
Já se sentiu perdido no meio de um filme? Está a escrever mas não sabe que vilão é o melhor para si? A resposta está aqui.
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Já se sentiu perdido no meio de um filme? Está a escrever mas não sabe que vilão é o melhor para si? A resposta está aqui.
Está disponível para descarga o primeiro manual de escrita de guião, ainda dos tempos do cinema mudo. Interessante para quem tenha curiosidade por estas coisas.

Descobri hoje a origem do termo ‘escaleta’, que usamos em Portugal para traduzir o inglês ‘outline’, ou mais especificamente, ‘step-outline’.

Estrutura. O conceito não é fácil de explicar, pois está muito intimamente relacionado com o enredo. Mas neste novo artigo do Curso Rápido de Guião vou fazer uma tentativa.

Seleccionar e organizar os acontecimentos que compõem um enredo, de uma forma económica e atractiva, é uma das principais tarefas do guionista. É sobre ela que nos vamos debruçar neste artigo.
Começa na próxima segunda-feira, 18, o Lisbon Village Festival, mais uma oportunidade para os lisboetas se porem a par do que se vai fazendo em cinema por esse mundo fora.
Destaque para o filme exibido na cerimónia de abertura, “The Lovebirds”, com guião de John Frey e Bruno de Almeida, e realizado por este último, que conta com um casting verdadeiramente internacional; para as mostras de história do cinema, de cinema de animação e de cinema polaco; e, obviamente, para a presença de Robert de Niro, que será homenageado com a exibição da obra-prima “Novecento”, escrita por Franco Arcalli e Bernardo Bertolucci, que também a dirigiu.
Dentro de um livro fechado num caixote no qual já não mexia há muitos anos encontrei uma pequena nota, manuscrita pelo meu punho (é indiscutivelmente a minha letra feia e imatura), com duas frases enigmáticas: “Pilinha de um menino de 5 anos” e “2 cegos à porrada”. Não faço ideia ao que me estava a referir quando escrevi aquilo. Cenas de uma história que imaginei? Anedotas que me contaram e eu não quis esquecer? Ideias para uma campanha publicitária? Acho que nunca o saberei. Mas é mais um motivo para lamentar nunca ter levado a sério a anotação das minhas ideias, reflexões e memórias, sob a forma de um diário ou outra qualquer. Este blogue, que entra agora no terceiro ano, é um recorde absoluto. E mesmo assim dará apenas uma ideia muito vaga do que eu vivi, pensei e senti durante este período. O resto, o que ficou para trás, está cada vez mais condenado ao esquecimento. O que não é necessariamente um problema — meditações sobre órgãos genitais de menores, e portadores de deficiências visuais envolvidos em manifestações físicas de antagonismo, não são muito bem vistas nos dias que correm…
Vou pegar esta semana num guião de cinema de animação que escrevi em Angola para a StopLine Filmes. Chama-se “Moli” e é uma história original minha, baseada numa personagem criada inicialmente para televisão pelo Humberto Santana, da Animanostra (que também está envolvido neste projecto). A primeira versão do guião, que terminei em Novembro do ano passado, foi muito bem recebida. No entanto, como é natural, há muita coisa a ser afinada ou melhorada. É esse processo de reescrita que vou iniciar agora, a partir de notas de leitura de várias pessoas, de discussões com os produtores e da reflexão que eu próprio fiz sobre o que escrevi.
Ainda num registo de crítico musical improvisado, uma nota de audição sobre um disco que já ouvi centenas de vezes, embora há muito tempo atrás. Os meus dois filhos são fans dos “Green Day” e ouvem “American Idiot” sem parar. Resolvi apresentar-lhes o “Never Mind the Bulllocks Here’s the Sex Pistols”. Expliquei-lhes que eram os pais musicais e espirituais da banda de que eles tanto gostam, e que foram muito importantes para mim quando era jovem. Mas quando lhes toquei “Hollydays in the Sun” a reacção não foi a que eu esperava: “Isto é muita mau! Não nos faças sofrer mais”. E as músicas seguintes não mudaram a primeira impressão. Até posso perceber porque é que não gostaram do disco. Johnny Rotten não tem cordas vocais; tem um giz de má qualidade a riscar um quadro negro velho. As guitarras são básicas, estridentes e repetitivas. As letras (se é que se lhes pode chamar assim) são gratuitas e mal se entendem. Descolados de um momento na história e de um contexto na sociedade, quando o disco toca ouvimos apenas uma banda cujas fragilidades são evidentes. Mas, por favor, são os Sex Pistols. Haja respeito.
Terminei finalmente de reler e anotar o romance que estou a adaptar para cinema.
Como tinha previsto num artigo anterior, esta fase demorou mais do que tinha planeado inicialmente. Mas é natural — esta releitura foi mais cuidadosa e profunda do que a primeira, tomei muitas notas, já comecei a delinear a estrutura do filme e a criar novas cenas e situações. Aproveitei também para sublinhar os diálogos mais importantes, que gostaria de fizessem parte do guião final.
Dia 25 deste mês, se tudo correr como está previsto, regresso definitivamente a Portugal, depois de quase dois anos em Angola.
É um capítulo da minha vida que se vai fechar. Um capítulo que eu voltaria a escrever da mesma maneira, mais coisa menos coisa, se tivesse oportunidade de voltar ao início, í quela noite em que desembarquei aqui em Luanda e senti pela primeira vez o ar quente e húmido do verão angolano.
Conforme vou lendo e anotando o romance, e passando essa anotaíões para o software de estruturaíão, comeíam a surgir ideias para o guião. Read more on O fluxo das ideias…
Já reli e anotei as primeiras 90 páginas do livro. Dessa leitura ressaltam mais dois problemas específicos que vão exigir uma ateníão especial: a questão dos flashbacks e o contexto político da história. Read more on Opíões e equilíbrios…
“Mbewu kalondi kocisingi, omanu vakapako†quer dizer “o cágado não consegue subir na árvore por si sóâ€. No jornal “A Capitalâ€, de onde tirei este provérbio (ediíão de 17 de Junho de 2006), ele aparece como prova de que os ovimbundu são democráticos por excelência. O cágado (o soba) não sobe sozinho í árvore; são as pessoas que o colocam lá (o elegem).
Ontem vi o filme mais assustador dos últimos tempos: A Descida, do guionista/realizador Neil Marshall. É um daqueles filmes que conforme o tempo passa nos vão empurrando para a beira do sofá, cada vez mais tensos, cada vez mais horrorizados.
A história é simples. Seis amigas com gosto pela aventura e desportos radicais exploram uma gruta, onde encontram uma tribo de hominídeos com tendências canibais. O mais incrível é que estes monstros, que parecem uma mistura do Gollum com o Alien, só aparecem a mais de metade do filme mas o realizador, por essa altura, já nos conseguiu prender numa ambiente de terror e pregar meia dúzia de sustos.
Read more on Assustador…
Há um tema recorrente em Angola que nunca abordei aqui: a corrupíão.
Não estou a falar dos esquemas dos ricos e famosos, dos poderosos, dos governantes e deputados, de que tanto se ouve falar, nos jornais e nas conversas de café. Não os testemunhei (não jogo nesse campeonato) e acho que seria abusivo pôr-me a falar do que não conheío. Noto apenas que as notícias e reportagens que saem nos semanários, com acusaíões por vezes gravíssimas, dariam para encher um departamento inteiro da Procuradoria Geral, com processos contra os acusados… ou contra os jornais.
Refiro-me antes ao pequeno suborno, í notazinha que se passa para apressar um processo, ao favor comprado. Enfim, í “gasosa”.
Imagino que a designaíão de “gasosa” tenha nascido num período da história recente angolana em que os pagamentos com bens de consumo — escassos e distribuídos de forma desigual — eram correntes. O C. diz-me que os pais costumavam alugar umas casitas na praia para passar os fins-de-semana e pagavam, precisamente, com caixas de gasosas e outras bebidas. Mas isto é apenas uma teoria, pois ninguém me conseguiu ainda dar uma explicaíão de facto.
Na vida quotidiana somos confrontados frequentemente com pedidos de “gasosa”. De alguns polícias de trânsito; de certos funcionários públicos, especialmente nos locais de atendimento; dos carregadores de bagagens ainda dentro do aeroporto; e até de alguns particulares, quando por alguma razão o nosso bem estar possa estar dependente de uma acíão deles.
O processo não é normalmente descarado — embora isso também aconteía. Passa geralmente por algumas insinuaíões, referências a dificuldades financeiras, olhares e gestos esclarecedores.
Pode também assumir outras formas: um pedido de “boas-festas”, por exemplo, na época do Natal (que nesse aspecto se prolonga até Marío…), ou um pedido directo de um bem qualquer: “Não tem aí um desses para mim?“
Cabe-nos a nós decidir o caminho a seguir: embarcar no jogo, e dar a “gasosa”; ou fazer-mo-nos de burros e fingir que não estamos a perceber. O curioso é que, quando se opta por esta segunda via, não há normalmente consequências de maior. O que pode significar que a instituiíão da “gasosa” está a perder foría. Seria muito bom para Angola se isso fosse verdade.
Graías ao meu novo e fabuloso clube de vídeo, consegui finalmente ver um filme que até aqui me tinha escapado: “Sideways”, escrito por Alexander Payne e Jim Taylor.
O filme é uma pequena jóia rara, daquelas que se recomendam aos amigos mais próximos, e vai entrar na minha colecíão de DVDs logo que eu consiga entrar numa Fnac.
Dois amigos de faculdade, quarentões e falhados, fazem uma viagem de uma semana pela lindíssima região dos vinhos da Califórnia. Miles quer proporcionar a Jack uma longa, tranquila, culta e sofisticada despedida de solteiro, entre degustaíões de colheitas especiais e calmas partidas de golfe. Jack só quer dar umas quecas antes de subir ao altar.
Apesar dessa premissa simples, e das longas conversas sobre taninos, castas, reservas e técnicas de produíão vinícola, “Sideways”” consegue agarrar-nos do princípio ao fim. É um case study para qualquer curso de guionismo, com a sua estrutura perfeita, voltas e reviravoltas, impecável noíão de ritmo, e um par de protagonistas/antagonistas inesquecíveis. Miles e Jack, apesar de amigos (e este é também um filme sobre a amizade masculina) estão em campos opostos desde o minuto zero. Cada um deles atravessa-se no caminho do outro, impedindo-o de conseguir o que mais deseja. E isso, como todos sabemos, é a raiz de qualquer grande história.
Algumas cenas são irrepreensíveis de inteligência, como aquela em que Miles explica apaixonadamente as razões que o levam a preferir a casta Pinot Noir — subtileza, sensibilidade, “feitio” difícil — e nós percebemos que é de si mesmo que está a falar. Outras são grandes momentos de comédia física, como o acidente automóvel que Jack provoca, ou a incursão de Miles de gatas pela casa de um marido enganado.
Aquela velha questão de como é possível torcer por personagens cheios de fraquezas e defeitos tem em “Sideways” uma resposta sublime. Miles é capaz de roubar dinheiro í mãe velhota, na véspera do aniversário dela; Jack engana a noiva a torto e a direito, e no caminho mente í namorada que arranjou na viagem. Pois mesmo assim nós queremos que as coisas lhes corram bem e que, por algum milagre, os dois encontrem um pouco da felicidade que lhes tem escapado, quem sabe até a redeníão dos seus pecados. Os autores fazem o favor de nos conceder esse desejo, mas não da forma óbvia que nós esperaríamos.
Li algures que “Sideways” teve o condão de aumentar astronomicamente as vendas de Pinot Noir nos EUA. A mim fez-me lembrar que já não escrevo nada de sério desde Novembro. E se um filme me consegue empurrar para o teclado, acho que só posso agradecer aos autores.
Na missa de hoje, na Sagrada Família, o padre enriqueceu a homilia com uma história tradicional sobre a ingratidão. Reza assim:
Havia uma macaca chamada Natchamba que vivia perto de uma aldeia. Ora na aldeia houve um casamento. O jovem casal comeíou a vida em comum e, pouco depois, já tinha um bebé. Para garantir o seu sustento a mãe comeíou a cuidar de um lote de terra, mas o bebé chorava e não a deixava trabalhar. Natchamba teve pena dela e desceu da árvore para dar “ó-ó” í crianía. Esta adormeceu e deixou a mãe trabalhar. No fim do dia a macaca devolveu o bebé í mãe com uma mensagem: “Eu sou a Natchamba, venho pelo bem, pela paz e pela generosidade. Mas o mal virá da aldeia”.
O tal livro que toda a gente comenta que daria um grandioso filme épico português, ou uma excelente mini-série ao jeito das saudosas “jóias da coroa†da BBC, houvesse no nosso país dinheiro e know-how para o adaptar.Dinheiro, é improvável que cheguemos lá com um mínimo de dignidade; a amplitude da história, a diversidade geográfica — Lisboa no início do século XX, a S. Tomé colonial do cacau e do café, a índia exótica da rainha Vitória — e a sua complexidade temática, histórica e política, não se compadecem com adaptaíões “í la moita floresâ€.