
O guião perdido do Indiana Jones IV vazou para a net. Apanhe-o enquanto é tempo.
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Shrek, o filme animado, tem uma particularidade muito rara: deu origem a duas sequelas em que a qualidade não caiu a pique, como infelizmente é tão frequente. Descubra aqui porquê.
NOTA: este artigo já tinha sido publicado antes numa versão amputada por engano. Agora fica aqui o texto completo final.

Há um ano atrás estive particularmente activo neste blogue. Talvez valha a pena recordar algum desses artigos.

As ideias são o ganha-pão de um guionista. Ajudar a encontrá-las é o objectivo deste quinto artigo do “Curso de Guionismo”.
Como os meus leitores habituais já devem saber, John August é um dos meus guionistas favoritos, quer pelos seus guiões produzidos (destaque para “Big Fish”) quer pelo blogue que mantém na net.

Há algum(s) guionista(s) que admire particularmente, para além de Tarantino, que mencionou há pouco tempo? Se sim, qual, e onde poderei consultar algum dos seus guiões? — Berni
Berni, há muitos e de muitas épocas e estilos diferentes — William Goldman, Robert Towne, Paul Thomas Anderson, Cameron Crowe, Richard Curtis, Frank Darabont, David Mamet… e tantos mais. Faz bem em lê-los a todos para ficar com uma ideia da diversidade das suas maneiras de escrever, aprender diferentes soluções narrativas, técnicas e estilísticas, e para se inspirar. Como regra geral, se um filme foi bom o guião também deve ter sido, e por isso terá todas as vantagens em lê-lo.
Read more on Perguntas & Respostas: guionistas favoritos…
No outro dia, ao ouvir na TSF dois spots publicitários seguidos praticamente iguais, comecei a pensar nos clichés da publicidade na rádio. Lembrei-me de cinco que, mais tarde ou mais cedo, todos os redactores publicitários em quebra de inspiração são tentados a reproduzir.
Dentro de um livro fechado num caixote no qual já não mexia há muitos anos encontrei uma pequena nota, manuscrita pelo meu punho (é indiscutivelmente a minha letra feia e imatura), com duas frases enigmáticas: “Pilinha de um menino de 5 anos” e “2 cegos à porrada”. Não faço ideia ao que me estava a referir quando escrevi aquilo. Cenas de uma história que imaginei? Anedotas que me contaram e eu não quis esquecer? Ideias para uma campanha publicitária? Acho que nunca o saberei. Mas é mais um motivo para lamentar nunca ter levado a sério a anotação das minhas ideias, reflexões e memórias, sob a forma de um diário ou outra qualquer. Este blogue, que entra agora no terceiro ano, é um recorde absoluto. E mesmo assim dará apenas uma ideia muito vaga do que eu vivi, pensei e senti durante este período. O resto, o que ficou para trás, está cada vez mais condenado ao esquecimento. O que não é necessariamente um problema — meditações sobre órgãos genitais de menores, e portadores de deficiências visuais envolvidos em manifestações físicas de antagonismo, não são muito bem vistas nos dias que correm…
Recebi hoje um mail com o link para um Conjugador de Verbos da Língua Portuguesa. Quem trabalha com a nossa complicada língua pode acrescentar mais esta ferramenta aos favoritos. Do browser e da caneta.
Terminei finalmente de reler e anotar o romance que estou a adaptar para cinema.
Como tinha previsto num artigo anterior, esta fase demorou mais do que tinha planeado inicialmente. Mas é natural — esta releitura foi mais cuidadosa e profunda do que a primeira, tomei muitas notas, já comecei a delinear a estrutura do filme e a criar novas cenas e situações. Aproveitei também para sublinhar os diálogos mais importantes, que gostaria de fizessem parte do guião final.
Enquanto estava na esplanada um miúdo de rua pediu-me dinheiro. Tinha dois pensos grandes na testa, cruzados como nos desenhos animados, mas sem a graía dos desenhos animados.
Estava descalío. Por um momento pensei em dar-lhe as minhas havaianas e regressar assim a casa, afinal de contas era só atravessar a rua. É claro que o bom-senso prevaleceu.
Acho que devia haver um sistema de gestão de filas para os problemas, como aqueles que há nos bancos e repartiíões públicas. Os problemas chegavam, tiravam a senha cor-de-rosa, e esperavam calmamente pela sua vez. Em vez de se amontoarem todos no balcão, a querer ser atendidos em primeiro lugar.
Descobri ontem que há moedas em Angola. Moedas, redondinhas, de metal, daquelas que tilintam nos bolsos e se jogam ao ar para tirar sortes.
Depois de um ano e meio a manusear notas (geralmente sebentas) sem que nenhuma moeda me passasse sequer pela vista, muito menos pelas mãos, fui ontem informado da sua existência. Não quis acreditar, mas juraram-me que sim. Hoje, na caixa do restaurante, perguntei à empregada se tinha alguma. Com um sorriso, a moça ofereceu-me uma de 5 kuanzas.
Os angolanos têm alguma tendência para inventar quando não sabem a resposta exacta a uma pergunta. Um exemplo desta generalizaíão passou-se comigo logo que cheguei aqui.
Reparei que nas ruas havia muitos carros identificados por um autocolante com as letras “NL”. Perguntei ao meu motorista na altura, o G., o que é que aquilo queria dizer.
“Novos Licenciados” — respondeu-me ele sem hesitar. “São os jovens que tiraram a licenía de conduíão há pouco tempo”.
Aceitei a explicaíão sem mais questões, e só algum tempo depois percebi que os autocolantes “NL” queriam dizer “Netherlands”. Estão nos carros usados importados da Holanda, da mesma forma que os autocolantes “CH” vêm da Suíía e não significam “Condutores Hexperientes”
Um hábito desagradável que os angolanos (ou, pelo menos, os luandenses) têm é o de urinar para onde estão virados. Quando a necessidade aperta, independentemente de onde estão ou de que horas sejam, sacam do instrumento e aliviam-se. É verdade que todos nós, num momento de pressão e desespero, já fizemos isto — de algum lado vem o ditado “quando mija um português…”. Mas normalmente é í noite, depois de uns copos a mais, e sempre aproveitando o escuro de uma viela ou a protecíão de uma árvore. Aqui, não. Se for í hora de ponta, na avenida mais movimentada da cidade, e calhar estarem virados para o trânsito, é nessa direcíão que a arma dispara. Acho que vou comeíar a fazer um estudo científico de formas e dimensões — já sei que todos os dias terei dois ou três espécimes novos para analisar.