Por questões contratuais, suspendi por tempo indeterminado o desenvolvimento do Projecto Z. O cinema é um casamento entre arte e negócio e por vezes os interesses de um desses cônjuges não estão completamente alinhados com os do outro. Uma parte de mim ( o “artista”…) continua cheio de vontade de continuar a escrever e trabalhar. O livro que estou a adaptar é apaixonante e pode dar um filme sensacional, actual e de grande impacto. Mas a outra parte de mim mais racional ( o “negociante”…) diz que é melhor esperar que as papeladas estejam tratadas antes de investir mais tempo e trabalho no projecto. Falo de contratos de opção, autorizações escritas, documentos e coisas legais, etc. São uma chatice, mas fazem parte da vida de um guionista. Se o nosso lado entusiasta, de autor, de criativo, se sobrepõe demasiadas vezes ao lado mais burocrático, de empresários, arriscamo-nos a estar sempre a trabalhar para o boneco, como se dizia antigamente. Já tive uma má experiência nesse campo (“Mingos & Os Samurais”, sobre a qual escreverei aqui um dia) e não quero que ela se repita. Assim, prefiro aguardar mais um pouco e só recomeçar a trabalhar quando tiver a certeza de que não será em vão. Mas lá que é difícil manter os dedos longe do teclado, é…
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