Domingo fomos ao cinema pela segunda vez. Mais precisamente ao Cine-Atlântico, magnífico exemplar da arquitectura colonial do pós-guerra. É um grande anfiteatro coberto mas sem paredes laterais, o que o torna bastante arejado e agradável nas noites quentes de Luanda. Fomos ver um filme de acíão, “Anacondas”. O filme, em si, não merece comentários — é um produto mediano da indústria americana de vender pipocas. Mas a experiência de o assistir naquela sala é inultrapassável. O cinema estava apenas meio cheio, mas cada espectador valia por dois. Nas cenas de acíão, e especialmente quando os heróis ultrapassavam um obstáculo qualquer, toda a gente aplaudia, gritava, incentivava. Numa cena em que uma heroína decapitava uma anaconda gigante, salvando um companheiro, até houve quem se pusesse em pé. Se fossem só meia dúzia de mal-educados, como em Portugal, seria desagradável. Assim, com toda a sala a vibrar na mesma onda, é uma erupíão colectiva de alegria, de entusiasmo, uma manifestaíão da magia da 7ª arte. A verdadeira festa do cinema.
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