algumas das opções em outros capítulos, quando relevante, mas recomendo a leitura do Manual do Scrivener lado a lado com o programa, para perceber tudo o que pode ser feito.

Duas boas notícias: o Manual é muito bom, completo e bem organizado; e para os nossos objectivos – aprender a escrever um guião com o Scrivener – a maior parte destas opções não são essenciais.

A Barra de Informações

Finalmente, na parte inferior do ecrã, temos o que chamei de Barra de Informações. Está intimamente ligada ao Editor, acrescentando funções ou fornecendo informações adicionais. Podemos, por exemplo, usá-la para alterar os elementos de um guião.

Barra de informações do Scrivener

Os modos de visualização do editor

Nos próximos capítulos vamos analisar o Editor com mais profundidade, mas há uma coisa que será importante percebermos já. Os documentos do Scrivener podem ser vistos e editados em três modos de visualização diferentes, com funções e opções completamente distintas. Estas três visualizações são escolhidas através da Barra de Ferramentas ou por atalhos de teclado (cmd 1, cmd 2 e md 3, no Mac).

Modos de visualização do Scrivener

Através destes atalhos passamos do modo de escrita em que trabalhamos no manuscrito do guião (os scrivenings), que analisámos acima, para os outros dois modos de visualização disponíveis.

Um deles é o modo de Quadro Virtual (Corkboard), em que os textos – no nosso caso, as cenas – são mostrados como cartões individuais, que podem ser arrastados, reorganizados, mudados de sítio e anotados. Veremos tudo isto com mais detalhe num próximo capítulo.

O quadro virtual do Scrivener

O outro modo de visualização é o Outline, em que os documentos de texto – as nossas cenas – aparecem numa tabela onde, além das sinopses, podemos consultar e alterar muitos tipos de informação.

O outline do Scrivener

É importante perceber que estes modos de visualização são apenas janelas para olhar de formas diferentes para o conteúdo do nosso projecto. As alterações que fizermos num desses modos reflectem-se em todos os outros.

Por exemplo, se arrastarmos um cartão virtual para outra posição no quadro, a cena correspondente também muda de ordem no manuscrito do guião.

Conclusão

O primeiro embate com o ecrã inicial do Scrivener pode ser desencorajador. Mas, como pudemos ver neste capítulo, depois de analisados todos os elementos, a sua função e relação fica evidente. Com um pouco de prática, o uso do interface do Scrivener torna-se intuitivo e, simplesmente, deixamos de pensar nele.

Pergunta aos leitores

Ficou com alguma questão sobre o interface do Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe aqui mesmo, ou num dos próximos artigos.

Introdução ao Scrivener – 1ª parte

Scrivener

Nesta série de artigos vamos ver como o aplicativo Scrivener pode ser utilizado para escrever um guião, desde as primeiras fases do planeamento até à entrega do documento final. O primeiro artigo é sobre as dez principais razões para o fazer.

Introdução

O Scrivener é o melhor programa de escrita disponível neste momento, ponto final.

É um programa pago que, normalmente, custa 45 dólares, mas se encontra muitas vezes em promoção por metade dessa tarifa.

Seja em promoção ou pelo preço inteiro, com esse valor adquirimos muito mais do que um simples processador de texto; temos à nossa disposição uma máquina poderosa de produção de conteúdos, que podem ir desde um simples artigo de blogue até um romance épico em dez volumes, passando por teses, dissertações, novelas, etc.

Além disso o Scrivener é também uma excelente opção para a escrita de guiões. Na realidade, de há algum tempo para cá é o programa que uso para toda a minha escrita, audiovisual e outra. Não tem algumas das opções de produção do Final Draft (que, na realidade, não são usadas por nenhuma produtora que eu conheça) mas compensa essa “falha” com um rol enorme de outros trunfos, muito mais valiosos.

Guião no Scrivener

Infelizmente, a riqueza de funcionalidades do Scrivener implica uma curva de aprendizagem um pouco mais exigente. Não é que seja um programa realmente complicado, mas tem algumas particularidades que exigem um pequeno período de adaptação.

Por isso, a partir de hoje e durante as próximas semanas, vou publicar um conjunto de artigos de introdução ao Scrivener, abordando os aspectos gerais do programa e, em particular, as funções mais úteis para os guionistas:

  • 1ª Parte – Dez razões para escrever um guião no Scrivener
  • 2ª Parte – O interface e os modos de visualização
  • 3ª Parte – Organização de um projecto (com oferta de um template especial)
  • 4º Parte – Planificação de um guião
  • 5ª Parte – Escrita de um guião
  • 6º Parte – Exportação de um guião

Os artigos serão publicados todas as sextas-feiras. No final, vou reuni-los num pequeno e-book para oferecer aos assinantes da minha newsletter , como agradecimento da sua fidelidade e apoio.

Dez razões para escrever um guião no Scrivener

Vejamos então porque razões o Scrivener é uma opção perfeita para escrevermos os nossos guiões.

O Scrivener agrupa todos os documentos relevantes para um projecto num único ficheiro.

Além das diversas versões do guião (incluindo as experiências, alternativas e tentativas falhadas), podemos ter as sinopses, tratamentos e escaletas; notas, pesquisas e referências diversas; biografias de personagens e fotografias de locais; documentos em .pdf e páginas web; vídeos e gravações de audio; e até documentos de apoio como contratos, emails, e recibos de pagamento. Tudo sempre à mão, quando precisamos, sem termos de saltar de programa em programa.

Quadro Scrivener

O Scrivener torna a fase de pré-escrita e planificação num verdadeiro prazer.

Como veremos no quarto artigo desta série, temos uma grande variedade de formas de criar, organizar e visualizar as cenas de uma estória, com o nível de detalhe que quisermos. Há, por exemplo, um modo de cartões (quadro virtual) que não tem rival em mais nenhum programa. Para alguém que, como eu, gosta de escrever outlines detalhados de cada estória, só esta funcionalidade justificaria o uso do Scrivener.

O Scrivener é completamente flexível.

O seu funcionamento não nos prende a nenhum modelo narrativo pré-concebido, o que nos permite organizar as nossas estórias exactamente como nos der jeito. Por exemplo, ao contrário do modo de planeamento do Final Draft, em que cada cartão corresponde obrigatoriamente a uma cena, no Scrivener um único cartão pode conter toda uma sequência de cenas ou, pelo contrário, uma cena pode ser dividida em vários cartões.

O Scrivener tem um modo de ecrã completo perfeito.

Esse modo esconde da vista todos os elementos do interface e permite-nos isolar o manuscrito, para nos focarmos completamente na escrita.

O Scrivener permite agrupar temporariamente segmentos distintos do guião.

Podemos, por exemplo, ver em sequência todas as cenas em que entra um determinado personagem, para avaliar a sua coerência. Ou, numa estória com enredos paralelos, podemos isolar cada enredo dos restantes, para análise individual. Estes agrupamentos temporários podem até ser automatizados, o que torna o processo quase instantâneo.

O Scrivener usa etiquetas para organizar os documentos.

Podemos atribuir a cada documento tantas etiquetas quantas quisermos, organizadas da forma que nos for mais conveniente. Queremos distinguir as cenas de dia das cenas de noite? As interiores das exteriores? As que estão terminadas das que ainda estão por rever? As cenas em que há mortes? Em que há chuva? Em que há gatos? Basta etiquetá-las adequadamente e estão instantaneamente ao nosso alcance. Esta funcionalidade, combinada com a descrita no ponto anterior, permite-nos analisar o nosso guião sob um número infinito de lupas.

O Scrivener tem uma função de salvaguarda incomparável.

Temos, a qualquer momento, a opção de tirar um “instantâneo” (snapshot) de uma cena, sequência ou até do guião completo. A partir daí, podemos escrever à vontade, com a segurança de saber que, se não gostarmos do caminho tomado, o texto original está guardado a um clique de distância. Não há limite para o número de snapshots. A confiança que isto nos dá para tentar novas cenas e abordagens não tem preço.

Modelos no Scrivener

O Scrivener traz de origem vários modelos de formatos de guião.

Podemos começar logo a escrever num formato padronizado, ou podemos alterar todos os aspectos de cada elemento do texto de acordo com as nossas necessidades. Por exemplo, no último guião que escrevi o realizador quis ver como ficavam os diálogos em negrito. Fazer essa mudança no guião completo demorou menos de 30 segundos. Os modelos alterados podem até ser gravados para usar em outros projectos. No terceiro artigo desta série irei oferecer o modelo que eu próprio uso neste momento.

O Scrivener é um ás na exportação de ficheiros.

O processo, a que o programa chama “compilação”, permite-nos produzir documentos em todos os formatos imagináveis: Final Draft, .pdf, .doc, .fountain, texto simples, e até formatos para e-book. Além disso, podemos optar por exportar o guião completo, ou qualquer combinação de cenas. Queremos exportar em .pdf apenas as cenas em que o protagonista entra? As cenas do enredo amoroso? As cenas da locação x? Desde que as tenhamos devidamente etiquetadas, nada mais fácil.

O Scrivener é extraordinariamente estável.

Não me lembro de alguma vez ter tido um problema com um ficheiro, ou de ter perdido uma única linha de texto por culpa do programa. Mesmo os documentos que apagamos vão para dentro de uma pasta (a lixeira) onde permanecem até decidirmos esvaziá-la definitivamente. Adicionalmente, o programa ainda faz um backup automático do projeto em curso. Combinando isto com boas práticas de segurança, é impossível perdermos um trabalho

Conclusão

Como se vê, são muitas as razões para usar o Scrivener. No próximo artigo começaremos a ver na prática como isso se faz.

Pergunta aos leitores

Há alguma questão particular que gostasse de ver esclarecida sobre o Scrivener? Deixe a sua dúvida nos comentários abaixo e tentarei responder-lhe num dos próximos artigos.