Guiões brasileiros gratuitos disponíveis na net

O leitor Hugo escreveu-me a propósito de um artigo recente em que peço aos produtores de língua portuguesa para colocarem guiões na net.

Concordando com a importância dessa iniciativa, o Hugo aproveita para dar uma informação muito útil: “Aqui no Brasil, temos uma excelente iniciativa, a Coleção Aplauso: são quase 200 livros sobre a história do cinema, do teatro e da televisão brasileira, com vários roteiros completos (alguns até mesmo comentados pelos autores e/ou produtores). Os livros podem ser baixados gratuitamente pelo site: http://aplauso.imprensaoficial.com.br/lista-livros.php“.

A colecção é realmente muito interessante e rica. Além de inúmeras biografias de pessoas do cinema inclui textos de análise crítica, e ainda vários guiões (_roteiros_, no Brasil) de cinema e televisão, incluindo o primeiro guião escrito no Brasil, em 1933: “O Caçador de Diamantes”, de Vittorio Capellaro.

Fica aqui o agradecimento ao Hugo por esta sugestão, que vai seguramente fazer as delícias de muitos leitores.

Colecção Aplauso

Porque é que os produtores de língua portuguesa não colocam os seus guiões na net?

Nas últimas semanas os estúdios americanos têm vindo a colocar na net, para baixar, os guiões que consideram dignos de consideração para os Óscares. Pode encontrá-los, por exemplo, aqui, aqui e aqui.

É um ritual que se repete todos os anos e que permite aos estudantes de guião ler e estudar dezenas de bons guiões. Infelizmente, são todos em língua inglesa.

Porque é que os produtores dos países de língua portuguesa não fazem o mesmo aos guiões dos seus filmes?

Não existe mercado editorial para os guiões, salvo as mais raras das excepções, por isso não perderiam nada com isso. Pelo contrário: a divulgação dos guiões poderia servir de incentivo para ver os filmes ou comprar os DVD’s.

Com essa medida os produtores conseguiriam, também, promover os seus filmes para as cerimónias de prémios existentes nos seus países. Podem não ter o impacto dos Óscares, mas não deixam de ser importantes meios de divulgação.

Na pior das hipóteses, contribuiríam para formar uma nova geração de melhores argumentistas, o que a médio prazo só poderia beneficiar o cinema e, consequentemente, os próprios produtores.

Fica a ideia. E eu até ofereço este site para os arquivar, divulgar e distribuir, junto daqueles que  já disponibilizo.

Fernando Meirelles na abertura do 8º Amazon Film Festival

Imagem de Xingu, filme dirigido por Cao Hamburger e produzido por Frnando Meirelles

Ontem à noite assisti à cerimónia da abertura do 8º Amazonas Film Festival, que decorreu no Teatro Amazonas, no centro histórico de Manaus.

Fiquei na plateia, sentado a três cadeiras de Fernando Meirelles, o conceituado diretor de Cidade de Deus e Blindness, que foi o homenageado da noite e é o presidente de honra do júri deste ano.

Depois dos discursos e homenagens da praxe assistimos à estreia mundial do novo filme do diretor Cao Hamburguer, Xingu. Apesar de ser um belo filme não atingiu o patamar do seu trabalho anterior, O ano em que meus pais saíram de férias.

O problema é, essencialmente, do guião.

Do ponto de vista técnico e artístico Xingu é muito bom; os atores são irrepreensíveis; as paisagens, obviamente, são de cortar a respiração; e até funciona muito bem como narrativa histórica, quase documental, da criação do Parque Nacional do Xingu.

Infelizmente, a nível emocional, revela-se um pouco frio e distante. Contido demais. É um filme que dificulta o envolvimento e a identificação do espectador, com grandes cenas, mas sem nenhuma verdadeiramente emocionante.

É uma constatação estranha, pois o tema promete muito: a luta dos três irmãos Villas-Boas, no terreno e nas instâncias políticas, para criar a maior reserva indígena do mundo.

O filme é uma saga de três jovens da cidade, de boas famílias, que trocam tudo, e tudo sacrificam, por uma causa que, à partida, nem é sua – a proteção dos direitos e do estilo de vida dos índios amazonenses.

O que aconteceu, na minha modesta opinião, foi que os roteiristas (vários) tiveram de encaixar três protagonistas, muitos fatos históricos, imensa informação de contexto, e um rol de eventos que se desenrolam ao longo de duas décadas – tudo na duração normal de uma longa metragem comercial. Não medi o tempo exato, mas penso que o filme não terá mais de duas horas.

Ora se há uma regra de guionismo que normalmente bate certo é que a profundidade da análise dos personagens varia no sentido inverso do número de ações do enredo. Quanto mais enredo, menos personagem; quanto mais personagem, menos enredo.

A prova é que as cenas mais tocantes são as que exploram as relações entre os três irmãos, ou a relação de um deles, Cláudio, com um filho não assumido. Mas estas cenas mais humanas são imediatamente abafadas pelo tropel dos acontecimentos, e perdem-se na memória.

Qual seria a solução? É muita presunção minha querer encontrá-la aqui, mas acho que o filme teria ganho em se focar mais na perspetiva de um dos irmãos – possivelmente o já referido Cláudio.

O guião dá alguns passos nesse sentido, mas demasiado tímidos. Talvez a preocupação com a verdade histórica, e com as sensibilidades de herdeiros e familiares tenha tolhido um pouco as mãos dos autores. É o que dá escrever sobre eventos reais – é mais fácil escrever o Avatar quando os protagonitas são azuis e vivem noutro planeta.

De qualquer forma Xingu é um bom filme, que não vai decepcionar os espectadores e que poderá fazer uma carreia simpática em alguns festivais. Mas não é ainda o filme que vai projetar Cao Hamburger para o patamar de, por exemplo, Fernando Meirelles.

Fernando Meirelles, produtor de Xingu.

A propósito do Fernando Meirelles: depois do filme ouve uns petiscos e eu aproveitei para me apresentar a ele.

É claro que o senhor – que, diga-se desde já, foi muito simpático e cordial –  nunca se vai lembrar do meu nome, nem em que circunstâncias nos cruzámos.

Mas pode ser que da próxima vez que nos encontremos ele me ache familiar, e isso possa ajudar de alguma forma. Não me importava nada de escrever um guião para ele. Sonhar não custa.

Fazendo Cinema Jaraguá

Divulgação de evento: Fazendo Cinema Jaraguá – 28, 29 e 30 de outubro

Ideias viram roteiros. Roteiros viram filmes. Filmes inspiram ideias

Boas ideias nascem em qualquer lugar, inclusive as usadas no cinema.

Por isso, gostaria de apresentar o Fazendo Cinema Jaraguá. O evento oferecerá workshops de Construção de Personagem e de Linguagem Audiovisual. Haverá ainda bate-papo com o produtor Caio Gullane (O ano em que Meus Pais Saíram de férias, Carandiru, As melhores coisas do Mundo) e com o diretor Esmir Filho, famoso pelo webhit "Tapa na Pantera".

O evento é gratuito e aberto ao público. Somente os workshops contam com vagas limitadas e pedem inscrição. Curta nossa página no Facebook e assim você será avisado quando ocorrer a liberação das inscrições. Os fãs ainda concorrem a uma pequena lembrança, o livro 1001 Filmes para ver antes de morrer.

Confira a programação.
Caso esteja de acordo, ajude a divulgar o evento.
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twitter.com/fazendocinema

Publicitários brasileiros mostram que sabem escrever mais de 30 segundos

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Os publicitários brasileiros têm-nos deliciado com muitos dos melhores e mais premiados spots de publicidade para televisão. Agora têm a a oportunidade de mostrar que também sabem escrever em formatos mais longos.

O CrieCurta é uma festival de roteiro de curtas metragens, que tem como prémio a produção das melhores obras. O site é uma rica fonte de informação sobre curtas metragens, que vai interessar mesmo a quem não possa participar no concurso, reservado a publicitários no Brasil.

Sobre o concurso, passo a palavra à organização:

CRIECURTA

Publicidade e Cinema de Mãos Dadas

Expressar e criar sem interferência. Revelar e desenvolver novos talentos. Isto é o CRIECURTA , concurso nacional de roteiros de curta-metragem para os profissionais de criação das agências de publicidade. As inscrições estarão abertas até 10 de outubro. (Veja o regulamento)

Idealizado pela cineasta Bia Flecha e a diretora executiva Magda Barbieri, sócias da Brasileira Filmes, a 2ª edição do CRIECURTA premiará os 10 melhores roteiros com a produção dos mesmos. O tema é livre.

O projeto é um grande exercício de criatividade, amadurecimento e liberdade. Oferece aos criativos a oportunidade de vivenciar o cinema fora do universo da agência com liberdade para criar e roteirizar, transformando essa expressão autoral em filme. É gostoso pensar diferente, criar pra outra finalidade, dá uma oxigenada”, explica Bia.

Para a produção dos curtas, a Brasileira Filmes vai disponibilizar vagas para técnicos da área do audiovisual e estagiários.

O anúncio dos roteiristas vencedores acontecerá no dia 26 de outubro através das redes sociais e imprensa. Logo após a finalização dos 10 curtas, será realizado um evento para a exibição dos mesmos. Local a definir.

O CRIECURTA tem o incentivo da Lei Rouanet (Governo Federal) e do PROAC (Programa de Ação Cultural do Governo Estadual).

Sobre 1º CRIECURTA

  • 10 curtas-metragens.
  • Mais de 210 roteiros inscritos.
  • Mais de 350 pessoas envolvidas na produção.
  • Mais de 40 dias de produção.
  • Lançado no 16º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
  • Exibido no Canal Brasil durante 2 anos, tendo sido renovado por mais 2 anos.
  • Exibido nos Clubes de Criação de Publicidade em Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Salvador e Recife.
  • Curtas-metragens selecionados e premiados em diversos festivais nacionais e internacionais.

Roteiros vencedores e produzidos:

 

  • GOTAS DE CACAU RHODEN / ROTEIRO: RODRIGO ESPÍRITO SANTO
  • MENINOS DE AREIA DE CACAU RHODEN / ROTEIRO: ALEXANDRE STAMM
  • ULTRAVIGIADO DE CACO SOUZA / ROTEIRO: ALEXANDRE CATARINO
  • OUTRAS OPÇÕES, AGUARDE DE CACO SOUZA / ROTEIRO: FÁBIO BRANDÃO E JOSÉ ROBERTO VALENTE
  • REFÉM VOLUNTÁRIO DE LEA VAN STEEN / ROTEIRO: RENATA LEÃO
  • A HISTÓRIA SECRETA DO TELEMARKETING DE BIA FLECHA / ROTEIRO: DANIEL FUNES
  • DESAVISADOS DE BIA FLECHA / ROTEIRO: CHRISTINA MURAD
  • CAIXA FORTE DE ESTEVAN SANTOS / ROTEIRO: RODRIGO ALMEIDA
  • 200g DE ESTEVAN SANTOS / ROTEIRO: VILMA SCHIANTE
  • REFÉM DE RENATA RICO E SIMONE CASSAS / ROTEIRO: CLÁUDIO DE OLIVEIRA

Sobre Brasileira Filmes

Brasileira Filmes é uma produtora de publicidade e conteúdo audiovisual, fundada há seis anos pela cineasta Bia Flecha e a diretora executiva Magda Barbieri.

Além de publicidade , produziu o curta-metragem para NOKIA Trends O Dia Em Que o Carro da Alê Saiu pra Dar um Rolê , de Bia Flecha e também co –produziu os curtas-metragens Clinch, de Estevan Santos, A Casa da Praia, de Sandro Casarini e Último Caso, de Erez Milgrom.
Atualmente, além da segunda edição do CRIECURTA, a Brasileira Filmes desenvolve projetos de ficção em longa-metragem ; além do documentário Costanza, sobre Costanza Pascolato. Outras iniciativas incluem os projetos: Anselmo Duarte, Restaurando o Cinema Brasileiro, Memória Viva, e Samba Começa Com…

Distribuição independente

Um site promete a distribuição alternativa e independente de curtas, longas, documentários e animação, é o Filmes que Voam. Chico Faganello é o criador do projeto que surgiu a partir de discussões coordenadas por ele sobre TV Digital e Novas Mídias.

A proposta é o consumo ético. “Você pode baixar sem se sentir responsável por pirataria, porque permitimos o download dos filmes licenciados”, conta Faganello. O site também disponibiliza filmes para celular.

Ainda segundo ele, os filmes são escolhidos pela importância do tema, proposta e “uma história que mereça ser contada”. Os filmes infantis que estão disponíveis são os mesmos selecionados para a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Alguns desses filmes disponibilizam também os roteiros, tornando a experiência completa para os escritores de plantão.

Então entre e aproveite os filmes que voam

YouTube lança canal dedicado ao cinema brasileiro

Foi para o ar nesta terça-feira (05) o canal do YouTube que promete oferecer a cobertura dos principais festivais brasileiros, além de dar espaço para curtas, longas e para promoção de filmes nacionais.

A inauguração oficial será nesta quinta-feira (07), com o início do Festival de Cinema de Paulínia, oferecendo conteúdo original e exclusivo sobre o evento.

Como aperitivo, já está disponível no canal o Making Of do filme Cilada.com do roteirista, humorista e protagonista da história, Bruno Mazzeo. O filme estreia esta semana no país.

É conferir para ver o que o canal irá oferecer!

www.youtube.com/cinema

Roteiros para download

A coleção Aplausos lançou uma versão online onde seus livros podem ser baixados gratuitamente. Entre os 170 livros disponíveis para download estão vários roteiros de filmes brasileiros como Estômago de Marcos Jorge ou As melhores coisas do mundo de Luiz Bolognesi. Além dos roteiros, também estão disponíveis biografias como as de Mazzaropi e Fernando Meirelles.

Os livros estão disponíveis no site em pdf e txt. 

 Alguns dos roteiros:

Estômago – Roteiro de Lusa Silvestre, Marcos Jorge e Cláudia da Natividade

As melhores coisas do mundo – Roteiro de Luiz Bolognesi Direção de Laís Bodanzky

Cabra-Cega – Roteiro de Di Moretti Comentado Cena a Cena por Toni Venturi e Ricardo Kauffman

Chega de Saudade – Roteiro de Luiz Bolognesi

Cidade dos Homens – Roteiro de Elena Soárez

É proibido Fumar – Roteiro para longa-metragem de Anna Muylaert

Biografia Prematura de Fernando Meirelles